Capítulo 437: Capítulo 437 Pequenos Favores

Xu Yan observou a confiança de Xiaohan, como se ela tivesse certeza de que o bebê na barriga era uma menina.

Lu Zhengting não foi atrás delas quando saíram do escritório; ficou para resolver assuntos. Apesar de ser Ano Novo, o foco principal estava na festa de fim de ano dali a alguns dias. Este ano, ele estava determinado a fazer Xu Yan comparecer como a senhora da família Lu. Para evitar imprevistos na festa, o departamento de planejamento vinha revisando tudo nos últimos dias.

Lu Zhengting atendeu uma ligação de Fiennes e soube que Fesen, em Beicheng, já não conseguia mais esperar, planejando causar problemas após o Ano Novo. Ning Xi voltou para Beicheng, e Ning Nan também levou Xu Su de volta para lá. Para os inimigos deles, esse era o momento perfeito para atacar Lu Zhengting.

Lu Zhengting conhecia bem essas armadilhas ocultas, mas não era do tipo que se submetia passivamente. Sentado em sua cadeira de couro, ele percebeu, pelo canto do olho, uma sombra que passou rapidamente pela fresta sob a porta e soltou uma risada fria.

Xia Siyue estava do lado de fora, com o ouvido colado na porta. Xu Yan, pensando que era Ano Novo, havia dado folga a todos os empregados da casa. Ou seja, agora, naquela mansão enorme, só estavam eles cinco.

Xu Yan estava no jardim dos fundos com Xiaohan e Xiongxiong. Ela tinha dito que não se sentia bem e precisava voltar ao quarto. Sabendo, por Xu Yan, que Lu Zhengting estava no escritório, ela se atreveu a se esgueirar até lá, tentando descobrir o que ele estava fazendo ultimamente.

Desde que desapareceu do hospital da última vez, Xia Siyue sentia vagamente que Xu Yan já desconfiava dela. Conseguir informações de Xu Yan não era tão fácil quanto ela imaginava.

Ela não ouvia claramente o que Lu Zhengting dizia, mas conseguia captar algumas palavras. Gravou mentalmente algumas que considerou importantes e, para não ser descoberta, não ficou muito tempo na porta. Voltou ao quarto, pegou o celular e enviou uma mensagem curta para um número desconhecido.

Segundos depois, o celular emitiu um bipe, o som de confirmação de envio.

Xia Siyue sentou na cama, colocou o celular no criado-mudo, pensou um pouco e decidiu deitar-se.

No jardim dos fundos.

Xiongxiong estava há tanto tempo sem ver Xiaohan que, desde que o encontrou, ficou extremamente grudado nele, sem se afastar um passo. Para onde Xiaohan ia, ele seguia, sem perder nenhum momento. O rosto de Xiaohan transbordava alegria. Para Xiongxiong, Xu Yan achava que ele era um irmão muito dedicado.

— Irmão, não anda tão rápido, não consigo te acompanhar. — Xiongxiong correu atrás dele, parou para recuperar o fôlego e gritou para a figura à frente. Quando viu Xiaohan parar, correu de novo e segurou a manga da roupa dele.

O que Xiongxiong mais falava com Xiaohan era sobre Erdan. Antes, Xiaohan não estava em Mingcheng, Xu Yan estava em Beicheng, e Lu Zhengting tinha que ir para lá. Então, ele foi mandado, infelizmente, para perto de Xu Su, onde conheceu o novo irmão Erdan.

Xiaohan já tinha visto Erdan, mas raramente conversavam, então não sabia muito sobre ele. Agora, ouvindo Xiongxiong falar de Erdan, ficou interessado e começou a perguntar animadamente sobre ele.

— Da última vez, o tio Ning Er me levou, eu e o irmão Erdan, para o set de filmagem. Aí, um tio barbudo gostou do irmão Erdan e queria que ele atuasse num filme... — Ele atuou? — Não. — Xiongxiong riu. Xiaohan perguntou: — Por quê? — Porque o irmão Erdan se assustou com o tio e fugiu. Depois, o tio Ning Er tentou levá-lo de novo ao set, mas nem com ameaças ou promessas ele foi. Ao ouvir isso, Xiaohan riu: — Então Erdan é tão divertido assim. — É, o irmão Erdan é muito bom comigo, sempre me cede tudo. Pena que ele foi com o tio Ning Er e o tio Xu Su para Beicheng. Não sei quando vai voltar para Jiangcheng. — Parece que Xiongxiong se divertiu muito mesmo sem mim. Xiongxiong fez bico e disse baixinho: — Irmão, se eu não estivesse feliz, você com certeza ficaria triste. — Moleque, quem te disse isso? Vendo você tão feliz, é que fico triste. — Xiaohan franziu a testa, suspirou melancolicamente e falou num tom sombrio. Vendo isso, Xiongxiong coçou a cabeça: — É verdade? — É brincadeira. — Xiaohan, vendo a seriedade de Xiongxiong, mudou de tom e caiu na gargalhada.

Xu Yan, perto do canteiro de flores, olhou o relógio. Não era cedo, e como tinha dado folga a todos os empregados, isso significava que ela mesma teria que preparar o jantar. Felizmente, as compras da casa eram entregues por fornecedores logo cedo.

— Xiaohan, cuide do seu irmão. Tomem cuidado, ok? Xiaohan virou-se e acenou com a cabeça, depois levou Xiongxiong para a estufa de vidro. Lá dentro, quase tudo eram pinturas que Xu Yan fazia quando estava livre. Sem orientação profissional, o que ela desenhava até que tinha forma, embora um pouco solta, mas o uso das cores era ousado.

Xu Yan foi para a cozinha, pegou o avental atrás da porta e amarrou na cintura. Para facilitar o cozimento, tirou o casaco, ficando só de suéter, com as mangas arregaçadas até os cotovelos. Pegou os ingredientes da geladeira e os organizou em ordem na bancada. Quando tudo estava pronto, começou a prepará-los um por um.

De manhã, antes da confusão com Jiang Mingxiu, ela tinha pensado em pedir a Lu Zhengting para trazer Jiang Mingxiu para a mansão e passar o Ano Novo juntos. Mas agora, mesmo que quisesse convidá-la, ela não viria.

Lu Zhengting saiu do escritório na hora certa. No corredor, colocou as mãos no corrimão e olhou pensativamente para baixo. Ninguém sabia o que passava pela sua cabeça. Xia Siyue ouviu o barulho e saiu do quarto. Ao abrir a porta, viu as costas de Lu Zhengting. Seus olhos se apertaram; só aquela silhueta simples já a deixava perturbada.

O charme de Lu Zhengting era fatal para qualquer mulher. Mesmo parado como uma estátua, ele ainda exalava um magnetismo que atraía as mulheres. Xia Siyue já tinha pensado em conquistar Lu Zhengting antes, mas ele era inatingível, não era algo que uma mulher comum pudesse controlar.

No entanto, ninguém imaginava que quem o controlaria seria uma mulher anônima como Xu Yan.

Ela olhava fixamente para as costas dele, distraída. De repente, Lu Zhengting se virou bruscamente, com um olhar penetrante em Xia Siyue. Ela se assustou, o coração disparou. Sentindo aquela mirada afiada, não conseguiu evitar um arrepio.

— O que você está olhando? — perguntou Lu Zhengting, com voz fria. — Eu... pensei que, já que estou me sentindo melhor, poderia ajudar minha irmã com alguma coisa. Ela está grávida e não é muito prática. Não sabia que você estaria aqui, cunhado, então... — Da próxima vez, fique no seu quarto e não saia tanto. Xia Siyue, com medo de que Lu Zhengting percebesse algo, evitava ao máximo contato visual com ele. Depois de um longo silêncio, perguntou baixinho: — Cunhado, você não gosta muito de mim, gosta? Lu Zhengting olhou para ela sem expressão e soltou uma risada fria, quase imperceptível: — Só saiba que você está aqui por causa de Xu Yan. Xia Siyue rangeu os dentes. Na boca de Lu Zhengting, só havia Xu Yan. Ele realmente era tão apaixonado assim. Ela conteve a raiva e respondeu humildemente: — Entendi. Lu Zhengting nem a olhou, passou por ela e desceu para a cozinha, onde Xu Yan estava. A luz do teto da cozinha estava acesa, projetando uma sombra sobre a cabeça de Xu Yan. O cabelo que ele tanto amava acariciar estava preso num coque elástico, revelando seu pescoço longo e branco.

Xu Yan estava de cabeça baixa, totalmente concentrada em preparar os ingredientes. Era a primeira vez que passavam o Ano Novo como uma família desde que estavam juntos, e ela queria que tudo fosse perfeito.

A luz clara iluminava toda a cozinha. Xu Yan trabalhava com calma e ordem, sem pressa. Lu Zhengting estava encostado na porta, com as mãos nos bolsos, os olhos cheios de ternura fixos nela. Ele achava que, às vezes, vê-la trabalhar era como admirar uma bela paisagem, e ainda em movimento.

Lá fora, sem que percebessem, começou a nevar. Flocos brancos caíam, acumulando-se no parapeito da janela, lentamente se transformando em gelo. Xu Yan ora olhava para fora, ora para o que tinha nas mãos, com uma expressão séria e gentil. Cada vez que levantava a cabeça, seu rosto rosado trazia um sorriso suave.

Lu Zhengting, fascinado, aproximou-se involuntariamente de Xu Yan. Estendeu a mão e a abraçou pela cintura, puxando-a suavemente para si. Xu Yan, surpresa, soltou um pequeno grito.

— Não me atrapalha, estou com uma faca na mão. Se cair, cuidado com o seu pé. — disse Xu Yan, rindo. Lu Zhengting não disse nada. Inclinou-se e apoiou a cabeça no ombro dela, roubando um beijo descarado em sua bochecha. Xu Yan sentiu a barba dele coçando seu pescoço, encolheu os ombros, largou a faca e disse, entre risos e lágrimas: — Para com isso, não consigo trabalhar assim. — Como é que te abraçar atrapalha o trabalho? Xu Yan revirou os olhos e perguntou, rindo: — O que foi? Você parece diferente hoje. — Diferente como? — Parece que está muito grudado em mim. Lu Zhengting não negou. Em vez disso, como Xiaohan fizera à tarde, esfregou o rosto no pescoço dela. Xu Yan instintivamente se esquivou, mas ele segurou sua cintura, impedindo-a de se mexer. Xu Yan suspirou, sentindo que tinha um filho grande. Pensando nisso, não resistiu e passou uma mão na cabeça de Lu Zhengting.

— Vai, quer fazer você mesmo? — Fique aqui comigo. — Você vai cozinhar, e eu fico aqui fazendo o quê? Olhando você cozinhar? Lu Zhengting assentiu, como se fosse óbvio: — É, fique aqui me vendo cozinhar. Xu Yan pensou um pouco, virou-se e colocou as mãos no pescoço dele. Com os olhos brilhantes como estrelas, olhou para ele com ternura. Seus lábios vermelhos e brilhantes estavam úmidos. Ela fez bico, puxou Lu Zhengting para baixo e o beijou na boca.

— Smack — — Agora não vai mais me atrapalhar, vai? Lu Zhengting, ainda insatisfeito, fixou os lábios dela. Pensou por um momento e disse, com voz rouca e lenta: — Acha que essa pequena gentileza já me satisfaz?