Capítulo 372: Capítulo 372: Esperando

Xu Yan olhou melancolicamente para o homem ainda mergulhado em inconsciência. Ao pensar que partiria dali no dia seguinte, sentiu um vazio repentino no coração. Percebendo Zhan Meng e Ning Xi ao lado, sabia que não podia demonstrar o menor sinal de fraqueza. Baixou os olhos com discrição e respirou fundo.

— Vocês vieram. — Xu Yan virou-se e sorriu.

— É. Xu Yan, sua aparência... está tão abatida.

Ao ouvir isso, Xu Yan tocou instintivamente o rosto e olhou para Zhan Meng com incerteza. — Estou mesmo tão abatida?

Vendo Zhan Meng balançar a cabeça com seriedade, Xu Yan não pôde deixar de curvar os cantos da boca. Levantou-se para pegar cadeiras para eles, aproveitando para esticar o corpo. Ficara ao lado da cama a noite inteira, o coração inquieto, sem pregar o olho. Agora, mantinha-se acordada à força, com medo de perder o momento em que ele acordasse.

O movimento de Xu Yan foi um pouco lento. Zhan Meng estendeu a mão rapidamente para segurar a dela, impedindo-a, e então ergueu as sobrancelhas para olhar para Ning Xi, que estava pensativo ao lado. Com a mão livre, deu um tapa no ombro dele. — No que você está pensando? Não vai ajudar?

Zhan Meng não media a força. Ning Xi, apesar de ter a pele grossa e ser resistente, sempre acabava com hematomas inexplicáveis sob as mãos dela. E o pior é que os lugares mudavam toda vez. Ele pensou, ergueu os olhos devagar para encarar Zhan Meng, ao menos para que ela lhe desse um pouco de respeito na frente da cunhada.

Ning Xi, em uma frase, era bonito e cheio de esperanças. Zhan Meng não era do tipo que se importava com um olhar dele. O respeito dependia do humor dela.

Justamente por conhecer Zhan Meng, Ning Xi, no momento crucial em que o olhar dela se voltou, mudou de expressão como num passe de mágica, exibindo um sorriso charmoso no rosto bonito.

Zhan Meng sorriu satisfeita, piscou para ele, e então virou-se para segurar a mão de Xu Yan, dizendo alegremente: — Yan Yan, por que você está fazendo isso? Eu disse para o Ning Xi ficar de vigia, mas você não confiou, teve que se desgastar sozinha. Para quê? Sinceramente, você está muito estranha nos últimos dias.

— Estranha? — Xu Yan baixou a cabeça e perguntou com naturalidade: — Por que você acha isso?

— Se eu pudesse explicar, não estaria te perguntando. Yan Yan, confessa: você está escondendo algo de nós?

— Como eu esconderia algo de vocês? Você está pensando demais.

— Tomara que seja só isso. — Zhan Meng balançou a cabeça. Sua intuição sempre fora certeira; os erros contavam-se nos dedos. O olhar evasivo de Xu Yan a fazia sentir que algo não estava certo.

Ning Xi, como homem, sentia-se frustrado por estar ali ouvindo as duas conversando sobre amenidades. Ao ouvir Zhan Meng falar com Xu Yan, a curiosidade despertou. Puxou levemente a manga de Zhan Meng e perguntou com um sorriso radiante: — Se fosse eu deitado na cama, você faria o mesmo que a cunhada?

Zhan Meng revirou os olhos, abriu um sorriso malicioso e respondeu: — Se fosse você, eu não agiria como a Xu Yan. Eu seria mais feliz, dormiria e acordaria cedo, levaria o filho para passear, e quando você acordasse, traria ele de volta para te ver.

— Mulher sem coração! Como fui me apaixonar por você? — Ning Xi deixou escapar a última frase, quase provocando uma tragédia.

Zhan Meng e Ning Xi não ficaram muito tempo. Antes de ir, Zhan Meng lembrou Xu Yan de descansar, dizendo que "o homem é de ferro, a comida é de aço; uma refeição perdida deixa a gente fraco", fazendo Xu Yan rir gostosamente.

Na vila de Mingcheng. Depois que todos foram embora, o silêncio voltou a reinar como antes. No ar, só se ouvia o som do vento sibilante.

O quarto ficava no terceiro andar. Xu Yan, cansada de ficar sentada, levantava-se e ia até a janela. Abria-a um pouco, e o vento frio que entrava a acalmava como água fria nos momentos de impotência e confusão.

Xu Yan nunca achara que o tempo passasse rápido, mas naquele momento, ao relembrar o passado, desde que conhecera Lu Zhengting, as cenas vinham à mente uma após a outra, como se estivesse vendo a história de outra pessoa. Sentia-se como uma espectadora, o coração cheio de emoções.

O tique-taque do relógio soava como água cristalina batendo em rochas, nítido e melodioso, espalhando-se pelo quarto silencioso, como se apressasse quem teimava em não acordar.

Sem perceber, já era uma da manhã.

Era a décima vez que Xu Yan olhava as horas. Na espera, o tempo parecia longo, mas ela contraditoriamente desejava que passasse ainda mais devagar.

No dia seguinte, o céu clareou. No oeste da cidade, uma grande nuvem escura avançava lentamente, densa e ameaçadora, quase encobrindo a luz branca. A cidade inteira parecia envolta em penumbra. O vento frio soprava cada vez mais forte, balançando as árvores do lado de fora, que se inclinavam desordenadamente.

Xu Yan abriu os olhos devagar, olhando fixamente para a cortina que se erguia com o vento. A corrente no alto batia na parede, fazendo um som tilintante. Ela demorou um pouco para se recompor e olhou para o homem na cama, que ainda não acordara.

Ah, se você não acordar logo, vou ter que ir embora. Então, Lu Zhengting, acorde rápido. Assim, mesmo que eu vá, partirei com o coração mais leve.

Xu Yan não sabia se Lu Zhengting ouviria seus pensamentos. Se ouvisse, a primeira pergunta dele seria: para onde você vai?

Por volta das dez da manhã, Xu Yan já trocara de roupa. Olhou-se no espelho e viu que sua aparência estava péssima, a ponto de ela mesma se desprezar. Sua pele naturalmente bonita, se continuasse sendo maltratada assim, deixaria de sê-lo.

Pegou o pó compacto e passou no rosto, tentando cobrir as olheiras profundas.

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Depois de voltar para casa, a sensação estranha de Zhan Meng só aumentou. Ao acordar de manhã, agarrou a mão de Ning Xi e o sacudiu com força. — Ning Xi, não está certo. Quanto mais penso, mais errado parece. Para de dormir e pensa comigo.

— Pensar no quê? — Ele ainda estava com sono depois da noite agitada. Vendo Zhan Meng cheia de energia, chegou a suspeitar que os papéis deles tivessem se invertido.

— Dorme nada! Te pergunto: a fórmula do T6, você disse que a Xu Yan te deu, e ainda por cima funcionou. Você nunca desconfiou como ela conseguiu essa fórmula?

— Meng Meng, eu sei.

— Sabe? Você diz que sabe? Então me conta o que está acontecendo?

Ning Xi abriu os olhos, esticou o braço forte e o colocou sobre o peito de Zhan Meng, pressionando-a levemente para baixo. Ela, que estava sentada pensando, foi derrubada e ficou imóvel.

— Querida, discutir um assunto tão sem graça logo de manhã... que tal fazermos algo mais nutritivo? — A voz de Ning Xi era grave, com um toque de rouquidão.

— Algo nutritivo? Brigar? — Zhan Meng, frustrada, balançou o punho para ele, como quem diz: depois da lição de ontem, ainda não aprendeu?

Vendo isso, Ning Xi sentiu que sua masculinidade fora seriamente desafiada. Diante de Zhan Meng, ele perdia feio.

Zhan Meng ficou deitada pensando por muito tempo, mas não conseguiu superar a dúvida. Com um gesto brusco, puxou o cobertor, ignorou os olhares sedutores de Ning Xi, trocou de roupa e saiu.

Ia procurar Xu Yan para esclarecer tudo. Xu Yan certamente escondia algo delas.

Ning Xi mal podia acreditar que aquela mulher, que agia por impulso, era sua companheira de vida. Vendo Zhan Meng sair apressada, sem se importar com ele na cama, sentiu-se profundamente abandonado. Depois de um tempo, levantou-se também, arrumou-se rapidamente e foi tratar de seus afazeres.

Ning Xi foi até a casa de Xu Su. Assim que apareceu no alcance das câmeras de segurança, sentiu como se alguém estivesse apontando uma arma para sua cabeça. Essa sensibilidade ao perigo o fez franzir a testa. Porra, toda vez que vinha aqui, passava por isso! Que injustiça!

Ning Nan, de pijama, estava preguiçosamente na varanda do segundo andar, com um casaco longo sobre os ombros, obrigado por Xu Su. Quando viu o olhar melancólico de Ning Xi, caiu na gargalhada e mostrou o dedo do meio para ele.

— Merda! — Ning Xing xingou.

Pensando na tarefa importante que tinha, não podia se importar com aquele idiota. Ning Xi repetiu isso mentalmente, e a raiva foi se acalmando. Guiado pelo mordomo, foi direto ao escritório de Xu Su.

Xu Su estava sentado ereto, olhando para Ning Xi. — Temos resultados.

Ning Xi franziu a testa, sentou-se na cadeira e fitou Xu Su. — Como esperávamos?

— Sim. — Xu Su, com gestos elegantes, abriu a gaveta com os dedos finos, pegou um documento e virou o computador para que Ning Xi visse.

Xu Su tinha esse charme: em cada movimento, exalava a elegância e a nobreza de um jovem aristocrata.

— Então eles se aliaram à família Fei? — Ning Xi olhava para o computador, lendo rapidamente.

— Sim. Para pegá-los todos de uma vez, ainda não é o momento certo.

— E a Xu Yan? Parece que fez algum acordo com o chefe da família Fei. Caso contrário, como o Fei Ensi teria entregado a fórmula do T6 tão facilmente?

— Quando o Lu Zhengting vai acordar?

— Hoje.

Xu Su colocou as mãos nos braços da cadeira, batendo os dedos de vez em quando. — Certeza?

— Confia em mim. O Lu Zhengting vai acordar hoje.

Ao ouvir isso, um lampejo de surpresa e dúvida passou pelos olhos de Xu Su, mas ele o escondeu rapidamente antes que Ning Xi percebesse. Ning Xi recolocou o computador no lugar. Xu Su ergueu a cabeça e viu Ning Nan, que chegava com uma expressão suave e um sorriso doce, parado na porta do escritório.