Capítulo 335: Capítulo 335: Situação Crítica

Feinles baixou o olhar friamente para a criança que corria em sua direção e, instintivamente, desviou-se. Xiaohan caiu no chão com força. Ele virou a cabeça, viu os seguranças se aproximando, e rapidamente ergueu os olhos para o estranho à sua frente.

— Socorro.

Feinles não gostava de crianças, de jeito nenhum. Com desdém, ele revirou os olhos e passou direto. Xiaohan franziu os lábios, frustrado, mas a situação atrás dele não lhe dava tempo para pensar. Sem hesitar, ele esticou os braços e agarrou a perna do segurança atrás de Feinles, gritando de repente no saguão do aeroporto:

— Estão sequestrando crianças!

O sequestro de crianças, especialmente por mulheres, era visto pela maioria como um crime imperdoável. E, em público, um sequestro descarado chamou a atenção de todos instantaneamente. As pessoas se aglomeraram em direção ao local.

Xiaohan aproveitou o momento, soltou as mãos de repente, abaixou-se e se escondeu na multidão. Feinles, de repente cercado por um grupo, não tinha para onde ir. Os seguranças atrás dele tentavam dispersar a multidão, mas o segurança que perseguia Xiaohan avançou e agarrou a gola de uma pessoa, perguntando furioso:

— Cadê o pequeno patrão?

Nem os seguranças de Feinles, nem o próprio Feinles, entendiam o que estava acontecendo. Até a polícia chegar, a confusão só se acalmou. Jiang Mingxiu, que apareceu depois, olhou para Feinles com raiva e depois varreu os policiais com o olhar.

— Meu neto desapareceu no aeroporto. Mandem alguém procurá-lo agora! Se não o encontrarem, preparem-se para serem denunciados! — Jiang Mingxiu fez uma pausa e se virou para os seguranças inúteis, rosnando baixo: — O que estão esperando? Vão procurar o pequeno patrão!

Xiaohan, que havia escapado com sucesso, estava agora na saída do aeroporto, observando as pessoas indo e vindo. Seu celular devia ter caído durante a fuga. A irmã Yan disse que estava a caminho do aeroporto, mas não especificou onde se encontrariam! Ansioso, ele parou no lugar, viu os policiais circulando pelo aeroporto, franziu a testa e escapou novamente.

Jiang Mingxiu estava sentada na sala VIP. Quando viu Lu Zhengting ligar, não atendeu. Ao lado dela, um segurança a acompanhava, e alguns funcionários estavam na sala. Ela silenciou o celular, colocou-o de lado, tomou um gole de café e, ao ver o segurança voltar, levantou-se de repente.

— Encontraram o pequeno patrão?

— Senhora, ainda não. Mas suspeitamos que ele já tenha saído do aeroporto.

— Saído do aeroporto? Impossível!

Em outra sala VIP, Feinles estava sentado no sofá com uma expressão sombria, os olhos semicerrados como se estivesse descansando, mas na verdade estava furioso. O segurança ao lado dele mantinha os lábios cerrados, sem ousar respirar alto. O ambiente na sala era pesado e opressivo.

— Encontraram aquela criança? — perguntou Feinles friamente.

— Não, mas encontramos o celular dele. — O segurança entregou o aparelho a Feinles.

Feinles pegou o celular, deslizou o dedo, mas a senha de desbloqueio estava errada. Ele franziu os olhos e jogou o aparelho para trás:

— Desbloqueie.

— Patrão, a última chamada foi há onze minutos, para a "irmã Yan". — O segurança, após desbloquear, viu o registro e informou com seriedade.

— Encontre essa criança para mim. — Feinles odiava crianças, odiava a sensação de ser cercado por multidões. E, há onze minutos, tudo que ele odiava tinha acontecido com ele. Até agora, ainda se sentia azarado.

Mobilizar todos os seguranças do aeroporto, a polícia e duas equipes de seguranças só para encontrar uma criança pequena? Duvidoso que alguém acreditasse.

— Patrão, está chegando uma ligação.

Feinles olhou para o identificador de chamadas: "irmã Yan"? Ele franziu os olhos, confuso. Quando ia atender, a chamada foi subitamente encerrada.

Xiaohan estava sem dinheiro. Antes, ele gastava à vontade, com o bordão "meu pai tem dinheiro". Agora, sentia o desespero e a tristeza de não ter um centavo. Enquanto lamentava, alguém por trás cobriu sua boca com algo, e em segundos ele perdeu a consciência.

O balanço do carro deixou Xiaohan enjoado, quase vomitando tudo que tinha comido no dia. Ele abriu os olhos, mas tudo estava escuro. Tentou mexer os braços e as pernas, mas descobriu que estavam amarrados. Não conseguia se mover. Sorte que ainda podia mexer a boca.

— Quem são vocês? Ousam me sequestrar? — Xiaohan inclinou a cabeça, sem parecer preocupado com a situação.

Ele não sabia se havia alguém ao lado. A única sensação era a de que o carro estava em movimento, e o motorista dirigia mal, balançando demais para os lados.

Quem primeiro soube do paradeiro de Xiaohan foi Feinles. Ele segurava o celular do menino, olhando para o nome "irmã Yan". Já era a quinta vez que o telefone tocava. Ele perguntou de repente:

— Sabem quem o levou?

— Precisamos investigar?

Feinles franziu os lábios e colocou o celular na mesa:

— Não precisa.

Quando Jiang Mingxiu recebeu a notícia, o carro com Xiaohan já estava na Ponte Bayi. A ponte tinha pouco tráfego, o que tornava a perseguição fácil e difícil ao mesmo tempo. Perderam muito tempo, e só puderam identificar a placa do carro pelas câmeras para rastreá-lo.

Xu Yan entrou correndo no saguão do aeroporto, com Lu Zhengting logo atrás. Os dois foram para a sala VIP. Quando Jiang Mingxiu viu Lu Zhengting, seu rosto finalmente mudou um pouco.

— Zhengting, levaram o Xiaohan.

Lu Zhengting já tinha recebido a notícia. O assistente Xiao estava indo para a Rua Bayi com uma equipe para interceptar. Xu Yan guardava rancor de Jiang Mingxiu. Em seu coração, Xiaohan era como um filho. Se algo realmente acontecesse com ele, ela não saberia como se perdoar.

Lu Zhengting tentou acalmar Xu Yan, mas Jiang Mingxiu virou o olhar para ela de repente. Ela culpava Xu Yan por tudo. Depois de se acalmar um pouco, explodiu de novo, apontando para Xu Yan e dizendo pausadamente:

— Tudo por sua causa! Se o Xiaohan não estivesse insistindo em te ver, nada disso teria acontecido!

— Se algo acontecer com ele, você também não vai se dar bem!

— ...

Xu Yan ficou em silêncio, sem resposta. Não que concordasse com Jiang Mingxiu. Fez uma pausa e, sem medo, olhou para ela:

— Senhora, qual é o sentido de discutir quem está certo ou errado agora? O mais importante não é torcer para o Xiaohan voltar são e salvo?

— Não preciso da sua falsa bondade aqui. Tudo isso é por sua causa.

Xu Yan franziu a testa. Às vezes, sentia que as palavras eram tão inúteis:

— Senhora, mesmo que seja minha culpa, não é mais importante encontrar o Xiaohan agora? Se a senhora acha que me xingar vai trazê-lo de volta, então xingue à vontade.

Ao ouvir isso, Jiang Mingxiu ficou furiosa e gritou:

— Que atitude é essa? Está dizendo que estou jogando a culpa em você?

— Não, não foi isso que quis dizer. — Xu Yan tentou se explicar, mas não conseguiu mudar a visão já enraizada de Jiang Mingxiu sobre ela. Sua constante recuo só fazia a outra avançar mais. Ela olhou para Lu Zhengting, que estava ao telefone, e depois encarou Jiang Mingxiu friamente.

— A senhora também não quer que o Xiaohan se machuque. Então, ou fica quieta esperando notícias, ou pega um avião de volta para os Estados Unidos agora. Senhora, eu a respeito, não só por ser mãe do Lu Zhengting, mas também por ser mais velha. Mas isso não significa que posso ser culpada arbitrariamente.

As palavras de Xu Yan calaram Jiang Mingxiu temporariamente. A sala VIP ficou um pouco mais silenciosa.

Quando a próxima notícia chegou, Xiaohan já tinha sido levado ao hospital, em estado crítico.

Lu Zhengting levou Xu Yan e Jiang Mingxiu correndo para o hospital municipal. Na porta da sala de cirurgia, o assistente Xiao viu Lu Zhengting se aproximar com o rosto sombrio e deu alguns passos à frente, com expressão séria.

— Sr. Lu, o pequeno patrão foi atropelado.

— Quem fez isso?

— Xia Siyue. Ela também está em reanimação.

Ao ouvir o nome de Xia Siyue, Xu Yan empalideceu. Jiang Mingxiu franziu a testa, com os olhos flamejantes fixos em Xu Yan:

— Seu coração é muito cruel! Ousou mandar sua irmã machucar meu neto! Isso não vai ficar assim!

— Assistente Xiao, onde está aquela mulher agora?

O assistente Xiao hesitou:

— Na sala de cirurgia.

— Vá chamar o diretor do hospital para mim. Quero que parem a cirurgia dela imediatamente! — Jiang Mingxiu estava furiosa.

O assistente Xiao olhou para Lu Zhengting, que estava inexpressivo, e ia falar quando a porta da sala de cirurgia se abriu de repente. Uma enfermeira saiu apressada e disse rapidamente:

— Quem é o responsável pelo Lu Yihan?

— Sou o pai dele.

— Sou a avó.

Xu Yan foi empurrada para o lado por Jiang Mingxiu e quase caiu.

— Alguém aqui tem sangue Rh negativo? Quem tiver, venha comigo. O paciente perdeu muito sangue e precisa de transfusão urgente. O banco de sangue...

Ao ouvir "transfusão", Jiang Mingxiu e Lu Zhengting congelaram. Eles se entreolharam. Lu Zhengting decidiu na hora e ordenou que o assistente Xiao trouxesse Ke Yaru ao hospital.

Por sorte, o assistente Xiao estava hoje a serviço de Lu Zhengting, levando Ke Yaru para o exterior. Ela estava no carro lá embaixo, vigiada.

Ke Yaru ficou preocupada ao saber do acidente de Xiaohan. Mas, por não ter descansado bem nos últimos dias, seu rosto estava pálido. Ao correr, seu corpo fraquejou e ela caiu sobre Lu Zhengting. Ergueu os olhos, olhou profundamente para ele e depois se virou para a enfermeira.

— Eu sou Rh negativo. Podem usar meu sangue.

— Venha comigo.

Xu Yan estava encostada na parede, inclinada. Desde que soube que Xiaohan era Rh negativo, a reação de Lu Zhengting e Jiang Mingxiu, e o fato de só Ke Yaru ter o tipo compatível, tudo parecia não ter nada a ver com ela. Ela olhava fixamente para a luz vermelha na porta da sala de cirurgia, perdida em pensamentos.

Não se sabe quanto tempo depois, a luz da sala de cirurgia finalmente se apagou.

Ke Yaru e Xiaohan foram trazidos para fora ao mesmo tempo pelas enfermeiras. Xu Yan olhou fixamente para o rosto pálido de Xiaohan e seus olhos fechados, e não conseguiu conter as lágrimas. Ao ver isso, Jiang Mingxiu se virou e gritou com Xu Yan:

— Saia do hospital agora mesmo!