Capítulo 314: Capítulo 314 Quem bateu?

Xu Yan pegou os sapatos do chão como se nada tivesse acontecido, tomando cuidado para não calçá-los com muita força em Xiongxiong, porque ele era especialmente agitado.

O velho Sr. Xiao só queria perguntar como estava o caso de Ke Yaru, mas ao ouvir Jiang Mingxiu dizer aquilo, o resultado o deixou razoavelmente satisfeito.

Na verdade, o velho tinha combinado de se encontrar com um amigo antigo mais tarde para matar saudades, mas ao ver a relação entre Xu Yan e Lu Zhengting tão tensa, não aguentou mais e, de quebra, levou Xu Yan até a empresa para encontrar Lu Zhengting, trazendo também o filho para aliviar o clima nos momentos importantes.

E, de fato, Xiongxiong conseguiu fazer isso.

O velho atendeu o telefone, soube que o amigo já havia chegado, apoiou-se na bengala, deixou Xu Yan ali, soltou um "não vou jantar em casa" e foi embora, como quem chega leve e parte leve... sem levar nem uma nuvem consigo.

Xiongxiong ria feliz nos braços de Lu Zhengting, e Xu Yan sentiu um aperto no coração. Ao ver Xiongxiong sorrindo para ela, o rosto fechado de Xu Yan se abriu num sorriso instantâneo. Aquele menino era um pestinha esperto; às vezes ela até suspeitava que dentro daquele corpinho pequeno morasse um adulto.

Sempre conseguia desempenhar um papel crucial nos momentos decisivos.

Lu Zhengting observava o filho sorrir para Xu Yan enquanto via o sorriso educado e sem graça dela, e o canto da boca se ergueu ligeiramente. Xiongxiong virou o corpo, bloqueando exatamente o rosto do pai, e Xu Yan não percebeu a mudança na expressão dele.

— Me dá o filho, você pode continuar trabalhando. — Não precisa. É óbvio que o filho prefere que eu o segure. — É porque ele acha você bonito.

Xu Yan já tinha notado um padrão: toda vez que Xiongxiong via alguém bonito, estendia a mão pedindo colo, e quando via uma mulher bonita, pedia beijos.

Isso foi confirmado com Zhan Meng e Ning Xi.

Xu Yan olhou para Xiongxiong com irritação. Ela até era uma pessoa que valorizava a aparência, mas isso não era algo hereditário. Então ficava intrigada como um bebê de menos de um ano conseguia distinguir entre bonito e bonita.

Lu Zhengting deu algumas risadinhas, passou os dedos sob o queixo do filho e fez cócegas de leve, arrancando gargalhadas de Xiongxiong. Quando ele abriu a boquinha, só se via um pequeno dentinho aparecendo, muito fofo.

— Chega, me dá o menino, senão isso vai virar uma festa sem fim. — Você não vê que o filho gosta? — Lu Zhengting, você não acha que esse gesto parece o de quem está provocando um cachorro? — acrescentou Xu Yan, com um tom feroz.

Ao ouvir isso, Lu Zhengting ficou surpreso com as palavras dela: — Você está me dizendo que nosso filho é um cachorro?

Xu Yan franziu a testa, irritada: — Não distorce o que eu disse! Pronto, Lu Zhengting, me devolve meu filho agora. — Também é meu filho. — Então tá, me dá o seu filho. — Xu Yan disse, sem paciência. Fez uma pausa e, para evitar que Lu Zhengting falasse de novo, completou: — Você é o pai dele, e eu sou a mãe. — Xu Yan, o caso de Ke Yaru já foi resolvido. A criança se foi. — Lu Zhengting segurava o filho sem soltar, mencionando o assunto como se nada fosse. Fez uma pausa, mas engoliu as palavras que estavam na ponta da língua. Afinal, se a criança na barriga de Ke Yaru existia ou não, ainda era uma incógnita.

Ele sempre queria acalmar Xu Yan o mais rápido possível. Aquela mulher adorava se prender a detalhes; quando entrava nessa, era um tormento de novo.

Xu Yan hesitou: — É, eu sei.

No rosto de Xu Yan não havia nenhuma expressão extra, o que decepcionou um pouco Lu Zhengting e também o deixou frustrado. Antes que ele pudesse se recompor, o celular de Xu Yan tocou de repente.

Xu Yan pegou o celular discretamente e deu uma olhada. Pelo canto do olho, percebeu que Lu Zhengting estava olhando para ela, e franziu a testa: — O que você está olhando? — Quem está te ligando? — Ye Yunchen. — Quem? — Ye Yunchen. — Xu Yan respondeu de novo. Vendo que ele a encarava fixamente, ela ia deslizar para atender, mas se distraiu e acabou deslizando para recusar a chamada.

Lu Zhengting viu aquilo e sentiu um certo alívio; sua expressão pareceu suavizar num instante. Xu Yan às vezes achava aquilo muito engraçado. Ele sempre se importava tanto com o contato dela com Ye Yunchen, mandando ela parar de falar com ele, mas quando se tratava do caso de Ke Yaru, ele não se cobrava da mesma forma.

Xu Yan suspirou baixinho no fundo do coração, pensando em retornar a ligação quando tivesse tempo.

Guardou o celular, olhou para o relógio e disse: — A gente precisa ir. — Vou com vocês.

Xu Yan achou que Lu Zhengting insistia em ir com eles por causa da ligação de Ye Yunchen, com medo de que ela levasse o filho escondido para vê-lo. E Lu Zhengting realmente pensava assim. A mulher dele levando o filho dele para encontrar um rival no amor, mesmo que a força desse rival fosse zero.

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Ke Yaru comia enquanto observava Ye Yunchen. Vendo a expressão dele ficar sombria, ela riu e disse: — Xu Yan não atendeu seu telefone? — Cala a boca. — Xi, xi, xi, Ye Yunchen, vou te dizer: se eu desaparecer, Lu Zhengting vai mandar gente me procurar por todo lado. Achando ou não, ele vai contar para Xu Yan que a criança na minha barriga se foi. Nessa hora, Xu Yan pode até perdoá-lo. Então, em vez de ligar para ela, é melhor você tratar logo do que eu te falei.

Ke Yaru tinha passado seis anos ao lado de Lu Zhengting. Mesmo sem conhecê-lo completamente, quando se tratava de coisas relacionadas a Xu Yan, ela conseguia adivinhar a maioria das atitudes dele com boa precisão. — Amanhã.

Ao ouvir isso, Ke Yaru não pôde deixar de sorrir, um sorriso frio. Amanhã ela faria Xu Yan sentir de novo o gosto de ser apontada por todos.

No dia seguinte, a temperatura estava agradável, o céu limpo, uma brisa suave soprava por todos os cantos da cidade. Ruas movimentadas, pedestres indo e vindo; vielas tranquilas exalavam um perfume suave, como se o vento trouxesse o cheiro das flores de osmanthus de agosto.

Ning Xi, que estava sumido há tempos, apareceu de repente na frente de Zhan Meng, provocando uma forte resistência nela. Vendo Ning Xi com seu jeito brincalhão, o humor dela piorou ainda mais. Porque ela percebeu que não conseguia ser dura com Ning Xi.

Toda vez que Ning Xi dizia, com uma cara de coitado, que sentia saudades do filho, ela amolecia e acabava aceitando o pedido dele para ver o menino.

Essa desculpa se repetia dia após dia: no começo era meio dia, depois um dia inteiro, até que ele simplesmente se instalava na casa dela, dizendo que o filho gostava dele e chorava se não o visse.

Só que o filho não dava a mínima para o pai. Quando via Ning Xi, fazia cara de nojo. Geralmente, se Zhan Meng estava por perto, ele se agarrava nas pernas da mãe, mostrando lealdade e fazendo cara feia para Ning Xi. Mas assim que Zhan Meng saía de vista, ele começava a balbuciar "papai, papai".

Ning Xi ficava triste. Por mais que subornasse o filho em particular, o menino concordava com tudo, mas depois esquecia completamente.

Quando ele via o filho de Lu Zhengting protegendo o pai, sentia uma mistura de inveja e raiva. Afinal, eram ambos filhos, mas o tratamento era tão diferente.

Antes, Zhan Meng tinha combinado com Xu Yan, mas Xu Yan ligou dizendo que não poderia ir à tarde. Zhan Meng queria aproveitar a tarde para deixar o filho e Ning Xi passarem mais tempo juntos, fortalecendo o vínculo.

Mas Ning Xi não sabia que ela voltaria de repente. Ele estava sentado no sofá com o filho no colo, rindo, segurando as mãozinhas do menino enquanto jogavam videogame, se divertindo à beça. Zhan Meng ouviu o barulho e abriu a porta da sala de jogos. A cena a deixou paralisada.

O filho virou a cabeça para olhar a mãe, largou o controle de lado, escapou do colo de Ning Xi e, cambaleando, engatinhou pelo sofá até ela.

Zhan Meng se abaixou, pegou o filho no colo e beliscou de leve a bochecha rosada dele, rindo: — Tá se divertindo muito?

Ning Xi ficou parado, segurando o controle, olhando para o filho que há pouco brincava feliz com ele e agora o ignorava. Para que servia aquele filho? Assim que via a mãe, esquecia o pai; a velocidade dessa traição era impressionante.

Zhan Meng não ia brigar com o filho. Ela entendia, vagamente, que na ausência dela, o menino se divertia muito com o pai biológico, e percebeu que a cara de nojo que ele fazia para o pai na frente dela era tudo fingimento. — Mengmeng, você não tinha combinado com a cunhada? — Ela teve um imprevisto, então voltei. — Mamãe...

Ouvindo o filho chamá-la com a fala enrolada, Zhan Meng se inclinou e beijou a bochecha dele. Ning Xi ficou com vontade de fazer o mesmo. Calculando os dias, há quanto tempo ele não se aproximava de Zhan Meng? Antes, quando não tinha experimentado aquilo, aguentava de boa, achando que não era nada demais. Agora era diferente; depois de provar, ele achava aquilo simplesmente indescritível.

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Foi Xia Siyue quem ligou para Xu Yan.

No telefone, Xia Siyue disse que sabia onde Ke Yaru estava e até algumas coisas que Xu Yan desconhecia. Xu Yan ficou curiosa para saber o que Xia Siyue ia lhe contar.

Além disso, no baile de caridade, Xia Siyue tinha ofendido sem querer a queridinha da família Feng, Feng Yuan, fazendo com que as irmãs mais velhas a expulsassem do círculo das socialites. Sem conseguir entrar nesse círculo, Xia Siyue ficou na dela por uns tempos, mas agora queria voltar a causar confusão.

Xia Siyue chegou antes dela. Xu Yan vestia um casaco rosa, calças jeans claras justas, saltos de quase sete centímetros, o cabelo longo como uma cascata caía pelas costas. O rosto, antes simples, agora tinha uma maquiagem suave e refinada. De longe, parecia elegante e gentil, com um toque de frieza sutil.

Xu Yan caminhou sem pressa até Xia Siyue, sentou-se na cadeira à sua frente com expressão impassível. Quando a garçonete trouxe o cardápio, ela virou a cabeça e deu um sorriso leve: — Um copo de água morna, obrigada.

Xia Siyue ficou surpresa. Em tão pouco tempo, ela percebeu que Xu Yan estava ainda mais bonita do que antes. Mal esse pensamento surgiu, ela quase se irritou consigo mesma. — Achei que você não teria coragem de vir. — provocou Xia Siyue. — É mesmo? — Xu Yan pegou o copo de água morna que a garçonete lhe deu, colocou-o na mesa, sem mudar a expressão. — Você realmente deveria aproveitar para manter a calma antes de eu abrir a boca, senão daqui a pouco você vai... — Vai o quê? Você não disse que sabe coisas que eu não sei? Então fala logo, sem rodeios. — Está com tanta pressa de saber? — Xia Siyue ergueu o canto da boca, com um sorriso cheio de malícia.