No shopping center, Xu Yan observava Xiao Han se movendo pela multidão apertada. A ideia de sair para fazer compras tinha sido proposta por Xiao Han, que disse querer comprar presentes para o irmão e a irmã mais novos, caso contrário, quando eles saíssem, ela ainda não teria preparado nada para o encontro.
As duas entraram em uma loja de produtos para bebês com alguns seguranças. Xu Yan não queria chamar muita atenção; os seguranças que as protegiam, sob seu pedido, se misturaram à multidão, mantendo uma distância não muito grande.
Xu Yan segurava a mão de Xiao Han enquanto olhava os itens da loja de bebês, seus olhos percorrendo tudo com surpresa e expectativa. Ela parou diante de um berço de princesa, que parecia envolto em rosa, muito fofo. Não resistiu e estendeu a mão para tocá-lo. A vendedora que se aproximou rapidamente começou a explicar com entusiasmo.
Aquele berço rosa de princesa era uma edição limitada global; em toda a cidade de Jiangcheng, só era vendido ali. Todos os detalhes eram feitos à mão, e, claro, o preço era bem salgado.
Xu Yan deu uma olhada no preço e sentiu um aperto no coração. Caro pra caramba.
Um berço de bebê custava dezenas de milhares.
Xiao Han, sem entender, se aproximou para ver, contou os números na etiqueta e puxou o dedo de Xu Yan, dizendo em voz não muito alta: "Irmã Yan, você gosta dessa cama?"
Ela realmente gostava, mas não sabia se estava grávida de uma menina ou de um menino. Se fosse um menino, não daria para colocar um berço de princesa nele. Além disso, com aquele preço caro, achava um pouco exagerado.
A hesitação de Xu Yan pareceu desagradar a vendedora. Ela olhou para as duas com um pouco de frustração, concluindo que não tinham dinheiro para comprar, e seu tom perdeu o entusiasmo inicial, tornando-se mais desdenhoso.
Xiao Han era o tipo que não tolerava essas pessoas. Com a postura de Lu Zhengting, ele encarou a vendedora de forma imponente. Mesmo com a voz infantil, seu tom transmitia uma arrogância de quem tem dinheiro. Apontou para o berço e ordenou: "Mande entregar isso para a Mingsheng."
A vendedora ficou chocada com a arrogância de Xiao Han. Abrindo e fechando a boca, disse incrédula: "Garoto, isso é brincadeira? Não atrapalhe."
"Hum, você acha que este jovem mestre está atrapalhando? Quem te deu essa cara?" Xiao Han raramente mostrava essa arrogância na frente de Xu Yan. Depois de falar, ainda deu uma olhada de soslaio para a expressão dela.
"Jovem mestre?"
"Sua pergunta me faz duvidar se você é surda. Posso garantir: eu disse jovem mestre." Xiao Han repetiu com um sorriso.
Xu Yan segurou a mão de Xiao Han, sorriu sem graça para a vendedora e se desculpou: "Desculpe, criança não tem maldade."
"Esquece, se não vão comprar nada, saiam logo. Não fiquem bloqueando a entrada."
Xiao Han ficou realmente irritado. Olhou para o segurança parado não muito longe e fez um sinal para ele se aproximar. Aquele segurança estava com ele desde que nasceu, designado por Lu Zhengting. Ele ergueu os olhos para a vendedora imprudente e disse, bufando: "Me dá meu telefone."
Xiao Han pegou o telefone, discou o número de Lu Zhengting, mas de repente lembrou de algo e desligou. Ligou diretamente para outro número que veio à mente. Assim que atenderam, ele disse com voz infantil: "Você não quer mais o emprego?"
Ao ouvir isso, Xu Yan primeiro se assustou, depois ficou entre o riso e o choro.
Xiao Han não esperou a pessoa do outro lado responder, apenas deu o endereço e mandou a pessoa vir resolver. A vendedora ainda olhava para os dois confusa, sem entender o sentido daquela ligação.
Cerca de dez minutos depois, um homem de meia-idade, de terno e gravata, chegou apressado. Quando viu Xiao Han, seu rosto ficou verde. Ninguém o avisou que o pequeno demônio tinha vindo.
Xiao Han olhou para o gerente atrasado com um sorriso irônico. Da última vez que veio, não revelou sua identidade e também encontrou uma vendedora assim, o que o deixou furioso. Agora, acontecia de novo.
O gerente ficou respeitosamente diante de Xiao Han, uma criança. A vendedora, que antes os ignorava, agora parecia constipada, especialmente quando ouviu o gerente chamar Xiao Han de "pequeno mestre". Sentiu como se seu mundo estivesse desabando.
Xiao Han sabia que Xu Yan queria falar, então se dirigiu diretamente ao gerente: "Por que você sempre contrata gente que julga os outros pela aparência? É porque ela é bonita? Mas, olhando de cima a baixo, não acho que ela seja mais bonita que minha mãe."
"Senhora... senhora?"
"Sim, olha, esta é minha mãe, a esposa do meu pai." Xiao Han puxou Xu Yan para a frente do gerente, dizendo com orgulho. Fez uma pausa e, de repente, desviou o olhar para a vendedora, falando com voz suave: "Meu pai ama muito minha mãe. Se souber que vocês a trataram assim, ele vai ficar muito bravo."
O gerente fez uma careta. Era só uma vendedora, mas na boca do pequeno mestre virou "vocês". Ele tinha acabado de chegar, nem sabia o que tinha acontecido, e já estava sendo acusado.
Xu Yan ouviu Xiao Han chamá-la de "mãe" repetidamente e sua expressão mudou. Na verdade, Xiao Han a chamava de mãe em particular, e ela aceitava bem. Mas agora, na frente de tanta gente, ouvir aquilo era estranho e assustador ao mesmo tempo.
O gerente olhou para Xiao Han com cautela e perguntou: "O que o pequeno mestre quer dizer?"
"Eu sou só uma criança, não quero dizer nada. Só não gosto dela."
"Então, desconto um mês de salário dela?"
Xiao Han sorriu. O gerente ia respirar aliviado, mas Xiao Han ainda tinha algo a dizer: "Um mês de salário? Gerente, você é tão bom para ela. Será que tem... hum... um relacionamento com ela?"
O gerente enxugou o suor da testa e perguntou, apavorado: "Que... que relacionamento?"
"Tipo aqueles que passam na TV. Quer que eu fale?"
"Então, vou demiti-la agora. O pequeno mestre acha uma boa decisão?"
Xiao Han sorriu e se virou para Xu Yan, como se pedisse a opinião dela. Ela franziu a testa e assentiu.
"Tá bom, faz como você disse. Não quero mais ver ela por aqui."
Com isso, Xiao Han puxou Xu Yan e saiu, deixando o gerente parado, exausto. Quando eles sumiram, ele se virou, olhou em volta e entrou na loja. Vendo que não havia ninguém, a mulher derramou algumas lágrimas e olhou para ele com olhos marejados.
"Gerente, você realmente vai me demitir?"
O gerente apertou a bunda da moça, olhando para ela com luxúria, e disse, sombrio: "Não quero, mas você ofendeu o pequeno mestre. Não ouviu ele dizer que não quer te ver mais? Não adianta me implorar."
"Pequeno mestre? De que família ele é?"
"Te aviso, não tente mexer com ele, senão você morre sem saber como."
"Que chato, meu coração não está todo com você? Então, ainda vai me mandar embora?" A mulher colou o corpo voluptuoso no gerente, sussurrando no ouvido dele.
"Bem, é claro que não posso desagradar o pequeno mestre."
A mulher se irritou, deu um passo para trás e o empurrou. Ela tinha esperado que, se ficasse com o gerente, teria uma saída, mas em poucos dias já estava nessa enrascada. Não deixou o homem tocá-la e disse, feroz: "Não me toca, seu inútil. Não consegue nem resolver uma coisinha. Que saída tenho com você?"
"Se não ficar comigo, acha que tem saída?" O gerente riu com desprezo. Não se importava. Tinha 34 ou 35 anos, não era feio, ganhava um milhão por ano, não era baixo. Que tipo de mulher não encontraria?
"Cai fora."
O gerente arrumou a roupa desalinhada, ajeitou o cabelo no espelho do provador e olhou friamente para a mulher inconformada, dizendo sem piedade: "Sai agora mesmo. Melhor não aparecer na minha frente." Depois, murmurou baixinho: "Mulher sem noção."
Xiao Han parecia não ter se abalado. Continuou a fazer compras feliz. O segurança que tinha sumido reapareceu de repente, entregou o telefone a Xiao Han e se misturou à multidão sem expressão.
XiaoHan puxou a roupa de Xu Yan, sorrindo marotamente: "Irmã Yan, o que você acha que o gerente e a vendedora são um do outro?"
"Relação de trabalho?"
"Para mim, não é tão simples assim. Hehe, vamos descobrir juntos."
Xiao Han ergueu o telefone, abriu a câmera e mostrou o vídeo que tinha pedido ao segurança para gravar. As duas cabeças se juntaram, olhando fixamente para a tela. Quando Xu Yan viu o gerente apertar a bunda da mulher, seu rosto escureceu. Rapidamente tapou os olhos de Xiao Han e disse, severa: "Não pode ver essas coisas impróprias para menores."
"Irmã Yan, nem preciso ver. Já sei que a relação deles não é normal."
Xu Yan pegou o telefone, pensou em apagar o vídeo, mas mudou de ideia. Resolveu mostrar para Lu Zhengting, para ver que tipo de coisas ele estava ensinando a Xiao Han. Uma criança de seis anos com mais malícia que um adulto.
Guardou o telefone na bolsa e levou Xiao Han até o sétimo andar no elevador panorâmico. O sétimo andar era todo de comida. Escolheu uma loja de sobremesas, entrou com Xiao Han, pediu duas opções do cardápio e começou a dar uma bronca séria nele.
Vendo isso, Xiao Han piscou algumas vezes, frustrado. Quando Xu Yan fez uma pausa para beber água, ele baixou as orelhas e perguntou, com pena: "Irmã Yan não vai mais gostar de mim? Mas eu só fiz aquilo porque não suportava ver ela te maltratar."
Xu Yan ouviu, colocou o copo devagar e disse, rindo: "Não me chama mais de mãe?"
"Posso continuar te chamando de mãe? Mesmo na frente de todo mundo?" Xiao Han disse, animado, mal contendo a empolgação.
O coração de Xu Yan apertou. Ela nunca tinha pensado em realmente brigar com Xiao Han por causa daquilo. Só achava que a maturidade dele era precoce demais, já ultrapassando a das outras crianças da idade.