Capítulo 216: Capítulo 216: Não fiz nada

Ning Xi viu Lu Zhengting sentado sozinho bebendo, pensou que ele devia ter suas razões para esconder isso de Xia Yan. Mas, ao lembrar que seu mingau quente ainda não havia esfriado, seu humor ficou extremamente melancólico.

Depois de algumas rodadas de bebida, Xu Su e Ning Nan entraram distraidamente e, ao verem os dois bêbados deitados no sofá, ficaram surpresos. Normalmente, Lu Zhengting nunca se deixava ficar tão vulnerável, e Ning Xi menos ainda, já que sua capacidade para beber era algo que todos admiravam.

— Terceiro? Zhengting? — Ning Nan foi até eles, batendo com a mão em cada um. Depois de algumas batidas, vendo que não reagiam, ergueu a cabeça e olhou para Xu Su, frustrado. — E agora?

— Levá-los de volta.

Ao ouvir isso, Xu Su chamou alguns homens grandes para ajudá-los a entrar no carro. Ning Nan tentou ajudar, mas Xu Su, por algum motivo, puxou-a de volta.

— Deixa que eles cuidam disso.

Ning Nan pensou um pouco e perguntou:

— Para onde vamos levá-los?

— Já tenho um plano.

O plano de Xu Su era levar Lu Zhengting até Xia Yan e Ning Xi até Zhan Meng, mas ele nunca imaginou que seria rejeitado por elas. Xia Yan simplesmente não atendeu o telefone, e Zhan Meng foi ainda mais direta, deixando Ning Xi do lado de fora.

No final, eles foram levados para suas próprias casas.

Lu Zhengting, bêbado, deitou-se no carro, seus olhos semiabertos deixando transparecer um leve brilho de astúcia. Se Xu Su estivesse ali, talvez tivesse percebido o que ele estava pensando.

Quando chegaram à Vila Dongshan, já eram quase onze horas da noite. Jiang Mingxiu tinha uma rotina muito cedo e pontual, geralmente dormindo por volta das nove.

A vila estava silenciosa, sem nenhum som. Quando Lu Zhengting foi ajudado a entrar no quarto, antes mesmo de chegar, a porta de um quarto de hóspedes próximo se abriu de repente. Ke Yaru, com expressão cansada, apareceu diante dele, ainda sem entender direito ao vê-lo naquele estado.

Lu Zhengting forçou-se a ficar ereto e mandou quem o ajudava sair da vila. Ke Yaru, vendo isso, escondeu o sorriso nos olhos e se aproximou rapidamente, segurando-o quando ele quase caiu.

— Zhengting, você está bêbado?

— Não.

— Zhengting, aconteceu alguma coisa? Por que bebeu tanto? — Ke Yaru perguntou com preocupação enquanto o ajudava a entrar no quarto.

Com um "clique", a luz do quarto de Lu Zhengting se acendeu. No ambiente iluminado, Ke Yaru, vestindo uma camisola sensual, apareceu claramente diante dele.

— Zhengting, você está se sentindo mal? Vou pegar um copo d'água para você.

Lu Zhengting não recusou; pelo contrário, sentou-se calmamente na beira da cama, como se esperasse a água que Ke Yaru traria. Em pouco tempo, ela voltou ao quarto com o copo nas mãos, pisando leve.

Ela entregou o copo a Lu Zhengting, mas de repente o puxou de volta, balançando a mão cuidadosamente diante dos olhos dele e chamando baixinho:

— Zhengting? Zhengting?

Sem resposta, ela pareceu aliviada e disse:

— Beba logo a água, senão vai ficar pior depois.

Ao beber a água que Ke Yaru lhe deu, Lu Zhengting sentiu uma dor de cabeça inexplicável. Franzindo a testa, abriu os olhos de repente e fitou Ke Yaru, que estava sem jeito, com um olhar penetrante.

— Quem permitiu que você entrasse no quarto?

— Zhengting, não foi você que estava bêbado? Eu só te ajudei a entrar.

— Saia.

— Zhengting, não fique bravo. Já vou sair. — Ke Yaru piscou os olhos, inocente, e falou baixinho.

Dito isso, ela colocou o copo num lugar visível na mesinha de cabeceira e, olhando para trás a cada passo, viu Lu Zhengting segurando a cabeça, com o rosto pálido. Sem pensar duas vezes, correu de volta.

— Zhengting, o que você tem?

Ke Yaru tentou tocar Lu Zhengting, mas ele resistiu ferozmente. Antes que a mão dela chegasse perto, ele a agarrou com força e torceu.

— Eu mandei você sair.

— Não, não posso ir agora. Você está sentindo alguma coisa? Me conta?

Quanto mais Lu Zhengting tentava controlar a raiva, mais sua cabeça doía. As imagens de Ke Yaru e Xia Yan se sobrepunham em sua mente. Ao lembrar de Xia Yan chorando e terminando com ele, a fúria aumentou, e ele apertou ainda mais o pulso de Ke Yaru.

— Dói... — Ke Yaru sentia uma dor verdadeiramente intensa. Não entendia por que a raiva de Lu Zhengting era tão grande, como se ela fosse uma inimiga. Suportando a dor, suava frio por todo o corpo. Essa agonia durou quase vinte minutos.

Vinte minutos depois, Lu Zhengting gradualmente voltou ao normal. Exausto, olhou para o rosto pálido de Ke Yaru e seus lábios roxos de tanto morder. Franzindo a testa, perguntou com voz rouca:

— O que você está fazendo aqui?

— Zhengting, você está melhor?

— Por que você está aqui?

— Eu vi você voltar bêbado e quis...

— Eu não te disse que ninguém pode entrar neste quarto sem minha permissão?

— Isso, eu sei. Tudo bem, foi erro meu. Vendo que você está bem, fico tranquila. Vou voltar para meu quarto. Descanse.

Assim que Ke Yaru terminou de falar, Lu Zhengting abaixou a cabeça e, com o canto do olho, viu o copo na mesinha. Apertou os olhos e perguntou severamente:

— Foi você que colocou essa água aqui?

Ao ouvir isso, Ke Yaru pareceu assustada. Virou-se e olhou para o copo.

— Fui eu que trouxe, para matar sua sede.

Ning Xi tinha dito que o remédio se dissolvia na água, era incolor e inodoro, geralmente tomado com água. Embora tivesse tomado o remédio que Ning Xi lhe dera para suprimir temporariamente o efeito, ele ainda precisava evitar que o remédio entrasse em seu corpo novamente. Lu Zhengting pensou por um momento e, de repente, ergueu a cabeça e fixou o olhar em Ke Yaru.

Vendo isso, Ke Yaru ficou tensa por dentro. As mãos ao lado do corpo se fecharam em punhos. Será que Lu Zhengting tinha percebido algo? Ou sabia que ela tinha colocado o remédio na água? Não, precisava manter a calma.

— Zhengting, você está sentindo mais alguma coisa? — Ke Yaru falou enquanto se aproximava, estendendo a mão para tocar a cabeça dele.

Mas Lu Zhengting, rápido, agarrou a mão dela novamente e a empurrou para longe com força. Levantou-se da cama de repente, olhando para Ke Yaru de cima, e disse friamente:

— O que você colocou na água?

— Zhengting, do que você está falando? O que seria colocar remédio na água?

— Ke Yaru, vou perguntar de novo: o que você colocou na água?

— Zhengting, não sei do que você está falando. Eu não fiz nada. — Ke Yaru olhou para Lu Zhengting. Quando ele a empurrou no chão, ela ficou realmente assustada. Conhecia-o há tanto tempo e, em sua memória, ele nunca tinha sido violento com ela.

Afinal, mesmo que não a considerasse uma mulher, ele respeitaria a face de Ke Qinglan.

Lu Zhengting, sem expressão, franziu os lábios e fitou Ke Yaru fixamente.

— Ke Yaru, estou te avisando: se eu descobrir que você fez algo para machucar Xia Yan, não vou te perdoar.

Ao ouvir isso, Ke Yaru ficou chocada. Olhou para ele incrédula, com os olhos cheios de lágrimas, e perguntou com a voz embargada:

— Zhengting, eu nunca fiz nada contra você, muito menos machuquei Xia Yan.

Ao terminar, viu o olhar desconfiado de Lu Zhengting sobre ela. Paralisada, com o rosto choroso, continuou:

— Eu sei que Xia Yan é um tesouro para você, que ninguém pode tocar, machucar ou ofender. Então como ousaria fazer algo para machucá-la?

— Ke Yaru.

— Zhengting, acredite em mim, por favor. Eu juro que não fiz nada para machucar vocês.

— Se eu descobrir, Ke Yaru, prepare-se para ir embora.

— Não, não, Zhengting, não quero ir. Não vou fazer nada para machucar vocês, pode confiar. — Ke Yaru falou apressadamente. Sabia que Lu Zhengting era homem de palavra, e o que mais temia era ouvi-lo falar assim, porque conseguia perceber que ele estava sendo sério.

E ele estava tão sério por causa de outra mulher. Isso era suficiente para partir seu coração.

Ke Yaru prostrou-se no chão, humilhada ao extremo. Não queria se afastar de Lu Zhengting, muito menos ver outra mulher tê-lo.

O choro silencioso ecoou pelo quarto. Lu Zhengting massageou as têmporas, com dor de cabeça. A ideia de fazer aquilo naquela noite tinha sido um teste para Ke Yaru. Se ela estivesse envolvida, as coisas realmente seriam complicadas.

Ke Qinglan, antes de morrer, só se preocupava com Xiaohan e Ke Yaru, enquanto Lu Jingcheng só se importava com Ke Qinglan.

— Saia.

Ke Yaru ergueu a cabeça, os olhos marejados, e olhou para Lu Zhengting, de expressão gélida. Soluçando, levantou-se devagar, suportando a dor, e saiu do quarto, voltando para o seu.

A noite inteira, Ke Yaru não conseguiu dormir. Sempre que fechava os olhos, lembrava do olhar de advertência de Lu Zhengting, sentindo dor e raiva, e, acima de tudo, rancor de Xia Yan.

No dia seguinte, ao amanhecer, Ke Yaru finalmente pegou no sono. Dormiu menos de três horas antes de precisar se levantar para ir ao escritório. Quando apareceu na sala de jantar, já vestida, Lu Zhengting, Jiang Mingxiu e Xiaohan estavam sentados. Ela sorriu levemente.

— Desculpe, dormi demais.

Jiang Mingxiu olhou para Ke Yaru com carinho e disse:

— Yaru, você não dormiu bem ontem? Seu rosto está pálido.

— Não, não. Deve ser um resfriado. Não é nada, coisa pequena.

— Resfriado não é coisa pequena. Zhengting, já que Yaru não está bem hoje, dá a ela um dia de folga para descansar. O que acha?

Lu Zhengting murmurou um "hum", tomou um gole de leite e acrescentou calmamente:

— Vou te levar para casa mais tarde.

Ao ouvir isso, Jiang Mingxiu ficou surpresa e perguntou antes de Ke Yaru:

— Zhengting, você está sonhando acordado? A Yaru não mora aqui?

Lu Zhengting lançou um olhar indiferente para Ke Yaru, que o encarou, chocada. Por dentro, ela pensou: "Você realmente vai me expulsar?"