Xia Siyue estava no topo da escada do segundo andar quando empurrou Xia Yan escada abaixo. Xia Minghui, que saiu atrás dela, viu o gesto, mas não conseguiu impedir a tempo, só podendo observar Xia Yan rolar escada abaixo. Lu Zhengting e Zhan Meng, que chegaram apressados ao ouvir o barulho, testemunharam tudo.
— Xia Yan! — Zhan Meng elevou a voz, gritando seu nome. Quando ela chegou perto de Xia Yan, esta já estava inconsciente.
Lu Zhengting encarou a responsável com uma fúria imensa. Xia Minghui, atrás de Xia Siyue, ficou paralisado de medo diante da aura agressiva que ele exalava, sem imaginar que Lu Zhengting estaria ali. Já a avó da família Xia, sentada no sofá da sala, manteve a expressão inalterada.
Xia Siyue sentiu um frio na espinha, sem coragem de olhar nos olhos de Lu Zhengting. Instintivamente, recuou, balançando as mãos e dizendo rapidamente:
— Não foi de propósito, não foi de propósito.
Ao ouvir isso, Lu Zhengting lançou um olhar gélido para Xia Siyue. Ele ergueu Xia Yan do chão:
— Se acontecer qualquer coisa com Xia Yan, você vai pagar com a vida!
— Por quê? Foi ela que não se segurou, não tenho nada com isso. — Xia Siyue respondeu sem pensar, mas num instante, fez uma expressão fingida de inocência ao encarar Lu Zhengting, sem esperar receber um olhar ainda mais sombrio dele.
Xia Siyue ficou paralisada no lugar, sem ousar se mexer. Ela realmente viu intenção de matar nos olhos de Lu Zhengting.
— Lu Zhengting, para de falar besteira e leva Xia Yan para o hospital primeiro. — Zhan Meng segurou a cabeça de Xia Yan, olhando para Lu Zhengting com urgência.
Ao ouvi-la, Lu Zhengting baixou o olhar para a mulher inconsciente em seus braços. Com um movimento lateral, ele encarou Zhan Meng com frieza e soltou uma palavra:
— Sai.
— Lu Zhengting, eu também me preocupo com Xia Yan... — Zhan Meng sabia que ele a culpava por ter tirado Xia Yan de casa. Se Xia Yan não tivesse saído, isso não teria acontecido.
— Se Xia Yan sofrer qualquer dano, também não vou te perdoar. — Lu Zhengting disse, frio como gelo, para Zhan Meng, que estava com o rosto cheio de culpa.
Ao ouvir isso, Zhan Meng não tinha ânimo para discutir com Lu Zhengting. Se fosse para culpar alguém, a responsabilidade era realmente dela.
Lu Zhengting não a deixava tocar em Xia Yan, o que irritava Zhan Meng. Vendo-o sair apressado com Xia Yan nos braços, ela respirou fundo, forçou-se a se acalmar e subiu lentamente as escadas até chegar perto de Xia Siyue:
— Você ousou empurrar Xia Yan?
— Não, não fui eu. Foi ela que não se segurou.
— Mentira. Você está dizendo que eu sou cega? Eu vi com meus próprios olhos você estender a mão para empurrar Xia Yan, e você diz que foi ela que não se segurou? — Zhan Meng ergueu levemente um canto da boca, parecendo sorrir, mas quem estava mais perto dela, Xia Siyue, sentiu um perigo iminente.
— Não, não chega perto.
— Não vou fazer nada com você. Por que tanto medo? Parece que vou te atacar. — Quem conhecia Zhan Meng sabia do seu temperamento: quanto mais brilhante seu sorriso, mais irritada ela estava.
Zhan Meng sorriu novamente para Xia Siyue, empurrando-a até a beira da escada. Com um sorriso radiante, ergueu a mão direita. Xia Siyue, achando que ia levar um tapa, instintivamente cobriu o rosto, mas não esperava que ela a empurrasse escada abaixo da mesma forma.
O gesto chocou os outros. Zhan Meng ouviu o som surdo de Xia Siyue rolando, mas manteve a calma, com um sorriso educado no rosto, como se não tivesse sido ela a empurrá-la. Apoiando-se no corrimão com uma mão, desceu as escadas passo a passo.
A queda quase tirou o fôlego de Xia Siyue. Todo o seu corpo doía, e gotas finas de suor frio brotavam em sua testa. Deitada no chão, ao levantar os olhos, viu um par de saltos altos na sua frente, e prendeu a respiração.
— Quem é você? Ousa bancar a valentona na nossa casa? E ainda empurra Yueyue escada abaixo? Minghui, chama a polícia! Quero ver se você tem coragem! — A avó da família Xia foi a primeira a reagir, batendo a bengala no chão com força.
— Quem eu sou é da sua conta? Você tem autoridade para me dar lições? Quer chamar a polícia? Ótimo, chama! Quero ver o que vocês podem fazer comigo. — Zhan Meng respondeu com arrogância para a avó.
Vendo a avó sair em defesa de Xia Siyue, Zhan Meng entendeu na hora o quão baixa era a posição de Xia Yan na família Xia. Era realmente irritante.
— Está bem, está bem. Minghui, chama a polícia. Vou processá-la por agressão dolosa.
— À vontade. Faça o que quiser, eu topo. Mas não diga que não avisei: se isso virar um escândalo, quem vai passar vergonha não sou eu.
— Você, você não tem educação!
— Vovó, vou te dizer uma coisa: para gente como você, educação não serve para nada. Já ouviu aquela frase: violência contra violência? É isso que se aplica a você. Ah, não, melhor dizer: a você e à sua família Xia. — Zhan Meng encarou a avó sem piscar, sem demonstrar nenhum recuo.
— Você, você, você...
— Mãe.
— Vovó...
A avó da família Xia nunca tinha sido confrontada assim. Naquele momento, perdeu a compostura, tomada pela raiva, e desmaiou de repente.
Vendo isso, Zhan Meng hesitou por um instante e murmurou para si mesma:
— Tão frágil e ainda vem se meter. Não tenho paciência.
Ning Xi, ao receber a notícia, largou todo o trabalho e dirigiu o mais rápido possível até a casa dos Xia. Quando entrou, viu o médico da família fazendo primeiros socorros na avó, e Xia Siyue, não se sabia o que tinha acontecido, deitada no sofá, sem dizer uma palavra, com uma expressão de dor no rosto.
Quanto a Xia Minghui, Ning Xi sentia que sempre que o via, ele estava com aquela cara séria, ou então com um olhar calculista.
Zhan Meng, ao ver Ning Xi aparecer de repente, torceu a boca e perguntou:
— Como é que você veio parar aqui? Foi o Lu Zhengting que te avisou? Não, não é para tanto. Além disso, isso não tem nada a ver com você. Não adianta nada você vir.
Antes que Ning Xi pudesse falar, Zhan Meng já tinha despejado um monte de palavras. Ele a interrompeu:
— Sua pestinha, não te falei para não se meter nos assuntos do Lu Zhengting e da Xia Yan?
— Você falar não significa que eu tenha que ouvir, ok? Além disso, tenho meu próprio julgamento. Acho que...
— Acha o quê? Zhan Meng, que tipo de mulher você é? Por que você está em toda parte?
— Isso é problema meu! Ning Xi, se não gosta de mim, pode ir embora. Não pedi para você vir. É ridículo, como se eu me importasse com você. — Zhan Meng disse, irritada, sem sequer olhar para Ning Xi, desviando o olhar para Xia Minghui.
— Todas as despesas médicas deles, eu pago. Mas ainda assim, aconselho a todos aqui, especialmente você. — Zhan Meng apontou o dedo para Xia Siyue. — Daqui para frente, o que você fizer com Xia Yan, eu farei com você. O que mais me irrita é mulher como você.
As palavras de Zhan Meng fizeram Xia Siyue tremer. Ela não balançou a cabeça nem concordou, apenas ficou olhando fixamente para Zhan Meng.
Vendo isso, Zhan Meng revirou os olhos e foi embora diretamente.
Xia Minghui observou a figura de Zhan Meng se afastando, semicerrando os olhos. Quando foi que Xia Yan arranjou uma mulher tão dominadora ao seu lado? Olhando para Zhan Meng, que não temia nada, nem mesmo na frente de Ning Xi, a quem ele próprio tinha que tratar com respeito.
Ning Xi ficou para resolver as coisas. Quando saiu da mansão, viu Zhan Meng ainda parada na porta e foi direto:
— O que está fazendo aí parada?
— Isso é da sua conta?
— Zhan Meng, você não pode falar comigo com um pouco mais de educação?
— Não posso. Você não veio aqui só para me interrogar?
Ao ouvir isso, Ning Xi ficou furioso. Não sabia desde quando, toda vez que encontrava Zhan Meng, eles acabavam brigando, e era sempre ela quem começava. Como é que depois de terem se envolvido, a relação ficou tão complicada?
Feng Yuan, motorista particular de Zhan Meng, estacionou suavemente o carro na frente dela com seu conversível. Abriu o vidro e, de repente, soltou a palavra "cunhado", mas rapidamente se corrigiu, antes que eles ouvissem direito:
— Prima.
— Da próxima vez que você demorar tanto, vou contar ao seu tio o que você realmente faz.
— Não, mana, não é que o trânsito estava ruim? Assim que recebi sua ligação, vim correndo. Vamos embora?
Zhan Meng se preparou para entrar no carro, mas Ning Xi segurou seu pulso. Ela olhou para baixo, friamente:
— Solta.
— O que você está aprontando ultimamente?
Ao ouvir isso, Zhan Meng franziu a testa, soltou a mão de Ning Xi com força e entrou no carro sem responder.
Dentro do carro, Feng Yuan observou a expressão de Zhan Meng com cuidado, hesitando várias vezes antes de perguntar, em tom de teste:
— Prima, para ser sincera, o que aconteceu entre você e o Ning Xi ultimamente?
— Hã? Não aconteceu nada.
— Mesmo que eu não saiba, eu vejo com meus olhos, mana. Você claramente gosta do Ning Xi, por que fica fazendo essas coisas estranhas, tratando ele com indiferença?
— Eu faço isso? Quando foi que eu te disse que gosto dele?
— Você não disse?
— Dirige direito. Lembra que no seu carro está uma linda moça.
Feng Yuan olhou para Zhan Meng, fez bico e ficou irritada.
Parar de falar sobre Ning Xi não melhorou o humor de Zhan Meng.
Do outro lado, Lu Zhengting sabia que Xia Yan não gostaria de acordar na Vila Dongshan, então mandou o motorista ir para o apartamento, onde o médico da família já estava esperando.
Após o exame, o corpo de Xia Yan não tinha problemas, apenas alguns arranhões leves nos braços e pernas.
Depois de tratar todos os ferimentos com cuidado, Lu Zhengting saiu do quarto e sentou-se sozinho no sofá, pensando em algo com uma expressão muito séria. De repente, ouviu um leve gemido vindo de dentro, levantou-se rapidamente e voltou para o quarto.
Xia Yan franziu a testa, abriu os olhos aos poucos e olhou para o teto familiar acima de sua cabeça, sem piscar. De repente, sentiu a presença de outra pessoa, uma presença que lhe era extremamente familiar, que lhe trazia sentimentos de amor e ódio ao mesmo tempo.
O quarto estava escuro, sem luz acesa. A luz avermelhada do pôr do sol entrava pelas cortinas abertas, espalhando-se pelo cômodo, metade na penumbra, metade num tom avermelhado. Lu Zhengting estava exatamente na parte escura, fazendo com que Xia Yan não conseguisse vê-lo claramente.