Ao ouvir isso, Ning Nan ficou animado — será que ela era fã dele? — Você não acha que eu sou muito bonito? — Você é bonito, sim, mas não me leve a mal, sua escolha de novelas é bem duvidosa. Mas, às vezes, são tão clichês que acabam sendo divertidas. — Pois é, também acho. A culpa é da empresa, eles mandam, e se eu não obedecer, não recebo salário. Feng Yuan sorriu levemente: — Se o chefe Lu não te pagasse, eu até acreditaria, mas o chefe Xu não te pagar? Isso eu não engulo. Ah, vocês devem ter o que fazer, e eu também tenho meus afazeres, então vou indo, não vou atrapalhar. Ning Nan passou o dedo indicador pelo queixo, olhando na direção em que Feng Yuan se afastava, murmurando baixinho: — Interessante, muito interessante. Xu Su lançou um olhar frio, e Ning Nan mudou de postura na hora, dizendo com seriedade: — Por mais interessante que seja, não vou gostar dela.
À noite, no Paraíso Terrestre, foi tudo arranjado por Ning Nan. Já que voltou a Jiangcheng, precisava dar uma volta, e de quebra encontrar velhos amigos. Lu Zhengting e Xia Yan chegaram primeiro, claro, acompanhados por Xiao Han. Sempre que Xiao Han estava com os irmãos Ning, viravam cúmplices de travessuras. Ning Xi veio sozinho, e Ning Nan olhou atrás dele por um bom tempo sem ver mais ninguém, ficando meio intrigado: — Terceiro, por que você veio sozinho? — Não sou sempre sozinho? — Por que não trouxe aquela pessoa para a gente conhecer? Ao ouvir isso, Lu Zhengting franziu a testa e disse friamente: — Aquela mulher é um problema. — Uma mulher que até o chefe Lu despreza deve ser um baita problema, hein? Ning Xi desviou do ataque de Ning Nan, fazendo com que ele escorregasse. Se não fosse Xu Su segurá-lo rápido, ele teria caído de cara no chão. Xu Su lançou um olhar para Ning Xi, e Xia Yan, vendo a cena, não conseguiu evitar rir. — Quem diria que Xu Su também é um protetor de esposa. — A observação casual de Xia Yan chamou a atenção de Ning Nan. Ele afastou a mão que Xu Su tinha em sua cintura, foi até Xia Yan e a encarou incrédulo: — Por que eu seria a esposa? — Hã? — Xia Yan hesitou, olhando inocentemente para Lu Zhengting. — Tá bom, então Xu Su é a esposa? Assim que disse isso, Xu Su a fulminou com um olhar cortante. Xia Yan riu sem graça, coçou o nariz, encarou Ning Xi e Xiao Han, que estavam se divertindo, e puxou discretamente a mão de Lu Zhengting. — Ning Nan, se não é a esposa, o que é? Quer que Xu Su seja a esposa? — Lu Zhengting olhou para Ning Nan e disse com um tom enigmático. Ning Nan revirou os olhos e voltou, ressentido, para perto de Xu Su. Realmente, sem ninguém para protegê-lo, não estava nada seguro. Vendo Ning Xi rindo à toa, Ning Nan pegou uma almofada do sofá e jogou nele: — É tão engraçado assim, Terceiro? — Não é engraçado. — Ning Xi olhou para a porta que se abria de repente, e seu sorriso congelou na hora. Zhan Meng estava na entrada, segurando Meng Meng no colo, com um sorriso irônico no rosto, mirando diretamente Ning Xi: — Rapaz! Eu já disse, não importa onde você esteja, se eu, Zhan Meng, quiser te encontrar, vou te achar. — Assombração! — Ning Xi, como se visse um fantasma, pegou Xiao Han e o usou como escudo. — Ning Xi, não se esconda, já te vi. — Zhan Meng alisou o gato, que parecia um pouco irritado, sorriu e disse para o bichinho no colo: — Meng Meng, você está com fome? Então vai agora procurar seu dono. — Assim que falou, soltou o gato, que disparou direto para Ning Xi. — Miau... miau, miau A luz no camarote não era muito forte. Zhan Meng semicerrava os olhos e viu que Xia Yan também estava lá, sorriu e foi direto para ela, sentando-se de uma vez. Depois, virou-se e olhou para a pessoa ao lado, que exalava um ar frio — era Xu Su, o filho mais velho dos Xu. Então Ning Nan também devia estar ali. Meng Meng conhecia bem o cheiro de Ning Xi, então pulou direto nele, miou algumas vezes e passou a pata macia na cabeça dele, com um ar todo orgulhoso. Xia Yan riu na hora. Ning Xi pegou Meng Meng sem jeito, começou a procurar Zhan Meng com o olhar, mas viu que ela estava vidrada no segundo irmão. Imediatamente irritado, gritou para Zhan Meng: — Por que você está sentada tão longe? Vem pra cá. Zhan Meng fingiu que não ouviu, mantendo o olhar fixo em Ning Nan e Xu Su: — Que beleza, hein. A propósito, qual de vocês é o ativo e qual é o passivo? — Zhan Meng! — Ning Xi não aguentou vê-la tão indiferente, levantou-se de repente, entregou o gato a Xiao Han e foi pegar Zhan Meng pela roupa para levantá-la. Mas ela parecia já esperar por isso: quando ele quase a agarrou, ela se virou e fez a mão dele errar o alvo. Ning Nan caiu na gargalhada. Finalmente entendeu a cara de desprezo que Lu Zhengting fazia ao falar de Zhan Meng. — Ning Xi, quer me pegar? Você consegue? — Zhan Meng provocou, mostrando a língua e fazendo careta. — Para aí. — Ning Xi, tá brincando? Se eu parar só porque você mandou, perco a graça. Vem me pegar. — Zhan Meng correu para fora do camarote, mas quando Ning Xi saiu atrás, ela já tinha sumido. Ning Xi olhou em volta, só viu garçons passando, ninguém mais. Voltou desconfiado para o camarote, pegou Meng Meng de volta no colo e, sentindo os olhares de todos os lados, encarou-os sem mudar de expressão e disse calmamente: — Que olhares são esses? — O Ano Novo está chegando. Tava pensando que, se você trouxesse uma nora pra casa, talvez o velho não pegasse no meu pé. — Ning Nan falou o que pensava, sem rodeios. Ning Xi ergueu uma sobrancelha: — Sonha alto. — Pelo que vi, vocês se dão muito bem, a convivência é tranquila. — Isso é tranquilo? Você nunca viu o casal Lu Zhengting espalhando doces. Xia Yan brincava com Xiao Han, Lu Zhengting e Xu Su conversavam sobre algo, Ning Xi e Ning Nan continuavam o papo sobre Zhan Meng. O clima no camarote era bem pacífico comparado ao lado de fora. No salão do primeiro andar, muita gente se reunia. A música era ensurdecedora, cada batida fazia o coração tremer. Zhan Meng se escondia no meio da multidão, esperando Ning Xi vir procurá-la, mas ele não aparecia, e ela ficou furiosa. — Esse cara não vem me procurar? Tá de sacanagem. As luzes do palco brilhante de repente escureceram. Zhan Meng, num canto, viu surgir no centro uma mulher de corpo esbelto, com uma roupa que mostrava o umbigo, braços finos levemente erguidos. A maquiagem no rosto era carregada, com um toque exótico. A plateia gritava, mais alto que a música, dando dor de cabeça em Zhan Meng. Ela ficou vidrada na mulher no palco. Hmm, não parece familiar? Pensou, pensou, e soltou um: — Puta merda, não é a Feng Yuan? A cada movimento da mulher no palco, a plateia gritava mais, e alguns homens, que Zhan Meng achava ter cara de tarados, assobiavam. Quando viu Feng Yuan sair do palco, Zhan Meng abriu caminho pela multidão e foi atrás dela nos bastidores. Achou-a no camarim. Zhan Meng virou-se e trancou a porta, foi na ponta dos pés até Feng Yuan, pronta para assustá-la. Feng Yuan, de olhos fechados, tirava a maquiagem, sem nem olhar para trás, disse diretamente: — Meng Meng, como você está em Jiangcheng? — Eu é que pergunto. Você não estava estudando no exterior? Por que voltou de repente? — Terminei o curso antes do previsto, então voltei mais cedo. — Feng Yuan abriu os olhos e olhou para a pessoa atrás. Na verdade, ela também não entendia. Zhan Meng era sua prima, mas não via nela nenhum traço de prima mais velha. Se não contassem, as pessoas pensariam que Zhan Meng era a irmã mais nova e ela, a mais velha. Zhan Meng sentou-se numa cadeira, esticou as pernas sobre outra, e olhou para Feng Yuan: — Você vir a um lugar desses, se seu pai souber, vai querer arrancar suas pernas? E desde quando você sabe dançar? — Prima, agora você vê como não se importa com sua querida irmãzinha. — É mesmo? — Claro. Aliás, por que você está em Jiangcheng? E aqui? — Falando nisso, é frustrante. Acordei e meu pai, seu tio, já tinha me mandado para Jiangcheng. Nem sei por que, quando acordei, estava aqui, e ainda virei repórter de entretenimento. — Não é bom? Você não vivia dizendo que queria ser repórter? — Mas não quero ser repórter de fofoca. — Toc, toc, toc... — Prima, vai abrir a porta para mim? — Não quero me mexer, deixa ele bater. — Zhan Meng disse preguiçosamente. Feng Yuan revirou os olhos, sem graça, arrumou as coisas na mesa, levantou-se e foi abrir a porta. A preguiça de Zhan Meng não tinha rival. Quem batia era um homem de porte imponente. Zhan Meng ergueu a cabeça para olhar Feng Yuan, sem entender o que conversavam, só via que ela franzia a testa de vez em quando. Depois, o olhar do homem ficou sério e cortante. Zhan Meng levantou-se de repente e foi até lá. — O que é isso, irmão? Quer raptar uma moça de bem? Ou forçar alguém a se prostituir? — Prima... Zhan Meng, com um gesto grandioso, colocou o braço no ombro de Feng Yuan e encarou o homem, cuja cara só piorava: — O que você está olhando? Quer ver quem tem olho maior? Feng Yuan puxou Zhan Meng depressa e sussurrou: — Prima, não arruma confusão. Se meu pai descobrir, minhas pernas vão pro saco. — Ah, tá bom. — Zhan Meng disse calmamente. Depois de uma pausa, apontou para alguém que apareceu atrás do homem: — Mas agora parece que vai ser difícil escapar. Feng Yuan seguiu seu olhar e deu um passo para trás. — Senhorita, por favor, venha conosco. Zhan Meng estendeu o braço, protegendo Feng Yuan, pensou um pouco e disse: — Espera, deixa eu arrumar ela primeiro. — Assim que falou, puxou Feng Yuan de volta para o camarim. Vendo-a confusa, Zhan Meng sorriu maliciosamente: — Não se preocupe, vou ligar e chamar alguém.