Capítulo 15: Capítulo 15: Um pai e um filho peculiares

—Mas você não vai ficar sozinha, não é? Aquelas pessoas que apareceram há pouco foram colocadas pelo seu pai para proteger você, certo?" Xia Yan pensou melhor. As pessoas que apareceram claramente passaram por treinamento especial, eram ágeis e perspicazes. Para alguém comum tentar fazer mal a Xiaohan, seria bem difícil. Pensando assim, Lu Zhengting não era tão irresponsável quanto ela imaginava.

Ao ouvir isso, Xiaohan piscou os olhos. "Irmã Yan, eles não foram enviados pelo papai para me proteger. Foram enviados para proteger você, e eu só estou no caminho. Ai, que criança coitada que sou. Irmã Yan, volta comigo, juro que não vou te causar nenhum problema."

Diante dessa conversa fiada e séria de Xiaohan, Xia Yan se sentiu impotente, mas também com pena dele. Pensou que não queria voltar para a família Xia, e na escola também não precisava ir. Fez uma pausa, não resistiu e apertou o rosto de Xiaohan, que estava fazendo bico, e sorriu, acenando com a cabeça.

Vendo isso, Xiaohan abraçou Xia Yan alegremente, enfiando a cabeça no colo dela. Xia Yan não conteve o sorriso, passou a mão nos cabelos de Xiaohan e seu humor melhorou.

A mansão Lu não era a primeira vez que ela visitava. Da última vez, Lu Zhengting estava lá, mas ela estava tão apressada para fazer o bolo para Xiaohan que nem teve tempo de observar aquela casa de tons frios. A casa combinava perfeitamente com a personalidade de Lu Zhengting: igualmente fria, como se não tivesse vida, e transmitia uma sensação de luxo discreto.

Desde que Xiaohan entrou no hall, trocou os sapatos e os arrumou direitinho. Esse pequeno gesto surpreendeu Xia Yan. Ela pegou os sapatos que ele lhe entregou—eram chinelos masculinos pretos—e ficou intrigada: será que naquela casa enorme não havia nenhum toque feminino?

Seguindo Xiaohan até a sala de estar, tudo estava arrumado exatamente como da última vez que ela veio.

"Irmã Yan, quero comer bolo." Xiaohan sentou-se no sofá e disse com voz suave, sem nenhum traço de cansaço no rosto. Ele tinha se transformado completamente num pequeno guloso.

Bolo? Xiaohan ergueu levemente a mão para olhar as horas. Depois da confusão da tarde e da volta à mansão Lu, já eram quase seis horas.

"Xiaohan, agora não pode comer bolo. Vou fazer o jantar para você." Xiaohan falou baixinho, tentando convencê-lo. Lembrava onde ficava a cozinha, mas não sabia o que tinha lá.

"Não, quero bolo agora."

"Que tal assim: hoje à noite você janta, e amanhã faço o bolo para você?"

"Bolo amanhã?" Xiaohan murmurou. Quando Xiaohan achou que ele ia concordar, ele falou de repente: "Não, quero agora."

Xiaohan pensou, sabendo que Xiaohan não cederia fácil, mas mesmo assim usou a autoridade de adulto para convencê-lo com um sorriso. No fim, o esforço valeu a pena, e decidiram deixar o bolo para o dia seguinte.

No jantar, Xiaohan, pensando que a criança estava em fase de crescimento, preparou pratos que pareciam apetitosos e nutritivos. Mas quando viu Xiaohan olhando com desdém para os legumes à sua frente, quase quis chorar.

"Não como legumes, quero carne."

"..." Xiaohan empurrou um prato de legumes na direção dele e disse sorrindo: "Xiaohan, não pode ser exigente. Tem que comer legumes e carne."

"Mas meu pai só come carne também." Xiaohan olhou para Xiaohan com toda a razão, piscando, como se não visse problema em só comer carne.

Ao ouvir isso, Xiaohan ficou de cara feia. Só então entendeu por que chamavam Xiaohan de pequeno demônio. Seu hábito de ser exigente com comida era revoltante. Quando perguntou por que não comia batata, ele disse que era feia demais, sem apetite. Por que não comia aipo? Porque nunca tinha comido. E espinafre? Porque o pai dele nunca comia...

Xiaohan desistiu de perguntar, porque sabia que se continuasse, ia acabar enlouquecendo. Naquele momento, já não conseguia evitar de pensar que pai e filho eram uns excêntricos quando o assunto era comida.

Depois de muito custo, conseguiu que Xiaohan comesse um pouco de verdura. Quando terminou de arrumar tudo, Xiaohan já tinha tomado banho e estava de pijama, esperando por ela na escada. Ela enxugou as mãos molhadas e foi até ele.

"Que história você quer ouvir?"

Xiaohan inclinou a cabeça para pensar. Desde pequeno, ele sempre lia sozinho; o pai nunca tinha se sentado na cama para contar histórias. Depois de pensar, disse frustrado: "Tanto faz, não sou exigente."

Por causa disso, Xiaohan realmente achou que ele não era exigente e escolheu um conto de fadas. Deitada na cama, com Xiaohan aninhado no colo, ela acabou de contar a história de uma princesa e um príncipe e viu Xiaohan dar um bocejo cheio de desdém.

"Essa história só engana criança."

Xiaohan sorriu e decidiu mudar de história. Mal começou a falar, Xiaohan franziu a testa e disse com voz infantil: "Irmã Yan, essas histórias são todas sem graça."

Enquanto Xiaohan pensava em que história contar, olhou para baixo e viu a cabecinha dele já caída, os olhos espertos fechados numa fresta, dormindo profundamente. Ela não conteve o riso.

Depois de cobrir Xiaohan com o cobertor e deixar a luz do quarto mais baixa, ela voltou para o próprio quarto. Era o mesmo quarto que Lu Zhengting mandara arrumar da última vez. Tinha um banheiro privativo, perfeito para um banho quente e lavar o cansaço do dia.

A água morna transbordava lentamente da banheira, e os cabelos molhados flutuavam desordenadamente na superfície. Ela começou a pensar nos acontecimentos da tarde e sentiu um alerta. Se não fosse Lu Zhengting se envolver, ela já teria caído nas garras de Yang Jinkuan. Mas, por mais que pensasse, não entendia por que um homem tão poderoso como Lu Zhengting se disporia a ajudá-la.

Pensando na família Xia, e na mãe ainda internada no hospital, Xiaohan suspirou com tristeza. Sabia das intenções da família Xia, mas não podia romper com eles abertamente. E ainda tinha Xia Siyue, essa irmã sem laços de sangue, sempre a espreitar...

Lu Zhengting planejava voltar só na tarde do dia seguinte, mas os negócios da empresa terminaram mais cedo. Depois de receber um relatório de seus subordinados, mandou a secretária reservar a passagem de volta. Quando o avião pousou, Jiangcheng já estava envolta na noite. Saindo do aeroporto, longe da agitação, o trajeto até a mansão Lu era muito tranquilo.

Quando o carro parou na mansão Lu, a secretária no banco do passageiro deu uma olhada discreta no homem que descansava no banco de trás. A luz fraca do poste entrava no carro de vez em quando, iluminando o rosto profundo e anguloso de Lu Zhengting.

De repente, Lu Zhengting abriu os olhos. Seu olhar calmo ainda carregava uma agudeza inegável. Ele ergueu a mão para esfregar as têmporas e deu algumas ordens em tom grave, antes de descer do carro com indiferença e caminhar até a vila.

A secretária suspirou aliviada, guardando seus pensamentos. Na empresa, todos sabiam que o grande chefe parecia um cavalheiro educado e despreocupado, mas na verdade era um homem de mente profunda e calculista. Ninguém comum conseguia entender seus pensamentos. E ela, como secretária de Lu Zhengting, tinha durado três meses no cargo justamente por não ter, como as outras secretárias, qualquer interesse romântico por ele.

Aquele momento de distração tinha sido puro acaso.

Lu Zhengting foi até o quarto de Xiaohan. Olhando para a luz que ainda brilhava na cabeceira, sentiu uma emoção estranha. Observou o rosto adormecido de Xiaohan, franziu os lábios, apagou a luz e saiu do quarto.

Sabia que Xiaohan tinha trazido Xia Yan para a mansão Lu. Seguindo o impulso, foi até a porta do quarto dela. Ainda via um pouco de luz pela fresta. Já era madrugada, será que ela ainda não tinha dormido?

Lu Zhengting, sem saber por quê, bateu na porta. Depois de um longo silêncio sem resposta de Xia Yan, ficou intrigado. Franzindo a testa, segurou a maçaneta e girou suavemente. A porta não estava trancada?

Ele entrou com cuidado no quarto. Não viu Xia Yan na cama. Percebendo a luz acesa no banheiro, Lu Zhengting, novamente sem saber por quê, aproximou-se. Ouvindo o som da água correndo, tentou girar a maçaneta.

Percebeu que essa garota era um pouco descuidada.

O banheiro estava cheio de vapor. Quando a porta se abriu, uma lufada de ar quente o atingiu. A água da banheira ainda transbordava, e o chão já estava molhado. Ele franziu a testa e se aproximou devagar. Xia Yan estava com os olhos fechados, cochilando.

Isso...

Ele se sentiu ao mesmo tempo divertido e preocupado com a cena. Um sorriso suave escapou de seus lábios sem que ele percebesse. A água clara e morna molhava a pele dela, que ficara levemente rosada. Os fios pretos flutuavam na superfície, e o rostinho pequeno estava ruborizado. Os lábios finos e avermelhados se moviam levemente. Ele ficou olhando por um bom tempo, até se dar conta.

Xia Yan estava sonolenta. Parecia sentir alguém a levantando. O abraço era meio úmido, mas quente. Seus cílios finos e longos tremeram. Quis abrir os olhos, mas depois de lutar um pouco, percebeu que o corpo todo estava mole.

Alguém mexia em suas mãos, pés...

Não. Xia Yan abriu os olhos com esforço. Quando viu a situação, deu um estremeção e acordou de vez. Deu um chute, subiu correndo para a cabeceira da cama e, às pressas, pegou o que estava mais perto para cobrir a nudez.

"Tarado!"

Depois de levar um chute sem motivo e ser chamada de tarado por Xia Yan, Lu Zhengting se levantou calmamente do chão, com o rosto cheio de linhas de expressão, encarando Xia Yan.

"Lu Zhengting, você, você..." Xia Yan levou um susto. Sabendo que era Lu Zhengting, jurou que aquele chute tinha sido um reflexo.

"Como é que eu estou aqui?" Lu Zhengting completou a frase que Xia Yan não terminou, com expressão indiferente, enquanto arrumava a roupa desalinhada. Mas, por dentro, pensava na imagem dela nua, e seu corpo reagiu inesperadamente.

"Sim, você, não ia voltar só amanhã?" Xia Yan segurava o cobertor com força, nervosa ao extremo. Quase não conseguia se conter. Ela estava no banheiro tomando banho, e agora estava na cama, com Lu Zhengting na sua frente. Lembrando que ele a tinha visto nua, seu rosto corou intensamente, sem que ela pudesse evitar.