Ela se preparou alegremente para cumprimentá-lo, mas ele agiu como se nem a tivesse visto, indo direto para outra garota, pegou a mão dela e entrou no carro. A garota sorria radiante de satisfação. Xia Siyue, sem pensar, correu até ele, encarando furiosamente Mu Chengfeng, que permanecia impassível.
— Por que você não atendeu minhas ligações? E quem é ela?
Mu Chengfeng sorriu, colocou a mão direita no ombro da garota e disse, indiferente:
— Achei que você entenderia o motivo de eu não atender suas ligações.
— Mu Chengfeng, o que você quer dizer?
— O que quero dizer? Que estou terminando com você. Ficou claro o suficiente? — Mu Chengfeng olhou para Xia Siyue como se ela fosse uma idiota, enquanto a garota ao lado dele ria baixinho, cobrindo a boca, com um olhar cheio de zombaria.
— Mu Chengfeng, você quer terminar comigo? — Xia Siyue encarou Mu Chengfeng incrédula. Na semana passada, eles ainda estavam grudados como cola; como em uma semana sem contato tudo mudou assim? Seus olhos, vermelhos de raiva, fixaram-se em Mu Chengfeng e na garota ao lado, e ela perguntou furiosa:
— É por causa dessa mulher que você quer terminar comigo?
— E daí se for ou não? Xia Siyue, sai da minha frente. Cachorro bom não atrapalha o caminho.
— Humpf, Mu Chengfeng, você acha que essa mulher ao seu lado é uma boa coisa? — Xia Siyue achou o rosto da garota familiar, mas, com a surpresa, não lembrou de imediato. Agora que se lembrou, achou graça. — Uma vadia que todo mundo pode ter virou uma boa coisa aos seus olhos? Mu Chengfeng, parece que superestimei sua inteligência.
— Sua vadia, quem você está chamando de vadia?
— Você mesma. O que você pode fazer comigo? — Xia Siyue encarou a mulher que falava com frieza. Assim que terminou, viu a mulher mudar de expressão, de raiva para um ar de injustiça, e se virar para Mu Chengfeng, fazendo charme.
— Fengfeng, olha o que ela disse! Como ela pode me acusar assim, sem provas? Isso é uma mancha na minha honra.
Ao ouvir isso, Mu Chengfeng se irritou, enquanto consolava a mulher em seus braços com voz suave. Depois de uma pausa, ele abriu a porta do carro de repente. Xia Siyue instintivamente deu um passo para trás, mas não conseguiu evitar o tapa que ele lhe deu. Ela levou a mão ao rosto, olhando incrédula para Mu Chengfeng. Percebendo a multidão crescente na entrada da escola, sentiu a vergonha e, sem pensar, ergueu a mão e deu um tapa no rosto de Mu Chengfeng.
Xia Siyue não escapou do tapa de Mu Chengfeng, e ele também não escapou do tapa dela.
Dois estalos nítidos de bofetadas silenciaram o barulho ao redor. A mulher dentro do carro desceu apressada, comovida, e foi até Mu Chengfeng. Olhando para os rostos vermelhos dos dois, apontou para o nariz de Xia Siyue:
— Xia Siyue, como ousa bater no Fengfeng? Você está cansada de viver! Acredita que eu...
— Acredita no quê? Sai daqui! Com que autoridade você fala comigo?
— Puta merda, Xia Siyue, você ousa me bater? — Mu Chengfeng se recuperou do choque e, sem considerar se homem deve ou não bater em mulher, deu um chute direto na barriga de Xia Siyue. — Eu queria terminar numa boa, mas você tem que fazer drama? Então vou te dar o que merece. Achava que era alguém importante?
Xia Siyue segurou a barriga, o rosto todo contraído, e ergueu os olhos para fixar em Mu Chengfeng. Se tivesse uma faca na mão, sem dúvida a cravaria nele. A multidão aumentava, e Mu Chengfeng rugiu baixo, furioso:
— Que azar! Vamos embora.
Mu Chengfeng saiu abraçado à mulher, enquanto Xia Siyue se levantou devagar, segurando a barriga. Com olhos sombrios, varreu a multidão de curiosos e de repente gritou:
— O que estão olhando? Sumam daqui!
— Foi trocada por um homem e ainda tem coragem de ser tão arrogante.
— O que você disse? Repita.
— Ei, o que você quer? Me solta!
Xia Siyue agarrou a gola de quem falou, com os olhos em chamas:
— Repete isso!
— Você... você... eu disse: foi trocada por um homem e ainda tem coragem de ser tão...
— Tapa...
— Se você disser mais uma palavra, vou rasgar sua boca! Acredita?
Xia Siyue soltou a pessoa, jogando-a de lado como lixo, e calmamente ajeitou a roupa. Ergueu a cabeça e entrou no portão da escola.
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Xia Yan voltou com Lu Zhengting para a casa dos Lu. Sentada no sofá, sentiu como se as pernas não fossem mais suas, doloridas e cansadas. Franzindo levemente a testa, percebeu pelo canto do olho o olhar gelado de Jiang Mingxiu direcionado a ela. Num instante, Xia Yan sorriu e endireitou a postura. Xiao Han desceu as escadas pulando e, ao ver a caixa de doces na mesa de centro, abriu um sorriso radiante e disse, alegre:
— Irmã Yan, você é tão boa comigo! Sabia que adoro comer isso.
Jiang Mingxiu, sentada ao lado sem expressão, observou a cena. Quando saíram, viu Xia Yan pedir ao garçom para preparar os doces para levar, sem entender o motivo. Agora estava claro: a garota, apesar de jovem, tinha lá suas artimanhas, sabendo agradar Xiao Han. Ela deu uma risada fria, pegou a mão de Xiao Han e o puxou para perto, dizendo com carinho:
— Xiao Han, isso é comida calórica demais. Faz mal à saúde.
Enquanto falava, Jiang Mingxiu pegou o bolo na frente de Xiao Han e se preparou para jogá-lo no lixo. Mas Xiao Han a empurrou com força, irritado:
— Vovó, eu gosto de bolo. E antes, quando eu comia bolo, você não dizia isso. Não pode jogar fora, quero comer.
— Xiao Han.
— Vovó, já obedeci à irmã Yan. Sei que comer muito bolo faz mal, por isso fiquei muito tempo sem comer. — Xiao Han piscou os olhos, com um olhar pidão para o bolo nas mãos de Jiang Mingxiu, estalou os lábios e não desviou o olhar, com medo de que, num descuido, o bolo tão esperado fosse sacrificado diante dele.
Ao ouvir isso, Jiang Mingxiu estreitou os olhos e olhou para Xia Yan, que estava séria. Antes, ninguém conseguia controlar Xiao Han quando se tratava de doces. Agora, Xia Yan conseguia agradá-lo; não era à toa que ela havia conquistado o favor de Lu Zhengting. Pensando nisso, Jiang Mingxiu não suportou ver Xiao Han olhando para ela de vez em quando com cara de sofrimento, ou fixando o bolo em suas mãos. Suspirou internamente:
— Não se repete.
— Vovó é a melhor! Vovó é a mais querida! — Xiao Han pegou o bolo e comeu com gosto, sentindo que o mundo inteiro não era maior que aquele bolo em suas mãos.
Lu Zhengting estacionou o carro e entrou na sala, sem saber do ocorrido. Só viu Xiao Han com a boca suja de creme e franziu a testa:
— Xiao Han, cadê sua dignidade?
— A dignidade disse que estava muito cansada hoje, então tirou o dia de folga. — A voz infantil de Xiao Han era macia e adorável, especialmente quando ele falava com a boca cheia de bolo, tornando as palavras ainda mais fofas e engraçadas.
Ao meio-dia, Xia Yan cozinhou e fez Jiang Mingxiu perder o apetite. À noite, ela também não teve vontade de cozinhar. Lu Zhengting subiu para trocar de roupa e, ao descer, sentiu que o clima estava estranho. Fez uma pausa, sentou-se ao lado de Xia Yan e, pelo canto do olho, viu Xiao Han sentado longe, acariciando a barriga redonda. Com um olhar de pergunta, Xiao Han piscou para ele e balançou a cabeça, indicando que não sabia de nada.
Jiang Mingxiu olhou severamente para o filho e disse de repente:
— Tem mulher e esquece a mãe!
Lu Zhengting ficou surpreso:
— Mãe, o que você está dizendo?
— Que você tem mulher e esquece a mãe. — Jiang Mingxiu repetiu, olhando para Xia Yan, que permanecia em silêncio. Tanto o pequeno quanto o grande estavam do lado dessa mulher, e ela ficou tão irritada que quis arrumar as malas e voltar para os Estados Unidos. Mas, pensando bem, não podia voltar assim.
Nesse momento, a voz de Chen Ma soou de repente, quebrando o impasse temporariamente.
Antes de dormir, Xiao Han insistiu para que Xia Yan contasse uma história. Ela sorriu e, sob o olhar de Jiang Mingxiu, pegou a mão de Xiao Han e subiu as escadas, refletindo sobre o olhar profundo e impenetrável de Jiang Mingxiu. Ao entrar no quarto de Xiao Han, ele a puxou para sentar na cama e perguntou, cauteloso:
— Irmã Yan, a vovó não gosta de você?
— Por que você pergunta isso, Xiao Han?
— Percebi. Na verdade, minha vovó não era assim antes. Uma situação como a de hoje nunca aconteceu. — Xiao Han olhou sério para Xia Yan, preocupado com ela, afinal, ela era sua candidata a mãe favorita.
Xia Yan sorriu:
— Xiao Han, você se enganou. A vovó não desgosta de mim. Talvez ela seja apenas rígida comigo. Entende?
— Entendo ou não? Irmã Yan, não me trate como criança. Vou te contar um segredo: eu sei que a vovó queria muito que a tia se casasse com meu pai. Mas parece que meu pai não quer muito.
— Tia?
— Ah, tia é a tia Ke. Sei que ela gosta do meu pai e quer se casar com ele. — Xiao Han olhou para Xia Yan com um ar de sabichão, como quem espera um elogio.
Xia Yan pensou por alguns segundos e perguntou, cautelosa:
— Xiao Han, você sabe...
— Sabe o quê? — Xiao Han estranhou, vendo Xia Yan parar no meio da frase.
— Nada.
— Puxa, irmã Yan, que sem graça! Deixou minha curiosidade no ar.
— Você sabe o que é curiosidade? Espertinho. — Xia Yan beliscou o nariz de Xiao Han e perguntou: — Que história quer ouvir hoje?
— Qualquer uma. Nenhuma tem muito valor.
Xia Yan riu sem graça, lembrando-se da última vez que contou a história da Cinderela. Ela mesma se emocionou, mas Xiao Han disse de repente:
— A Cinderela era filha de um conde, que história de Cinderela é essa? E o sapatinho de cristal caiu do pé? Isso não significa que não servia direito?
Na época, qual foi a reação dela? Ah, foi como se tivesse levado um golpe de dez mil pontos de dano.
O melhor destruidor de contos de fadas, além de Xiao Han, não havia ninguém. Xia Yan pensou em passar a tarefa de contar histórias para ele, pois isso a fazia duvidar de toda a sua infância.