Capítulo 92: Capítulo 92 O Terror Retorna

A princípio, Ye Sheng não aprovava a iniciativa de Li Kai em agir por conta própria durante a missão, mas, por um lado, o alvo do ataque da entidade sobrenatural era muito claro, e, por outro, Li Kai era um dos poucos "amigos" que ele conhecia no rádio. Diante da insistência e das garantias repetidas do outro, acabou resultando nisso.

Esse incidente "inesperado" também trouxe uma sensação de inquietação aos participantes que acabavam de saber da morte de Feng Wenxuan.

No entanto, Li Kai não sabia de nada disso. Naquele momento, ele caminhava de volta para a escola, relembrando o reencontro familiar cheio de aconchego.

A mãe gentil e carinhosa, a irmãzinha travessa e adorável, e o pai, recém-chegado do exterior, ainda com a poeira da viagem. A família reunida alegremente à mesa de jantar, uma cena tão calorosa que quase fez Li Kai derramar lágrimas de emoção. Ainda assim, ele disfarçou bem seus sentimentos, apenas enxugando os olhos discretamente com as costas da mão quando ninguém estava olhando.

Se ao menos tudo isso fosse real! pensou Li Kai. O tempo passava, minuto a minuto, e logo chegou a noite. Se não fosse agora, ele perderia o último metrô.

"Kaikai, não dá pra ficar hoje? Amanhã seu pai não trabalha, ele pode te levar de carro."

"É, irmão, não vai embora!" a irmãzinha também se aconchegou, fazendo manha.

Li Kai também não queria ir embora, mas não se esquecia de que aquele não era um mundo real. Seus supostos "familiares" eram apenas o pano de fundo que a história lhe atribuíra, e naquele mundo ainda se escondiam forças sinistras, prontas para atacar a qualquer momento!

Mesmo relutando profundamente, ele endureceu o coração e beliscou o rostinho rosado da irmã: "O irmão ainda tem coisas para fazer, outro dia brinco com você."

"Não quero outro dia, quero hoje!"

"Xiaoning, comporte-se, não atrapalhe os estudos do seu irmão." veio a voz da mãe ao lado. A irmãzinha fez bico e correu para o quarto, irritada.

"Kaikai, deixa o pai te levar de carro até a escola."

"Não precisa, mãe. O pai acabou de descer do avião, já está cansado, deixa ele descansar."

"Levar o próprio filho, o que tem de cansativo?"

"Mãe, pegar o metrô é bem prático, não preciso incomodar vocês. Vou indo."

Enquanto se despedia dos "pais", um sorriso amargo surgiu no canto dos lábios de Li Kai. Ele então se virou e caminhou em direção à porta, mas nesse instante, a voz do pai veio de trás, chamando-o.

Li Kai se virou e viu o "pai" tirar uma caixinha da mala, abri-la e pegar algo que parecia um pingente.

"O que é isso?"

"Um amuleto tailandês, algo que afasta o mal."

"Já te falei tantas vezes, não compre essas lembranças de viagem." a mãe interveio ao lado.

"Isso não é lembrança de viagem, foi abençoado por um monge no templo, para proteger nosso Kaikai."

"Quem diria, você é tão supersticioso."

"Isso não é superstição, é para a segurança do nosso filho."

Ouvindo as brincadeiras dos pais, Li Kai sentiu um leve estremecimento no coração. Amuleto tailandês, afastar o mal? Será que aquela ligação que ele recebeu era, na verdade, uma parte da história, desencadeando um evento oculto relacionado ao seu personagem?

Com esse pensamento estranho, Li Kai saiu de "casa". Depois de andar um pouco, ele olhou para trás e percebeu que o bairro onde "morava" estava envolto em uma atmosfera sinistra.

Prédios escuros, sem nenhuma luz, e dentro do condomínio, ninguém circulava.

Até mesmo na guarita da portaria, não havia vivalma.

Olhando para sua "casa", as janelas agora eram apenas um borrão de escuridão caótica. Cadê os pais e a irmã?

Então, isso era realmente apenas um mundo falso, ou melhor, um palco de uma história.

Quando a trama envolvendo seu personagem acontecia, as pessoas relacionadas, como sua família e colegas de escola, apareciam diante dele. Quando a trama terminava, eles, como figurantes dispensados pela produção, desapareciam, deixando apenas lugares vazios.

Não era só o bairro; a rua também estava assim. Escura, sem nenhum pedestre, apenas postes de luz iluminando o chão vazio.

O coração de Li Kai de repente esfriou, e ele despertou de vez.

O afeto familiar que ele buscava não passava de uma miragem.

Instintivamente, ele levou a mão ao peito e tocou o amuleto. Um sorriso estranho surgiu em seu rosto.

Será que aquela ligação era o ponto de partida da trama oculta? Se ele não tivesse escolhido voltar para casa, não teria conseguido esse item?

Essa história era realmente interessante.

Clang, clang.

O trem vazio continuava a correr. Olhando pela janela, todo aquele mundo desolado parecia ter apenas ele.

Claro, quando o sol nascesse no dia seguinte, talvez tudo aquilo reaparecesse.

Como na série americana que ele adorava, *Westworld*: quando a trama recomeçava, o mundo inteiro ganhava vida novamente.

Sentado no metrô, divagando, de repente Li Kai sentiu o celular no bolso da calça vibrar.

O telefone, que já estava desligado, de repente recebeu uma mensagem de texto, e dele saiu uma música eletrônica distorcida e sinistra...

Merda...

O coração de Li Kai deu um pulo, e quando ele viu a tela do celular, sentiu-se como se tivesse caído em um poço de gelo profundo.

Chegou...

Aquele jogo terrível.

Ele tinha recebido aquele jogo amaldiçoado. Isso significava que aquele participante chamado Feng Wenxuan já havia sido morto pela maldição?!

Li Kai tentou fazer uma ligação para confirmar, mas descobriu que a tela do celular já estava executando automaticamente o programa do jogo, sem permitir que outros aplicativos funcionassem.

O jogo o estava forçando a jogar!

Na tela, o jogo também estava em plena noite. Ao mesmo tempo, um pixel de outro personagem entrou correndo pela parte inferior da tela, disparando até o cemitério atrás da vila!

Ao ver tantas lápides de repente, Li Kai levou um susto, mas logo percebeu que no final do caminho havia um poço sem fundo. Ao lado do poço, duas estátuas de pedra que podiam ser investigadas, com os nomes "Zhou Xiaomi" e "Feng Wenxuan".

E, ao investigar a segunda estátua, uma mensagem apareceu na tela do jogo.

"Você obteve o Anel da Água."

Anel da Água? O que era aquilo?

Parecia um item do jogo, mas não se via utilidade alguma.

Naquele momento, a tela do jogo de repente ficou cheia de falhas. Quando a imagem se normalizou, Li Kai percebeu, surpreso, que ao seu lado havia aparecido um NPC em forma de menininha.

"Ah?!" O bonequinho na tela pareceu levar um susto e deu um passo para trás.

"Quem é você? O que está fazendo aqui?"

"Estou perdida." disse a menininha. "Não encontro o caminho de casa."

"E o que fazer?"

"Mamãe disse que existe uma flor que brilha à noite. Se eu encontrar essa flor mágica e segui-la, consigo achar o caminho de volta."

"Flor?"

"Sim. Mas é preciso tomar cuidado para evitar os fantasmas no caminho."

"Fantasmas no caminho? Que fantasmas?"

A menina de repente ficou em silêncio e então correu para fora da tela. Nesse instante, Li Kai notou que as luzes do metrô começaram a piscar de forma estranha!