— Ei, você já ouviu aquele boato? — Qual? — Aquele, sabe? Um jogo muito misterioso. Dizem que, depois de jogar, a pessoa morre de um jeito estranho em uma semana! — Nossa, para de brincar com isso. — É, deve ser mentira. Esse tipo de boato, não dá pra encontrar um monte em toda escola? Sala que não existe, décimo terceiro degrau que não pode pisar, já tá até batido. — Pois é, se existisse um jogo assim, era melhor mandar o namorado jogar, pelo menos a gente para de brigar ultimamente... — Kkkkkkk... No crepúsculo, numa trilha ao lado do portão da escola, um grupo de garotas passava tagarelando. Se alguém chegasse mais perto, ouviria sussurros baixinhos e risadas que de repente explodiam no meio da multidão. Assim, elas seguiam em frente, brincando e rindo. Depois de um tempo, uma delas acenou, como quem se despede das amigas por pegar outro caminho. Mas foi nesse momento que outra garota falou, com um tom meio preocupado. — Xiaoxiao, tem certeza que tá tudo bem? — É, já faz dias que ele não te procura. Não vai ligar pra perguntar? A garota chamada Xiaoxiao pelas amigas pareceu ser lembrada de algo desagradável, e o sorriso no rosto sumiu na hora. — Quem é que vai ligar pra um cara desses? De qualquer jeito, ele deve estar em casa jogando alguma coisa! — Então... vocês brigaram de verdade? O boato do gelo é verdade também? — Brigamos feio, sim. Aquele idiota só fica o dia inteiro com o celular na mão, é de enlouquecer! O jogo ou eu, o que é mais importante pra ele? — Não é que ele foi jogar aquele jogo assustador? Aquele jogo amaldiçoado que mata em uma semana... A garota de cara fechada soltou um bufado pelo nariz. — Você é boba? Como é que pode existir um jogo desses de verdade? — É só boato. É porque todo mundo tá perto do vestibular, a pressão tá grande, e aí algum chato inventa essas fofocas sem sentido. — Resumindo, já decidi: se ele não se desculpar em uma semana, vou terminar com ele, e ponto final! — Hehe, mas ele parece ser bem rico, hein, Xiaoxiao. Não vai se arrepender? — Imagina, um cara que não sabe o que é mais importante, o jogo ou a namorada! Vendo que as amigas claramente não levavam a sério, a garota chamada Xiaoxiao bateu o pé e se virou, indo embora irritada. — Bom... já tá escurecendo, vamos indo pra casa também. As outras três garotas apressaram o passo no vento frio do outono e correram em direção à esquina. A algumas quadras de distância das garotas, na beira da estrada, havia um prédio de apartamentos de parede cinza. Embora a aparência não tivesse nada de especial, dava pra ver, através da luz do sol que passava pelas janelas de vidro, uma decoração refinada lá dentro. No décimo terceiro andar desse prédio, num apartamento perto do fim do corredor, um som estranho ecoava pelas frestas da porta naquele crepúsculo de vento outonal. Parecia uma música eletrônica sintetizada, que chiava baixinho no corredor escuro. Mas ninguém parecia prestar atenção. Se a câmera virasse para dentro do apartamento, daria pra ver um quarto escuro e bagunçado, cheio de embalagens de comida e latas de bebida. Em cima de alguns alimentos mofados e estragados, até dava pra ver larvas se mexendo. Seguindo o chão sujo até outra porta, havia um quarto igualmente bagunçado. Na cama, uma silhueta escura estava sentada, segurando algo nas mãos, totalmente concentrada, fazendo barulhos de teclas sendo apertadas. Pela luz fraca que aquilo emitia, dava pra ver que era um celular. Só não se sabia por que alguém se viciaria tanto a ponto de ficar dias sem sair do quarto, talvez até sem sair da cama. Se chegasse mais perto, dava pra ver que o rosto da pessoa estava cheio de confusão e pânico, e ela murmurava baixinho sem parar. — O que eu faço... já é o quinto dia... e nada de progresso... — Tentei tudo que dava, mas ainda sinto que falta alguma coisa... — O que eu faço... o que eu faço... não posso sair, não posso contar pra ninguém, o que eu faço... — Não quero morrer... não quero morrer! — Alguém me salva! Aaaaaah...! ----- Na escuridão, Chen Mo abriu os olhos de repente. Não sabia explicar que sensação era, mas algo o fez acordar de madrugada. Virando a cabeça, viu o celular ao lado do travesseiro, cuja tela acendeu sozinha, emitindo uma luz vermelha como sangue. Aquela luz era a tela de abertura automática da Rádio do Terror, o pior pesadelo para todos os participantes. Sempre que esse programa rodava sozinho, significava que a rádio tinha lançado uma nova história, e mais um grupo de ouvintes seria forçado a entrar num mundo sobrenatural e assustador, passando por provações de vida ou morte. Só que, não sei por que, naquela noite, quando a tela que anunciava a nova história se acendeu, Chen Mo sentiu uma sensação estranha no coração. Uma sensação... que podia ser chamada de um mau presságio! Então, como ele esperava, na tela do celular apareceu um novo aviso. Mas, diferente do estilo sinistro que os participantes costumavam ver, dessa vez a imagem era pixelada. Grama verde, casas vermelhas, estradas de pedra cinza, e uns bonequinhos parecidos com os de "Minecraft". Parecia uma cena de algum jogo, com cores vibrantes que davam uma sensação aconchegante e bonita. — Isso... isso é... Dava pra imaginar que os outros ouvintes da rádio, naquele momento, deviam estar tão confusos quanto ele. Mas, depois disso, as palavras vermelhas como sangue que representavam a missão finalmente começaram a aparecer devagar. Você já ouviu falar das lendas urbanas de escola? O som de piano vindo de uma sala vazia, O décimo terceiro degrau que não pode ser pisado, O boneco que anda à noite, E a sala que nem existe... Verdade ou mentira, ninguém pode saber. E a história de hoje vai começar com as lendas da Escola de Ensino Médio Changteng. Sete participantes vão entrar no mundo da história para desvendar a maldição aterrorizante que circula por lá. O tempo limite desta história é de um mês. A seguir, vamos anunciar os participantes desta história. Lin Tianheng, Ye Sheng, Feng Wenxuan, Duan Xue, Dai Minghan, Li Kai... E um nome familiar. Chen Mo. -- PS, primeiro capítulo.