O som soou algumas vezes, e antes que Chen Mo pudesse falar, a maçaneta foi girada de fora, e uma figura apareceu na porta. Ao ver Chen Mo parado em frente à janela, ela hesitou por um instante.
— Doutor Zhao?
Virando-se, Chen Mo também examinou a mulher que entrou pela porta. Tinha pouco mais de vinte anos, pele clara, e o uniforme de enfermeira era bem preenchido pelos seios e nádegas firmes, exalando um charme de mulher madura em cada gesto. Ao perceber que Chen Mo a observava de cima a baixo, ela esboçou um sorriso cheio de sedução: — Desculpe, Doutor Zhao, pensei que o senhor não estivesse aqui.
Como se fosse um olhar casual, Chen Mo desviou os olhos pelo crachá no peito cheio da mulher, lendo duas linhas de informações de identidade.
Yang Xiaoyu, enfermeira da Cardiologia.
Embora soubesse que aquela mulher deveria ser sua "colega", Chen Mo não tinha nenhuma lembrança de Zhao Heping em sua mente. Assim, só pôde, enquanto reclamava internamente da história maluca que não dava roteiro, tentar sondar: — Algum problema?
— Nada demais... — A enfermeira chamada Yang Xiaoyu deu de ombros. — Acabou de acontecer um incidente no hospital. O diretor, pensando no senhor, deu-lhe três dias de folga. Quem diria que o senhor... — Ela hesitou. — Veio trabalhar.
Yang Xiaoyu falou sem intenção, mas Chen Mo ouviu com atenção. O diretor lhe deu folga? Só por causa da briga médica? Mas não dava para dar folga a todos os médicos do hospital por causa disso, e a enfermeira usou a palavra "especialmente", ou seja, a folga era só para ele.
Essa sensação de "tratamento especial" não deixou Chen Mo confortável.
Estando no mundo da história, qualquer indício podia esconder perigo. Chen Mo pensou um pouco e então exibiu um sorriso amigável: — Não consigo ficar parado, vim dar uma volta no consultório, ver se tem algo em que possa ajudar.
Yang Xiauyu franziu os lábios e deu uma risadinha: — Ai, Doutor Zhao, o senhor é tão atencioso! Mas não ousamos incomodá-lo. Além disso, os familiares ainda estão bloqueando o portão. Melhor o senhor se esconder por enquanto, para não se meter em encrenca e dificultar as coisas para o hospital.
— Ah? Oh...
Chen Mo assentiu vagamente, o que fez Yang Xiaoyu desviar o olhar, lançando-lhe um olhar significativo.
— Doutor Zhao, o senhor tem andado muito estressado no trabalho? Alguma preocupação?
— Não, nada. — Chen Mo se apressou em se recompor e sorriu para Yang Xiaoyu.
— Que bom. Vou trabalhar. — Dizendo isso, Yang Xiaoyu pareceu estar prestes a sair, mas ao chegar à porta, virou-se: — Ah, Doutor Zhao, em que ano o senhor começou a trabalhar no hospital?
— Para que perguntar isso?
— O Doutor Zhao é jovem e talentoso, todos têm curiosidade.
Sentindo-se um pouco invasiva, Yang Xiaoyu mostrou a língua e saiu do consultório, deixando Chen Mo pensativo.
Embora tudo parecesse calmo agora, talvez fosse só porque ele mal tinha tocado na superfície da história.
E a conversa com Yang Xiaoyu também o deixou um pouco preocupado. Parecia que a briga médica tinha alguma relação potencial com Zhao Heping.
Naquele momento, um barulho de folhas...
Uma brisa vinda de não se sabe onde virou levemente uma pilha de papéis sobre a mesa, e um deles rodopiou no ar, caindo, como que de propósito, aos pés de Chen Mo.
Como se quisesse chamar sua atenção.
Ele se abaixou para pegá-lo e, ao olhar, sua expressão subitamente se congelou.
— Isso é...
Não era um relatório médico comum, mas uma explicação sobre um acidente cirúrgico.
Mais precisamente, um relatório de morte de Qi Dongsheng.
E, além disso, o que mais surpreendeu Chen Mo foi que, na coluna do cirurgião principal, aparecia a assinatura de Zhao Heping.
— Então... é assim...
— Não é à toa que o hospital me deu um "tratamento especial". No fim, estão com medo de eu causar problemas.
Chen Mo esboçou um sorriso. Então Zhao Heping era o participante direto daquela cirurgia fatal.
Seria essa a razão do fantasma matar?
Mas, por um erro de trabalho, sair matando, esse fantasma não era mesquinho demais?
Ao pensar nisso, Chen Mo achou até um pouco engraçado.
Bem, agora ele tinha uma pista, mas o maior problema ainda não estava resolvido.
Para onde foi esse Qi Dongsheng, tão problemático?
— E aquele diretor Qin, que não fala tudo claramente. Melhor ir conversar com ele primeiro.
Guardando o relatório no bolso, Chen Mo ajustou a expressão no espelho da parede e abriu a porta do consultório.
Ao ver o "Doutor Zhao" na porta, o diretor Qin mostrou claramente surpresa: — Não te dei uns dias de folga? Por que veio? Os familiares ainda estão fazendo barulho lá fora, não tem medo de se dar mal?
Dizendo isso, o diretor Qin balançou a cabeça, um pouco resignado.
— Afinal, o assunto tem a ver comigo. — Chen Mo observava a expressão do outro enquanto pensava nas palavras. — Na verdade, queria saber mais sobre a situação, ver se posso ajudar o hospital a resolver o problema logo.
— Saber mais? — O diretor Qin parou o que estava fazendo e olhou para Chen Mo com um certo significado. — O que você quer saber?
— Sobre o desaparecimento do corpo...
— Doutor Zhao.
Antes que Chen Mo terminasse, o diretor Qin o interrompeu.
— Embora a morte do paciente tenha alguma relação com você, o risco da cirurgia já era grande, e o termo de consentimento foi assinado antes. Portanto, nem você nem o hospital têm grande responsabilidade nisso. Não se preocupe demais.
— Quanto ao corpo... — O diretor Qin franziu a testa, como se estivesse pensando. — Originalmente, não íamos envolver você nisso. Mas acabamos de descobrir uma novidade. O único envolvido, o vigia Zhang, que estava de plantão ontem à noite, foi indicado por você para trabalhar aqui. Você o conhece bem. Já que veio hoje, que tal você ir falar com ele para saber o que aconteceu ontem à noite? O que acha?
O diretor Qin, como sempre, era claro em sua análise e objetivo. E isso caía como uma luva para Chen Mo, que não tinha motivo para recusar.
— Tudo bem, diretor. Deixe-me tentar.
Saindo do consultório do diretor, Chen Mo tinha uma expressão pensativa.
Esse vigia Zhang parecia ser uma figura-chave.
De qualquer forma, o próximo passo era encontrá-lo. Como o necrotério do hospital geralmente fica no subsolo, ligado à garagem, Chen Mo foi direto para o elevador e apertou o botão do primeiro subsolo.
Por coincidência, o elevador, normalmente cheio, não encontrou ninguém no caminho. Depois de um tempo, ele parou, e quando as portas se abriram, uma corrente de ar frio invadiu o corredor.
Talvez por ser subterrâneo, a temperatura ali era alguns graus mais baixa. Algumas lâmpadas fluorescentes piscavam aqui e ali, mas não traziam nenhuma sensação de segurança.
Assim que Chen Mo saiu do elevador, uma série de faíscas estalou acima de sua cabeça, e todas as luzes se apagaram de repente, mergulhando tudo em uma escuridão total.
Chen Mo sentiu um sobressalto e ficou imediatamente alerta, colocando a mão no bolso para segurar o bisturi que havia pegado na sala de instrumentos.
Nas histórias de terror, essas anomalias repentinas ao redor são muitas vezes presságios de morte. Sozinho no subsolo, como não ficar tenso?
Felizmente, a escuridão não durou muito. Após alguns segundos, as lâmpadas piscaram e acenderam uma a uma.
Chen Mo suspirou aliviado, se recompôs e continuou andando.
Nos corredores do primeiro subsolo, havia várias portas numeradas, mas Chen Mo não tinha curiosidade de explorá-las. Caminhando um pouco, avistou uma placa de "Sala do Vigia". Embora a porta estivesse fechada, pela janela do corredor dava para ver a sala iluminada, mas vazia.
Para onde foi esse vigia Zhang, que cuida do necrotério?
Assim que pensou nisso, Chen Mo notou que, em frente à sala do vigia, a porta do necrotério, que dava para ele, estava entreaberta. Um vento frio soprava lentamente de dentro.