Capítulo 598: Capítulo 598: A Tragédia

"Talvez seja assim mesmo."

Pan Long sentiu-se animado por ter decifrado parte do segredo da foto, mas só isso estava longe de garantir segurança.

A missão deles desta vez era investigar a verdade por trás dos boatos.

Assim, os quatro finalmente chegaram em frente ao pátio, separados pela grade de ferro preta, e a casa mal-assombrada da foto estava diante deles.

O portão estava trancado.

Pan Long mexeu no cadeado grande da entrada, pensando em como arrombá-lo, quando de repente uma voz soou atrás deles.

"O que vocês estão fazendo!"

A voz repentina assustou os quatro. Virando-se, viram um jovem uniformizado de segurança parado atrás deles, olhando-os com desconfiança.

Eles haviam esquecido que aquele lugar tinha administração.

Embora o casarão estivesse abandonado, ainda havia outros moradores nas redondezas, embora parecesse um pouco deserto. No fim das contas, era uma área vigiada por uma empresa de segurança, e o fato de estarem rondando por ali os tornava suspeitos.

Mas Pan Long não se intimidou. "Investigação policial", disse ele, enquanto tirava do bolso uma "carteira" preta e a balançava diante do segurança.

O documento falso, mas convincente, surtiu efeito imediato. Embora fosse uma "carteira" em branco, sem qualquer texto, o segurança a examinou e a devolveu solenemente a Pan Long. "Isso... precisamos de alguma cooperação?"

"Não..." Pan Long ia responder, mas uma ideia lhe passou pela cabeça. "Há quanto tempo você trabalha aqui?"

Ele achava que o segurança era jovem e provavelmente trabalhava ali há pouco tempo, então perguntou por perguntar. Mas o outro respondeu prontamente: "Três anos."

Não era exatamente um ano antes do massacre? Não só Pan Long, mas os outros também pensaram na mesma coisa.

Levando o jovem para um canto, Pan Long assumiu um ar sério. "Rapaz, então preciso fazer algumas perguntas."

"P-perguntas?" O jovem claramente já os levava a sério como policiais à paisana. Entre a desconfiança, transparecia um nervosismo, como se tivesse adivinhado algo, e baixou a voz: "Será que... vocês ainda estão investigando aquele caso do ano retrasado? Aquele caso... tem novas pistas?"

Esse homem realmente sabia do massacre de dois anos atrás.

Por que um segurança apareceria de repente ali? Seria também uma dica da história?

Apesar das dúvidas, Pan Long não deixou transparecer nada. "Não se preocupe, é só contar o que sabe com sinceridade."

"Assim, tá bem..." O jovem hesitou, ainda desconfiado, mas começou a falar devagar, enquanto se lembrava. Sobre os detalhes daquele incidente de dois anos atrás.

Era igual às informações que haviam encontrado na internet: aquela vila de dois andares abrigava uma família de três pessoas. O dono, que voltara do exterior, era muito rico, a esposa era jovem e bonita, e tinham um filho adorável.

Se não fosse pelo que aconteceu depois, aquela família teria vivido feliz e em harmonia.

Mas como diz o ditado, o tempo não é previsível. A vida pacífica foi quebrada por um destino cruel. Talvez a riqueza do dono tivesse atraído cobiça. Numa noite de tempestade, alguém cortou a energia do condomínio e aproveitou para invadir a vila.

Talvez a intenção inicial fosse apenas roubar ou chantagear, mas, ao encontrar resistência do dono, o criminoso, tomado pela fúria, decidiu matar para silenciar.

Nesse momento, a esposa no quarto acordou com o barulho. Percebendo o que acontecia, ela escondeu o filho pequeno no armário. Mal fechou a porta, o bandido invadiu o quarto. Ao ver a beleza da mulher, teve pensamentos lascivos.

A mulher resistiu com todas as forças e gritou por socorro. Embora houvesse poucos moradores na vila, alguns estavam por perto. Mas talvez os gritos tenham sido abafados pela chuva, ou os vizinhos tenham tido medo de se envolver, e com a negligência dos seguranças, ninguém foi verificar.

A dona de casa não conseguiu ajuda. Nesse momento, o marido, com o peito perfurado, ainda não havia morrido. Arrastando-se da sala, ele avançou novamente contra o bandido.

Mas já estava mortalmente ferido, sem forças. Após ser esfaqueado de novo, caiu no chão. Nos seus últimos momentos, viu a esposa ser violentada e morta pelo criminoso. Uma verdadeira tragédia humana.

Só no dia seguinte o massacre foi descoberto. As conclusões acima eram, em grande parte, deduções da polícia com base na cena do crime. O mais lamentável era que o filho escondido no armário poderia ter sobrevivido. Mas, ao testemunhar os pais sendo mortos, a criança, tomada pelo pânico e medo, fez barulho. Uma mão grande, sob o clarão dos relâmpagos, abriu o armário...

No fim, ocorreu o massacre que abalou Lijingwan, no número 106 da Rua Huaishu.

Sob enorme pressão da opinião pública, esperava-se que o caso fosse resolvido rapidamente. Mas, durante a investigação, algo estranho aconteceu.

O assassino simplesmente "desapareceu" misteriosamente.

Logo após o massacre ser divulgado, a polícia revisou todas as câmeras do condomínio e arredores. Mas, estranhamente, não encontraram nenhum suspeito.

Mais precisamente, nem as câmeras instaladas ao redor da vila do crime filmaram o assassino saindo da cena.

O criminoso tinha habilidades de contra-investigação extremamente altas, evitando todas as câmeras com maestria. Isso fez com que o caso hediondo não avançasse, tornando-se um mistério não resolvido.

Um massacre sem solução, um assassino que vinha e ia sem deixar rastros, era motivo suficiente para os moradores não dormirem em paz.

Não admira que os vizinhos fossem tão frios e desconfiados com estranhos.

Pan Long refletiu internamente e acenou para o jovem segurança. "Entendi, pode ir trabalhar."

O jovem ficou surpreso, parecendo achar a "investigação policial" um tanto "superficial". Mas Pan Long estava ocupado pensando nas pistas ocultas no caso e não quis perder tempo com ele. Fez um gesto para que o segurança fosse embora.

O rosto do jovem mostrou confusão, mas ele não ousou perguntar mais.

No entanto, prestes a sair, como se lembrasse de algo, ele se virou e falou de repente.

"Na verdade... aquela casa, eu aconselho vocês a não entrarem."

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