Capítulo 581: Capítulo 581: Mamãe, estou com tanta dor

Pá! Pá! Pá! No quarto escuro, ouviam-se os sons surdos de golpes contra carne. As cortinas grossas bloqueavam a luz do dia, deixando o ambiente ainda mais sombrio. De vez em quando, ouviam-se os xingamentos de um homem e os gritos de uma mulher, também abafados pelo vidro espesso e pelas cortinas, confinados naquele espaço apertado. A mulher, encurvada, encolhia-se num canto do quarto escuro. Gotas de sangue pingavam, uma a uma, de sua testa. Seu olhar era vazio e desesperançado, a expressão de quem não espera mais nada de nada. Ela era como uma boneca de pano quebrada, deixando-se manipular à vontade. Não importava o quanto o homem gritasse furiosamente ou a acusasse, seu rosto não ganhava nenhuma expressão a mais. Como se tivesse perdido toda a esperança no mundo. Mas o homem não se sentia satisfeito. Seu rosto, avermelhado pelo álcool, transbordava uma morbidez doentia. O silêncio repetido da mulher só avivava a violência no fundo de sua alma. Depois de resmungar uma ameaça, virou-se e saiu do quarto. Foi nesse momento que, clic, clic. Da porta da frente, veio o som da fechadura sendo girada. Em seguida, a porta foi empurrada, e um garoto de uns dez anos espiou para dentro. O cheiro de álcool que impregnava o ambiente fez com que ele franzisse a testa profundamente. Chamou baixinho: "Mãe?" O silêncio foi sua resposta. O garoto abriu a porta uma fresta e, sem querer, chutou uma garrafa vazia no chão, que rolou com um barulho surdo. Seu olhar foi imediatamente atraído pela garrafa rolando, e ele percebeu que havia mais garrafas vazias no chão, restos de vômito e, misturado a tudo isso... o cheiro de sangue. O rosto do garoto se contraiu. Ele rapidamente entrou no quarto e trancou a porta de novo. Pela desenvoltura de seus movimentos, dava para ver que não era a primeira vez que passava por isso. Com o corpo magro, deslizou como um gato em direção ao quarto, empurrou a porta entreaberta e viu imediatamente a mãe, encolhida no canto, com o rosto coberto de sangue. "Aquele homem... ele bateu em você de novo!" Ao ver o sangue ainda jorrando da testa da mulher, um lampejo de pânico passou pelo rosto do garoto. Embora soubesse que o pai alcoólatra frequentemente batia na mãe por motivos infundados, nunca tinha sido tão grave quanto hoje. E ele nunca tinha bebido tanto quanto agora. Como se sentisse alguém entrando no quarto, a mulher gemeu baixinho, esforçou-se para abrir os olhos turvos de sangue, tentando reconhecer a figura à sua frente. Abriu a boca como se quisesse dizer algo, e um sorriso pálido se formou no canto de seus lábios. Ela não queria que o filho visse uma cena tão horrível, mas também não tinha forças para resistir ao destino. "Não se mexa! Vou pegar remédio!" O garoto se levantou, virou-se para procurar o kit de primeiros socorros, mas pareceu achar que estancar o sangue era mais urgente. Rapidamente pegou uma toalha e a pressionou contra a testa sangrando da mãe, tentando conter o fluxo incessante. Mas o sangue não parava; pelo contrário, quanto mais ele limpava, mais aparecia. Sob a palidez do rosto, a cor do sangue era especialmente chocante. A ansiedade no rosto do garoto gradualmente se transformou em pânico aterrorizado. "Mãe! Mãe! Abra os olhos! Não durma!" Enquanto o garoto balançava a mãe desesperadamente, um estrondo veio da porta da frente. A fechadura, que ele tinha trancado ao entrar, foi chutada com força. Uma silhueta como uma torre de ferro, com as costas contra a luz do dia, parou na entrada. Na mão esquerda do homem, uma garrafa meio vazia; seu rosto estava ainda mais embriagado, exalando um forte cheiro de álcool. Mas na mão direita, ele segurava uma faca de cozinha larga. Uma faca de cortar ossos, brilhando com um reflexo frio. "Pai! Você enlouqueceu!" O garoto finalmente não aguentou mais. Gritou, avançou furiosamente, tentando empurrar aquela figura para fora da porta. O homem tinha bebido demais, sua consciência já estava turva. Com o impacto repentino, perdeu o equilíbrio, cambaleou para trás dois passos, balançou e, com os olhos semicerrados, examinou o outro. "Você... quem é?" O homem murmurou. A figura diante dele, trêmula, era magra e pequena. Como seu próprio filho poderia ser assim? E aquele rosto, com a embriaguez, quanto mais olhava, menos parecia com o dele. "Bah! Sua vadia... eu sabia... como é que de repente você aceitou casar comigo... você é uma..." "Urgh..." O homem não terminou a frase e começou a vomitar de novo, mas seus olhos ficaram ainda mais vermelhos. Ele cuspiu uma ameaça feroz. "Bastardo, sai daqui! Hoje... hoje eu vou matar essa traidora de uma vez!" Sem dar tempo para ninguém reagir, aproveitando a embriaguez, o homem ergueu a faca bem alto e, sem pensar, desferiu um golpe em direção à mulher. Um grito agudo ecoou. Crunch. O som de metal cortando fundo, como um açougueiro na tábua, partindo ossos e carne. Crunch... crunch... crunch... O som parecia se amplificar infinitamente em seus ouvidos, fazendo-o estremecer de susto. Suas pupilas se dilataram! Nove partes de embriaguez, com aquele som arrepiante, evaporaram para sete partes de sobriedade. "Isso... isso é..." O homem soltou a faca, recuou alguns passos, olhando chocado para o que acontecia. A faca grossa de cortar ossos estava cravada fundo nas costas do garoto, do ombro esquerdo ao peito, quase partindo-o ao meio. Os olhos do garoto estavam cheios de incredulidade, uma expressão de choque e dor congelada em seu rosto. E então a mulher. Aquela mulher, sempre submissa, de rosto inexpressivo, também estava paralisada de choque. Crash! Naquele momento, do lado de fora, sob o céu nublado, um relâmpago rasgou o ar, anunciando uma tempestade iminente. "Aaaaaaahhhhhh!!!!" O homem soltou um grito histérico, largou a faca manchada de sangue e fugiu porta afora. Ao mesmo tempo, a chuva torrencial começou a cair. Splash, splash. Lá fora, a chuva caía em bátegas, mas dentro daquele quarto apertado, escuro e cheirando a sangue, o tempo parecia ter parado. A mulher, com o rosto distorcido e contorcido, abraçava firmemente o filho que já não tinha mais vida. De seus olhos entorpecidos, lágrimas grossas escorriam. Por que isso? Por que tinha que acabar assim? Aquele homem queria matar ela, não ele. Por que foi o Xiao Rui que levou a facada fatal no lugar dela? O que ela fez de errado? E ele, o que ele fez? O tempo passava, minuto após minuto. Não se sabia quanto tempo havia se passado, como se fosse um instante ou o fim do universo. Ela era como uma estátua sem vida, segurando o corpo que gradualmente perdia o calor, sentada no quarto escuro, como se fosse se fundir com a escuridão ao redor. Como se ela mesma fosse parte da escuridão. Mais um tempo passou, sem saber quanto. De repente, ela pareceu sentir algo. Abaixou a cabeça, atônita. Ela viu. A pobre criança, morta há tanto tempo em seus braços, de repente abriu os olhos. E então virou o pescoço, olhando para a porta da frente, engolida pela escuridão. "Mãe, estou com tanta dor." ----- PS, desculpem pela demora. Vou falar duas coisas. Primeiro, o Dia das Crianças foi realmente corrido. O pequeno já está numa idade em que não dá para enganar sem programar atividades, então tive que incluir comida, diversão e tudo mais. Segundo, eu realmente não abandonei o livro. Não postei ontem não porque não escrevi, mas porque reescrevi o esboço de mais de 3000 palavras que tinha acabado de fazer, pois não fiquei satisfeito (por que não fiquei satisfeito? Não sei, deve ser a mania de autor de terror). Hoje à tarde, arranjei um tempinho e escrevi mais de 2000 palavras de um novo esboço para a história (sim, eu faço esboço para cada história, senão esqueço as armadilhas que criei). E agora à noite, depois que o pequeno dormiu, escrevi mais um capítulo. Não estou me fazendo de vítima, só quero que vocês saibam que, às vezes, um livro pode ser mais do que apenas as palavras que vocês veem. Por trás, o autor pode ter dedicado muito esforço. Claro, isso também mostra, indiretamente, o quão séria é a minha atitude ao escrever. Mas só sou assim com este livro. Quem diria, "A Fuga dos Fantasmas do Fluxo dos Mortais" é meu verdadeiro amor. Bem, para finalizar, aqui está a atualização. Ainda bem que não está tão tarde. Por último, um desejo atrasado: Feliz Dia das Crianças para todos, hehe.