Aqui, é muito perigoso...
Não apenas Li Yuxin, mas também Chen Mo podia sentir que, na escuridão, algo oculto parecia ter sido perturbado por eles, abrindo olhos terríveis.
Os itens parasitas, equivalentes a possessões de entidades, concediam a eles uma percepção espiritual mais aguçada que a de pessoas comuns, permitindo sentir a aura dos espíritos ao redor. No entanto, essa percepção também aumentava a pressão pesada em seus corações.
Se não pudessem ver, não sentiriam medo. Mas, quando se pode perceber claramente, como fingir indiferença?
Contudo, ainda não era suficiente.
Esse nível de energia de rancor estava muito longe da obsessão atual do gato preto. O que eles precisavam atrair era um espírito maligno poderoso, carregado de rancor profundo.
Sob essa atmosfera opressiva, ninguém falou. Os três continuaram avançando.
Shasha, shasha, shasha.
Na escuridão, ouviam-se os passos dos três, mas, após alguns instantes, os ouvidos de Chen Mo captaram outros passos além dos deles.
Parecia que muitas coisas se moviam na escuridão. Shasha, shasha, shasha. Ao redor deles, sons de passos desordenados ecoavam.
Um vento frio e sinistro, vindo de não se sabe onde, fez a chama do isqueiro vacilar e, de repente, apagar-se.
Os três sentiram um aperto no coração. Clique, clique. Lin Tianheng tentou acionar o isqueiro várias vezes, mas ele parecia ter quebrado, incapaz de acender novamente.
Os três estavam agora imersos em uma escuridão total, onde não se via nem a própria mão!
Estão chegando, estão chegando...
Eles estão vindo...
O coração de Li Yuxin batia descontroladamente, quase saltando do peito!
Os sons ao redor já não eram apenas passos.
Gugu, gugu. Na escuridão, ouviu-se a risada sinistra de um menino, seguida por passos que passaram correndo ao lado de Li Yuxin.
Depois, vieram os sons de uma briga de casal. Embora abafados, Li Yuxin conseguia distinguir algo: uma mulher descobrira a traição do marido, e ambos trocavam insultos acalorados.
Não só isso. Muitas vozes—falas, risos, gritos—soavam caoticamente na escuridão.
Chen Mo também ouvia esses sons. As coisas que os emitiam não eram pessoas, mas espíritos rancorosos presos no subsolo, repetindo incessantemente as memórias de suas vidas.
Havia homens, mulheres, idosos, crianças...
Quantas pessoas aquela mulher perversa havia matado e enterrado ali? E por que ela fazia isso?
Foi então que, na escuridão impenetrável, Chen Mo de repente notou uma luz fraca à frente!
Era como se uma porta tivesse se aberto na parede. Uma luz cálida vazava pela fresta, iluminando uma pequena área do túnel. Mesmo sabendo que era uma armadilha, em meio à escuridão total, o ser humano instintivamente anseia pela luz que permite enxergar.
Mesmo que seja como uma mariposa se lançando ao fogo.
"Vamos. Dar uma olhada." Após hesitar por um momento, Chen Mo finalmente tomou uma decisão. Ao redor, tudo era escuridão; lá fora, espíritos malignos os assediavam. Eles estavam encurralados, sem outra escolha.
Curiosamente.
Ranger. Como se percebesse sua aproximação, a fresta da porta à frente se abriu um pouco mais. Quando a luz do cômodo se derramou, todos os sons de passos, risos, insultos e gritos desapareceram.
Diante dos três, surgiu um quarto. Era idêntico ao que Chen Mo vira antes, o mesmo que atraíra Wang Bo para dentro: um cômodo vazio, com apenas uma mesa, uma cadeira de ferro, uma cama reduzida a uma armação de madeira, e uma lâmpada pendurada no teto, balançando levemente, emitindo uma luz alaranjada.
A cena mais normal era a coisa mais anormal.
Chen Mo não esqueceria o que vira quando ele e Li Yuxin se esconderam num canto, observando pela fresta: uma cabeça pendurada no teto, balançando suavemente, emitindo um rangido de dentes.
Na época, Wang Bo estava com os olhos vendados pelo espírito, então não via o demônio feroz no quarto. Agora, Chen Mo finalmente entendia por que Wang Bo entrara e o que ele vira.
Naquele momento, o que Wang Bo vira deveria ser exatamente o que eles viam agora. E, neste instante, nas costas dos três, provavelmente também havia um espírito agarrado, cobrindo seus olhos com as mãos, impedindo-os de ver a cabeça do demônio pendurada no teto.
Nesse momento, um pensamento surgiu na mente de Chen Mo.
Assim que deixaram o porão, aqueles espíritos cruéis pararam de atacar. Não era por bondade que os deixaram ir, mas porque estavam sob alguma restrição, incapazes de deixar aquele lugar.
Qual seria essa restrição? A história os guiara até ali, não apenas para torturá-los, mas para lhes dar um meio de encerrá-la.
Chen Mo também sentia que, se não entrassem naquele quarto, o impasse jamais seria quebrado.
Havia algo naquele quarto?
Parado na entrada, Chen Mo não se apressou em entrar. Uma vez lá dentro, a cabeça do demônio provavelmente atacaria imediatamente. Mas onde estava a pista?
Ele olhou novamente para o quarto iluminado. A luz oscilante projetava sombras no ambiente, mas numa das paredes havia uma mancha mais escura que as sombras, como um mofo causado por infiltração.
O resto do quarto estava seco, apenas aquela parede mofada. Chen Mo achava que, no mundo daquela história, não poderia ser apenas uma simples infiltração.
Seria aquilo...?
Uma ideia passou por sua mente. Tudo precisava ser verificado dentro do quarto.
Aquele cômodo cheio de perigo era uma armadilha da qual não podiam escapar.
Vou enfrentar essas coisas!
Chen Mo rangeu os dentes, avançou para dentro do quarto, pegou a cadeira de ferro e a arremessou com força contra a parede mofada.
Atrás dele, naquele instante, inúmeras sombras de espíritos surgiram de todas as direções. Ao mesmo tempo, a lâmpada pendurada no teto transformou-se numa enorme cabeça, que abriu a boca para mordê-lo!
Crunch!
A cabeça do demônio não atingiu Chen Mo, mas sim um objeto duro—a adaga espiritual de Lin Tianheng, cravada em sua boca!
Aaaaaaah—!
Um grito de agonia ecoou das profundezas da alma. O demônio abriu a boca novamente e, desta vez, mordeu o braço de Lin Tianheng, arrancando-o de uma só vez. O sangue jorrou como uma fonte da ferida!
Ao mesmo tempo, Li Yuxin abriu a boca e soltou um choro alto de bebê!
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PS: Segundo capítulo. Continuo pedindo apoio. Vamos com tudo~!