Na descrição do velho Zhang, Zhang Chenyang contou-lhe que, desde que cavou aquele pequeno buraco na parede e descobriu que o apartamento 303 ao lado era ocupado por uma inquilina, ficou como que enfeitiçado. Sempre que tinha tempo livre, não conseguia evitar de se debruçar sobre a parede e, através do buraco, observar secretamente a mulher do outro lado.
No início, o velho Zhang também pensou que o filho, além dos problemas mentais, havia adquirido um vício em voyeurismo. Furioso e angustiado, naturalmente deu uma boa surra em Zhang Chenyang e o advertiu para não fazer mais aquilo. Espiar, e ainda por cima uma mulher, na visão da geração do velho Zhang, era um crime hediondo, um comportamento psicótico. O velho Zhang, que sempre foi íntegro, não permitiria que seus descendentes fizessem algo assim.
Depois de xingar e bater em Zhang Chenyang e selar o buraco na parede, o velho Zhang achou que tudo estava resolvido, mas as coisas claramente não eram tão simples. Em menos de um mês, ele descobriu... outra coisa ainda mais estranha!
Naquela época, Zhang Chenyang vivia como uma pessoa normal durante o dia, mas o velho Zhang percebeu, sem querer, que toda noite, ele se levantava sorrateiramente, reabria o buraco selado e continuava a espiar o apartamento 303 ao lado, por horas a fio. Esse comportamento, se fosse para descrever, era como se ele estivesse possuído por um espírito.
Pela fresta da porta, vendo à luz amarelada o filho curvado, de costas para ele, debruçado na parede, o velho Zhang sentiu, não raiva, mas medo! Zhang Chenyang, embora tivesse a mente afetada por um ferimento na cabeça, não era, como o pai bem sabia, um psicopata. Mas agora, atraído por essa inquilina estranha, mesmo desobedecendo às ordens, continuava a espiar. Isso era extremamente anormal.
Dessa vez, o velho Zhang não agiu por impulso, dando outra surra no filho, pois sabia que isso não resolveria o problema. Assim como ele havia selado o buraco na parede, mas o filho o reabria às escondidas, se Zhang Chenyang percebesse que seu segredo fora descoberto, certamente arranjaria uma forma mais oculta, dificultando ainda mais o controle da situação.
Por outro lado, o velho Zhang também tinha uma dúvida profunda: que poder mágico tinha aquele buraco para enfeitiçar tanto o filho, a ponto de ele perder o sono e se levantar de madrugada para espiar?
Com uma mistura de dúvida e medo, o velho Zhang decidiu desvendar o mistério. Usou outra desculpa para fazer Zhang Chenyang sair do quarto e, então, aproximou-se novamente do buraco na parede, olhando para o apartamento 303.
Pelo buraco, viu novamente a inquilina do lado, andando sem parar pelo quarto. Era realmente uma mulher bonita e elegante, parecendo viver sozinha no 303.
O estranho era que, ao sair ou voltar para casa, ele nunca a via, como se ela nunca precisasse sair.
Naquele momento, o velho Zhang a via andando pelo quarto, mas, enquanto se perguntava o porquê, de repente notou outra coisa.
Ele percebeu que o suéter branco da mulher estava manchado com uma substância vermelha. Seu olhar se fixou no buraco e, de repente, levou um grande susto!
A inquilina do 303 segurava uma faca afiada, e no chão do quarto, estava o corpo de um homem morto!
Ela estava coberta de sangue!
O que estava acontecendo?
Será que a inquilina havia matado o homem no chão?
Será que ele, sem querer, havia testemunhado um assassinato no apartamento 303?
Ao ver isso, o velho Zhang levou um susto enorme. Nesse instante, algo ainda mais aterrorizante aconteceu: ele viu a inquilina, com a faca na mão, caminhar em direção à parede e se inclinar!
Será que ela percebeu que eu estava espiando? Aterrorizado, o velho Zhang tapou rapidamente o buraco e deu dois passos para trás, olhando para a parede ainda em choque.
A bela inquilina do 303 havia cometido um assassinato no quarto!
Após um tempo, o velho Zhang finalmente se acalmou. Quando pegou o celular, hesitando se devia ligar para a polícia, olhou para trás sem querer e levou outro grande susto.
"A porta, que estava bem fechada, não sei quando se abriu. Zhang Chenyang estava parado na entrada do quarto, me encarando com uma expressão sombria, perguntando o que eu estava fazendo no quarto dele."
Ao dizer isso, o velho Zhang estendeu a mão para enxugar o suor frio da testa. Embora fosse algo do passado, descrever aquilo novamente ainda o deixava apavorado.
"Naquele momento, Zhang Chenyang parecia saber o que eu tinha feito. Ficou parado na porta, me olhando friamente, e disse: 'Pai, não chame a polícia.'"
"Na hora, fiquei apavorado. Meu filho sabia o que eu estava fazendo e também sabia que a inquilina do lado havia matado alguém!"
Naquele instante, o rosto do velho Zhang ficou extremamente sombrio. Através de sua descrição, ele pintou uma cena estranha e aterrorizante diante de Chen Mo e os outros.
O que Zhang Chenyang disse em seguida ao velho Zhang, sem dúvida, o arrastou para um abismo de terror!
Durante aquele período, Zhang Chenyang espiou constantemente a mulher do 303 pelo buraco na parede. No início, era apenas atraído por sua beleza, como se estivesse enfeitiçado, observando sua vida pelo buraco. Para a vida monótona e solitária de Zhang Chenyang, era uma experiência emocionante.
Mas essa vida mudou a partir de um certo dia. Naquela noite, Zhang Chenyang, como de costume, se debruçou sobre o buraco para espiá-la, quando viu a porta do apartamento se abrir e entrar um homem de meia-idade.
O longo período de voyeurismo fez Zhang Chenyang considerar, psicologicamente, a bela inquilina como algo exclusivo seu. Ao ver outro homem entrar na casa dela, sentiu primeiro ciúmes e raiva, mas, quanto mais observava, mais percebia que algo estava errado.
Depois de dar um copo d'água ao homem, ele caiu no chão rapidamente. A figura da mulher desapareceu do buraco, mas, pouco depois, reapareceu. Dessa vez, ela segurava uma faca afiada. Sob o olhar de Zhang Chenyang, a faca da mulher perfurou o peito do homem. O sangue jorrou, o corpo se debateu por um tempo e, aos poucos, parou de se mover.
Zhang Chenyang tapou a boca com as mãos, de olhos arregalados.
A inquilina do 303 havia matado alguém, e ele testemunhara aquilo!
O que mais o aterrorizava era que a jovem e bela mulher, após matar o homem, não parecia ter grandes reações emocionais. Observou o corpo por um instante, depois, calmamente, o desmembrou, colocou-o em uma grande caixa preta e, com serenidade, limpou o sangue do chão.
Durante todo o processo, seu rosto não expressava nada, como se estivesse fazendo algo comum, como se não tivesse matado uma pessoa, mas sim uma galinha ou um peixe!
No início, Zhang Chenyang ficou apavorado, tremendo sem parar, tomado por um medo intenso. Tinha muito medo de que a mulher descobrisse que ele a espiara. Mas, depois de um tempo, seu corpo parou de tremer e ele sentiu uma excitação e um estímulo. Testemunhar um assassinato, e ainda por cima cometido por uma mulher bonita, de repente fez com que aquela mulher se tornasse ainda mais fascinante aos seus olhos.
Ele se apaixonou perdidamente por aquela inquilina!
--- PS, agradeço pelo carinho (e pelos puxões de orelha) dos mestres. Hoje o autor vai soltar cinco capítulos, começando com este primeiro! Peço também que, vendo o esforço do autor com cinco capítulos, apoiem com votos de recomendação e mensais. Muito obrigado a todos!