Capítulo 4: Capítulo 4 Ainda há um

Finalmente, Chen Mo chegou diante da porta que deixava escapar luz. Desta vez, porém, quando se preparava para encostar o ouvido, percebeu de repente que, bem no meio da porta, havia um olho mágico.

Normalmente, um olho mágico é instalado para que quem está dentro do quarto possa espiar o lado de fora. Mas aquele olho mágico estava propositalmente invertido, como se fosse para alguém de fora espiar o interior.

Chen Mo não pensou muito e foi direto olhar.

Sangue.

Muito sangue encharcava todo o quarto!

Um corpo despedaçado jazia no centro do cômodo, e, de costas para a porta, um homem se aproximava, segurando um machado, tremendo violentamente.

"Não me culpe por ser cruel. Culpe-se por não saber viver e por não me largar!"

"E aquela mulher, Song Qian, foi ela quem me forçou a isso!"

"Já cheguei a este ponto, como poderia desistir? Você sabe, eu preciso de dinheiro, muito dinheiro. Song Qian pode me dar esse dinheiro. Com ele, posso começar meu próprio negócio, e então, ainda podemos ficar juntos!"

"Eu realmente não queria te matar!"

Ao final, o homem começou a chorar alto, como se realmente se sentisse culpado.

Em meio ao choro do homem, a luz se apagou de repente, como se o espetáculo no palco tivesse terminado abruptamente. Tudo no quarto cessou.

Quando a luz acendeu novamente, todo o sangue e a figura haviam desaparecido num instante, como se nada tivesse acontecido ali.

"Isso deve ser a cena que a trama me mostrou do assassinato de He Yatian. Só não sei se há um significado mais profundo."

Nesse momento, Chen Mo percebeu que, na parede oposta, filetes de sangue escorriam lentamente pelas frestas, formando palavras na superfície branca.

— Você acha que pode me abandonar assim? — Você acha que seus pecados são desconhecidos? — Não! — Jamais vou deixar vocês em paz! — Se não posso te ter, você nunca a encontrará! — Quero que todos vocês morram!

Cada palavra de sangue era chocante, como se carregasse um ódio infinito!

Quanto mais intenso o amor, mais louco o ódio!

Nesse instante, um som leve veio de trás: "crac, crac, crac". Chen Mo se virou e viu, horrorizado, o cadáver feminino, envolto em aura sinistra, que, sem que ele soubesse quando, já havia rastejado até suas costas.

"Puxa, não é que veio mesmo..."

Felizmente, desta vez Chen Mo já estava preparado. Em vez de recuar, avançou de repente em direção ao fantasma feminino, passou por ela e correu para dentro da escadaria!

Atrás, o som de ossos estalando soou novamente, indicando que o fantasma logo o perseguiria. Chen Mo não teve tempo de pensar e só pôde descer as escadas correndo.

Enquanto isso, seu cérebro girava freneticamente.

O que o segundo gatilho da trama acrescentou de pistas?

O mais óbvio foi o surgimento de uma terceira pessoa na história, essa Song Qian.

O rancor de He Yatian não era apenas contra Jiang Yan, mas também lançava uma maldição de morte sobre Song Qian!

— Se não posso te ter, você nunca a encontrará! — Quero que todos vocês morram!

Essas duas frases já eram pistas claras.

Essa Song Qian provavelmente também já estava morta, morta pelas mãos de He Yatian!

Será que a trama aqui estava sugerindo que ele encontrasse a segunda vítima da história?

Mas como ele poderia encontrá-la?

Enquanto Chen Mo estava um pouco perdido, sentiu de repente o bolso direito pesar um pouco.

Isso é...

Um celular?

O celular dele estava em sua mão, mas, sem que soubesse quando ou quem, outro celular havia sido colocado em seu bolso, sem que ele percebesse.

Embora achasse estranho, Chen Mo ligou o aparelho imediatamente.

"Isso é..."

Várias transferências de grandes valores mostravam que era... o celular de Jiang Yan!

Será que a história queria que ele fizesse isso?

Com um palpite surgindo em sua mente, Chen Mo rapidamente acessou o registro de chamadas do celular e, de fato, viu o nome de Song Qian na lista.

Para verificar sua suspeita, ChenMo apertou o botão de discar.

Tic... tic... tic...

Mesmo sendo um mundo sobrenatural fechado, a ligação, incrivelmente, foi completada. Depois de alguns toques, alguém atendeu de repente, e uma voz feminina saiu do fone.

"Alô?"

Chen Mo ficou surpreso. Será que sua suposição anterior estava completamente errada? Essa mulher chamada Song Qian não estava morta?

Ele hesitou, mas respondeu.

"Você é Song Qian? Preciso falar com você urgentemente! Você está... em perigo!"

"Perigo?" A mulher do outro lado pareceu surpresa. "Que perigo? Não entendo o que você quer dizer."

Chen Mo conteve a ansiedade: "Song Qian, tenho algo muito importante e preciso te encontrar agora. Onde você está?"

Shhh, shhh, shhh.

Como em muitos clichês de histórias de terror, no momento mais crucial, um ruído estranho surgiu de repente no fone.

"Onde você está!" Chen Mo repetiu, com a voz mais firme.

Shhh, shhh, shhh.

"Você está me procurando?"

"Eu não estou, bem atrás de você?"

Um frio cortante se espalhou de repente por suas costas, acompanhado por outro trovão. Chen Mo sentiu uma forte sensação de déjà vu!

Atrás dele, uma sombra negra se ergueu lentamente da escuridão. Era uma mulher vestida de vermelho, cabelos pretos cobrindo o rosto, braços e pernas pendendo, com uma expressão fria e maligna, fixando o olhar em Chen Mo, que se virara.

Não era a He Yatian de antes. Nesta história, havia mais um fantasma feminino.