Capítulo 360: Capítulo 360: Coisas Estranhas no Condomínio

Depois de descer do ônibus, o pai de Chen Mo carregava suas malas e sacolas, e os dois, com certo esforço, finalmente chegaram ao portão do Bairro Ping'an. Este conjunto residencial, construído no final dos anos 90, já parecia um tanto antiquado e desgastado. Parado em frente ao portão, Chen Mo ergueu a cabeça e olhou para os prédios residenciais, cujas paredes externas já mostravam algumas manchas. O pátio amplo parecia um tanto vazio no crepúsculo.

Talvez por causa do número reduzido de moradores, até a atmosfera festiva parecia mais escassa. Chen Mo esfregou as mãos e soprou nelas: "Pai, a administração deste bairro é muito pão-dura, não é? Escurece tão cedo e eles nem acendem os postes de luz."

"Que administração? Já não saiu no ano passado? Esqueceu?" O pai de Chen Mo virou-se ao ouvir isso e revirou os olhos para o filho. "No nosso bairro, não restam nem algumas famílias, como poderíamos pagar uma empresa de administração? Agora só tem um vigia, senão, quem sabe quantos ladrões estariam de olho."

Chen Mo fez um "oh" e ergueu a cabeça para olhar os prédios ao redor. O céu já estava escuro, e nos três prédios do bairro mal se viam luzes acesas. Ele percebeu que quase nunca tinha notado essas coisas antes.

Vendo o pai andando na frente com uma lanterna, Chen Mo sentiu ainda mais emoções. Comparado ao novo bairro a uma rua de distância, este lugar era realmente muito afastado, com instalações muito antigas, vida inconveniente e segurança não muito boa. Por isso, nos últimos anos, os moradores que tinham alguma economia ou filhos para apoiar foram saindo aos poucos desta viela. Com o tempo, os que restaram agora eram poucos.

Quanto ao motivo de seus pais ainda morarem aqui, ele sempre ouvia que era por não quererem se despedir dos vizinhos. Mas, no fundo, quantos vizinhos ainda restavam? No fim das contas, provavelmente era para economizar mais para o filho.

Isso é o coração dos pais, não é?

Desta vez, ao voltar, Chen Mo, com outros pensamentos, prestou atenção especial à situação atual do Bairro Ping'an. As paredes estavam velhas, os tijolos descascados podiam cair a qualquer momento, não havia postes de luz no bairro, dificultando andar à noite, e apenas um vigia. Além disso, ficava longe do ponto de ônibus e do centro movimentado, tornando a vida inconveniente e insegura. Ele planejava, aproveitando esta volta para casa, convencer seus pais a se mudarem também deste bairro antigo, já um tanto inadequado para morar.

Com os 500 mil que trocou, mais suas economias dos últimos anos, não seria difícil comprar um apartamento comum nesta cidade de terceiro escalão. Isso era mais ou menos o que ele podia fazer por eles.

Além disso, se houvesse outro motivo, era que, no momento em que entrou no Bairro Ping'an, sentiu uma aura fria e sutil. No entanto, essa aura era muito fraca, e como o clima do sul já é naturalmente úmido, Chen Mo não sabia se era uma sensação causada pelo fantasma dentro dele ou uma ilusão inconsciente. Além disso, este era um mundo real; se aquela aura fria não fosse um fenômeno natural, seria alarmismo demais.

Deixando de lado esses pensamentos, Chen Mo seguiu o pai para dentro do corredor. Talvez por causa da má iluminação dos prédios antigos, ele sentiu que a sensação de umidade ali era ainda mais forte do que na entrada do bairro. Foi quando percebeu que, no corrimão de ferro da escada na entrada do prédio, alguém havia amarrado um pano vermelho em um nó.

"Pai, o que é isso?"

Erguendo a cabeça, Chen Mo mostrou uma expressão de dúvida.

O pai de Chen Mo virou-se ao ouvir e, vendo o filho olhando para o pano no corrimão, pareceu não se importar. "Ah, isso. Ultimamente aconteceram algumas coisas no bairro. A tia Chen e as outras são supersticiosas, colocaram essas coisas. Penduraram um em cada entrada de prédio, dizem que é para afastar o mal."

"Afastar o mal?" Chen Mo sentiu uma pontada na testa. O pano vermelho e o que o pai acabara de mencionar lhe deram uma sensação estranha. "Pai, o que aconteceu no nosso bairro?"

"Você conhece o Xiao Hao? O Lin Jiahao do prédio três."

Chen Mo assentiu. Lembrava-se vagamente daquele menino, de uns seis ou sete anos, bem animado.

"No mês retrasado, o Xiao Hao, não se sabe o que aconteceu, desapareceu de repente."

"Desapareceu? Como assim?" Chen Mo mostrou surpresa. "Onde ele desapareceu?"

"Ah, o estranho é isso." O pai de Chen Mo balançou a cabeça. "Falando nisso, é muito suspeito. O Xiao Hao não desapareceu fora, mas sim dentro do bairro."

"Desapareceu dentro do bairro?" Os olhos de Chen Mo se arregalaram, incrédulo. O Bairro Ping'an tinha só três prédios, um lugar tão pequeno; como uma criança poderia desaparecer?

"Foi sequestrado?" Ele logo pensou em outra possibilidade. O bairro não tinha empresa de administração, só um vigia, que não podia cuidar de tudo. Não era impossível que algum bandido tivesse aproveitado para levar a criança.

Mas, assim que ele falou, viu o pai balançar a cabeça novamente. "Essa possibilidade também não se sustenta. Naquele dia, o Xiao Hao disse aos pais que ia descer para brincar com os amigos, mas não voltou por cinco ou seis horas. Os pais procuraram sem sucesso e chamaram a polícia imediatamente. A polícia bloqueou rapidamente as rotas ao redor e verificou as câmeras do portão e dos arredores, mas não havia nenhuma imagem da criança saindo do bairro. Além disso, nem pessoas suspeitas foram encontradas. Naquele dia, quem entrou e saiu do bairro eram todos moradores."

"O que você quer dizer..."

O pai de Chen Mo ficou em silêncio por um momento e então disse algo que fez Chen Mo sentir um certo medo.

"Segundo a investigação da polícia, só há duas conclusões possíveis. Primeiro, o Lin Jiahao desaparecido ainda está no bairro, porque nenhuma câmera o filmou saindo. Segundo, mesmo que alguém tenha levado a criança, é muito provável que tenha sido alguém conhecido do bairro, senão as câmeras não teriam deixado de capturar nenhum suspeito."

Depois que o pai falou, Chen Mo sentiu um calafrio nas costas. Criança desaparecida dentro do bairro? Crime cometido por conhecido? Qualquer uma dessas análises o fazia pensar e sentir um medo profundo!

"Já que a criança não saiu do bairro, por que desapareceu misteriosamente? A polícia investigou por um tempo, e todos se esforçaram, mas nunca encontraram uma pista decisiva. No fim, o caso ficou sem solução. Depois, a tia Chen e as outras, não sei de quem ouviram, acharam que podia ser algo sobrenatural. Para prevenir, colocaram esses panos vermelhos no portão do bairro e nos corrimões de cada prédio, dizem que impedem certas coisas de entrar nas casas."

"Entendi," Chen Mo assentiu, sentindo além da surpresa, uma certa inquietação. Porque isso era realmente anormal. Coisas anormais muitas vezes trazem uma sensação de mau presságio!

-- PS, primeiro capítulo, ainda tem hoje, começando uma nova história~