Chegou!
Ao ver o papel vermelho enfiado por baixo da porta, o gordo rangeu os dentes e o pegou. Ao abri-lo, a instrução do jogo da quarta noite exigia que ele fosse novamente ao restaurante dos demônios e usasse a câmera portátil na gaveta para gravar um vídeo.
Caramba. O rosto do gordo empalideceu na hora. Ele esperava outra questão fácil, mas o que veio foi uma sentença de morte.
Sem saber que tipo de jogo da meia-noite os outros tinham recebido, o gordo pensou, com o rosto amargurado. Aquele restaurante dos demônios, guardado pelo garçom fantasma, ele realmente não queria mais voltar. Se ao menos esses papeizinhos de jogo pudessem ser trocados, ele iria para qualquer lugar, até por mares de fogo e montanhas de facas, que era melhor do que voltar àquele restaurante.
"Maldito, o telefone realmente não funciona."
Olhando para a tela sem sinal algum, o gordo bateu o pé com raiva. Não era um celular comum, mas um item especial trocado na loja; não havia chance de a bateria acabar ou o sinal falhar. Se não funcionava ali, só podia ser interferência da estação de rádio.
"É mesmo uma sentença de morte. Nem consigo ver as respostas dos outros."
Resmungando algumas palavras, o gordo finalmente se levantou, resignado, e abriu a porta. Embora fosse gordo, era um gordo ágil. Depois de observar os arredores, ele deslizou para o corredor e ligou a função de visão noturna da câmera portátil. O corredor escuro, onde não se via a mão diante dos olhos, de repente mostrou uma imagem borrada em preto e branco.
"Quem tem dívida paga, até fantasma tem que seguir as regras, certo?"
O gordo murmurou algumas coisas na mente, sabendo que não adiantava, mas ao menos dava coragem. Ergueu a cabeça e, com passos largos, foi em direção ao elevador ainda iluminado, mostrando sua ousadia e habilidade.
Não era só imprudência. Embora o gordo não se destacasse, já era um veterano que passara por três histórias de terror. Já que a instrução no papel vermelho mandava ele ir ao restaurante dos demônios gravar um vídeo, não era possível que o matassem antes de chegar ao local. Senão, a história perderia a graça; até a estação de rádio não gostaria desse final.
Assim, aquele elevador, com sua luz vermelha no escuro, dando uma sensação misteriosa e sinistra, provavelmente não teria problemas; era mais uma tática para assustar.
Se fosse Chen Mo ou Qu Jiaojiao, com sua cautela, jamais se arriscariam a pegar o elevador. Mas o gordo era diferente; ele se conhecia bem e sabia que sua energia e força eram limitadas. Essas energias tinham que ser guardadas para os momentos mais perigosos, não desperdiçadas em coisas inúteis.
Apesar disso, essa suposição era só uma suposição. Na história, nunca havia vantagens ou desvantagens claras; já que tudo era risco, não fazia diferença.
Ding!
O elevador parou no 12º andar. Com um som de aviso, as portas se abriram para os lados. Naquele momento, mesmo que um demônio se jogasse sobre ele, o gordo não se surpreenderia. Mas o que viu o deixou um pouco atônito.
Outra festa!
Sim, como da última vez, no restaurante dos demônios, ali havia novamente uma festa suntuosa. Luzes brilhantes, convidados conversando animadamente, garçons circulando com bandejas, um clima de alegria. Nada disso combinava com "assombração".
O que estava acontecendo? Que truque essa história de terror queria pregar agora? O gordo coçou a nuca, confuso e com o coração acelerado. Deu dois passos à frente, e um garçom com uma bandeja veio na direção oposta. Quase colidindo, o gordo se assustou, desviou, mas esbarrou na mesa ao lado. Conseguiu se equilibrar, mas a câmera caiu no chão.
O gordo levou um susto. Se aquilo quebrasse e a tarefa da noite não fosse concluída, seria um desastre. Quando ele se abaixou para pegar, talvez pelo impacto da queda, a câmera fez um clique e desligou automaticamente a função de gravação. As luzes brilhantes se apagaram num instante. Todos os convidados, garçons, a luz e a alegria desapareceram sem deixar vestígios.
O gordo pegou a câmera do chão, boquiaberto, olhando para tudo. Ao redor, um silêncio absoluto, só restava uma escuridão profunda!
O que foi aquilo?
O gordo estava confuso. Será que foi alucinação? Mas parecia tão real. Depois de um tempo, ele pareceu ter uma ideia. Verificou a câmera e ligou a função de gravação novamente.
De repente, todo o espaço se iluminou. As luzes apagadas acenderam uma a uma, os convidados desaparecidos reapareceram, e os sons de risos e copos tilintando voltaram aos seus ouvidos.
Finalmente entendi, era isso...
O gordo coçou o nariz. Até ele conseguia perceber que tudo o que vira era por causa daquela câmera sobrenatural. A função de gravação provavelmente conseguia reproduzir eventos passados! Era meio como uma alucinação; ao desligar a câmera, as imagens do passado sumiam; ao ligar, tudo voltava para a lente.
Já que a câmera podia reproduzir o que acontecera, devia haver pistas escondidas ali, que ele precisava encontrar.
Lembrando da última experiência no restaurante dos demônios, o gordo sentiu um arrepio. Nesse momento, entre o burburinho das conversas, uma conversa chamou sua atenção.
"O A-Guang não veio hoje de novo?"
Era uma voz severa e irritada. O gordo seguiu a direção do som, e na lente da câmera apareceu uma figura, tipo um supervisor, repreendendo com raiva um garçom, claramente descontando a raiva nele.
"É que o A-Guang... ele pode não vir hoje também."
"Não vir?" O supervisor pensou um pouco. "Já é o terceiro dia. Esse cara ainda quer trabalhar ou não?"
"Bem..." O subordinado olhou para o chefe com um pouco de medo, mas resmungou com descontentamento e inveja: "O A-Guang, ouvi dizer que ganhou uma grana fácil ultimamente, nem liga mais para a gente. Acho que ele não tá nem aí para o senhor. Esse cara merece uma boa lição!"
Quem fala sem pensar, quem ouve presta atenção. O gordo ergueu uma sobrancelha.
Aquela conversa entre os dois, na verdade, transmitia uma informação importante...
PS: Primeiro capítulo. Não esperava que fosse tão complicado; só voltei perto das 22h. Escrevi com pressa, peço desculpas. Se tiver tempo amanhã, vou revisar. Pelo trabalho duro do autor, peço um pouco de apoio com votos de recomendação e mensais. Aos leitores de pirataria, espero que respeitem o trabalho do autor e venham para o site oficial ler a versão original. O dinheiro não é muito.