Capítulo 302: Capítulo 302: A reportagem de três anos atrás

—Como pode ser? Isso tudo é falso—disse outra voz. Se Qu Jiaojiao estivesse ali naquele momento, com certeza perceberia que essas duas vozes eram exatamente as mesmas que ouvira antes, atrás da porta do quarto! —Onde está a pessoa agora? —Eu a escondi no último compartimento do armário de bagunças. Depois que todos forem embora, você a leva para fora, e assim o dinheiro estará em nossas mãos. —Ninguém mais vai saber disso, né? —Você é bobo? Por que deixar outros dividirem nossos lucros? —Entendi. O diálogo parou de repente. Após um momento, ouviram-se passos leves e o som de uma porta se fechando. Chen Mo espiou com cuidado e viu que atrás da estante havia uma grossa camada de poeira, mas ninguém estava lá. A outra porta à frente balançava com rangidos, como se algo tivesse acabado de sair dali. Aquele diálogo devia ser a segunda dica do enredo desta história. A primeira dica, através de um elevador inexistente, levara os participantes a um andar misterioso, onde ouviram a conversa de duas pessoas num quarto. A segunda dica, por meio de uma sombra fantasmagórica capturada pela câmera de vigilância, trouxera os participantes até este depósito, onde também ouviram um breve diálogo. E esses dois interlocutores eram muito provavelmente as mesmas pessoas. Seriam esses dois funcionários do hotel? Estariam planejando algo em segredo? Apenas com esses dois diálogos, ainda não era possível analisar o que realmente estava acontecendo. Mas uma coisa era certa: o objetivo do plano deles era obter dinheiro. E então, havia outra dica crucial. O último compartimento do armário de bagunças. Chen Mo imediatamente olhou ao redor do depósito e, de fato, viu uma fileira de armários de ferro do outro lado da estante. Se aquele diálogo era uma nova dica para os participantes, a pista deveria estar escondida no último compartimento do armário de ferro. No entanto, naquele momento... Bam, bam, bam, bam, bam, bam—como se soubesse o que Chen Mo pretendia fazer, a porta do último compartimento começou a fazer barulhos repentinos, como se algo lá dentro estivesse batendo para sair. —Irmão Mo! Cuidado, pode ser uma armadilha!—exclamou o Gordo, recuando um passo e olhando assustado para a porta que não parava de fazer barulho. Bam, bam, bam, bam, bam, bam! Naquele depósito silencioso, o som era especialmente sinistro. Será que dentro daquele armário havia realmente um fantasma assassino? Se ele abrisse a porta, estaria desencadeando o perigo mortal da história? Dicas e perigos sempre foram coisas muito difíceis de distinguir para os participantes. Mas um erro poderia custar a própria vida. Mesmo Chen Mo não tinha certeza absoluta. Era uma dica ou uma armadilha da história? O que aconteceria se ele abrisse aquele armário? Aquela sombra os trouxera até ali. Se fosse apenas uma armadilha, a história seria muito tosca, não combinando com o estilo habitual da estação de rádio. Chen Mo rangeu os dentes e estendeu a mão para puxar a porta do armário de ferro... Guinch, guinch, guinch! Dentro do armário, um rato assustado, com olhos pretos e brilhantes arregalados, ergueu as patas dianteiras e encarou com pavor aquela criatura enorme e desconhecida. Em seguida, virou-se rapidamente, arrastando a cauda longa, e escapou por entre os pés de Chen Mo, desaparecendo no depósito cheio de cheiro de poeira. —Puxa! É um rato... O Gordo suspirou aliviado, enxugando o suor frio da testa. Os dois olharam para dentro do armário, mas estava vazio. Exceto por alguns jornais amarelados que jaziam ali. Chen Mo pegou o primeiro e viu que era um jornal malaio em chinês, mas a impressão ruim e o papel de baixa qualidade indicavam que provavelmente era um tabloide sensacionalista não oficial. Em alguns países do Sudeste Asiático, a regulamentação nessa área não era muito rigorosa. A data no jornal era 2015, ou seja, três anos atrás. Chen Mo folheou algumas páginas e viu que a maioria era de fofocas de celebridades infundadas, com um tom vulgar. Até chegar à terceira página, seus olhos brilharam—no canto inferior esquerdo, havia um título chamativo: "Segredos, Segunda Edição! Hotel Assombrado da Malásia: Acidente em Programa Mata Três Pessoas!" Pela foto que acompanhava o texto, era exatamente o hotel onde estavam hospedados! —Esse hotel... com certeza tem problema! O Gordo esfregou as mãos, os olhos brilhando. Nos últimos dois dias, eles haviam perguntado pelo hotel, mas não obtiveram nenhuma informação valiosa. Agora, após várias reviravoltas, parecia que finalmente haviam encontrado a brecha para este evento! Acidente em programa! Três mortes! Só o título já dava duas informações: primeiro, aquele hotel, anos atrás, havia sediado algum programa. Isso tinha relação com a missão atual? Segundo, realmente houve mortes no hotel, mas, antes de ativar o enredo especial, todos os personagens da história mantinham segredo, impossibilitando obter dicas pelos meios normais. Chen Mo se animou e pegou o jornal para ler com atenção. —"Evento sobrenatural no famoso hotel assombrado da Malásia: dois funcionários e uma atriz morrem misteriosamente durante programa de exploração de fantasmas!" Ao ler aquela "reportagem" tosca, Chen Mo teve uma expressão entre o riso e o choro. Do ponto de vista de um ex-jornalista, a reportagem estava cheia de sensacionalismo infundado, exageros e suposições subjetivas irresponsáveis para atrair atenção. O texto basicamente dizia que uma equipe de programa foi ao famoso hotel assombrado para gravar um programa sobrenatural chamado "Fantasma na Madrugada". No entanto, algo deu errado durante a gravação, resultando na morte de uma atriz e no desaparecimento de dois funcionários do hotel. Uma semana depois, os corpos dos dois funcionários foram encontrados no hotel, e o mais chocante era a forma bizarra como morreram: um foi encontrado no cano de esgoto do vaso sanitário, comprimido como um "homem-fio" alongado, com todos os ossos quebrados e a carne reduzida a uma pasta, descoberto quando um faxineiro desentupiu o cano; o outro foi encontrado no freezer do hotel, com o corpo dividido em mais de mil pedaços de carne, descoberto porque, ao cozinhar, o chef encontrou dentes humanos na carne, e ao juntar os mais de mil pedaços, formava exatamente um corpo humano congelado! -- P.S.: Agradecimentos ao Orange Cat pelo prêmio de 10.000, o terceiro grande apoiador do livro~! Palmas~! E também agradecimentos ao Luz e Sombra do Grupo, ao Lixo Rei Velho Ju e aos leitores pelas doações, obrigado.