Capítulo 154: Capítulo 154 O Batedor de Carteiras

Caramba, o que esse cara tá querendo fazer?!

Vendo pelo retrovisor que Wu Li estava caminhando em direção àquela garota quieta que lia um livro, Zhao Yang sentiu um aperto no coração. Aquele desgraçado, só de olhar já dava pra ver que não prestava, provavelmente tinha más intenções com a garota quieta do fundo.

Cara, isso aqui é um mundo de histórias de terror! Tem fantasmas por aí! Se você quer se ferrar, não me arrasta junto!

Mesmo amaldiçoando o cara mil vezes na cabeça, por causa das regras da missão, Zhao Yang não ousava fazer nada precipitado. Além do mais, mesmo que quisesse impedir, ele, que não era lá muito forte fisicamente, não era páreo para o grandalhão Wu Li.

Esse cara é um verdadeiro desesperado! Alguém que nem se importa se vai sobreviver, o que mais ele não seria capaz de fazer?!

Rangendo os dentes, mas impotente, ele viu o outro se aproximar da garota. O coração de Zhao Yang se encheu de desespero. Foi então que, no retrovisor, a garota pareceu perceber algo, franziu a testa e fechou o livro.

Será que ela já percebeu as intenções de Wu Li?

Assim que pensou nisso, viu a garota hesitar por um instante e, como se tivesse tomado uma decisão, levantar-se de repente.

O movimento dela surpreendeu até Wu Li, que pensou: "Pô, essa mina sabe o que eu tô pensando em fazer com ela?"

Mas, obviamente, ele estava enganado. A garota de cabelos longos, ao se levantar, apontou para alguém na frente e gritou: "Pare! Eu vi você roubando!"

O quê?

Zhao Yang ficou confuso, e Wu Li também, parando no meio do caminho.

Que história é essa?

Num instante, os outros passageiros do ônibus também se alvoroçaram com o ocorrido, virando-se para olhar. O homem apontado pela garota deixou escapar um lampejo de nervosismo, mas rapidamente se recompôs e começou a gritar.

"Que gritaria é essa?! Quem é que eu roubei, hein? Mocinha, não vem com acusações falsas!"

"Eu não estou acusando falsamente, eu vi você roubando!"

"Então diz, quem eu roubei? Quem?!"

O homem fez uma cara de mau, tentando intimidar a garota. Mas, apesar da aparência frágil, ela não se intimidou. Apontou para um jovem magricela sentado na frente do homem.

"Eu vi, você roubou a carteira dele agora há pouco!"

Com o dedo apontado, todos os olhares se voltaram para o jovem magricela!

"Eu... eu..." O magricela abriu a boca para dizer algo, mas sentiu um olhar feroz vindo de lado.

O homem acusado de ser o batedor de carteiras agora o encarava com uma expressão ameaçadora, como se dissesse em silêncio: "Se você ousar falar, vai ver só!"

Na verdade, ele já tinha sentido algo enfiado no bolso, mas lembrou-se das notícias de jornais sobre vinganças de gangues de ladrões contra vítimas.

Esses batedores geralmente agem em grupo. Se a vítima denunciasse, até dava para pegar aquele ali, mas quem garante que não tinha mais cúmplices no ônibus? E se tivesse, e eles se vingassem depois, num lugar deserto? Afinal, é mais fácil evitar um ataque frontal do que um nas costas!

Talvez por pensar nisso, o medo no rosto do magricela aumentou. Sob o olhar ameaçador do outro, ele não só não disse nada, como se encolheu.

"Eu... eu não vi nada..."

"Porra, eu não te perguntei se viu ou não, eu perguntei se eu roubei alguma coisa sua!"

Percebendo a covardia do outro, o homem acusado ficou mais ousado. Bateu com força no banco e gritou ainda mais alto.

O magricela tremeu inteiro: "Não... não... você não roubou nada meu..."

"Ouviu? Ouviu?!" O homem, todo convencido, virou o olhar malvado para a garota de cabelos longos. "Sua vadia, você ousa me caluniar?!"

"Eu não estou te caluniando, eu vi!" A garota arregalou os olhos, incrédula, olhando para o magricela na frente. "Diz você! Seu bolso está rasgado, eu vi com meus próprios olhos!"

A multidão se alvoroçou, cochichando e comentando.

O rosto do magricela ficou vermelho, como se se sentisse insultado. "Não foi, não foi... será que eu estaria mentindo?!"

Enquanto falava, ele levou a mão ao bolso, mas esse pequeno gesto não escapou aos olhos de Wu Li, que soltou uma risada de escárnio.

"Você..."

O rosto da garota mostrou indignação e decepção. "Pela segurança de todos, sugiro que o motorista leve o ônibus até a delegacia. Assim, saberemos se tem ou não um batedor aqui, não é?!"

"O quê? Ir pra delegacia?"

"Eu tô com pressa pra chegar em casa."

"Já é tão tarde, mocinha, não enche o saco."

"É, é, não atrapalha o motorista."

"Pois é, se vocês querem discutir, desçam e resolvam lá fora. Não atrasem a nossa volta pra casa."

Naquele momento, os passageiros começaram a cochichar entre si. A maioria balançou a cabeça, desviou o olhar com indiferença. Só alguns, claramente querendo ver o circo pegar fogo, observavam com interesse como a garota ia lidar com a situação.

"Ouviu? Vai pra puta que pariu, delegacia! Eu tô com pressa de chegar em casa e dormir com a minha mulher!" O homem, vendo que os passageiros não apoiavam a ideia, ficou ainda mais audacioso. Colocou o braço no ombro do magricela. "Não é mesmo?"

"É... é, é..." O magricela, todo submisso, não ousava se manifestar. Com um olhar meio envergonhado, meio pedindo desculpas, lançou um olhar para a garota. "Mocinha, não fala mais nada..."

"Você... como pode?!"

A garota ficou tão furiosa que não conseguiu falar. Zhao Yang, vendo aquilo pelo retrovisor, sentiu uma ponta de indignação por ela. Uma garota frágil teve coragem de denunciar um ladrão, mas a própria vítima se acovardava, sem admitir o roubo. Que mundo é esse...

Mas Zhao Yang não se esqueceu de que aquele era um mundo de histórias de terror. Tudo ali podia ser parte do "enredo" da história, não algo real. Acontecesse o que acontecesse, não podia agir por impulso.

Assim que pensou nisso, viu Wu Li soltar uma risada de escárnio e se aproximar. Com a mão grande, ele agarrou o pulso direito do suspeito de roubo como um alicate. Com um pouco de força, levantou o homem do banco como se fosse um pintinho!