Ao mesmo tempo, os outros ônibus também seguiam pelas estradas da noite profunda, e ninguém notou que, quando esses veículos deixaram a estação rodoviária principal, o último ônibus da fila sofreu algo que passou despercebido por todos.
Foi que, na porta traseira daquele veículo, de repente, apareceu um passageiro.
A estação rodoviária principal, embora fosse o ponto de partida dos ônibus, também era uma parada, então não era estranho que um passageiro aparecesse. O verdadeiramente estranho era que a aparição desse passageiro não chamou a atenção de ninguém, nem mesmo dos dois tripulantes daquele ônibus, que o ignoraram completamente, como se não pudessem ver aquele passageiro!
Embora não pudessem ver o misterioso passageiro, os dois participantes sentiram uma forte corrente de ar frio e sinistro percorrer suas costas. Esse passageiro invisível ficou imóvel na porta, depois começou a se mover lentamente em direção a um dos participantes, até que suas formas se sobrepuseram completamente.
A forte sensação de ar frio e sinistro também desapareceu por completo.
Após esse pequeno "interlúdio", o tempo avançou novamente para dentro da missão. Em outra linha de ônibus, Chen Hai dirigia com total concentração o ônibus da linha 13, atravessando as estradas da noite profunda.
Durante todo o trajeto, ele não encontrou o manual de bordo escondido no compartimento secreto, mas, por seu instinto profissional de anos, sempre que um passageiro se aproximava para conversar ou pedia para descer no meio do caminho, ele simplesmente ignorava, mantendo a boca bem fechada e os olhos fixos à frente.
Chen Hai não era tolo. Em sua visão, aquele mundo parecia calmo, mas estava cheio de perigos. Os sete ou oito passageiros no ônibus pareciam normais, mas era bem possível que houvesse entidades malignas disfarçadas entre eles. A estratégia que ele havia pensado em um curto período era não falar com nenhum passageiro e, em seguida, elaborar lentamente um motivo para expulsar todos em alguma parada, independentemente de serem humanos ou fantasmas. Desde que levasse um ônibus vazio até o terminal, isso também cumpriria a exigência de que os fantasmas não poderiam ser mais numerosos que os humanos.
Quanto mais Chen Hai pensava nessa ideia, mais viável ela parecia, e, sem perceber, ele se distraiu em seus pensamentos. No entanto, nesse momento, uma sombra negra passou diante de seus olhos, fazendo-o dar um sobressalto e, por reflexo, pisar no freio.
O ônibus tremeu, parando no meio da estrada com uma enorme inércia. Em meio às reclamações dos passageiros atrás, Chen Hai viu, bem diante de seus olhos, uma cena bizarra. Uma figura, como a de uma velha senhora, estava agachada no meio da rua, encurvada, mexendo em algo desconhecido. A idosa vestia roupas pretas, quase se fundindo com a escuridão. Se não fosse pela vasta experiência de Chen Hai em dirigir à noite, ele teria quase batido nela.
— Que porra é essa? — resmungou.
O ônibus parou a menos de um metro de distância, mas a velha de preto não reagiu, continuando agachada no meio da rua, fazendo barulhos de algo sendo remexido. Chen Hai, furioso, abriu a porta e desceu, prestes a explodir, quando de repente viu, diante da senhora, uma pequena chama queimando, com cinzas negras voando para o céu, enquanto ela segurava um maço de papéis amarelos.
Isso...
O coração de Chen Hai deu um leve sobressalto. A velha de preto estava, na verdade, queimando papel-moeda.
Mas por que queimar papel-moeda em um lugar como aquele? E justamente no meio da rua, nem antes nem depois, bem na hora em que seu ônibus se aproximava?
Se fosse coincidência, era demais!
Percebendo um cheiro de anormalidade, Chen Hai já se arrependia de sua impulsividade, mas se ela não saísse do caminho, o ônibus não poderia passar. Depois de pensar muito, ele decidiu ir até ela com coragem, prestes a falar quando...
— Uuuuu, uuuuuu...
Antes que Chen Hai pudesse abrir a boca, a velha começou a soluçar e chorar, com um choro lúgubre, onde se podiam ouvir algumas palavras: "Meu pobre filho..."
Nesse momento, o "homem de classe média" também desceu pela porta traseira do ônibus, acenando para Chen Hai não fazer nada precipitado. Ele se aproximou por trás da velha, estendendo a mão para ajudá-la a se levantar, enquanto falava com uma calma forçada.
— Vovó, está tudo bem? A senhora se assustou?
Ao ouvir a voz de Zhu Yilun, os olhos turvos da velha se moveram. Depois de um tempo, um sorriso mais feio que choro se abriu em seus lábios. — Tudo bem, tudo bem... Moço, a velha também assustou vocês?
— Conosco não tem problema, mas, sabe, esta rua tem carros e pessoas, é perigoso. Vovó, deixa eu ajudá-la a descansar um pouco ali, que tal?
— Não! Não vou a lugar nenhum! Vocês não vão me tirar daqui!
O que Zhu Yilun não esperava era que a velha se recusasse a se mover um passo, o que os deixou em apuros. Se ela não saísse do caminho, o ônibus não poderia passar, e como eles cumpririam a tarefa designada pela história?
— Vovó... — Chen Hai tentou insistir, mas viu Zhu Yilun balançar a cabeça levemente.
Aquela velha, basicamente, podia ser considerada suspeita; caso contrário, não teria aparecido tão coincidentemente naquele lugar. Havia até a possibilidade de ser uma entidade maligna disfarçada. Nessa situação, não se podia usar força contra ela, senão a chance de desencadear uma armadilha mortal seria muito alta.
Além disso, o ato de queimar papel-moeda no meio da noite indicava que havia algo oculto por trás daquela velha. Se não resolvessem o problema por trás disso, o ônibus não conseguiria avançar nem um palmo naquela noite!
Se fosse assim...
Zhu Yilun refletiu por um momento, apontou para a chama que queimava no chão e finalmente falou, lentamente.
— Vovó, posso perguntar algo? A quem a senhora está homenageando?
Essa pergunta era bastante ousada, e fez o coração de Chen Hai pular uma batida, como se no instante seguinte visse a velha se enfurecer, transformar-se em um espírito vingativo e matá-los cruelmente.
No entanto, essa cena imaginária de terror não aconteceu.
— Meu pobre filho... — Ao ser mencionada por Zhu Yilun, como se tivesse tocado em uma ferida, as lágrimas da velha caíram em cascata. — Moço, você não sabe, hoje é o sétimo dia da morte do meu filho. Estou queimando algumas coisas no lugar onde ele morreu, com medo de que ele não receba...
Filho falecido, sétimo dia, lugar do acidente!
Essas palavras carregavam uma enorme quantidade de informações!
Por um momento, Zhu Yilun não sabia se deveria investigar mais a fundo. E se aquilo fosse uma armadilha para desencadear a morte?
Mas, pensando bem, se não convencesse a velha a sair da rua, o ônibus não poderia passar, e eles não cumpririam a tarefa da história, o que também levaria à morte.
Com esse pensamento, ele se acalmou um pouco. Já que era uma questão de vida ou morte, melhor arriscar tudo.
— Vovó, o que aconteceu com seu filho?
PS: Agradecimentos a Destruidor Sion, Nuvem da Chuva Temporal e Lago de Lótus pelas doações. O segundo capítulo ainda não terminei de escrever, vai sair um pouco mais tarde, cerca de meia hora a uma hora.