Mei Conglin também não imaginava que um dia levantaria a mão contra a filha que tanto amava. Mas agora, ele realmente não conseguiu se conter. Já estava quase nos cinquenta. Ele desejava desesperadamente um filho homem. A família Mei sempre passou o legado para os homens, nunca para as mulheres — ele precisava do filho que Shi Yijin estava para dar à luz!
Mei Ling olhou para a sala cheia de gente, para aqueles rostos frios e indiferentes, e soltou uma risada amarga: "Está bem, está bem! Já que todos decidiram assim, o que mais eu tenho a dizer?" Ela se virou e saiu correndo.
A esposa de Mei Conglin ficou alarmada na hora: "Ling Ling—" "Deixa ela sair um pouco para se acalmar, está tudo bem." O pai de Mei Conglin falou: "A prioridade agora é dar um jeito de trazer aquela criança de volta! A atitude da família Mei com você sempre foi a mesma! A criança volta e fica sob seu nome. Você é a senhora da família Mei, e isso nunca vai mudar!"
A esposa de Mei Conglin, de fato, parou de correr atrás da filha. Para ela, a família Mei era tudo. O trono de senhora Mei valia mais que qualquer coisa! Por isso, quando Mei Conglin se envolveu com Shi Yijin anos atrás, ela aguentou. Quando Shi Yijin engravidou, ela também aguentou. Agora que a família Mei queria Shi Ran de volta, ela ainda aguentava. A vida dela era a encarnação de uma tartaruga ninja! Contanto que mantivesse o posto de senhora Mei, podia abrir mão de tudo o mais!
"Onde está Shi Yijin? Ainda não a encontraram?" Mei Conglin estava ficando irritado — essa era sua única chance! Alguém ao lado respondeu: "Não, nenhuma notícia. Será que ela levou a criança para outra cidade?" "Hum, ela não tem dinheiro, para onde pode ir? Mais cedo ou mais tarde vai ter que voltar, não?" Mei Conglin rangeu os dentes: "Vão todos procurar! Ficar aqui parados adianta alguma coisa?"
Na sala, metade das pessoas saiu em disparada. O pai de Mei Conglin bateu a bengala no chão e também saiu bufando.
Mei Ling, depois de levar um tapa do próprio pai, saiu correndo sem rumo. O rosto ardia de dor, mas aquela dor, comparada ao que sentia no coração, não era nada. Desde pequena ela sabia que, embora fosse a filha mais velha da família Mei, nunca foi muito querida. Porque a família Mei queria um menino. Ela era mulher, um dia se casaria e iria embora — então, tudo que era da família Mei não tinha nada a ver com ela! No máximo, quando se casasse, a família daria um dote um pouco maior. De resto, nem pensar.
Quem acreditaria que a ilustre família Mei, a imagem de marca da cidade M, era uma família tão atrasada e corrupta? Provavelmente ninguém acreditaria se contassem! Porque a família Mei sabia muito bem como se promover! A imagem pública da família Mei era toda limpa, de bons cidadãos, apoiando o país, patrocinando a região — uns bonzinhos! Mas quem sabia o que havia de sujo por trás daquela fachada limpa?
Mei Ling chorava enquanto corria, até que se cansou e caiu sentada no chão, soluçando alto. Chorou do dia até a noite. Então pensou: já que não tenho mais espaço nessa casa, por que ficar aqui? Vou embora! Voltar para o campus da universidade! Essas confusões todas em casa, se não vejo, não me aflijo!
Mas Mei Ling mal tinha dado alguns passos quando foi cercada por um grupo de marginais. Como filha mais velha dos Mei, ela era bonita, bem cuidada, uma mocinha delicada. Mesmo com o choro desgrenhado, ainda mantinha sua elegância. Por isso, chamou a atenção daqueles marginais.
"Opa, mocinha, por que está chorando tão triste? Conta para o irmão, a gente resolve pra você?" Os marginais a rodearam num instante. Mei Ling percebeu o perigo e tentou fugir. Mas eles não a deixaram escapar tão fácil, fechando o cerco: "Pra que correr? Acha que a gente vai te maltratar?" E logo começaram a passar a mão nela. Mei Ling entrou em pânico e gritou por socorro. Mas os transeuntes, ao verem as facas nas mãos dos marginais, não ousaram intervir.
Quando Mei Ling já estava prestes a ser arrastada pelos marginais, uma voz preguiçosa soou de lado: "Tanta gente para pegar uma garotinha, que talento hein? Cadê a coragem de vocês?" Mei Ling virou a cabeça apavorada e viu um homem alto, de feições bonitas, se aproximando devagar. "Socorro! Me salva!" Mei Ling, ao ver aquele estranho, sentiu uma estranha segurança e gritou por ajuda. Talvez fosse sua última chance!
Os marginais, vendo que alguém realmente ousava bancar o herói, avançaram com as facas. O homem chutou um por um, *pá-pá-pá*, derrubando todos, e com um soco em cada um, os deixou estirados! Em poucos minutos, todos os marginais estavam de joelhos pedindo clemência. "Vaza, vaza." O homem acenou com impaciência: "Matar vocês só suja minhas mãos!" Os marginais saíram correndo, cagados de medo.
Mei Ling ajeitou as roupas amassadas e foi agradecer: "Obrigada." "É você?" O homem de repente falou: "O que está fazendo aqui?" Mei Ling levantou a cabeça e, sob a luz do poste, reconheceu o rosto dele. Era amigo do pai, chamado Shen Si, 34 anos, sempre solteiro. Mei Ling se virou de repente, não querendo que ele a visse naquele estado.
Shen Si também não esperava ter salvado a filha de um amigo por acaso. Que situação era essa? "Com essa hora, andando por aí? Vem, entra no carro, te levo para casa." Disse Shen Si. "Eu, não quero voltar." Mei Ling mordeu o lábio: "Irmão Shen Si, quero voltar para a faculdade." "Me chama de tio!" Shen Si corrigiu o tratamento: "Voltar para a faculdade só amanhã, primeiro vai para casa, mocinha não pode ficar na rua à noite, é perigoso!" "Eu—" Mei Ling ainda tentou resistir, mas Shen Si já a pegou pelo pulso e a arrastou até a porta do carro. Mei Ling olhou para a figura alta na frente e corou. "Irmão Shen Si, por que você veio para a cidade M?" Ela não resistiu a perguntar. "Me chama de tio!" Shen Si corrigiu de novo: "Vim aqui resolver um assunto."
Shen Si entrou no carro, com o olhar pesado. Na verdade, ele tinha vindo para a província H para buscar Xiao Qi e os outros para casa. Mas no caminho, recebeu uma ligação de Shi Yijin, dizendo que a família Mei queria a criança! Shen Si veio para a cidade M para perguntar a Mei Conglin se aquilo era verdade! Não esperava que, antes mesmo de chegar na casa dos Mei, salvasse Mei Ling por acaso. "Procurar meu pai?" Mei Ling perguntou. Shen Si assentiu, ligou o carro e seguiu de volta com Mei Ling.
Mei Ling virou o rosto para olhar pela janela e disse: "Aquela casa já não é mais meu lar. Meu pai e meu avô querem trazer o filho que meu pai teve com outra mulher." Os olhos de Shen Si se arregalaram: "O quê?" Então, o que Shi Yijin disse era verdade! Que merda! Anos atrás, eles perseguiram e pressionaram Shi Yijin para abortar, e agora querem roubar a criança dela? Isso é coisa que ser humano faz?