He Yining assentiu com firmeza: "Sim, com certeza!"
Os dois trocaram um sorriso.
Longe dali, em uma região de guerra, Shen Lu não estava tendo a facilidade e leveza que imaginava.
Por causa dos conflitos frequentes, a situação se tornava cada vez mais tensa.
Refugiados fugiam em massa, e quase não havia áreas tranquilas.
Com sua aparência tão marcante, Shen Lu precisava cobrir o rosto ao sair, contando com a ajuda das forças governamentais locais para fazer buscas e investigações uma a uma.
Claro, Shen Lu não diria que estava procurando por Chongming; se as forças governamentais soubessem disso, jamais ajudariam, mesmo sob ameaça!
No entanto, como He Yining havia ajudado as forças governamentais locais a vencer uma batalha importante e fornecido tanta assistência gratuita, quando ouviram que o cunhado de He Yining estava procurando algo ou alguém, não hesitaram em ajudar.
Especialmente Benny, que forneceu um veículo militar e alguns soldados como guarda-costas, acompanhando Shen Lu por toda parte.
Já fazia mais de um mês que Shen Lu estava ali, mas ainda não havia sinal de Chongming.
Nesses dias, Shen Lu não comia nem dormia bem, e perdeu peso visivelmente.
Cada vez que ouvia uma notícia vaga, corria para verificar, e ao constatar repetidamente que a pessoa não era quem procurava, sentia que estava realmente exausto física e mentalmente.
Se não fosse pelas videochamadas constantes com Shen Qi, ele já teria desmoronado.
Felizmente, sua Xiaoqi estava sempre ao seu lado!
O carro percorria as ruas, e nas laterais, civis se agachavam com as mãos na cabeça ao ver o veículo militar, sinalizando que não estavam armados.
Nas ruas, apenas escombros.
Muros caídos e ruínas eram vistos por toda parte.
Refugiados, desabrigados e errantes.
Shen Lu não pôde deixar de perguntar: "Esta guerra já dura anos, por que ainda não tem fim?"
Os soldados riram, e um deles, sem camisa, disse: "Os dois lados têm forças parecidas, e ambos recebem apoio, por isso a luta é tão difícil. Esse pessoal só quer lucrar com a guerra, como deixariam que terminasse facilmente?"
Shen Lu suspirou. Guerra, sofrimento para o povo; paz, sofrimento para o povo também!
Em uma casa velha e destruída, separada do veículo militar por um muro, Chongming revirava tudo em busca de comida.
Aquela família já havia fugido da região, e o local fora saqueado inúmeras vezes, mas Chongming, com seu instinto aguçado, encontrou comida em um porão a três metros de profundidade.
Lá estava um pequeno saco de farinha de trigo, e Chongming mostrou os dentes brilhantes num sorriso.
Ele carregou a comida e saltou ágil para fora do chão.
Mas assim que tocou o solo, alguém apontou para ele e disse no idioma local: "Entregue a comida!"
Chongming jogou a farinha no chão; o outro, radiante, agachou-se para pegá-la.
Chongming deu um passo à frente com calma, agarrou o pescoço do homem com uma mão e apertou levemente. Crunch, a garganta se partiu.
Chongming recolheu a farinha, virou-se e saiu a passos largos da casa em ruínas.
Pouco depois, com o saco de farinha na mão, ele apareceu na cidade onde havia estado antes.
Chongming entrou na casa com agilidade, abriu a porta com familiaridade e sorriu para a menina no quarto: "Xiao He, trouxe comida para você."
Ao ouvir a palavra "comida", a menina correu como uma louca, mas Chongming a pegou no colo.
"Ainda não está pronta, não se apresse. A tia vai proteger você," disse Chongming em voz baixa.
A menina suspirou, resignada: "Não me chamo Xiao He, me chamo Tina."
Chongming insistiu, teimoso: "Xiao He, fique aqui quietinha, vou cozinhar para você."
Tina não teve escolha a não ser aceitar.
Desde que aquele estranho maluco havia levado comida de casa, ele aparecia de vez em quando.
Mesmo quando a guerra chegou à cidade, ele não foi embora.
Aquele homem sempre a chamava teimosamente de Xiao He, e ela nunca soube quem era essa Xiao He.
Mas, cada vez que ele mencionava o nome Xiao He, sua voz ficava muito suave.
Quem era aquela Xiao He para ele?
Sobrinha?
Por que ele se chamava de tia?
De repente, sentiu uma ponta de inveja daquela garota chamada Xiao He!
Será que era porque ela se parecia com ela que aquele homem forte a protegia?
Em pouco tempo, Chongming trouxe comida fumegante, com um sorriso no rosto: "Xiao He, hora de comer!"
Tina sentou-se em silêncio.
Diante da fome, nada disso importava.
Os pais de Tina haviam morrido dias antes, explodidos por bombas na rua; se não fosse por Chongming, ela já teria morrido de fome.
Por isso, ela aceitava que ele a tratasse como se fosse outra garota, cuidando dela com carinho.
Ela sabia muito bem que, para sobreviver, precisava se agarrar firmemente àquele homem.
Depois de comer, Chongming disse: "Vou embora daqui. Cuide-se."
Ao ouvir que ele ia partir, Tina levantou-se em pânico e agarrou a perna dele: "Você vai me abandonar? Não pode! Você não pode me deixar! Eu sou Xiao He, a Xiao He que você mais se importa! Como pode abandonar Xiao He?"
De repente, uma memória invadiu a mente de Chongming.
Na lembrança, uma garotinha estava pendurada em uma árvore, e um homem de beleza extrema gritava para ele: "Chongming, salve Xiao He! Se salvá-la, eu aceito ficar com você!"
Ficar juntos, ficar juntos, ficar juntos...
Quem era aquele homem de beleza extrema?
Por que, sempre que pensava nele, seu coração se enchia de tanta doçura e felicidade?
Mas, quem era ele?
Por que ele precisava salvar Xiao He?
Por que se importava tanto com Xiao He?
Quem era Xiao He?
Ah — a garotinha agarrada em sua perna era Xiao He?
Se a salvasse, aquele homem lindo ficaria com ele?
"Xiao He?" Chongming tentou, hesitante: "Você é Xiao He?"
"Sim, eu sou Xiao He!" Tina balançou a cabeça freneticamente: "Então você não pode me abandonar!"
Os olhos de Chongming brilharam e escureceram algumas vezes; ele se agachou e, seguindo a memória de como consolar uma criança, acalmou Tina: "Está bem, não vou te abandonar. Vou te tirar daqui."
Ao dizer isso, a mente de Chongming foi invadida pelo rosto de uma garotinha brincalhona e adorável, que sempre fazia biquinho para provocá-lo.
Qual era o nome dela?
Por que, ao pensar nela, seu coração também se alegrava?
Ela era sua filha?
Ele tinha um filho?
Um filho com aquele jovem de beleza extrema?
Hum, os dois eram homens, quem daria à luz?
Chongming sentiu que suas memórias estavam ainda mais confusas.
Ele empurrou Tina para longe e saiu correndo como um louco.
Que droga, quantas memórias ele tinha?
Por que elas não se conectavam?
E, afinal, o que tinha acontecido?
Vendo Chongming fugir desesperado, Tina entrou em pânico e correu atrás dele: "Você não pode me abandonar! Eu sou Xiao He!"