Capítulo 705: Capítulo 705: Han Zefang

— E você ainda está olhando para ele? — He Yining continuou protestando. — Tá bom, tá bom, não vou olhar! Só acho que essa pessoa é realmente incrivelmente pura! — Shen Qi disse em voz baixa. — Yining, você acha que o mandante dos bastidores poderia ser ele? — Por enquanto, não dá para afirmar. — respondeu He Yining. — Tomara que não seja ele. — Shen Qi suspirou. — O olhar dele é tão límpido, tão familiar. Se o mandante for ele, que pena não seria? Como um carrasco cruel que trata centenas de vidas como nada poderia ter olhos tão puros? Provavelmente não é ele, né? He Yining piscou os olhos amendoados, mas não respondeu nada. Ao meio-dia, depois do almoço, as pessoas se reuniam em pequenos grupos para conversar. Por pior que fosse a situação atual, enquanto não houvesse ameaça de lobos nem o frio intenso, todos ainda se sentiam gratos e satisfeitos com o momento. Entre a multidão, havia uma menininha de uns sete ou oito anos. Provavelmente, por causa do susto excessivo, ela havia adoecido. Depois de notar a menina, Shen Qi se aproximou para conversar com ela. Shen Qi, naturalmente gentil e de fala mansa, logo conquistou a simpatia da pequena. Sem encontrar um quadro, Shen Qi usou cinzas para desenhar no chão acinzentado para a menina. Desenhou um lindo mar de flores, montanhas imponentes, um oceano vasto e um céu estrelado. Shen Qi desenhava muito bem, com traços vivos. A menina adorou, adorou demais. — Tia Shen, será que vou sair viva daqui? — a menina não resistiu e perguntou. — Vai. Todos nós vamos sair vivos. — respondeu Shen Qi com seriedade. — Então você precisa melhorar logo! — Mas... mamãe disse que não vou melhorar. — a menina respondeu, desanimada. — Como assim? — Shen Qi olhou confusa para a mãe da menina, que enxugou uma lágrima e explicou: — Ela tem leucemia. Já fez um transplante de medula, mas não deu certo. Viemos para cá de férias porque ouviram falar que as fontes termais têm efeitos terapêuticos. Estávamos agarrados a essa última esperança... mas nunca imaginamos que isso aconteceria. Se ela não sobreviver, eu também não vejo mais sentido em viver. Shen Qi ficou sem palavras por um longo tempo, até que disse em voz baixa: — Desculpe. — O que você tem a ver com isso? Só posso culpar o destino por ser injusto, e a mim mesma por não ser forte o suficiente. — A mãe da menina, ao dizer isso, tapou a boca e começou a soluçar. Shen Qi desviou o olhar para longe e, sem querer, encontrou o de Han Zefang. Han Zefang a observava, como se a estivesse analisando. Shen Qi desviou o olhar rapidamente, mas ele se aproximou e sentou no chão. Shen Qi não cumprimentou Han Zefang, nem contou à mãe da menina que tudo aquilo era fruto de uma conspiração, e não apenas do destino. Shen Qi finalmente entendeu por que a menina havia adoecido tão gravemente: ela realmente não tinha mais resistência. Já era um milagre ter aguentado até agora. Shen Qi não queria pensar no futuro; só queria fazer a menina feliz enquanto ainda estivesse lúcida. Porque ela também era mãe! Quem é mãe entende esse sentimento. Como teria coragem de ignorar? Shen Qi conteve as lágrimas e disse sorrindo para a menina: — Veja como você é fofa e bonita. O céu com certeza não vai querer te levar tão cedo. Ao ouvir isso, a menina sorriu radiante. Shen Qi virou o corpo e enxugou discretamente as lágrimas. Quando se virou de novo, já estava com um sorriso no rosto: — Tia vai desenhar mais coisas para você, quer? — Quero! — a menina bateu palmas, feliz. Shen Qi apagou o desenho no chão, pensou um pouco e desenhou uma moça crescida, com beca e capelo, na porta de uma universidade. — Quando você crescer, vai ser assim. Gostou? — Shen Qi acariciou a cabeça da menina. — Eu realmente vou poder ir para a escola um dia? Depois que fiquei doente, nunca mais voltei. — a menina disse com tristeza. — Vai, com certeza vai! — Shen Qi a olhou com ternura. — Você é tão inteligente, vai entrar na universidade. — Mas não tenho dinheiro. — a menina continuou desanimada. — Papai e mamãe já gastaram muito comigo. — Não tem problema. Que tal a tia pagar seus estudos? É só você melhorar logo! — Shen Qi disse prontamente, com um olhar encorajador. — É verdade? — a menina a olhou com esperança. — Claro! Vamos fazer um pacto, tá? A tia cumpre o que promete! — Shen Qi estendeu o dedo mindinho e fez o pacto com a menina. A menina sorriu radiante. Han Zefang observou Shen Qi o tempo todo. Vendo a expressão séria dela, ele também não resistiu e disse: — É, melhore logo, e o tio também vai ajudar a pagar seus estudos, tá? — Obrigada, tio, obrigada, tia. — a menina respondeu, obediente. — Vou melhorar! Não vou deixar a doença me vencer. — Que boazinha. — Shen Qi acariciou o topo da cabeça da menina, e Han Zefang fez o mesmo: — Melhore logo. A menina brincou um pouco e depois adormeceu profundamente nos braços da mãe. Shen Qi olhou para as dezenas de pessoas espalhadas pela casa, umas caídas, outras deitadas, e sentiu o coração pesar. Se o mandante dos bastidores continuasse agindo, todos ficariam ali esperando para sempre? A saúde da menina já estava muito debilitada. Se continuassem esperando... talvez não houvesse mais volta. Mesmo que Xiao Chun fosse muito bom em medicina, sem remédios e equipamentos ali, não havia como tratá-la. O que fazer? Shen Qi se viu num dilema. Por bondade, ela queria sair dali o mais rápido possível. Por segurança, ela queria que o mandante aparecesse logo ou simplesmente parasse com esse jogo cruel. Mas Shen Qi nem sabia quem era o mandante. Como poderia esperar que ele tivesse um lampejo de consciência? Um carrasco que trata centenas de vidas como nada dificilmente teria consciência, não é? Shen Qi suspirou novamente. Han Zefang a fitou fixamente e perguntou: — Está suspirando por causa dela? Shen Qi ergueu os olhos para ele e respondeu suavemente: — Pode-se dizer que sim. Também sou mãe, e isso me parte o coração. Ela deu um tapinha no ombro da mãe da menina, consolando-a: — Seja forte. Tudo vai dar certo. A mãe da menina assentiu pesadamente, sem dizer nada. Ao longo dos anos, ela já havia se tornado insensível. As dívidas acumuladas a envelheceram precocemente. Agora, com a recaída da filha, ela se sentia completamente impotente. De volta ao seu grupo, Shen Qi não resistiu e perguntou a Xiao Chun: — Xiao Chun, leucemia não tem cura, tem?