Ao sair do hospital, He Yining sentiu que uma pedra finalmente havia se desprendido de seu peito. Desde pequeno, ele e He Yiqi cresceram se apoiando mutuamente. Se essa criança fosse descoberta pelo mundo, He Yiqi sofreria um golpe, e toda a família He seria envergonhada. Isso era algo que ele não podia permitir. Felizmente, Cui Yuelan parecia ter se tornado mais sensata ultimamente. Será que, após passar por um choque, ela finalmente aprendeu a se comportar e pediu voluntariamente para fazer essa cirurgia?
Nesse momento, He Yining ainda não fazia ideia de que seu celular havia sido roubado por Cui Yuelan. Muito menos sabia que, ao retornar à cidade H, enfrentaria que tipo de reviravolta. Foi só quando dirigiu de volta à cidade H e quis ligar para Xiaochun que percebeu que seu celular havia sumido.
Normalmente, o celular de He Yining ficava sob os cuidados de Xiaochun. Ele carregava consigo um telefone particular. Quem conhecia seu número particular eram apenas pessoas próximas, incluindo Cui Yuelan e Shen Qi. Outras pessoas só podiam contatá-lo pelo telefone de trabalho. Na noite anterior, Cui Yuelan saíra às pressas, e He Yining não achou que supervisionar pessoalmente a cirurgia dela traria problemas, então apenas ligou para Xiaochun, mandou todos tirarem um dia de folga coletivo e foi cuidar de assuntos particulares. Assim, ele ficou apenas com um celular. E agora, esse celular havia sumido!
He Yining até suspeitou de Cui Yuelan, mas o que ela ganharia roubando o telefone? Nada poderia ser feito sem suas ordens. Um simples telefonema não provava nada. Por isso, ele apenas desconfiou, sem investigar a fundo.
Foi só quando He Yining voltou à Mansão Jinghua e, ao entrar, não viu a figura familiar de Shen Qi, que um medo inexplicável começou a crescer em seu coração.
"Presidente, o senhor está de volta." O mordomo falou com muita reverência.
"E a Xiaoqi?" He Yining olhou para todos os lados, sem ver Shen Qi, e o pânico o tomou.
"Ah, sim, a senhora me pediu para lhe entregar uma coisa." O mordomo entregou a He Yining um envelope grande.
He Yining o recebeu com um sorriso: "Por que tanto mistério? Já somos marido e mulher, não precisa me dar surpresas..."
Na frente do mordomo, ele abriu o envelope. Com um barulho, o conteúdo caiu. Havia as joias que ele mesmo escolhera para Shen Qi, os pequenos pingentes de casal que compraram juntos durante as compras, e todos os cartões bancários que ele dera a ela. O sorriso no rosto de He Yining congelou instantaneamente.
O que Xiaoqi estava fazendo? Por que estava devolvendo tudo isso? Um medo tomou conta de seus olhos de fênix. Sua Xiaoqi não faria algo assim sem motivo!
"Onde está Xiaoqi? Onde ela está?" A voz de He Yining tremeu. Mesmo sendo um imperador tão imponente, naquele momento, ele estava abalado.
"A senhora disse que tinha algo para fazer e saiu, e até agora não voltou." Respondeu o mordomo. "Ela disse para não arrumar o quarto, que o senhor deveria ver primeiro antes de arrumar."
Ao ouvir isso, He Yining virou-se e correu em direção ao quarto. Chutou a porta. O quarto ainda era o mesmo, mas parecia sem vida. O enorme cômodo, sem Shen Qi, tornara-se vazio e solitário. He Yining chamava por Shen Qi sem parar, revistando cômodo por cômodo: "Xiaoqi? Está brincando comigo? Onde você está? Onde se escondeu? Saia!"
Quarto, sala de estar, sala de visitas, escritório, vestiário, banheiro, jardim... Ele procurou em todos os lugares. Mas Shen Qi não estava. O pânico de He Yining aumentou. Será que ela ficou brava porque ele não voltou na noite anterior? Não era que ele não quisesse voltar, mas queria supervisionar pessoalmente a cirurgia de Cui Yuelan! Não podia deixar nenhum problema futuro! Não podia envergonhar a família He! Nem seu irmão mais velho! Ele ia explicar para Xiaoqi, mas Cui Yuelan o apressava para ir ao hospital, então ele só disse algumas palavras e desligou. Não foi de propósito! De verdade!
Xiaoqi, Xiaoqi, onde você está? Não me assuste! Essa brincadeira não tem graça! Xiaoqi, saia logo! O que você quiser ouvir de explicação, eu explico. Xiaoqi, por favor! Não faça isso! Se está com raiva de mim, pode me bater, me xingar, mas não se esconda, não desapareça! Há dezoito anos você sumiu sem aviso, e eu te procurei por dezoito anos. Agora, não combinamos que nunca mais nos separaríamos? Pare com isso, saia logo!
He Yining se virou e de repente viu algumas folhas de papel sobre a mesa. Pegou-as e leu. As palavras "Acordo de Divórcio" escritas em destaque o paralisaram no lugar. Acordo de Divórcio? Divórcio? Acordo? Divórcio, o escambau! Acordo, o escambau! Eu não aceito!
He Yining pegou o telefone fixo do quarto e começou a ligar para o celular de Shen Qi. O telefone indicava que estava desligado. Ainda com a cabeça no lugar, ele contatou Xiaochun imediatamente: "Xiaoqi agiu de forma estranha hoje?"
Xiaochun respondeu rápido: "A senhora me ligou perguntando onde o senhor estava."
He Yining percebeu na hora que algo estava errado! Shen Qi nunca faria esse tipo de pergunta a Xiaochun! Se ela perguntasse, significava que algo terrível havia acontecido! Mas o que poderia ser tão grave a ponto de fazê-la ligar para Xiaochun daquele jeito?
Nesse momento, Xiaochun de repente disse: "Presidente, espere um momento. Acabei de receber a notícia de que o Dr. Qin confirmou que a senhora está grávida!"
"O quê... o quê?" He Yining, surpreso com a notícia, ficou atordoado. Hoje mesmo ele supervisionara Cui Yuelan entrando na sala de cirurgia... Espera, o que Xiaochun disse? Xiaoqi está grávida? Ela está grávida! Ele vai ser pai! Então, quando Xiaoqi ligou, era para contar essa boa notícia? Se fosse assim, faria sentido.
No entanto, a próxima frase de Xiaochun destruiu completamente as expectativas de He Yining. "O Dr. Qin disse que a senhora ainda não sabe da notícia. Até agora, só a senhora idosa sabe." Xiaochun ouvia as informações enquanto as repassava a He Yining.
O rosto de He Yining empalideceu de repente! Espera! Algo está errado! Shen Qi não se divorciaria dele só porque estava grávida! O que a levaria a escrever um acordo de divórcio não seria a gravidez! Droga, o que aconteceu aqui? Ele só ficou fora um dia e uma noite, e ao voltar, tudo estava de cabeça para baixo!
He Yining ordenou imediatamente: "Vasculhem a cidade toda! Quero o paradeiro de Xiaoqi!"
Xiaochun ficou confuso: "Presidente, o que aconteceu?"
He Yining não escondeu de seu assistente: "Shen Qi fugiu de casa e deixou um acordo de divórcio!"
"O quê!" Até Xiaochun, sempre tão calmo, gritou: "Impossível!"
Era impossível, todos achavam impossível. Mas, contra todas as expectativas, tornou-se possível. Xiaochun não perdeu tempo e logo colocou Xiaodong para trabalhar, recuperando dados e procurando o paradeiro de Shen Qi. Xiaodong também era competente; em poucos minutos, confirmou uma coisa: "A senhora comprou uma passagem há meia hora, voou para a cidade E e fará conexão lá. Pelo horário, ela ainda tem uma hora até pousar na cidade E."
He Yining deu a ordem sem hesitar: "Vão ao aeroporto da cidade E interceptá-la!"
Lá fora, o céu escurecia cada vez mais. Shen Qi estava recostada no assento do avião, olhando pela janela o céu escuro, absorta em seus pensamentos. Mas, mesmo distraída, as lágrimas escorriam sem controle. Ela não queria chorar, mas não conseguia conter o pranto que fluía livremente. Prometera a si mesma ir embora com dignidade, mas por que ainda se importava com aquele homem que a enganara?
Antigamente, um palestrante de amor dissera que, no amor, quem se apaixona primeiro perde primeiro. Desta vez, ela perdeu. Foi tola o suficiente para se apaixonar por aquele imperador, aquele homem frio e impiedoso. Ele a observava como se fosse um palhaço afundando na lama, enquanto ele, passo a passo, tecia uma rede bela e doce, assistindo à sua performance ridícula. Sim, ela perdeu, perdeu completamente. Nesse jogo, ela não era apenas a perdedora, mas também a inimiga. Embora não soubesse qual era o motivo dele para agir assim, isso já não importava mais.
Esquecer, esquecer completamente. Esquecer aqueles dias doces e emocionantes. Selar tudo no fundo do coração, num lugar intocável. Nunca mais lembrar, nunca mais recordar os dias em que foi amada. Porque tudo aquilo já era passado, e nunca mais voltaria. A vingança pelo assassinato do pai era algo que não podia ser compartilhado. Pensar que ela se apaixonara pelo filho do assassino de seu pai. Meu Deus, isso era um clichê de novela romântica taiwanesa dos anos 80. Um enredo tão absurdo acontecera com ela. Não era ridículo? Não era patético? Não era trágico? Por que, ao assistir TV, ela podia rir e comentar que o enredo era muito clichê, mas quando acontecia com ela, só restava um profundo desespero?
A vida também podia ser tão clichê. Tão clichê que dava vontade de morrer. Agora, atordoada e sem saber o que fazer, só queria fugir, apenas fugir. Como se só assim pudesse encontrar um pouco de sanidade. Sanidade? Estar sã era tão doloroso. Queria se embebedar, mas temia que a bebedeira a deixasse ainda mais lúcida. Dizem que quem está de coração partido não fica bêbado com mil copos. E quem está com o coração totalmente despedaçado? Também não ficaria bêbado com mil copos?
Os pensamentos de Shen Qi eram confusos e desconexos, indo de um lado para o outro, sem nenhum fio condutor. Foi só quando o avião pousou que ela percebeu que seu peito estava encharcado de lágrimas. Pegou o cachecol para cobrir as manchas de choro. Mesmo que as lágrimas fossem vergonhosas, que chorasse escondida num canto solitário. O próximo voo ainda tinha uma hora, então Shen Qi teria que esperar uma hora na sala de embarque. Olhando para a sala de embarque movimentada, ela sentia o mundo inteiro tão solitário e vazio. A multidão se transformava em símbolos estranhos. Além dos símbolos, só restava a solidão.
"Shen Qi, finalmente te encontrei!" A voz de He Yining soou de repente atrás dela. Shen Qi ficou paralisada como se tivesse levado um choque. He Yining? Como podia ser ele? Não, não, ele não estaria aqui. Ela devia estar tendo alucinações!