Bai Ling resmungou, ofendida: “Se o discípulo não aprende, a culpa é do mestre!”
— O quê? Fala mais alto! — O velho Zheng não soltava a orelha dela, claramente querendo que Bai Ling se submetesse e pedisse desculpas.
— Mestre, eu errei. Vou comprar umas caixas bonitas e refinadas e guardar todas essas joias antigas direito, está bem assim? — Bai Ling sabia que o mestre estava furioso, então cedeu logo, pois “o homem esperto não enfrenta o perigo”.
O velho Lin desceu após a sesta e, vendo o velho Zheng torcendo a orelha de Bai Ling, apressou-se, gritando: “Velho patife Zheng, minha neta é para você bater?”
— Ela errou, se não bater, não aprende a lição! — retrucou o velho Zheng, todo convicto.
O velho Lin perguntou, desconfiado: “Que erro ela cometeu para você precisar se dar ao trabalho?” Será que Bai Ling realmente fez algo errado? Não, a Xiaoling é tão boazinha, não faria nada errado. Com certeza é esse velho Zheng, que, vendo que a Ling não vai fazer-lhe companhia, está arrumando confusão de propósito.
— Você jogou essas joias e antiguidades num baú de qualquer jeito, um desperdício dos deuses. Não merece uma surra? — explicou o velho Zheng.
O velho Lin nunca foi um homem culto; mesmo quando jogava xadrez, era só por tédio. Quanto a antiguidades, na visão dele, não passavam de um monte de coisas velhas e caríssimas, que não podiam ser usadas e ainda tinham de ser tratadas como relíquias.
— Não passam de umas bugigangas velhas com um pouco de cor, que tem de mais? — Essa fala do velho Lin, tipo “boi mastigando peônia”, deixou o velho Zheng furioso. “Encontrar soldado com letrado, razão não tem vez” — devia ser exatamente essa cena. Irritado, o velho Zheng ignorou o velho Lin e começou a examinar e manusear as joias e porcelanas.
O velho Lin, vendo que o velho Zheng não falava, achou que ele tinha cedido e finalmente se vingou de nunca ter ganhado uma partida de xadrez contra ele.
O velho Lin não gostava daquelas joias coloridas, mas se interessou muito pelas porcelanas na mesa, nunca tinha visto algo tão bonito. Enquanto olhava, o velho Zhao entrou e, vendo o vaso bonito, disse: “Esse vaso é muito mais bonito que o que comprei no supermercado em casa. Xiaoling, quando eu for embora, embrulha dois para eu levar.”
Já bastava o velho Lin, “boi mastigando peônia”, para irritar o velho Zheng, e ainda veio o Zhao Cabeçudo. O velho Zheng revirava os olhos de raiva, ignorando-os.
Foi então que Qin Zheng, vendo o velho Zhao, disse: “Vovô Zhao, isso é uma antiguidade da dinastia Song, vale centenas, até dezenas de milhões!”
Ao ouvir que era tão caro, o velho Zhao arregalou os olhos de tigre, olhou de um lado para o outro: aquilo só tinha uma cor mais bonita, um brilho mais intenso, como podia valer tanto? Os dois vasos que ele tinha em casa, comprados pela nora por quinhentos reais, já o tinham feito sofrer por dias.
O velho Zhao, por mais que olhasse, não via nada de especial e disse ao velho Lin: “Se essa coisa vale dezenas de milhões, então por que a gente ainda mexe com tecnologia? É só ficar queimando cerâmica para vender, não é?”
Com essa fala, até Qin Zheng o ignorou. Com esses veteranos rústicos, e ainda sem cultura, não havia linguagem comum; se continuasse, poderia acabar cuspindo meio litro de sangue de raiva.
— Vovô Zhao, se você gosta, posso te dar um como herança de família, que tal? — Bai Ling viu que, nos olhos do velho Zhao, não havia porcelanas refinadas, mas sim pilhas de dinheiro. Achou que esse tipo de coisa tinha de sobra no espaço, e o velho Zhao sempre a protegia e cuidava; dar-lhe uma peça não faria mal.
— Vários milhões, dezenas de milhões! — O velho Zhao ficou um pouco tenso, sem jeito de aceitar. Se fosse algumas centenas ou milhares, ele aceitaria sem hesitar.
Bai Ling, vendo que o velho Zhao queria, mas estava preocupado e sem jeito de pedir, disse: “A proteção que o vovô Zhao me dá não se mede com dinheiro!”
Ouvindo as palavras de Bai Ling, o velho Zhao hesitou um pouco: afinal, deveria aceitar ou não?
Foi o velho Lin quem, com um gesto largo, disse: “Não passa de um vaso, leva logo. Minha neta não é também sua neta? Com a amizade que temos, de arriscar a vida no campo de batalha, isso é migalha. Considere como uma homenagem.”
O velho Zhao esfregou as mãos e disse, sorrindo: “Então está bem, vou aceitar. Minha família é toda da política, antes eu me preocupava com o casamento do Lingyun, sem ter nada de bom para oferecer. Agora não me preocupo mais, consegui uma herança de família para ele.” O velho Zhao escolheu um vaso que combinava com seu gosto estético: o maior de todos, porque, já que todos eram bonitos, o maior não valia mais?
O velho Lin sabia que Bai Ling tinha muitos, e ele mesmo não gostava dessas coisas: não se come, não se bebe, não se leva ao nascer nem ao morrer, de que serviam?
Já o velho Zheng e Qin Zheng, ao lado, olhavam fixamente para Bai Ling, esperando que ela fosse generosa e também lhes desse uma peça.
Um era amigo e também mestre. Bai Ling deu de ombros e disse: “Gostaram de algo? Escolham vocês mesmos!”
— Obrigado, Xiaoling! Também vou escolher uma herança de família — disse Qin Zheng, animado, e começou a selecionar entre as cinco porcelanas restantes.
Quanto ao velho Zheng, ora olhava para uma peça de jade, ora para as porcelanas na mesa, sem saber o que escolher, relutante.
— Mestre, se você gostar, pode levar, como uma homenagem minha, está bem? — Bai Ling enlaçou o braço do velho Zheng, bajulando, para evitar que ele, irritado, torcesse sua orelha de novo.
— Isso... — O velho Zheng ficou sem graça, afinal, era caro demais, não tinha coragem de pegar.
— Mestre, por favor, aceita, está bem? — Bai Ling revirava os olhos mentalmente, implorando para ele aceitar. Que discípula dedicada!
O velho Lin não aguentou mais e resmungou: “Se estão te dando, aceita logo, fica nessa enrolação, para quê?”
— É, velho Zheng, eu já aceitei, por que você teria vergonha? É presente dos mais novos, não pegar é bobagem! — As boas palavras, saindo da boca do velho Zhao, soavam totalmente diferentes. Bai Ling ficou cheia de linhas na testa.
O velho Zheng, com o rosto vermelho, escolheu uma porcelana Ru e uma peça de jade, e disse, sorrindo: “Xiaoling, outro dia vem ao meu quarto, pega o que quiser.”
Antigamente, Bai Ling aceitaria animada para pegar algo bom, mas agora, no espaço, havia centenas de baús cheios de tesouros, que ela nem tinha visto direito. Não tinha mais vontade de pegar coisas de fora. Mas, para deixar o velho Zheng tranquilo, Bai Ling assentiu: “Está bem, quando tiver tempo, vou lá escolher algo bom.”
Vendo que Bai Ling aceitou, o velho Zheng suspirou aliviado; aproveitar-se dos mais novos não era lá muito honroso.
— Mestre, essas coisas são todas autênticas, né? — Bai Ling não tinha esquecido o propósito de chamar o velho Zheng: avaliar essas peças.
— Claro que são, todas autênticas. Não sei de onde você tirou isso, mas posso garantir que não vieram de escavações ilegais, então você pode possuí-las legalmente. — O velho Zheng, pela cor e cheiro das antiguidades, sabia que não eram de tumbas roubadas. No começo, quando entrou e viu tanta coisa, pensou que fosse de origem duvidosa, mas agora ficou tranquilo.
— Hehe, se não fosse legal, eu não faria — disse Bai Ling, assentindo. — Mestre, se eu fosse leiloar essas coisas, você poderia me dar um preço mínimo?
— Você vai vender tudo? — perguntou o velho Zheng.
— Primeiro, vendo algumas comuns. Esse dinheiro vou usar todo para caridade. As peças especiais, com valor histórico, vou guardar. Estou pensando em montar um museu particular — respondeu Bai Ling, sorrindo. — Afinal, tenho muitos tesouros! Muitos baús como este!
Qin Zheng já tinha ouvido do avô que Bai Ling tinha muitas antiguidades, mas não imaginava que fossem tantas. Baús enormes de laca vermelha como aquele, havia muitos.
— Muitos baús? Um museu? — O velho Zheng arregalou os olhos, emocionado, quase sem fôlego.
— Sim, mestre. Você será o diretor, está bem? — confirmou Bai Ling. — Vamos fazer direito, e ainda leiloar coisas de vez em quando, para continuar ganhando dinheiro para a caridade.
— Meu Deus, um museu, quantas antiguidades serão necessárias? — murmurou o velho Zheng, incrédulo.
— Xiaoling, se você conseguir montar, com certeza vou ajudar. Ser diretor ou não, não importa. Se eu estiver cuidando, pode ter certeza de que nenhuma peça falsa vai entrar. — O velho Zheng bateu no peito magro, fazendo barulho.
— Então, obrigada, mestre. Essas coisas, no fundo, pertencem a todo o povo chinês. Agora caíram nas minhas mãos, mas não vou querer guardá-las só para mim. Isso não teria graça. É melhor vendê-las para quem realmente gosta, para que possam ser apreciadas. Com o dinheiro que ganhar, vou fazer caridade, ajudando mais pessoas. Não é o melhor dos dois mundos? — Bai Ling sorriu, expondo sua ideia.
— Xiaoling, pode ficar tranquila. Vou ajudar você a fazer essa obra beneficente dar certo — disse Qin Zheng, levantando-se solenemente.
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— Ai, ai, ai, mestre, você está mesmo torcendo! Minha orelha delicada vai ser arrancada! — Bai Ling segurou a mão do velho Zheng com as duas mãos, gritando. O mestre nunca tinha batido nela, e agora, por causa dessas coisas mortas, estava batendo. Isso a deixou muito desconfortável.
— Você ainda não entendeu o erro? Esses tesouros são obras de milhares de artistas, esculpidos e feitos com capricho. Se você não tivesse aprendido escultura, eu não diria nada. Mas você aprendeu, sabe que esculpir uma peça refinada exige muito esforço e coração. Jogar essas coisas fora como lixo, sem cuidado, parte meu coração. Se não bato em você, em quem vou bater? — repreendeu o velho Zheng, com saliva voando no rosto de Bai Ling.
Bai Ling resmungou, ofendida: “Se o discípulo não aprende, a culpa é do mestre!”
— O quê? Fala mais alto! — O velho Zheng não soltava a orelha dela, claramente querendo que Bai Ling se submetesse e pedisse desculpas.
— Mestre, eu errei. Vou comprar umas caixas bonitas e refinadas e guardar todas essas joias antigas direito, está bem assim? — Bai Ling sabia que o mestre estava furioso, então cedeu logo, pois “o homem esperto não enfrenta o perigo”.
O velho Lin desceu após a sesta e, vendo o velho Zheng torcendo a orelha de Bai Ling, apressou-se, gritando: “Velho patife Zheng, minha neta é para você bater?”
— Ela errou, se não bater, não aprende a lição! — retrucou o velho Zheng, todo convicto.
O velho Lin perguntou, desconfiado: “Que erro ela cometeu para você precisar se dar ao trabalho?” Será que Bai Ling realmente fez algo errado? Não, a Xiaoling é tão boazinha, não faria nada errado. Com certeza é esse velho Zheng, que, vendo que a Ling não vai fazer-lhe companhia, está arrumando confusão de propósito.
— Você jogou essas joias e antiguidades num baú de qualquer jeito, um desperdício dos deuses. Não merece uma surra? — explicou o velho Zheng.
O velho Lin nunca foi um homem culto; mesmo quando jogava xadrez, era só por tédio. Quanto a antiguidades, na visão dele, não passavam de um monte de coisas velhas e caríssimas, que não podiam ser usadas e ainda tinham de ser tratadas como relíquias.
— Não passam de umas bugigangas velhas com um pouco de cor, que tem de mais? — Essa fala do velho Lin, tipo “boi mastigando peônia”, deixou o velho Zheng furioso. “Encontrar soldado com letrado, razão não tem vez” — devia ser exatamente essa cena. Irritado, o velho Zheng ignorou o velho Lin e começou a examinar e manusear as joias e porcelanas.
O velho Lin, vendo que o velho Zheng não falava, achou que ele tinha cedido e finalmente se vingou de nunca ter ganhado uma partida de xadrez contra ele.
O velho Lin não gostava daquelas joias coloridas, mas se interessou muito pelas porcelanas na mesa, nunca tinha visto algo tão bonito. Enquanto olhava, o velho Zhao entrou e, vendo o vaso bonito, disse: “Esse vaso é muito mais bonito que o que comprei no supermercado em casa. Xiaoling, quando eu for embora, embrulha dois para eu levar.”
Já bastava o velho Lin, “boi mastigando peônia”, para irritar o velho Zheng, e ainda veio o Zhao Cabeçudo. O velho Zheng revirava os olhos de raiva, ignorando-os.
Foi então que Qin Zheng, vendo o velho Zhao, disse: “Vovô Zhao, isso é uma antiguidade da dinastia Song, vale centenas, até dezenas de milhões!”
Ao ouvir que era tão caro, o velho Zhao arregalou os olhos de tigre, olhou de um lado para o outro: aquilo só tinha uma cor mais bonita, um brilho mais intenso, como podia valer tanto? Os dois vasos que ele tinha em casa, comprados pela nora por quinhentos reais, já o tinham feito sofrer por dias.
O velho Zhao, por mais que olhasse, não via nada de especial e disse ao velho Lin: “Se essa coisa vale dezenas de milhões, então por que a gente ainda mexe com tecnologia? É só ficar queimando cerâmica para vender, não é?”
Com essa fala, até Qin Zheng o ignorou. Com esses veteranos rústicos, e ainda sem cultura, não havia linguagem comum; se continuasse, poderia acabar cuspindo meio litro de sangue de raiva.
— Vovô Zhao, se você gosta, posso te dar um como herança de família, que tal? — Bai Ling viu que, nos olhos do velho Zhao, não havia porcelanas refinadas, mas sim pilhas de dinheiro. Achou que esse tipo de coisa tinha de sobra no espaço, e o velho Zhao sempre a protegia e cuidava; dar-lhe uma peça não faria mal.
— Vários milhões, dezenas de milhões! — O velho Zhao ficou um pouco tenso, sem jeito de aceitar. Se fosse algumas centenas ou milhares, ele aceitaria sem hesitar.
Bai Ling, vendo que o velho Zhao queria, mas estava preocupado e sem jeito de pedir, disse: “A proteção que o vovô Zhao me dá não se mede com dinheiro!”
Ouvindo as palavras de Bai Ling, o velho Zhao hesitou um pouco: afinal, deveria aceitar ou não?
Foi o velho Lin quem, com um gesto largo, disse: “Não passa de um vaso, leva logo. Minha neta não é também sua neta? Com a amizade que temos, de arriscar a vida no campo de batalha, isso é migalha. Considere como uma homenagem.”
O velho Zhao esfregou as mãos e disse, sorrindo: “Então está bem, vou aceitar. Minha família é toda da política, antes eu me preocupava com o casamento do Lingyun, sem ter nada de bom para oferecer. Agora não me preocupo mais, consegui uma herança de família para ele.” O velho Zhao escolheu um vaso que combinava com seu gosto estético: o maior de todos, porque, já que todos eram bonitos, o maior não valia mais?
O velho Lin sabia que Bai Ling tinha muitos, e ele mesmo não gostava dessas coisas: não se come, não se bebe, não se leva ao nascer nem ao morrer, de que serviam?