Capítulo 949: Capítulo 949: Descanse Bem 39

"Então, vamos investigar direito. Quanto mais tempo convivemos, mais conhecemos o coração das pessoas. De qualquer forma, o tempo é longo, ainda temos muito pela frente", respondeu Li Ziqing. "A propósito, Huixin, você não é mais cantora agora?" "Meu estado ainda não está no melhor, então vou esperar mais um tempo! Além disso, quero seguir carreira na música no futuro e aprender algumas coisas", disse Zhang Huixin com um sorriso, seu rosto radiante.

Bai Ling pegou o chá de crisântemo à sua frente e perguntou: "E o irmão Xianxi? Ele continua na mesma área ou mudou?" "Claro que continua na mesma área. Xianxi ama música, então eu o apoio a fazer o que gosta", respondeu Zhang Huixin, acenando com a cabeça. Ao ver as expressões de Bai Ling e Li Ziqing mudarem ligeiramente, com um certo ar de preocupação, Zhang Huixin entendeu o que estavam pensando: talvez temessem que Fu Xianxi tivesse muitas mulheres chamativas ao redor, e que, se algo desse errado no futuro, ela pudesse ter uma recaída.

"Fiquem tranquilas. Depois disso, entendi uma coisa: amar alguém não é possuí-lo, mas sim realizá-lo. Se no futuro ele não gostar mais de mim ou fizer algo que me machuque, vou deixá-lo ir, sem enlouquecer como da outra vez. Porque o amor não é tudo na vida. Ainda tenho amigos, familiares e muitos fãs que gostam das minhas músicas", disse Zhang Huixin, segurando uma mão de Bai Ling e outra de Li Ziqing. "Não se preocupem comigo, eu sei o que fazer."

Bai Ling e Li Ziqing trocaram olhares e disseram: "Huixin, se você encontrar algo que te deixe triste, ou problemas, ou situações difíceis que não sejam convenientes de contar para a família ou resolver sozinha, desde que não seja ilegal, eu e Ziqing faremos o possível para ajudar."

"Meu médico também sugeriu que eu converse mais com os amigos sobre o que sinto, para aliviar a ansiedade e a irritação a tempo, reduzindo as chances de recaída. Eu sei, vocês precisam acreditar em mim. A Huixin de antes cresceu", disse Zhang Huixin com firmeza, sentindo um calor no coração. Ter essas três boas amigas para a vida toda fez com que esta vida não tivesse sido em vão.

"Tanta gente, não sei se vou ser selecionada. Mas o tratamento é muito bom, muito melhor do que quando eu trabalhava no café. Se eu me esforçar mais, talvez não só consiga pagar minhas despesas, mas também ajudar um pouco em casa", pensou Xia Weiwei, um pouco ansiosa, mas muito determinada a conseguir o emprego, não só pelo salário, mas também porque oferecia almoço, o que economizava bastante.

Na fila, havia muitas pessoas na frente e muitas atrás. Yang Chunxing estava um pouco preocupada se seria selecionada. Mas esta era uma loja aberta por Li Zidong, então nem precisava que ela dissesse nada; Li Ziqing certamente contaria a Li Zidong, e talvez amanhã ela já pudesse começar a trabalhar.

Mesmo assim, ela se virou para consolar Xia Weiwei: "Não se preocupe. Se não for selecionada, podemos procurar emprego em outro lugar."

"É verdade. De qualquer forma, a bolsa de estudos cobre as mensalidades, só preciso ganhar dinheiro para viver. Minha mãe, sozinha, cuida de nós quatro filhos, não é fácil. Eu, como irmã mais velha, preciso me esforçar ainda mais para que ela sofra menos", suspirou Xia Weiwei. "Você não sabe como meus dois irmãos e minha irmã são inteligentes, sempre tirando o primeiro lugar. Se não fosse pela minha bolsa integral, talvez minha irmã mais velha não tivesse conseguido entrar no ensino médio."

"Você é tão esforçada e inteligente, vai dar certo no futuro", consolou Yang Chunxing, pensando que essa garota era realmente forte, uma boa pessoa. Bai Ling, ouvindo-as, sentiu ainda mais simpatia por Xia Weiwei, especialmente ao saber que a mãe dela criara quatro filhos sozinha. Isso a tocou profundamente. Sua própria mãe, Bai Han, a criara sozinha com dificuldade; a mãe de Xia Weiwei, com quatro filhos, e ainda os educara tão bem, não era tarefa fácil.

"Quando eu era pequena, minha mãe também me criou sozinha. Entendo seu desejo de aliviar o fardo dela. Por isso, seja forte como sua mãe. Quando vocês quatro crescerem, poderão cuidar bem dela, e isso será a maior alegria para ela", disse Bai Ling com bondade, encorajando a garota determinada.

"Meu pai, quando eu tinha dez anos, fugiu com uma mulher, sem deixar rastro. Não sei se está vivo ou morto. Mas isso não importa mais para nós. Temos nossa mãe, e isso basta!", disse Xia Weiwei com um sorriso amargo. "Quando éramos pequenos, meus irmãos e irmã choravam pedindo o pai, e minha mãe só podia enxugar as lágrimas. Naquela época, eu odiava aquele homem horrível!"

"Neste mundo, há muitos homens bons, mas também muitos ruins. Os que abandonam a família são muitos. Quem diria que nós duas somos tão parecidas nisso? Mas já superei isso. Eu e minha mãe vivemos bem, então não há motivo para ódio. Porque sei que, quanto melhor vivermos, maior será a verdadeira vingança contra aquele homem."

"Você tem razão. Em vez de perder tempo odiando aquele homem, é melhor guardar energia para ganhar mais dinheiro e aliviar a pressão financeira em casa", disse Xia Weiwei, apertando os punhos. Embora dissesse ter superado, Bai Ling sabia que esse ódio não se desfaz facilmente; exige muita coragem e tempo. A palavra "pai" era mais distante que um estranho, pois ao menos um estranho nunca a machucara, mas aquele a quem chamavam de pai a abandonara.

"É bom que você consiga entender isso. O ódio só nos desorienta e leva a atos loucos. Por isso, abra seu coração. Antes de fazer qualquer coisa, pense em seus familiares e amigos, para cometer menos erros", disse Zhang Huixin com um sorriso, consolando e encorajando Xia Weiwei, torcendo para que essa garota teimosa não fizesse algo de que se arrependesse, pois ela mesma era um exemplo disso.

"Hum, obrigada. Na primeira vez que nos encontramos, já falo essas coisas, espero que não se importem. Mas, Huixin, por que você me parece tão familiar? Como se eu já tivesse visto você em algum lugar", disse Xia Weiwei, observando o tom e a voz de Zhang Huixin, sentindo uma familiaridade que não conseguia identificar.

"Weiwei, se você fosse homem, eu diria que está tentando paquerar a Huixin, mas essa desculpa é bem clichê", brincou Yang Chunxing para animar o ambiente. "Não, sério, acho que já vi você em algum lugar. Minha memória é boa, deixa eu pensar!", disse Xia Weiwei, batendo na cabeça, franzindo o rosto rechonchudo em concentração.

Nesse momento, uma música suave ecoou no restaurante, uma das antigas canções de Zhang Huixin, "Flor dos Sonhos". Xia Weiwei arregalou os olhos, fixando-se em Zhang Huixin, cobrindo a boca com a mão e gaguejando: "Eu sei! Você é Xinhui, a cantora mais famosa de Hong Kong?" Zhang Huixin acenou com a cabeça, confirmando a suposição de Xia Weiwei, satisfeita com sua reação. Afinal, era um reconhecimento de suas conquistas passadas.

"Mas eu ouvi Chunxing, Bai Ling e as outras te chamarem de Huixin", disse Xia Weiwei, percebendo em seguida que Huixin e Xinhui eram apenas as mesmas duas palavras em ordem diferente. "Então vocês são a mesma pessoa! Você é meu ídolo! Me dá um autógrafo, por favor!" Xia Weiwei vasculhou sua mochila freneticamente, mas não encontrou um caderno, e murchou como um balão furado, arrependendo-se de não ter trazido seu caderno favorito.

"Se não achou, tudo bem. Quando a Huixin voltar, ela te dá alguns pôsteres ou fotos bonitas, todas com autógrafo. Não precisa ficar com essa cara", disse Yang Chunxing, dando um tapinha no ombro de Xia Weiwei.

"É verdade! Amanhã eu trago para você! Obrigada por gostar de mim e das minhas músicas!", agradeceu Zhang Huixin sinceramente, pois o carinho de Xia Weiwei vinha do fundo do coração, genuíno. "Sou eu que tenho que agradecer. Suas músicas me acompanharam nos momentos mais difíceis. Meus irmãos e irmã também gostam das suas músicas, e também das de Wenwen, do grupo Linghui, do grupo Jovens da Primavera, entre outros", disse Xia Weiwei com gratidão.

Bai Ling sabia que, para quem está em dificuldades, o apoio espiritual é a maior força para seguir em frente. Talvez uma palavra gentil ou um ato de bondade de outra pessoa, em certas ocasiões, possa ajudar os outros.

"Isso é fácil. Vou pedir para alguém trazer fotos e pôsteres autografados delas para você e seus irmãos, para encorajá-los e torcer para que cresçam fortes e saudáveis", prometeu Zhang Huixin. Agora, ela dedicava mais tempo aos estudos e à caridade, ajudando mais pessoas, o que a fazia sentir-se mais realizada.

"Obrigada! Obrigada!", repetiu Xia Weiwei, agora apenas emocionada, sem saber como expressar sua gratidão além dessas três palavras secas. Olhando o relógio, viram que ainda tinham aula à tarde, então se despediram e foram para as aulas. "Chunxing, já que sua casa não é aqui, você deve ficar meio entediada sozinha. Que tal neste fim de semana eu te convidar para ir lá em casa?", sugeriu Xia Weiwei, abraçando os livros enquanto caminhava com Yang Chunxing para o dormitório.

"Que bom! Não tenho nada para fazer mesmo. Vou visitar sua casa e conhecer seus irmãos e sua mãe forte", concordou Yang Chunxing, acenando com a cabeça. Ouvindo isso, Xia Weiwei ficou muito feliz: "Minha mãe faz um pato com coalhada de flor de osmanthus delicioso. Você vai adorar."

"Então já agradeço à sua mãe. Vou experimentar com certeza", disse Yang Chunxing, rindo. Xia Weiwei, lembrando-se de como a amiga ficou impassível diante da grande estrela, perguntou curiosa: "Chunxing, quando vi a Huixin, fiquei muito empolgada, mas vocês pareciam não se importar."

Yang Chunxing, arrumando as coisas na sala, respondeu: "Na verdade, elas são pessoas comuns também. Basta ser sincero. Embora eu esteja muito longe da Huixin, da Li Ziqing e da Bai Ling, sei que elas são genuínas comigo, e eu também sou genuína com elas. Essa é a base da amizade."

"Com você, aprendi o que é não ser servil nem arrogante. Antes, essa palavra era só algo nos livros, mas suas ações e palavras explicaram completamente seu significado", elogiou Xia Weiwei sinceramente.

"Você me elogia demais. Só trato as pessoas com naturalidade. Afinal, é difícil encontrar alguns bons amigos com os mesmos ideais na vida, então é preciso ser grato, como na música 'Coração Grato'", disse Yang Chunxing, rindo. "Vou sair para visitar um amigo. Até mais à noite."

Quando Yang Chunxing chegou ao portão da escola, Bai Ling, Li Ziqing e Zhang Huixin já estavam esperando. Desculpou-se: "Desculpem, me atrasei." "Entra logo. Acho que Xianxi já está em casa esperando", disse Zhang Huixin para Yang Chunxing, que entrava no carro. "Hoje o Xianxi vai cozinhar pessoalmente. Vocês vão se deliciar."

"Opa, o irmão Xianxi agora é um dono de casa. Huixin, você tem muito charme! Se até você, que é tão exigente, diz que é bom, deve ser mesmo", disse Li Ziqing, fungando. "Hoje à noite vamos comer à vontade."

"Ei, ei, olhem aquele carro velho na frente. Entrou um homem das cavernas", apontou Yang Chunxing para um carro velho que avançava lentamente, soltando fumaça preta, curiosa. Todos ficaram chocados com a cena, de boca aberta. Li Ziqing esfregou os olhos e disse: "Se não fossem os arranha-céus e os carros ao redor, eu até pensaria que estamos na selva! Olha aquele cabelo, aquela barba, muito, muito primitivo!" Zhang Huixin cobriu a boca, demorou um pouco para reagir e murmurou: "Não é uma peça de teatro?"

No carro, apenas Bai Ling permanecia calma, pois já tinha se assustado de manhã cedo. Era aquele professor excêntrico, que, segundo constava, tinha acabado de voltar da selva, onde buscava novas espécies, e só retornara ontem. Como teria aula hoje, não teve tempo de cortar o cabelo ou fazer a barba. E, como os alunos riram dele hoje, ele disse que manteria essa aparência pelo semestre inteiro para ver se ainda ririam.

"Bai Ling, você não está curiosa?", perguntou Yang Chunxing, olhando para ela. Bai Ling nem piscou e respondeu friamente: "Já vi antes. É o professor excêntrico de que falei no almoço. Vocês só viram uma vez; eu vou vê-lo por um ano. Então não estou nem um pouco curiosa."

"Ah? Esse professor é tão excêntrico assim? Não é à toa que a Bai Ling, que geralmente é tão tolerante, disse que ele é meio estranho", disse Yang Chunxing, como se entendesse por que Bai Ling não reagia. "Calma, calma. O mundo é vasto e cheio de maravilhas. Não é só cabelo comprido? Tem muito disso em filmes de época", disse Bai Ling, torcendo o nariz. "Não façam alvoroço, um bando de caipiras que nunca viram nada." "Só você viu o mundo!", brincou Yang Chunxing, dando um tapa de leve na cabeça de Bai Ling. "Aposto que o professor te irritou, e você está descontando em nós." "Nada disso! Sou tão mesquinha assim?", rebateu Bai Ling, inconformada, embora na verdade fosse como Yang Chunxing dissera: o professor excêntrico a provocara.

Todos olharam para Bai Ling como se dissessem que ela era sim muito mesquinha, o que a fez bufar: "Vocês são todos unidos para me provocar." Entre risos e brincadeiras, esqueceram o assunto. Mas, ao se aproximarem da nova casa de Zhang Huixin e Fu Xianxi, Bai Ling percebeu que aquele carro velho estava sempre na frente. Antes, no centro movimentado, com muitos carros e pessoas, não notara nada de estranho. Agora, no anel viário, o carro velho começou a acelerar, até mais rápido que o carro de Huixin, sempre na frente. Parecia que aquele carro velho não era tão comum assim. Será que havia algo mais ali?