Bai Han estava ao lado da estante no escritório, procurando um livro de medicina. O livro estava um pouco alto, então ela se esticou na ponta dos pés, estendendo a mão com esforço para pegar um volume na prateleira de cima. Talvez por ter feito muita força, sentiu uma dor aguda na barriga. Lembrando que faltavam apenas dez dias para a data prevista do parto, imaginou que já era hora.
Mesmo com a dor, Bai Han não perdeu a calma. Segurando a barriga, foi até a mesa ao lado e ligou para alguém. Quem atendeu foi a senhora Xi.
— Mãe, estou com dor na barriga. Acho que vou dar à luz. Leve-me ao hospital rápido! — Bai Han tentou conter o sofrimento para não preocupar a senhora Xi, já que ela era idosa e, se ficasse nervosa, poderia cair e se machucar, o que seria culpa de Bai Han.
Ao receber a ligação, a senhora Xi hesitou por um instante. Foi o senhor Xi quem perguntou: — O que foi? Por que está parada?
— A Xiao Han está com dor na barriga, vai dar à luz! — Dito isso, ela subiu as escadas correndo. O senhor Xi quis subir também, mas pensou que o melhor era levá-la rápido ao hospital. Chamou Lin Long para trazer o carro. Pensou em ligar para Xi Side, mas temeu que ele, dirigindo sozinho, se apressasse e sofresse um acidente. Então decidiu mandar o motorista da família buscá-lo. Bai Ling estava com Liu Hu, então o senhor Xi ligou primeiro para a escola dela, pedindo que fosse ao hospital.
— Wang, vá buscar o Side. Diga que estamos no Hospital Ren’ai. Não deixe o jovem mestre dirigir. Você sabe como ele fica nervoso com a Bai Han e o bebê; dirigir pode dar problema. — O senhor Xi reforçou a instrução, preocupado, antes de subir.
Lin Long já havia trazido o carro. Subindo, viu Bai Han sentada torta na cadeira, respirando com dificuldade, com gotas grossas de suor escorrendo pelo rosto. A senhora Xi, sem saber o que fazer, não conseguia mover Bai Han e só se desesperava.
— Mãe, não estou bem, mas ainda vai demorar um pouco para nascer! — Bai Han consolou a senhora Xi e disse à empregada que acabara de entrar: — Venha me ajudar!
O senhor Xi também entrou e, junto com a empregada, apoiou Bai Han de cada lado, descendo devagar as escadas. Quando Lin Long chegou, ele disse: — Doutora Bai, vou carregá-la para baixo. Andar assim deve doer muito!
— Isso, Lin Long, pegue a Bai Han e coloque-a no carro rápido! — O senhor Xi agradeceu, aliviado. Naquela emergência, não havia espaço para convenções sociais.
Lin Long era alto e forte, e Bai Han não era pesada; mesmo grávida, tinha pouco mais de cinquenta quilos. Ele a levantou com facilidade e a colocou no carro. A senhora Xi e Hu Ying sentaram atrás, segurando a mão de Bai Han para lhe dar força. O senhor Xi foi na frente, Lin Long assumiu o volante e o carro partiu em disparada. Lin Long dirigia muito bem; em menos de meia hora chegaram ao hospital.
Por causa da presença da senhora e do senhor Xi, Bai Han apertou os dentes e não gritou, para não preocupá-los. Mas a dor intensa deixou seu rosto pálido, muito pálido, e coberto de suor. A senhora Xi enxugava o suor de Bai Han com um lenço, consolando: — Xiao Han, se não aguentar, grite! Você, minha filha, sempre pensa nos outros, não importa a hora! — A senhora Xi disse com o coração apertado. Essa nora era mais atenciosa que uma filha; ela realmente gostava de Bai Han.
— Mãe, aguento, não se preocupe. São só contrações, não vai nascer tão cedo! — Bai Han disse fracamente. Como médica habilidosa, sabia que a dor intensa era por ter torcido a cintura ao se esticar.
— Coitada, minha filha! — A senhora Xi começou a chorar. A mão que Bai Han segurava doía, mas não tanto quanto a dor no coração da senhora Xi.
Hu Ying, uma moça solteira, via pela primeira vez uma mulher dando à luz. Assustada, ficou pálida, perdendo toda a calma habitual, com o rosto cheio de ansiedade.
Lin龙 dirigiu a toda velocidade até o hospital. Como o senhor Xi havia ligado para o Hospital Ren’ai antes, já havia pessoas esperando na entrada. Lin Long colocou Bai Han em uma maca, e enfermeiras e médicos a levaram correndo para a suíte VIP, preparando tudo para o parto.
No hospital, Bai Han sabia que o pior já tinha passado. Não aguentando mais, começou a gemer de dor, com o rosto contraído. Xi Side, ao ver o motorista Wang chegar, pensou que algo tinha acontecido com o senhor Xi. Perguntou apressado: — Tio Wang, por que você veio? Aconteceu algo em casa?
— A senhora vai dar à luz. O patrão mandou eu buscá-lo para ir ao Hospital Ren’ai. Não dirija, venha no meu carro! — Wang explicou.
Xi Side levantou-se imediatamente e saiu correndo, dizendo aos secretários ao lado: — Tenho uma emergência. Deixem para amanhã!
O secretário Qian e os quatro assistentes lá fora, vendo o presidente nunca antes tão descontrolado, ficaram de boca aberta, como se pudessem colocar um ovo nela. Wang correu atrás de Xi Side. Durante todo o caminho, Xi Side não parou de apressar Wang para acelerar. Wang admirou secretamente a previsão do senhor Xi: se Xi Side estivesse dirigindo, com certeza não respeitaria as regras de trânsito e poderia se acidentar.
Quando Xi Side chegou, ouviu os gritos de dor de Bai Han. Suas pernas fraquejaram, e ele quase caiu no chão.
— Mãe, como ela está? — Xi Side segurou a mão da senhora Xi, perguntando.
— Entrou há vinte minutos, ainda não nasceu! — A senhora Xi também estava angustiada, muito aflita.
Xi Side quis entrar, mas a senhora Xi o segurou: — Mulher dando à luz, você não deve ir!
Xi Side andava de um lado para o outro, impaciente: — Mãe, não aguento mais. Quero ver a Xiao Han! — Sem ouvir objeções, foi procurar Bai Han. A enfermeira não conseguiu impedi-lo e o deixou entrar. O médico, ao ver Xi Side, assustou-se e ia mandá-lo sair, mas Bai Han o interrompeu.
— Xiao Han, estou aqui! — Xi Side correu para o lado de Bai Han, segurou sua mão para lhe dar força.
Ao ver Xi Side, os olhos de Bai Han ganharam um brilho extra. Ela disse: — Obrigada!
— Eu é que agradeço, por me dar um filho! — Os olhos de Xi Side se aqueceram, ele queria chorar. Com a chegada de Xi Side, Bai Han ganhou mais força!
Bai Ling, ao saber pelo diretor da escola que o senhor Xi havia ligado pedindo que ela fosse ao hospital, imaginou que sua mãe, Bai Han, estava prestes a dar à luz. Disse apressada a Yang Chunxing: — Irmã Chunxing, ajude a guardar minhas coisas. Vou ao hospital, minha mãe vai ter o bebê!
— Tudo bem, vá na frente. Chego depois! — Yang Chunxing assumiu tudo. Olhou o relógio: faltava uma hora para o fim das aulas, então decidiu ir depois.
Ao chegar ao hospital, Bai Ling ouviu os gritos de sua mãe lá dentro. Sem pensar em mais nada, tentou entrar correndo, mas foi barrada por uma enfermeira: — Moça, menores não podem entrar!
— Lá dentro está minha mãe, por favor, deixe-me entrar! — Bai Ling implorou, chorando. — Por favor!
A enfermeira viu a linda menina chorando como uma flor na chuva e amoleceu o coração, mas já havia uma pessoa lá dentro; deixar outra entrar atrapalharia o parto. Nesse momento, Ruan Peiwen, a ex-assistente de Bai Han, que ouvira que ela estava dando à luz, veio visitar. Ruan Peiwen aprendera muito com Bai Han e agora era médica assistente.
— Irmã Peiwen, fale com essa enfermeira para me deixar entrar. Também sei medicina, não vou atrapalhar os médicos! — Bai Ling pediu ajuda a Ruan Peiwen.
— Xiao Jin, deixe-a entrar. Mãe e filha têm uma relação muito boa. Se não deixar a Xiao Ling entrar, ela vai chorar aqui sem parar! — Ruan Peiwen disse, sorrindo, apoiando Bai Ling.
A enfermeira, ouvindo Ruan Peiwen, concordou com a cabeça: — Então entre, mas não atrapalhe a parturiente!
Bai Ling acenou rapidamente: — Não vou, vou ficar bem quietinha! — Dito isso, entrou de mansinho. Nesse momento, um choro forte ecoou.
Ao ouvir o choro forte, Xi Side e Bai Han ficaram atônitos por um instante. O médico segurava o recém-nascido e disse, sorrindo: — Parabéns, Sr. e Sra. Xi, é um menino!
— Tenho um irmão! — Bai Ling murmurou, chorando de alegria. — Mãe, é um menino!
Xi Side levantou-se num pulo, foi rápido até o médico e olhou para o filho recém-nascido, com o rostinho enrugado, não muito bonito, mas aos olhos de Xi Side, era o mais lindo do mundo. Ele disse, radiante: — Todos aqui dentro ganham um bônus!
Médicos e enfermeiras agradeceram, rindo: — Parabéns, Sr. Xi, pelo seu filho! — Era o primeiro neto da família Xi, naturalmente precioso. Todos os médicos ali sabiam disso. As enfermeiras olhavam para Xi Side com admiração e respeito, e para Bai Han com inveja.
— Tragam ele para eu ver! — Bai Han disse fracamente, deitada na cama. Xi Side pegou o filho com cuidado e se abaixou para que Bai Han pudesse vê-lo bem.
— Nosso filho! — Bai Han ergueu a mão para tocar o rostinho vermelho do bebê e sentiu os olhos se encherem de lágrimas. Aquele filho fora conquistado com risco de vida.
Bai Ling viu a mãe e Xi Side, depois olhou para o bebê, e saiu para dar a notícia ao senhor e à senhora Xi: — Vovó Xi, tenho um irmãozinho!
A senhora e o senhor Xi, já idosos, finalmente tinham um neto. Ficaram tão felizes que não conseguiam falar, apenas enxugavam as lágrimas.
— Sua mãe está bem? — O senhor Xi não se esqueceu de que Bai Han tivera contrações prematuras e chegara ao hospital antes do tempo, então estava preocupado com ela.
— Minha mãe está bem, está vendo o irmãozinho! — Bai Ling disse, radiante, muito feliz. Mãe e filho estavam bem; o que mais poderia ser melhor? Com a mãe segura, Bai Ling ficou tranquila. Xi Side amava a mãe, os sogros a cuidavam, e agora havia o bebê. Bai Ling não quis entrar para atrapalhar a intimidade da família; ficou do lado de fora. Foi comprar muitos envelopes vermelhos, colocou dinheiro dentro e distribuiu aos médicos. Embora eles recusassem, Bai Ling ainda comprou ovos tingidos e frutas para distribuir a todos.
Li Ziqing e Yang Chunxing chegaram correndo, perguntando: — Xiao Ling, como está a tia Bai?
— Obrigada pela preocupação, mãe e filho estão bem! — Bai Ling disse, sorrindo. Viu Guan Xianglin atrás de Li Ziqing: — Tia Xiang, minha mãe está lá dentro. Podem entrar!
Lá dentro, a senhora Xi segurava o neto no colo, radiante, sem parar de sorrir. Guan Xianglin entrou e disse: — Parabéns, tia Xi! — Depois, vendo que Bai Han estava com boa aparência: — Xiao Han, você está bem?
— Estou bem, ótima! — Bai Han disse, sorrindo, com um olhar maternal. Viu a filha ocupada lá fora e sentiu um aperto no coração. Quando Bai Ling nascera, nem sequer fora ao hospital; uma parteira da vila a ajudara. O parto fora prematuro, e o bebê nascera fraco. Sem nutrição adequada e com pouco leite materno, Bai Ling crescera magra e pequena, diferente deste filho, que já nascera gordinho e cheio de mimos.
— Pai, mãe, vocês já escolheram um nome para o bebê? — Xi Side percebeu que todos chamavam o bebê de “baobao”, igual ao apelido do sobrinho, então queria dar um nome logo.
A senhora Xi olhou para o senhor Xi e disse, rindo: — Velho, você não consultou o dicionário? Disse que queria dar um nome bonito ao neto. Então fale logo para todos ouvirem!
— Esta criança tem muita sorte. Pensei em colocar um caractere que simbolize força e vigor, para que ele cresça imponente e elegante. Juntei com “xuan”, que significa nobreza, e chamei de Xi Gen. O que acham? — O senhor Xi olhou para todos com expectativa.
— O nome escolhido pelo pai é naturalmente bom! — Xi Side concordou imediatamente. — Nosso pequeno Gen!
— Gen, é um nome muito bom. Obrigada, pai! — Bai Han também concordou. Não importava o nome, o senhor Xi se dedicara a escolhê-lo, e ela não iria discutir.
Xi Qingqing chegou de fora e, vendo a senhora Xi com o neto, disse: — Xiao Gen, venha, deixa a tia pegar! — Estendeu as mãos para segurar o bebê.
A senhora Xi entregou o bebê a Xi Qingqing, dizendo: — Com cuidado!
Xi Qingqing já tivera um filho, então sabia segurar bebês. Disse: — Que bom, a família Xi tem um herdeiro. Cunhada, você se esforçou! Pai, mãe, cuidarei de tudo em casa. Organizarei tudo direitinho! — Xi Qingqing trouxe roupinhas e cobertores que preparara para o bebê. Embora não fossem muitos, ela os trouxe.
— Qingqing, deixo tudo em casa com você! — A senhora Xi agora não se importava com mais nada; o mais importante era o neto.
— Entendi! — Xi Qingqing disse calmamente. Agora aceitava a situação com serenidade. A família Xi tinha um herdeiro, e, após o divórcio, ela já reconhecia seu lugar na família. Só se a família Xi estivesse bem, ela também estaria.
— Qingqing, confio em você para cuidar das coisas em casa. Mas, mesmo ocupada, não deixe o Xiaobao se sentir negligenciado! — Bai Han disse na hora certa, para evitar que a cunhada criasse ressentimentos. A harmonia familiar que finalmente surgira não deveria ser abalada pela chegada de Xiao Gen.
Xi Qingqing segurou Xiao Gen e foi até Bai Han, dizendo, sorrindo: — Sei o que fazer, cunhada, não se preocupe. Olhe só para o Xiao Gen: os olhos e a boca são iguais aos seus, o nariz é igual ao do meu irmão. Como o nome dele diz, parece ter sorte!
— Realmente se parece um pouco comigo! — Bai Han disse, com um sorriso maternal, estendendo a mão para pegar Xiao Gen.
— Cunhada, vou indo. Preciso preparar uma sopa para o resguardo, para você se recuperar bem. Ouvi dizer que foi parto normal, o que gasta muita energia. Diferente de mim, que tive medo da dor e fiz cesariana, não gastei força, mas fiquei com uma cicatriz feia na barriga! — Xi Qingqing disse, sorrindo, admirada secretamente pela coragem da cunhada.