Joel se exibia na frente, sem saber o que Ben pensava por trás. Para Bai Ling, Joel já havia cedido como nunca antes, sem qualquer ímpeto de ataque.
Olhando para Bai Ling, que parecia uma bola de algodão na frente, Ben não pôde deixar de rir. Talvez só uma garota assim fizesse o mestre perder o controle e se afundar de vez.
Chegando à loja de jade da família Li, o Mestre Zhi já estava sentado no salão principal, limpando suas ferramentas. Era um hábito que ele mantinha há décadas: limpar as ferramentas antes de começar o trabalho pela manhã; e, ao final do expediente, limpá-las novamente, passando uma camada de óleo para proteção básica.
— Mestre, a Xiao Ling voltou! — Bai Ling foi rapidamente até o mestre, com um jeito bajulador, e começou a massagear seus ombros.
O Mestre Zhi apenas ergueu os olhos para Bai Ling, sem dizer nada, mas um brilho agudo passou por seus olhos. Ele olhou além de Bai Ling, viu a pessoa atrás dela, pegou um pedaço de jade ao lado e disse: — Corte de acordo com o padrão e as dimensões do papel. Se a habilidade tiver caído, não coma no almoço!
O Mestre Zhi falou sem expressão, fazendo Joel e Ben, atrás, apertarem o coração. Esse homem era arrogante demais! Embora não entendessem o que ele disse, viram sua expressão impassível, junto com um tapa-olho, o que o tornava ainda mais distante e misterioso.
Olhando para Bai Ling, que rapidamente abriu a mochila, pegou suas ferramentas e as limpou com agilidade, sentou-se no banquinho ao lado do Mestre Zhi e começou a esculpir o jade com total concentração, sem ser minimamente afetada pela frieza do mestre. Essa determinação de Bai Ling deixou Joel e Ben boquiabertos.
Ela ficou sentada por quase duas horas, mantendo os movimentos quase inalterados. Finalmente, esculpiu o pingente de jade conforme as exigências do Mestre Zhi, lixou-o e deixou a superfície lisa e polida.
— Mestre, o que achou? — Bai Ling perguntou, toda animada, com um sorriso bajulador. Se outra pessoa fizesse isso, Joel certamente acharia nojento. Mas no rosto de Bai Ling, com seus dois pequenos sulcos, era irritantemente bonito e harmonioso.
O Mestre Zhi, ao ver o pingente ganhar vida nas mãos de Bai Ling, teve sua expressão suavizada, as linhas do rosto se amoleceram. Ele assentiu e disse: — Nada mal, houve progresso. Se tivesse piorado, cuidado com o castigo!
Bai Ling revirou os olhos mentalmente: O mestre ainda é o mesmo. Tanto tempo se passou, e as desculpas para assustar nunca mudam. Ouvindo essas palavras familiares, seu coração se aqueceu.
— Mestre, vamos comer, eu pago! Ah, e comprei um aparelho de massagem, ótimo para a cervical, mandei trazer do exterior. Durante a refeição, ensino como usar, experimente primeiro! — Bai Ling disse, bajulando, pois o Mestre Zhi sempre foi sozinho. Embora nunca tivesse dito o motivo, Bai Ling sabia que ele devia ter suas dores e sofrimentos. Já que era sua aprendiz, devia cuidar bem dele. Por isso, Bai Ling se comportava como uma criança adorável diante do mestre, que também apreciava esse afeto, gostando genuinamente da vivacidade, fofura e compreensão de Bai Ling. No entanto, observando com atenção, o Mestre Zhi percebeu que Bai Ling não era mais a mesma, não nos gestos, mas na aura, como se houvesse uma ferocidade no olhar. Se antes Bai Ling era pensativa, agora era um tanto extrema.
— Está bem, posso aproveitar as coisas boas que minha aprendiz trouxe do exterior. A idade não perdoa, minha cervical realmente está muito desconfortável. — O Mestre Zhi disse com um sorriso, olhando para Bai Ling com ternura.
Bai Ling ajudou o mestre a arrumar as coisas, enquanto dizia: — Mestre, você já não é tão jovem, não precisa ficar na loja, e não deve fazer tanto trabalho. A saúde é o mais importante. Se não conseguir ficar parado, mande alguém pegar alguns trabalhos para fazer em casa!
O Mestre Zhi assentiu: — Xiao Ling, tem razão. E meus olhos também não estão bons, está na hora de descansar!
— Pois é, a saúde é o mais importante! — Bai Ling concordou, rindo o tempo todo.
Joel e Ben ficaram surpresos com a rápida mudança de expressão do Mestre Zhi. Pensavam que ele não tinha outras emoções, mas não era o caso.
Chegando a um restaurante próximo, Bai Ling pediu um camarote. Sentados, ela tirou o aparelho de massagem da mochila e disse, sorrindo: — Mestre, você é o melhor, vou massagear você, testar como é essa coisa? — Bai Ling pegou o manual de instruções, explicou como usar, e foi fazendo. O pequeno aparelho, embora não grande, cabia bem no pescoço, massageando suavemente. Por conter muitas substâncias físicas e químicas, era muito bom para tratar a cervical.
O Mestre Zhi sentiu apenas uma leve vibração no pescoço, e até uma sensação de calor, muito confortável. Meia hora depois, ao tirá-lo, ele disse alegremente: — Xiao Ling, isso é realmente bom! Muito confortável!
— Que bom que está confortável. Mestre, você tem bebido chá de crisântemo regularmente? — Bai Ling, vendo que o copo do mestre estava cheio de chá comum, não de crisântemo, perguntou curiosa. Beber chá de crisântemo era definitivamente bom para ele, algo comprovado por muitos.
— Bebia, mas as pessoas da loja pegaram um pouco, e acabou há um mês. Então estou usando este chá, que também serve, vou levando. — O Mestre Zhi disse meio sem graça, envergonhado por ter dado o presente da aprendiz para outros.
Bai Ling conhecia o caráter do mestre: frio por fora, quente por dentro, de poucas palavras e sem saber recusar. Por isso, aceitava quase todos os pedidos. Ela não o repreendeu, apenas disse sorrindo: — Mestre, eu tenho muito mais aqui. Amanhã trago mais para você, e todo mês mando um pouco extra. Guarde o suficiente para si, e se alguém pedir, você ainda terá um pouco para dar. Mestre, não subestime o chá de crisântemo, minha mãe o prepara com um método especial, faz muito bem à saúde. Então não pode dar tudo para os outros!
— O mestre entendeu. A comida chegou, vamos comer! — O Mestre Zhi disse, e começou a servir Bai Ling, sem sequer olhar para Joel e Ben, como se não estivessem ali.
— Hum, mestre, esta é a sopa de peixe prateado que você mais gosta. Tome um pouco para aquecer o estômago! — Bai Ling serviu a sopa para o mestre com entusiasmo, sorrindo, e disse a Joel e Ben: — Comam também, não fiquem só sentados!
Joel assentiu e perguntou: — Bai Ling, não vai nos apresentar?
Bai Ling então se deu conta, parecia que ainda não tinha apresentado ninguém. Bateu na própria cabeça e disse: — Veja minha memória, esqueci! Joel, este é meu mestre de escultura em jade, Mestre Zhi. Mestre, estes são meus bons amigos, Joel; e o grandão ao lado é o assistente especial de Joel, Ben.
O Mestre Zhi nem ergueu as pálpebras, apenas perguntou levemente: — Bons amigos? Falam inglês? — Dessa vez, não só Joel e Ben ficaram surpresos, mas Bai Ling também sentiu os músculos faciais se contraírem ligeiramente. Desde quando o mestre falava um inglês londrino tão perfeito?
— Mestre, seu inglês é muito bom! — Bai Ling disse sem graça, nunca imaginando que o mestre era tão talentoso escondido.
O Mestre Zhi ergueu os olhos e disse em chinês: — Eu sei que, aos seus olhos, o mestre é só um velho decrépito!
Bai Ling, muito ofendida, levantou a mão e se defendeu: — Pelo céu, o pequeno aprendiz nunca ousou falar mal do mestre, só não esperava que o mestre tivesse tanto talento!
— Hum! — O Mestre Zhi olhou para Bai Ling, depois para Joel do outro lado, e sabia que aquele sujeito certamente não tinha boas intenções com sua aprendiz.
Joel, vendo a atitude de Bai Ling, percebeu que aquele velho era uma das pessoas mais importantes para ela. Então, levantou-se respeitosamente e disse em inglês, com voz suave: — Sr. Zheng, prazer em conhecê-lo. Sou Joel, da Alemanha, amigo de Bai Ling. Muito prazer!
O Mestre Zhi encarou Joel, como se quisesse ver uma flor em seu rosto, mas Joel não recuou sob seu olhar. A auto-superioridade cultivada desde a infância não permitia que ele recuasse.
— Prazer. Espero que mantenha sua posição, não aja de forma imprudente e, principalmente, não proteja cegamente. Embora Bai Ling não tenha pai, ela tem um avô que a ama, um padrasto e este mestre. Se alguém a machucar, o mestre não ficará de braços cruzados. Qualquer um que prejudicar Bai Ling será punido! — O Mestre Zhi olhou fixamente para Joel, quase como se pudesse ver através dele, como se quisesse arrancar uma flor de seu rosto.
Joel, ouvindo isso, sentiu o coração bater forte. Parecia que aquele velho sabia das coisas que ele escondia de Bai Ling. Aquelas palavras foram um aviso para ele, ou era só suposição?
— Proteger cegamente... — Joel murmurou. Parecia que ele realmente protegia cegamente sua tia Anna, Jessica e Eric. Jessica já costumava fazer pequenas artimanhas na empresa, desviando um pouco de dinheiro, e seu pai, Craig, não a punia severamente. Mas Eric, ao crescer, tornou-se mais ganancioso e ousado que o tio Jessica. Aquela quantia pequena não era nada para eles. A empresa que lhes foi confiada agora era apenas uma casca vazia; se não fosse pela injeção de capital da matriz, talvez já tivesse falido. Mas sua tia veio pedir ajuda, e Joel, por consideração a ela, os ajudou a superar a crise. Quem diria que isso só aumentaria seu apetite, levando-os a tentar tomar toda a propriedade.
As palmas das mãos de Joel estavam suadas. Parecia que ele precisava investigar quem era aquele Mestre Zhi. Não era bom ser descoberto, então Joel e Ben não estavam nada satisfeitos.
— Mestre, o que o senhor disse é tão profundo. Somos apenas amigos, não é tão grave assim! — Bai Ling rapidamente interveio para amenizar. Nem todo mundo suportava a "acidez" do mestre. Até mesmo Sisi De, na primeira vez que viu o Mestre Zhi, quase foi embora de tanto que ele falou. Se Sisi De tinha respeito pelo velho Lin, pelo Mestre Zhi ele sentia medo, evitando-o, pois uma palavra do mestre podia matar alguém de vergonha. Para viver mais um pouco, Sisi De nunca ousava ir sozinho.
O Mestre Zhi balançou a cabeça, olhando para a aprendiz que ainda estava no escuro, sem saber se devia contar. Mas, vendo o nervosismo do rapaz à frente, resolveu não revelar por enquanto. Se ele fizesse algo exagerado, aí sim o Mestre Zhi não hesitaria em denunciá-lo.
— Com fome? Sente-se e coma, não precisa cuidar de mim. — O Mestre Zhi disse, sorrindo para Bai Ling, que estava ocupada.
Bai Ling obedeceu e sentou-se ao lado. Durante a refeição, enquanto conversava com o mestre, não se esqueceu de servir Joel e Ben. Depois de comer, Bai Ling ficou mais um pouco com o mestre.
Na hora de fechar, Bai Ling disse: — Mestre, daqui a alguns dias vou visitá-lo para o Ano Novo. Prepare comidas gostosas, senão não vou aceitar!
O Mestre Zhi beliscou o nariz de Bai Ling e disse: — Está bem, vou fazer algumas coisas que você nunca comeu para você, sua gatinha gulosa! Já está tarde, você saiu o dia todo, volte logo. E seus amigos, que ficaram de lado, não os trate mal! — O Mestre Zhi olhou para Joel com um significado profundo.
Bai Ling franziu o nariz e disse: — Então, mestre, tchau! Descanse bem!
Após se despedir, Bai Ling voltou para casa a pé, parando para olhar as coisas pelo caminho. Joel a observava, um tanto distraído, vendo-a tão livre e despreocupada, muito mais alegre do que em Hong Kong. Talvez fosse porque se sentia mais segura em B City. Lembrando-se do olhar do Mestre Zhi, Joel ainda sentia um calafrio.
Chegando em casa, viu sua mãe, Bai Han, tricotando com Michelle. Mais precisamente, Bai Han estava ensinando Michelle. As roupas de lã de Bai Ling, desde pequena, eram quase todas tricotadas à mão por Bai Han. Agora, havia também as de Sisi De e as do bebê que estava por vir, todas feitas com fio de lã fina.
— Mãe, voltei! — Assim que entrou, Bai Ling tirou o gorro, o cachecol e as luvas, pendurando-os.
— O Mestre Zhi está bem? Um dia destes vamos visitá-lo para o Ano Novo. — Bai Han disse sorrindo. Conhecendo a filha, mesmo sem avisar, sabia onde ela tinha ido. Quando ela voltava de Hong Kong, não era sempre que ia ver o Mestre Zhi primeiro? Ao lado, Sisi De, ao ouvir o nome do Mestre Zhi, estremeceu e disse cautelosamente: — Xiao Han, não posso ir?
Bai Han olhou para Sisi De, sem hesitar: — Não! Se não for desta vez, vai ficar com mais medo ainda!
Michelle achou estranha a expressão de Sisi De e perguntou a Bai Han, que explicou: — O mestre de Xiao Ling a ama muito. Desde que meu marido começou a me cortejar, na primeira vez que viu o Mestre Zhi, ele sempre o repreendia, como se Sisi De tratasse mal a Bai Ling. É uma pessoa fria por fora, mas quente por dentro, muito severo, por isso Sisi De tem medo.
Michelle caiu na gargalhada. Então Sisi De também tinha essa experiência! Envergonhado pelas risadas, Sisi De se levantou para fugir: — Vou jogar xadrez com o pai!
Essa frase só piorou as coisas, provocando mais risadas, porque o velho Lin também não era fácil de lidar. Se Sisi De ganhasse no xadrez, o velho Lin ficava bravo; se perdesse, era ridicularizado. Ele tinha acabado de descer por não aguentar, e agora voltava para ser atormentado, sem aprender!
Bai Ling sentou-se obedientemente ao lado da mãe, fazendo a boa filha, ouvindo a conversa entre a mãe e a tia Michelle.
Nesse momento, Miao Yan entrou furiosa, seguida por uma conhecida, Hu Ying.
Bai Han achou curioso. Hu Ying não tinha ido se casar? Pela expressão, não parecia nada de lua de mel. Será que algo deu errado? Para sua salvadora, Bai Han não foi mesquinha: deu uma boa quantia em dinheiro e, por meio do velho Lin, conseguiu para Hu Ying um cargo de vice-chefe no departamento de segurança pública da cidade natal, o que já era muito bom.