Capítulo 880: Capítulo 880 Arrependimento, Arrependimento

"Velho irmão, quando será que o planejamento familiar vai acabar para que eu possa deixar meu Xuyang se esforçar de novo e me dar uma neta? Olhando para você com uma neta tão boa ao seu lado, meus olhos ficam como coelhos brancos, vermelhos de inveja." O velho Zhao ganhou muitos benefícios de Bai Ling, e os elogios saíam como se não custassem nada. Mas o velho Zhao realmente queria uma neta, especialmente agora que Bai Ling ficava o dia todo em casa acompanhando o velho Lin, enquanto seu neto Zhao Lingyun estava longe, em Shenzhen, o que deixava o velho Zhao cheio de inveja.

"Xuyang não tem jeito. Para ter um segundo filho, ou ele é demitido ou se divorcia e arruma outra. Mas com a reputação dele manchada, ainda assim teria que sair. Então, não espere mais por uma neta." O velho Lin disse com ar de quem se alegrava com a desgraça alheia, com ares de quem ter uma neta já bastava.

Vendo o velho Zhao com cara de injustiçado, Bai Ling o consolou: "Vovô, na verdade o tio Zhao não tem jeito, mas o irmão Lingyun pode."

"Como assim? As consequências de ter um segundo filho são graves." O velho Zhao sabia que o planejamento familiar já era uma política básica do país e não podia ser violada levianamente.

"Na verdade, há uma solução. Pense: o irmão Lingyun e a Ziqing estão namorando. A Ziqing é de Hong Kong e tem privilégios de procriação semelhantes aos de estrangeiros na China. Se eles ficarem juntos no futuro, podem ter quantos filhos quiserem." Bai Ling disse rindo, achando a ideia ótima.

"Isso mesmo! Vamos fazer assim. Se Zhao Lingyun não conseguir casar com a Ziqing, ele não será meu neto!" O velho Zhao disse com grandiosidade, determinado a lutar por bisnetos e bisnetas.

"Na verdade, a Ziqing é muito boa. Vem de uma família rica, mas não tem nenhum mimimi. É ótima." Bai Ling aproveitou para elogiar Li Ziqing, sua amiga. Se não fosse por ela, por quem mais?

"A propósito, lembro que a Ziqing era frágil quando criança. Já melhorou?" O velho Zhao lembrou-se desse detalhe importante. Ter filhos não é só técnica, exige força. Sem boa saúde, como ter filhos?

"Vovô Zhao, pode ficar tranquilo. A saúde da Ziqing já está totalmente recuperada. Ter três ou cinco filhos não é problema." Bai Ling garantiu. Nos últimos anos, a Ziqing tomou tantos remédios para se recuperar que dava para encher um caminhão.

"Que bom, que bom!" O velho Zhao ficou aliviado. "Quando será que podemos chamar a Ziqing para passear por aqui?"

"Ela agora vai a Shenzhen quando tem tempo, para ver o namorado. Mas no Ano Novo, quando o irmão Lingyun estiver de férias, podemos chamar a Ziqing para passar o Ano Novo juntos. Afinal, faz tempo que não o vejo, estou com saudades."

O velho Zhao assentiu: "Falta menos de um mês para o Ano Novo. Desta vez, preciso me preparar bem. Ah, Xiaoling, você tem tantas joias, me dá mais uma? Quando a Ziqing chegar, eu, como avô, preciso dar um presente. Se vier de mãos vazias, vou perder a cara."

Puxa, ele estava ficando viciado. Mas pensando nas tantas caixas, não fazia diferença. Bai Ling pegou uma pulseira de ágata, embrulhou numa caixa bonita e entregou ao velho Zhao: "Vovô Zhao, agora você tem cara, né?"

"Tenho cara, tenho cara. Ter um parente jovem e rico é bom demais." O velho Zhao suspirou. A princípio, queria contar ao velho Zhao que Zhao Lingyun ainda tinha quase vinte milhões em jade com ela, mas lembrando da origem do jade vermelho de primeira, Bai Ling decidiu ficar quieta.

Sem nada para fazer em casa, Bai Ling recebeu uma ligação do velho Zheng e foi com ele ao instituto de pesquisa. O amigo italiano dele, Paulo, também foi ao instituto para ver se a lendária estátua de Vênus era verdadeira.

Bai Ling chegou à porta do instituto e encontrou o velho Zheng, o velho Chen e o especialista italiano em escultura, Paulo.

Depois das apresentações, entraram no instituto. Após várias verificações de segurança, chegaram ao local onde estava a estátua de Vênus.

"Paulo, aqui estão os testes que fizemos. Dê uma olhada." O velho Zheng entregou a versão em inglês dos testes a Paulo e ficou de lado, esperando a reação dele.

Depois de olhar por um tempo, Paulo voltou os olhos para a estátua de Vênus, fascinado pelas linhas fluidas e belas, tocando a textura e os músculos com as mãos enluvadas.

"Zheng, esta estátua é lindíssima. Quero confirmar: os dados deste relatório estão corretos?" Paulo perguntou incrédulo, pois a estátua à sua frente era bela demais, incomparável.

"Paulo, somos amigos há décadas. Por que eu te enganaria com isso? Não há necessidade." O velho Zheng fez cara feia, fingindo estar bravo.

"Desculpe, não foi isso que quis dizer. Estou apenas muito emocionado. Mas ainda não posso confirmar se esta estátua tem a mesma origem da Vênus do Louvre." Paulo percebeu que suas palavras causaram mal-entendido e se apressou em explicar.

"Ah, então é isso. Mesmo que não possamos confirmar, esta estátua é uma peça rara e autêntica. Vamos guardá-la para apreciar!" O velho Zheng, astuto como era, sabia o que Paulo pensava. Pelo olhar de surpresa e depois pelo brilho escondido nos olhos, dava para ver que ele tinha segundas intenções. Mas era compreensível, dado o valor inestimável da peça. A estátua de Vênus, que passou da Itália para a França, era uma dor no coração dos italianos.

"Zheng, vocês não gostam muito dela, e ela não se encaixa na cultura principal da China. Poderiam vendê-la para mim, para levar de volta à Itália para estudo? Sabe, minha vida inteira sonhei em completar os braços de Vênus. Agora que vi a pose dos meus sonhos, mesmo que morresse amanhã, estaria feliz." Paulo, sem vergonha, tentou comprá-la, dizendo não acreditar que fosse verdade, mas querendo tomá-la para si.

O velho Zheng não caiu nessa. Chamou Paulo justamente por sua habilidade profissional e ambição. Mas não daria a estátua a ele; usaria sua língua solta para espalhar a notícia por toda a Itália e até pelo mundo da arte europeia. Assim, muitos viriam vê-la e estudá-la.

"Paulo, já que não tem certeza se é verdadeira, por que a quer? Sua atitude me deixa desconfiado. Meu amor pela escultura não é menor que o seu." O velho Zheng disse com seriedade, repreendendo a hipocrisia de Paulo.

Paulo ficou vermelho de vergonha, como se tivesse sido pego em uma mentira. Mas a vergonha não superava o desejo pela estátua: "Quero um pedaço de material para levar à Itália e testar. Se for verdadeira, mesmo que me arruíne, vou comprá-la."

"Então vamos primeiro confirmar se é verdadeira!" O velho Zheng não disse sim nem não, dando uma resposta evasiva. "Não fique só olhando para a estátua. Tenho algumas pinturas aqui. Dê uma olhada para ver se são originais."

Paulo viu a Mona Lisa e riu: "Conseguiram imitar esta pintura de Da Vinci com tanta fineza e espírito, quase idêntica. É uma boa cópia."

"Não somos especialistas em pintura ocidental, mas testamos o papel. A idade do papel desta pintura é a mesma da Mona Lisa original de Da Vinci." O velho Zheng disse casualmente, pensando: "Peguei, peguei."

"Ah?" Paulo exclamou surpreso. "Como é possível?"

"Se não acredita, vamos gravar esta conversa. Vou cortar um pedaço do papel e pegar um pouco da tinta para você levar e testar." O velho Zheng explicou. Os testes já haviam sido feitos duas vezes com o mesmo resultado, então ele acreditava que aquela era a Mona Lisa original, com detalhes até melhores que a do Louvre. Se fosse confirmada como obra de Da Vinci, só poderia ser que uma das duas era um esboço.

Mesmo sendo um esboço, era de Da Vinci. Esboços de gente comum não valem nada, mas de um artista famoso como Da Vinci, seriam um tesouro inestimável.

"Ah, esta pintura é estilo Picasso, esta é de Van Gogh. Meu Deus, duvido dos meus olhos. Na antiga China, testemunhei a essência da cultura ocidental. Zheng, pode me dizer de onde veio tudo isso?" Paulo perguntou sério. Apesar de serem velhos amigos, o olhar de Paulo acusava o velho Zheng de ser um ladrão.

"Hum, comprei essas coisas de um estrangeiro, com procedência legítima. Você sabe, há dez anos, durante a turbulência cultural, não podia mostrá-las. Só recentemente as tirei para ver. Diferente do seu país, que na época das Oito Nações, saqueou quase tudo de bom da China." O velho Zheng disse irritado, sem poupar Paulo. Amigos são amigos, mas quando se trata da honra nacional, não há concessões.

"Hehe!" Paulo ficou sem resposta, só conseguindo rir sem graça.

Enquanto Paulo examinava as estátuas e pinturas, o velho Zheng e Bai Ling saíram. Bai Ling perguntou baixinho: "Mestre, sinto que esse homem está determinado a ter aquela Vênus."

O velho Zheng olhou para Paulo lá dentro e disse sorrindo: "É justamente por isso que o chamei. Espero que ele espalhe a notícia para todo mundo. Assim, ficaremos famosos. Já estou quase certo de que é uma antiguidade, e há 80% de chance de ser uma obra original desses artistas."

"Então vamos ficar ricos. Cada peça vale uma fortuna. Estou pensando: se eles quiserem comprar essas coisas, o que faço?" Bai Ling queria deixar essas peças em um museu, como atração.

"Quando confirmarmos que são originais, eles vão tentar comprar. Xiaoling, você pretende vender?" O velho Zheng perguntou.

"Vamos ver na hora. Se vender, não quero dinheiro, mas sim trocar por peças dos museus deles. Afinal, trazer de volta o que foi perdido é melhor do que ficar olhando para esculturas de pedra." Bai Ling pensava por esse ângulo.

"Sim, você tem razão. E a China não tem muito interesse em arte e escultura ocidentais, assim como eles não apreciam pintura chinesa." O velho Zheng riu. "Se conseguirmos trocar essas coisas por meios legais, será uma boa ação."

"É verdade. Pesquisei e parece que existe uma regra: bibliotecas, nacionais ou estrangeiras, podem trocar acervos." Era por isso que Bai Ling queria construir o museu o mais rápido possível.

"Sim, também ouvi falar. De qualquer forma, ainda estamos na fase de confirmação. Ouvi dizer que você tem mais peças. Por que não traz todas para testar?" O velho Zheng sugeriu. "Mesmo que não divulgue, pelo menos saiba o que tem."

"Mestre, as esculturas de Michelangelo são muito valiosas?" Bai Ling lembrou que havia duas caixas grandes cheias de esculturas de Michelangelo, e em uma delas até um conjunto de ferramentas de escultura. Ela mesma se perguntava como os japoneses conseguiram colecionar obras desses artistas famosos.

"O quê? Ainda tem obras de Michelangelo? Xiaoling, você foi cavar um tesouro na Europa?" O velho Zheng perdeu a calma. O que estava acontecendo? Coisas boas aparecendo uma atrás da outra.

"Ah, comprei de um grupo de estrangeiros!" Bai Ling riu como uma raposa, claramente não querendo contar a verdade ao velho Zheng.

Vendo a expressão de Bai Ling, o velho Zheng sabia que era uma desculpa. Mas já que ela não contava, devia ter seus motivos. Ele, como velho, não exporia a aluna a perigos.

"Xiaoling, de agora em diante, diga que essas coisas são minhas. Assim, você fica segura." O velho Zheng aconselhou. "Os outros podem descobrir pistas facilmente com você. Quanto a mim, passei a vida inteira na arte e morei muito tempo no exterior. Assim, nossa justificativa fica mais plausível."

"Mestre, obrigada!" Bai Ling, emocionada, olhou para o velho que a protegia e abraçou o braço dele. "Mestre, não posso contar de onde vieram essas coisas porque assinei um acordo de confidencialidade. É segredo de Estado."

"Bobinha, o mestre sabe. Acha que sou tolo? Mesmo que não diga, posso adivinhar. Você está comigo desde pequena, conheço seus pensamentos. Não me contar, de certa forma, é para o meu bem." O velho Zheng disse rindo.

"Mestre, não vou dizer mais nada. Só que o que é meu é seu." Bai Ling bateu no peito. "Mestre, encontrei um grande jade amarelo em Hong Kong. Vou dar para o senhor."

"Que ótimo, então não vou recusar. Sabe, ser escudo também dá trabalho." O velho Zheng riu. "Desta vez, temos que agir juntos, para contribuir com nosso país, que já sofreu tanto."

"Claro, com certeza." Bai Ling disse alegremente. "E pretendo usar todo o dinheiro que ganhar para caridade. Tiro do povo, devolvo ao povo."