"Para sua idade, ter um coração tão generoso já é muito bom. Embora sua habilidade em escultura seja apenas mediana, foi exatamente por sua bondade que o mestre o aceitou como discípulo. Você é inteligente demais, mas falta perseverança; entende um pouco de tudo, mas não é especialista em nada", disse o velho Zheng com um suspiro, sentindo pena de sua discípula Bai Ling.
"Mas, mestre, a escultura ainda é uma das minhas coisas favoritas!", retrucou Bai Ling, embora soubesse que era verdade.
"Não tente se justificar, menina preguiçosa!", disse o velho Zheng, acariciando a cabeça de Bai Ling, enquanto olhava para Paulo, que ainda estava debruçado sobre a pintura, estudando-a.
"Mestre, olhe só a cara de seu amigo, babando de desejo. Acho que isso já é certeza!", disse Bai Ling, entrando junto com o velho Zheng, rindo.
"Hum, também penso o mesmo!", concordou o velho Zheng, balançando a cabeça.
Paulo, ao ver o velho Zheng entrar, seus olhos brilharam com um entusiasmo ardente e disse: "Zheng, quero levar estas pinturas emprestadas para a Itália para estudá-las. Dou minha palavra de honra que as devolverei."
O velho Zheng franziu o nariz, com uma leve mudança de expressão, e após um momento disse: "Sinto muito, Paulo, não é que não confie em você, mas essas coisas são importantes demais. Não posso atender ao seu pedido." Mesmo os melhores amigos, diante de interesses, às vezes são frágeis; se ele não devolvesse, o velho Zheng poderia ir até a Itália matá-lo?
Além disso, sendo algo tão valioso, mesmo que Paulo não ficasse com tudo, e os outros? O velho Zheng jamais concordaria.
"Ah!", suspirou Paulo, desanimado. "Então terei que trazer pessoas com frequência. Não pode reclamar, hein?"
O velho Zheng riu e disse: "Sempre bem-vindo. Conseguir o reconhecimento de mais pessoas com os mesmos ideais, e fazer essas preciosidades verem a luz do dia novamente, permitindo que mais pessoas apreciem sua beleza, não é uma grande alegria na vida? Acredito que, em breve, a Europa, e até o mundo inteiro, conhecerá seu nome, pois você será o testemunho dessas coisas."
Isso era um evento muito importante no mundo das artes, muito benéfico para aumentar o conhecimento profissional e a reputação na área, então Paulo concordou plenamente com as palavras do velho Zheng.
"Hum, obrigado, Zheng, por pensar em mim primeiro com algo tão maravilhoso!", disse Paulo, apertando a mão do velho Zheng, cheio de gratidão.
Esses estrangeiros têm uma vantagem: quando você recusa um pedido, eles ainda conseguem se dar bem com você, tratando cada coisa separadamente.
"Na verdade, compartilhar novas descobertas com bons amigos também é uma grande alegria na vida. Aqui está seu material, já embalado. Leve para fazer os testes! E este é um vídeo que gravamos especialmente das amostras coletadas da pintura, para que você não fique sem provas no exterior, caso não acreditem no que você diz", disse o velho Zheng, entregando a fita a Paulo, como se tivesse resolvido um grande problema para ele.
Paulo, agradecido, disse: "Muito obrigado, Zheng. Vou reservar o voo mais cedo possível para voltar à Itália."
"Ah, que pena! Eu queria te levar para conhecer outros lugares e me divertir um pouco!", disse o velho Zheng, fingindo seriedade, falando de propósito.
Paulo acenou com a mão e disse: "É uma pena, mas ainda assim, obrigado, Zheng. Você me fez ver obras de arte incomparáveis, isso é melhor do que tudo. Sou muito grato a você." E então, os dois se abraçaram como homens.
"Tudo bem, então vou ajudá-lo a reservar o voo!", disse o velho Zheng, chamando um assistente para reservar o voo. Verificou que havia um voo à noite e o reservou.
"Paulo, é à noite. Você chegou ontem e já vai voltar correndo hoje. Isso não faz bem à sua saúde", disse o velho Zheng, preocupado. O fuso horário ainda não estava ajustado, e ele já teria que pegar outro avião de volta.
"Meu velho amigo, minha saúde está bem, fique tranquilo. Deus ainda não quer me ver tão cedo, então vou ficar bem. Mesmo que morra, só vou ver Deus depois de entender esta estátua e estas pinturas", disse Paulo, rindo, mostrando seu ótimo humor. "Mas, velho amigo, se você me convidar para comer Pato à Pequim, vou te amar ainda mais. Sabe, desde que comi pato há cinco anos, nunca mais esqueci."
"Então vamos agora! O pato do Quanjude é bom, mas já comi. Vou te levar a um novo restaurante de culinária chinesa, o Zhuangyuan Lou, que abriu recentemente. Garanto que, depois de comer, você nunca mais esquecerá o sabor delicioso", disse o velho Zheng, rindo. Ele tinha o cartão diamante do Zhuangyuan Lou, dado por Bai Ling, que dava direito a refeições gratuitas. O velho Zheng costumava se encontrar com amigos para chá e refeições lá. Havia algumas salas privativas não abertas ao público, e uma delas era reservada especialmente para ele.
"Ha ha, um lugar tão elogiado por você deve ser bom. Mas, como sou um visitante de longe, acho melhor você comprar um pato para levar. Vou comer no avião!", disse Paulo, sem nenhum constrangimento, não só porque realmente gostava de Pato à Pequim, mas também porque tinha a cara mais grossa que a maioria.
O velho Zheng ficou surpreso, claramente subestimando a grossura da cara do velho amigo. Ele balançou a cabeça, sorriu e disse: "Vou te dar dois: um para comer no avião e outro para levar para casa e servir aos convidados. Não é melhor?"
"Velho amigo, você pensa em tudo! Da próxima vez que vier, vou trazer um pouco de salsicha feita pela minha esposa", disse Paulo, embora tivesse a cara grossa, sabia que precisava retribuir os presentes, senão da próxima vez ninguém daria nada.
"Esse velho é bem interessante!", pensou Bai Ling consigo mesma, especialmente ao ver Paulo corar raramente, mostrando que não tinha prática em "cara de pau".
O velho Zheng levou Paulo para comer, e Bai Ling foi de carro para o laboratório para ver o progresso da reforma. Em B市, Bai Ling só tinha três amigos de infância: Wu Bin, Zhao Lingyun e Zhou Tingting. Depois, antes de fazer novos, foi para Hong Kong, então até agora não tinha muitos amigos. Agora, além de ir ao shopping, ao supermercado e ficar em casa, era muito entediante. Por isso, Bai Ling ansiava que o laboratório ficasse pronto logo, para não ficar tão entediada.
Viu o progresso da reforma: faltava cerca de meio mês, o que já era muito rápido. Bai Ling ficou satisfeita. Ao sair do laboratório, lembrou que o bichinho De Dong gostava de comer balas de leite White Rabbit, então foi ao supermercado comprar algumas.
Enquanto procurava as balas, alguém parou ao lado, olhando furtivamente para Bai Ling. Isso deixou Xiao Dong e Xiao Wei, que estavam com Bai Ling, muito alertas. Xiao Dong e Xiao Wei eram os guarda-costas de Bai Ling, sem custo, enviados pelo velho Qin. Xiao Dong era mulher, Xiao Wei era homem.
"Você... você é Bai Ling?", uma voz incerta soou ao lado de Bai Ling, claramente com coragem para puxar conversa.
Bai Ling levantou a cabeça. Quem a chamava? Ah, a pessoa parecia familiar, mas não conseguia lembrar quem era. Perguntou: "Sou Bai Ling. Desculpe, você me parece familiar, mas não consigo lembrar. Você é...?" Bai Ling foi direta, sem necessidade de fingir que conhecia.
Na frente dela estava um rapaz alto, que sorriu e disse: "Sou Xiao Jianmin. Fomos colegas de classe no ensino fundamental II. Você se transferiu no nono ano!"
Bai Ling lembrou. Não é à toa que parecia familiar. Xiao Jianmin era o monitor da turma na época. Bai Ling tinha lidado com ele algumas vezes e o conhecia bem. Além de ter crescido e o rosto amadurecido, o resto parecia não ter mudado. Mas, com o tempo, Bai Ling não se lembrou de imediato.
"Ah, é você, monitor Xiao! Quem diria que te encontraria aqui!", exclamou Bai Ling, surpresa. Mas pensou bem, aquele supermercado era exclusivo para altos funcionários e ricos da região, e a escola de Bai Ling na época também ficava perto. A família de Xiao Jianmin também era rica ou influente, então devia morar por perto. Não era estranho encontrá-lo.
"Pois é, muito prazer em te ver de novo!", disse Xiao Jianmin, não mais tão tímido como antes, agora mais falante.
"Também estou feliz. Lembro que, quando você tirava notas menores que as minhas, você sempre me encarava!", disse Bai Ling, sem querer, rindo. Se na época Bai Ling era a primeira da turma, Xiao Jianmin era o eterno segundo. Na adolescência, os meninos começavam a ter consciência sexual e também entendiam o que significava ser o segundo, então a existência de Bai Ling sempre foi um grande constrangimento interno para Xiao Jianmin.
Muitos colegas homens o chamavam assim, e uma vez as meninas ouviram e caíram na gargalhada.
O rosto moreno de Xiao Jianmin ficou vermelho de vergonha. Ele coçou a nuca e disse, envergonhado: "Naquela época éramos crianças, não sabíamos o que fazíamos. Agora, pensando bem, é bem engraçado! Aliás, se você não tiver nada para fazer agora, vamos a algum lugar tomar algo e conversar direito."
Bai Ling pensou que não tinha nada para fazer e concordou, dizendo: "Tudo bem, vamos pesar e pagar!"
"Você ainda gosta de White Rabbit?", perguntou Xiao Jianmin, rindo. Lembrava que na época Bai Ling sempre trazia balas no bolso, enquanto outros traziam chocolates importados de casa. Bai Ling comia White Rabbit todos os dias e dizia que era a "bala de leite lutadora". Pensar nisso era bem engraçado.
"Hum, é para o meu irmão!", disse Bai Ling, rindo sem jeito, meio verdade. Essas balas White Rabbit, De Dong gostava, e Bai Ling as comprava para ele. Desses dois quilos de White Rabbit, provavelmente metade iria para a barriga de Bai Ling. Não só De Dong, mas também Xiao Gen, em Hong Kong, pedia White Rabbit o tempo todo, e Bai Ling enviava de vez em quando.
Depois de pesar, Bai Ling foi pagar, mas Xiao Jianmin foi mais rápido, tirando a carteira para pagar.
"Colega Xiao, eu trouxe dinheiro. Vou pagar!", disse Bai Ling, tirando a carteira da bolsa para pagar.
Mas Xiao Jianmin já tinha pago e disse: "Isso é tão pouco dinheiro. Considere como um presente para o seu irmão."
"Que vergonha!", insistiu Bai Ling em devolver o dinheiro, sem jeito de aceitar um presente logo de cara, já que não eram tão próximos.
Enquanto conversavam, a caixa de meia-idade disse: "O namorado deu, é só aceitar."
Bai Ling, um pouco sem graça, disse: "Ele é meu colega de classe, hehe!"
"Pois é, você sabe que sou seu colega. Um presentinho não é nada. Guarda logo e vamos a um café perto daqui tomar algo", disse Xiao Jianmin, já saindo do supermercado. Bai Ling não teve escolha a não ser segui-lo.
Ir a um café? Bai Ling nunca tomava café, só chá. Lá dentro, pediu um chá simples e sentou-se. Talvez por estar perto do Ano Novo, o lugar estava cheio, mas no fundo havia dois lugares. Bai Ling e Xiao Jianmin sentaram-se lá, enquanto Xiao Dong e Xiao Wei se sentaram perto, sempre atentos ao ambiente ao redor de Bai Ling.
Xiao Jianmin, vendo as duas pessoas no supermercado e agora no café, ficou curioso e perguntou: "Bai Ling, sinto que alguém está te seguindo."
Bai Ling estava bebendo chá e quase cuspiu. Esse cara não estava enxergando bem? Isso não era seguir, era proteção aberta. Mas, como não era muito íntima, só respondeu rindo: "Tive um pequeno acidente antes, então a família arranjou dois guarda-costas."
Xiao Jianmin se surpreendeu, entendendo a situação, e disse: "Então você tem que tomar cuidado. Mulheres realmente precisam se proteger."
"Pois é, para prevenir. No começo foi estranho, mas agora já me acostumei, quase nem sinto mais", disse Bai Ling, rindo. "E você, o que tem feito ultimamente?"
"Ainda estou na faculdade, na QH University. Aliás, estamos planejando uma reunião de ex-alunos do ensino médio no dia 24 do décimo segundo mês lunar, no Zhuangyuan Lou. Você vai?", perguntou Xiao Jianmin. Esse era um dos motivos para convidar Bai Ling para um café. O outro era que ele achava Bai Ling mais bonita do que antes. Embora fosse um pouco baixinha, o rosto bonito compensava essa pequena falha.
"Mas fomos colegas só no ensino fundamental II. Se fosse uma reunião do fundamental, eu iria, mas do ensino médio, não conheço ninguém. Não seria estranho?", recusou Bai Ling, balançando a cabeça. Não queria ficar parada como uma batata-doce, sem conhecer ninguém, se sentindo desconfortável.
"Ah, você esqueceu? Nossa escola vai do fundamental ao médio, sem separação de turmas", disse Xiao Jianmin, sorrindo, mostrando os dentes brancos.
"Ah, como pude esquecer disso!", disse Bai Ling, batendo na própria cabeça. "Dia 24 do décimo segundo mês lunar, certo? Tudo bem, vou. Muitos colegas devem ter mudado bastante. Você me apresenta, ok?"
"Claro, pode deixar. Eles vão se surpreender ao ver que a menina bonitinha virou uma grande beleza", disse Xiao Jianmin, observando o cabelo levemente cacheado de Bai Ling, que parecia elegante, a pele branca e macia, os traços delicados e as covinhas adoráveis, sentindo o coração aquecido.
"Quantas pessoas vocês já contataram?", perguntou Bai Ling, curiosa. Era a primeira vez que participava de uma reunião de ex-alunos.
"Ano passado já fizemos uma. Só faltou você, porque não conseguimos te encontrar. Este ano deve ser mais ou menos as mesmas pessoas. Desta vez, quem vai pagar é o Wu Qiankun. Ele entrou numa faculdade comum, mas abriu uma empresa e ganhou muito dinheiro. Foi ele quem organizou", respondeu Xiao Jianmin.
"Preciso levar alguma coisa?", perguntou Bai Ling, baixinho, com vergonha de ir só para comer de graça.
"Ah, fica à vontade. Quem estuda em outra cidade traz algo de lá; quem está no exterior traz algo de fora. Na verdade, não precisa trazer nada, só aparecer já basta", respondeu Xiao Jianmin.