Capítulo 841: Capítulo 841: Achado (10)

— "Também, sou um velho, muito solitário. Xiaoling vai ficar em B City comigo." Dessa vez, o velho senhor Lin ficou contente. Agora Xiaoling vai acompanhá-lo em B City. Se não fosse Dedong este ano para distraí-lo, a vida teria sido sem graça.

— "Sim, vovô. Também preciso treinar bem minhas habilidades com a faca, senão vou acabar sendo derrotada pelo Dedong." Bai Ling disse sorrindo. Ficar perto do velho senhor Lin era bom, para retribuir sua proteção. Quanto à mãe, ela tinha o pai Xi e o filho ao lado, formando uma família completa. Esse era o maior desejo de Bai Ling desde que renasceu.

— "Você ainda tem coragem de falar? Passa o dia inteiro preguiçando e enganando. Se não fosse isso, não teria nenhum progresso!" O velho senhor Lin reclamou, mas com mais alegria e um carinho genuíno.

Bai Ling mostrou a língua e fez caretas, dissipando a tensão do momento.

Nos dias seguintes, ela recebia ligações de Bai Lichen todos os dias. Às vezes, conversavam por mais de uma hora sobre uma planta; outras vezes, discutiam por pequenas divergências ao telefone, a ponto de quererem jogar o aparelho no chão. Em outros momentos, ficavam em silêncio, sem dizer nada, aproveitando a calma rara, sem sentir constrangimento.

Uma semana, duas semanas, um mês — Bai Ling já estava em B City há um mês, sem sair de casa, sem dar um passo para fora.

Depois de relatar o trabalho do dia, Bai Lichen perguntou: "Xiaoling, quando você volta?"

Bai Ling hesitou por um instante e respondeu com um sorriso amargo: "Nunca mais volto!"

— "Hã? Por quê? Você não foi passar férias e visitar a família? Como assim nunca mais volta?" O coração de Bai Lichen acelerou, com uma sensação de dor e apego que tomava conta dele.

— "Ainda tenho alguns assuntos. Quando resolver, te conto! Cuide bem dos experimentos no laboratório e registre tudo, por favor!" Bai Ling pediu. "É o fruto de anos de trabalho."

Vendo que Bai Ling não queria contar, Bai Lichen não insistiu. Quando ela quisesse falar, falaria. Ele sorriu e disse: "Entendi. Vou garantir que tudo fique como estava quando você saiu, organizado e sem bagunça."

— "Muito obrigada! Sinto saudades dos bolinhos de arroz da vovó Bai." Bai Ling disse com nostalgia, sem saber quando poderia voltar a Hong Kong. Talvez nunca mais, enquanto vivesse.

— "Se você gosta, depois de prontos, mando para você! Ou peço alguém para levar." Bai Lichen olhou para uma caixa de bolinhos de arroz e bolos de flor de violeta, intactos, porque a pessoa que gostava não estava ali, e a comida parecia não ter mais o mesmo sabor.

— "Não vai dar muito trabalho?" Bai Ling achava desnecessário incomodar os outros.

— "Não é trabalho nenhum. Ainda está sendo educada com o professor?" Bai Lichen usou essa desculpa, mas no fundo pensava que fazer qualquer coisa por ela nunca seria um incômodo. Só que não ousava dizer isso.

Antes, quando via Bai Ling todos os dias, Bai Lichen não sentia falta. Mas agora, depois de um mês sem vê-la, sentia um vazio no peito. Quando andava na rua e via alguém com as costas parecidas com as de Bai Ling, às vezes ficava olhando fixamente, ou até seguia a pessoa sem perceber, para ver se era ela. Só quando pegava o telefone todos os dias é que seu coração inquieto encontrava um pouco de realidade.

Dois dias depois, Lin Long veio a B City e trouxe para Bai Ling os bolinhos de arroz e os bolos de flor de violeta. Para evitar que estragassem, colocou tudo em uma lancheira cheia, para não quebrar.

— "Obrigada! Está uma delícia!" Bai Ling comeu o bolo enquanto ligava para Bai Lichen, de vez em quando enfiando uma colherada na boca de Xiaogen.

— "Não precisa agradecer. Dessa vez fui eu que fiz. O que achou?" Bai Lichen perguntou com cuidado.

— "Muito bom! Delicioso! Você é um chef nato!" Bai Ling elogiou sem hesitar enquanto comia os doces. Em B City, tinha comprado em várias lojas, mas nenhuma tinha um sabor tão bom. A ponto de, nos sonhos, sentir falta daquele gosto — doce, macio, uma sensação de felicidade.

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Bai Ling era uma pessoa que se contentava com pouco. Tinha o carinho dos amigos e o afeto da família. Se ainda tivesse um namorado, seria melhor ainda.

Finalmente, depois de dois meses, a família Xi sofreu algumas perturbações, mas Bai Ling nem saiu de casa. No entanto, segundo o velho senhor Lin, estranhos andavam rondando os arredores, mas todos foram resolvidos.

Quando o velho senhor Qin chegou, entregou o espaço do anel a Bai Ling e disse: "Xiaoling, isso é seu. Yoshikawa Yuta e Yoshikawa Masakazu já..." O velho Qin fez um gesto de corte.

— "Tem certeza?" Bai Ling duvidou. Esses dois tinham que morrer. Por causa da ganância deles, ou eles morriam, ou ela morria.

— "Absolutamente certeza. Fique tranquila. Foi feito de forma limpa, ninguém sabe que fomos nós." O velho Qin sorriu. "Estes são meus dois guardas. Dê um jeito de levá-los ao espaço do anel para ver o que roubaram do nosso país naquela época."

Bai Ling se preparou e levou os dois para o espaço. Disse: "Dois irmãos, vou abrir a porta para vocês. É melhor se protegerem agora. Se perceberem algo errado, venham imediatamente." Ao entrar no espaço, os dois ficaram surpresos por alguns segundos, mas com forte força de vontade, suprimiram a curiosidade.

— "Está bem, vamos tomar cuidado." Eles não prestaram atenção na paisagem simples e bela ao redor, mas se concentraram em lidar com o que viesse.

Bai Ling foi até o local onde o espaço do jade e o espaço do anel se conectavam. Vendo que não havia ninguém do outro lado, apertou um ponto, e uma porta apareceu na área transparente: "Podemos entrar."

Os dois guardas, lembrando das instruções de Bai Ling, abaixaram-se levemente e seguiram em frente. Bai Ling vinha atrás. O velho Qin havia ordenado que, de qualquer forma, protegessem bem aquela garota. Embora não entendessem, o velho Qin era como uma montanha divina para eles, e eles obedeciam incondicionalmente.

O pequeno coitado, vendo Bai Ling chegar, aninhou-se ao lado dela e esfregou a cabeça no rosto dela. Bai Ling não tinha tempo para conversar com ele, apenas acariciou sua cabeça e continuou andando. Chegou ao local onde Yoshikawa Masakazu havia estado, onde havia uma porta.

— "É aqui. Cuidado lá dentro, vejam se há armadilhas." Bai Ling alertou, cautelosa, para evitar qualquer ferimento.

Os dois guardas pegaram as ferramentas que trouxeram na borda da porta. Pensaram que dariam muito trabalho, mas era apenas uma fechadura comum. Bai Ling agora entendia: provavelmente só Yoshikawa Masakazu e Yoshikawa Yuta sabiam da existência do espaço do anel. Os outros não sabiam, e eles não eram bons com fechaduras, por isso era tão simples. Ou talvez achassem que ninguém além de Bai Ling conhecia o espaço, então estavam despreocupados.

Os guardas abriram a porta e entraram. Era um porão, que descia até um amplo subterrâneo, do tamanho de um campo de futebol. As coisas estavam empilhadas em várias camadas. Na frente, havia placas escritas com Malásia, Mianmar, Tailândia e muitos outros pequenos países do Sudeste Asiático.

— "Abram para ver o que tem dentro." Bai Ling apontou para a placa grande que dizia Mianmar.

Um dos guardas, alto, subiu rapidamente até o topo, arrombou a caixa e, ao tirar um punhado de coisas, respirou fundo. Bai Ling, com boa visão, viu imediatamente que eram jadeítes de altíssima qualidade. Então, aquilo eram tesouros que a família Yoshikawa havia roubado do Sudeste Asiático e da China.

— "E as outras caixas? Abram também." Bai Ling perguntou, com o coraçãozinho agitado de emoção. Embora não fossem dela, dava para matar a vontade de ver.

O guarda abriu outras caixas, e todas continham tesouros típicos de Mianmar. Não havia tempo para ver mais. Bai Ling foi até o fundo, onde estava a placa da China, ocupando mais de um terço do espaço. Como praticava artes marciais há muito tempo, subir em caixas de três metros não era problema. Abriu uma e viu que eram blocos de ouro, cada um com cerca de um quilo. Bai Ling nunca tinha visto tanto ouro na vida. Olhou outra fileira de caixas, todas cheias de antiguidades raras e muitas pinturas e caligrafias. Ela não reconhecia a maioria, mas sabia quem era Tang Yin, o Tang Bohu. E ao lado, um exemplar do "Prefácio do Pavilhão das Orquídeas", de Wang Xizhi, com certeza original, senão os japoneses não o teriam escondido no espaço por tanto tempo.

— "Não olhem mais, dois irmãos. Levem estas duas caixas para fora, para mostrarmos ao velho Qin esse tesouro." Bai Ling disse sorrindo, muito animada, apontando para uma caixa de joias e ouro e outra de pinturas.

Os dois guardas seguiram as instruções de Bai Ling e levaram as duas caixas para o espaço do jade. Bai Ling, com a mente, fez os três saírem do espaço.

O velho Qin, o velho Lin e Bai Han estavam sentados em uma cadeira de balanço na sala, esperando Bai Ling e os guardas saírem. Ao lado, havia duas caixas grandes, ocupando um bom espaço no cômodo.

Os dois velhos senhores se aproximaram, andaram ao redor das caixas e disseram: "Abram para ver o que tem dentro."

— "Vovô, vovô Qin, são joias e pinturas. Ainda deve haver centenas de caixas lá dentro, e muitos lingotes de ouro, cada um de um quilo." Bai Ling explicou enquanto gesticulava.

Os dois guardas abriram as caixas. O velho Qin quase desmaiou de surpresa, ofegando repetidamente. Ajoelhou-se diante das caixas, exclamando sem parar. Bai Han, não se sabe de onde, trouxe dois pares de luvas e entregou ao velho Qin e ao velho Lin.

O velho Qin as vestiu rapidamente, pegou o "Prefácio do Pavilhão das Orquídeas" nas mãos e o examinou minuciosamente, olhando de um lado para o outro, exclamando: "É o original!" Lágrimas escorriam de seus olhos envelhecidos, sem parar. Talvez fosse pela dor de ver tantos tesouros roubados pelos bandidos naquela época, ou pela alegria de tê-los recuperado.

O velho Lin não se importava. Para ele, aquelas pinturas e caligrafias velhas não valiam nada comparadas às joias e ao ouro. Com as luvas, remexeu na outra caixa. O velho Lin, desde pequeno, recebeu educação tradicional chinesa. Quando cresceu, estudou no exterior e absorveu a cultura contemporânea. Mas, quando participou da revolução, era apenas um pastor de gado na casa de um proprietário rural. No exército, aprendeu a ler e escrever, mas não tinha nada a ver com cultura erudita. A diferença de formação cultural determinava valores diferentes entre os dois.

— "Vovô Qin, que tal arrumar um lugar para tirarmos tudo de lá?" Bai Ling perguntou, vendo que o velho Qin não falava nada. Era melhor tirar aquilo dali para ela ficar tranquila, senão não dormiria direito.

O velho Qin pegou o lenço que Bai Han lhe estendeu, enxugou as lágrimas e disse: "Não tirem ainda. Se essas coisas forem tesouros nacionais, vamos guardá-las e colocá-las em museus para as pessoas admirarem. Se não forem, montamos um leilão e vendemos para colecionadores de antiguidades do país. O dinheiro arrecadado será todo usado em projetos de bem-estar social."

— "E o ouro? O que fazemos?" Bai Ling perguntou.

— "As reservas de ouro do país sempre foram insuficientes. Todo o ouro será usado como reserva. Xiaoling, o que acha?" O velho Qin perguntou.

Bai Ling abriu as mãos e disse: "Vovô Qin, faça como achar melhor." Quanto ao ouro, podia-se dizer que foi extraído, mas as antiguidades raras, o velho Qin não sabia como lidar. Por enquanto, só pensou nessa solução.

— "Vou mandar Qin Zheng abrir um leilão o mais rápido possível. Assim, você só precisa entregar as coisas a ele aos poucos, e ele as venderá. O leilão terá vocês dois como sócios. Depois de deduzir as despesas, tudo será usado para o povo. Esse dinheiro, afinal, veio do povo." O velho Qin pensou nisso para disfarçar a origem das coisas, proteger Bai Ling e também para ajudar mais pessoas com esses bens.

Bai Ling assentiu: "Ainda digo o mesmo: faça como achar melhor. Eu sigo."

— "Espere por notícias minhas em casa. Quando encontrar um lugar seguro, mandarei alguém levá-la para tirar todo o ouro de lá." O velho Qin acariciou o "Prefácio do Pavilhão das Orquídeas", embora gostasse, ainda o colocou de volta. Aquilo era um tesouro nacional, orgulho do povo chinês, não pertencia a nenhum indivíduo.

— "Entendi, vovô Qin!" Bai Ling assentiu e viu o velho Qin sair.

Depois que todos foram embora, Bai Han se debruçou sobre as caixas, olhando. Aquilo tudo era tesouro. Mesmo tendo muitas joias, ao ver aquela caixa, sentiu que suas peças, embora bonitas, não tinham o peso histórico.

— "Dá vontade de pegar algumas!" Bai Han disse, com inveja ao lado.

— "Mãe, se você gosta, pegue algumas. Depois coloco pérolas negras no lago para compensar." Bai Ling, vendo que a mãe gostava muito de um grampo que segurava, disse sorrindo. Não queria tirar vantagem do país, então trocaria.

— "Isso não é legal!" Bai Han relutou, mas lembrou que o velho Qin gostava daquele livro de caligrafia e não o pegou. Se ela pegasse, não seria certo.

— "O que tem de errado? Lembre-se de que sua filha também é uma grande contribuidora. Pegar um ou dois está de bom tamanho. Afinal, ainda vou ter que cuidar dessas coisas no futuro. Considere como uma taxa de serviço." Bai Ling a convenceu. A mãe era honesta demais, com medo de tirar vantagem dos outros.

Bai Han segurou o grampo e assentiu: "Então vou ficar com ele. Não se esqueça de colocar as pérolas."

— "Pode deixar, não vou esquecer!" Bai Ling disse sorrindo, fechou a caixa e a guardou. Uma caixa valia muito dinheiro. Só uma pulseira de jadeíta valia milhões, e havia muitas outras coisas. Uma caixa grande, valendo bilhões, era um cálculo modesto. Se Bai Ling ficasse com todos os bens do espaço do anel, se tornaria a pessoa mais rica do mundo, superando até países inteiros.