— Vocês são três pestinhas, não fiquem bravos. Quanto mais velha a pessoa, menos controla a boca! — Bai Han olhou para o velho Lin, enquanto se desculpava com os três mais novos. — Vamos, comam, comam!
— Hehe! — O velho Lin tomou um gole de vinho, lançando olhares sutis para os três ao lado, rindo como uma raposa velha.
Os três, sendo mais novos e com pouco mais de vinte anos, sentiam-se desconfortáveis com os olhos do velho Lin, que varriam como radar. Comeram depressa, engoliram tudo e, depois de saciados, saíram sem cerimônia.
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— Pronto, vamos comer uma delícia! — Bai Ling segurou Xiaogen e o colocou na mesa, sentando-o numa cadeira ao lado.
Bai Ling pegou o tônico que sua mãe, Bai Han, havia trazido, pegou uma colher pequena e a levou à boca para testar a temperatura. Mas Xiaogen, vendo a irmã colocar a colher na própria boca em vez da dele, começou a gritar impacientemente, esticando as mãos para agarrar o braço de Bai Han, tentando desviar a colher de Bai Ling para sua própria boca.
— Ah... ah! — Xiaogen gritou, aflito.
Sentindo que não estava muito quente, no ponto certo, Bai Ling levou a colher à boca de Xiaogen e disse: — Só estava testando se está quente, você já se desesperou assim, não é como se eu fosse comer junto com você!
Ao ver a colher da irmã Bai Ling perto de sua boca, Xiaogen sorriu feliz, esticou a cabeça, mordeu a colher e engoliu com prazer o que a irmã lhe oferecia.
— Está gostoso, Xiaogen? — Bai Ling imitou uma voz infantil.
— Bom, bom... — Sob a ameaça e a tentação da comida, sua habilidade linguística explodiu de repente, e ele disse várias palavras, embora fossem uma de cada vez.
Bai Han, vendo a interação harmoniosa entre filha e filho, especialmente ao perceber que o filho falava tantas palavras, mas não chamava por "mãe", achou que precisava intervir. Avançou e tomou a tigela das mãos da filha Bai Ling para alimentar Xiaogen.
Na pressa, acabou batendo na boca de Xiaogen, que começou a chorar alto, gritando sem parar: — Irmã, irmã... — Isso irritou Bai Han a ponto de quase jogar a tigela fora.
— Mãe, deixa que eu alimento ele. Prometo que hoje mesmo ensino ele a chamar papai e mamãe, está bem? — Bai Ling disse, rindo, enquanto pegava a tigela das mãos da mãe.
— Hum! — Bai Han bufou e voltou para o quarto, antes de sair, lançou um olhar rancoroso para Xiside. Xiside, vendo a esposa irritada, apressou-se em segui-la, mas antes de ir, olhou para Xiaogen com decepção, como se pensasse em ir para o quarto e ter outro filho mais carinhoso com a esposa.
Xiaogen não percebeu que tinha partido o coração dos pais e continuava comendo e bebendo como um porquinho.
— Chama mamãe, ma... — Bai Ling segurava a tigela com uma mão e a colher com a outra, tentando convencê-lo.
Xiaogen, esperto como era, abriu a boca e gritou: — Irmã, irmã... — Afinal, a comida estava nas mãos da irmã, então era melhor puxar o saco dela.
O velho Lin entrou, claramente vindo do exercício matinal, pronto para o café da manhã.
— Xiaogen, chama vovô? Vovô te ensina kung fu! — O velho Lin pegou o mingau que a empregada trouxe e começou a comer de boca cheia.
Xiaogen, vendo que a tigela da irmã estava quase vazia, virou-se para o avô e disse: — Vovô, vovô... come...
— Ai, que gracinha, o pequeno está ensinando o vovô! E ainda tão filial, vovô tem aqui, come você mesmo... — O velho Lin parou de comer, pegou Xiaogen e o jogou para o alto, fazendo-o rir sem parar.
— Vovô, ele acabou de comer, não vai balançar o mingau para fora — Bai Ling apressou-se em intervir.
— Meu neto é forte, come de tudo! — O velho Lin se gabou, mas ainda assim seguiu o conselho de Bai Ling e segurou Xiaogen.
— Come... come... — Xiaogen tentou pegar a tigela na frente do velho Lin.
— Tá bom, vovô te alimenta! — O velho Lin percebeu que o pequeno queria comer do seu prato. Com um espírito brincalhão, pegou a colher pequena de Bai Ling e começou a alimentar Xiaogen desajeitadamente. — Onde estão sua mãe e seu pai Xi?
Bai Ling apontou para o andar de cima e disse: — Ficaram bravos com Xiaogen. Ele sabe chamar irmã e vovô, mas não chama papai e mamãe. Por isso, subiram furiosos.
— Ha ha, então é por isso! Não é à toa que estão bravos! — O velho Lin beliscou o rosto de Xiaogen.
Depois de comer, Bai Ling levou Xiaogen para brincar no quintal. Colocou Xiaogen no andador, andou na frente, e Xiaogen a seguia, sorrindo de orelha a orelha, como um menino feliz num quadro de Ano Novo. "Irmã, irmã", ele chamava, perseguindo Bai Ling, e as risadas alegres dos dois ecoavam por todo o quintal.
O velho Lin e o velho Zhao jogavam xadrez, olhando de vez em quando para o lado, satisfeitos.
— Han, olha como os dois, irmão e irmã, se dão bem! — Xiside abraçou Bai Han, parado na janela do segundo andar, emocionado.
— É verdade, num piscar de olhos, Xiaogen começou a falar! O tempo passa tão rápido, queria que esses momentos felizes durassem mais, não tão depressa, para que eu possa aproveitá-los — Bai Han disse, emocionada, com os olhos fixos nos dois pequenos brincando.
— Não é à toa que Xiaogen chama primeiro pela irmã. Bai Ling mima Xiaogen, mas não o estraga, diferente de nós, que fazemos tudo o que ele quer e às vezes perdemos a paciência — Xiside, vendo a alegria de Bai Ling e do filho Xiaogen no quintal, sabia que a atitude do menino não era acidental. Embora sentisse um pouco de ciúmes, entendia.
Bai Ling viu que Xiaogen corria feliz no andador, com força nas pernas e passos firmes. Será que, sem o andador, o pequeno conseguiria andar? Pensando nisso, ela tirou Xiaogen do andador e o colocou no chão. Xiaogen, ao sentir que a irmã o pegava, esperneou para se jogar nos braços dela.
— Fica em pé, fica em pé! Xiaogen é o melhor! — Bai Ling fez Xiaogen ficar de pé e tentou soltar suavemente as mãos que o seguravam.
Xiaogen, sentindo que ninguém o segurava, ficou instintivamente com medo. Olhou para a irmã com esperança, franziu os lábios e ficou parado, como um animal abandonado, tremendo no lugar, levemente curvado, sem ousar dar um passo.
Bai Ling foi recuando, a cerca de dois passos de distância, e disse baixinho: — Xiaogen, não tenha medo, vem para o lado da irmã, vem... — A voz doce de Bai Ling o incentivava a andar.
— Irmã, irmã... — Xiaogen pensava: por que a irmã não o pegava no colo como sempre, ou o segurava? Embora estivesse perto, não conseguia alcançá-la. Será que, se andasse um pouco, conseguiria agarrar a irmã?
— Vem, Xiaogen, vem para o lado da irmã! — Bai Ling viu que, embora Xiaogen estivesse tenso e com medo, seu corpo não balançava, ficava firme. Achou que ele já conseguia andar, só que, por ser sempre segurado e mimado, tinha poucas oportunidades de praticar.
Finalmente, o desejo de se jogar nos braços da irmã venceu o medo interior. Xiaogen deu o primeiro passo, o primeiro passo de sua vida.
— Xiaogen é bonzinho, vem para o lado da irmã! — Cada vez que Xiaogen dava um passo à frente, Bai Ling recuava um, e ele não conseguia se aproximar.
— Han, olha, Xiaogen está andando! — Xiside apontou emocionado para Xiaogen, que perseguia Bai Ling no quintal.
Bai Han, seguindo a direção do dedo de Xiside, ficou ainda mais emocionada e gritou: — Câmera, câmera, vamos tirar fotos do primeiro passo de Xiaogen!
Xiside pegou a câmera da mala, e os dois desceram correndo. Ao se aproximarem de Xiaogen, diminuíram os passos e tiraram muitas fotos de vários ângulos.
Xiaogen, sentindo alguém se aproximar, virou-se e viu os pais. Deu-lhes um grande sorriso e virou-se de novo para continuar perseguindo a irmã Bai Ling. Mas o movimento de virar foi um pouco brusco, e ele perdeu o equilíbrio, cambaleou e caiu sentado no chão. Felizmente, como era inverno e estava agasalhado, a queda não doeu, e Xiaogen agiu como se nada tivesse acontecido. Mas, depois de cair, lembrou-se de seu truque antigo: virar-se e engatinhar. Em um ou dois segundos, agarrou a perna da calça de Bai Ling, levantou a cabeça, babando, e sorriu, chamando: — Irmã, irmã... pega!
A expressão adorável de Xiaogen foi capturada por Xiside, que registrou seus gestos fofos e sorriso doce.
— Xiaogen, vem para o lado da mamãe! — Bai Han agachou perto de Bai Ling, estendendo a mão, esperando que Xiaogen fosse até ela.
Desta vez, Xiaogen, vendo o sorriso lindo da mãe e que a irmã Bai Ling não o pegava, virou-se para Bai Han. Cambaleante, ainda instável, chamou: — Mamãe, mamãe... — Esses dois "mamãe" fizeram Bai Han esquecer de recuar. Xiaogen se jogou nos braços da mãe, com um sorriso de vitória no rosto. O pequeno, babando, deu um beijo carinhoso no rosto de Bai Han.
Bai Han segurou Xiaogen, emocionada, com lágrimas jorrando. Xiaogen ficou confuso: por que ela chorava e ria ao mesmo tempo?
— Vamos, vamos, chama papai, chama papai! — Xiside, vendo que Xiaogen já tinha chamado "mamãe", sentiu sua posição ameaçada, rebaixada. Ainda não tinha chamado "papai", e ele ficou impaciente, coçando a cabeça e as orelhas, ansioso.
Xiaogen, deitado no ombro da mãe, sorriu sem cerimônia, mas não chamou. Xiside sentiu um aperto no coração: o filho não gostava dele. Isso o deixou amargo. Para que trabalhar tanto para ganhar dinheiro? Sentiu ciúmes de Bai Han e Bai Ling.
— Xiaogen, escuta: papai, papai, papai! — Bai Ling, de frente para o rosto de Xiaogen, tirou um pirulito do bolso e o incentivou a imitá-la, chamando "papai!"
O coração de Xiaogen já estava no papel bonito do pirulito. Ele esticou as mãos para pegar o doce da irmã, sem prestar atenção em chamar "papai".
— Xiaoling, deixa pra lá. Já cansei de mimar esse pestinha! — Xiside disse, desolado, com um olhar tão triste que dava pena.
— Papai — Bai Ling não desistiu, continuou insistindo. Sabia que a melhor arma contra Xiaogen era a comida. Se tivesse comida na mão, Xiaogen acabaria cedendo.
Se não desse a ele, ele pediria sem parar. Bai Ling tinha mais paciência do que ele: se você não chamasse, não ganhava a comida. Xiaogen, irritado, franziu os lábios, prestes a chorar.
— Não chora! — Bai Ling o encarou. — Papai, papai...
Xiaogen segurou as lágrimas que já estavam nos olhos. Olhou para o pirulito, depois para a irmã, para a mãe, para o pai, abriu a boca e disse: — Pa... pai...
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Xiside, ouvindo o filho chamar "papai", arrancou Xiaogen dos braços de Bai Han e o beijou no rosto repetidamente. Mas, embora tivesse feito a barba de manhã, os beijos fortes no rosto de Xiaogen acabaram machucando-o.
— Uau! — Xiaogen chorou, picado pela barba. Escondeu-se no colo da mãe, ressentido.
Vendo o rosto vermelho de Xiaogen, Bai Han reclamou: — Eu conheço sua barba, ela machuca!
Xiside ria bobo ao lado. O filho tinha chamado "papai". Ele soltou: — Só queria beijar vocês, não foi de propósito.
Bai Ling revirou os olhos ao lado, fingindo não ouvir, mas sua expressão constrangida mostrava claramente que tinha ouvido tudo. O pai Xi e a mãe estavam começando a expor a intimidade do casal. Bai Han beliscou Xiside escondido, culpando-o por fazê-la dizer coisas inadequadas na frente da filha.
— Vamos, vamos comer o pirulito! — Xiside tomou o pirulito das mãos de Bai Ling, fazendo Xiaogen babar de ansiedade.
Xiaogen, vendo Xiside colocar o pirulito em sua boca, parou de chorar. Entre soluços, chupava o pirulito. Sua boca era pequena, e ele babava muito. O pequeno chorão era muito adorável.
Naquele dia, porque Xiaogen aprendeu a chamar os familiares e a andar, trouxe muita alegria para a família.
Mas, à noite, algo ruim aconteceu.
Todo mês, Bai Ling mandava alguém levar coisas ao templo Yide, na montanha Yide, para o pequeno monge Dedong. No final do décimo segundo mês lunar, não era diferente, e os presentes eram ainda mais generosos. Mas, desta vez, depois de entregar as coisas, não encontraram Dedong. O velho monge do templo Yide foi decapitado, morto no pátio. O monge mais velho, Dexia, e o pequeno monge, Dedong, haviam desaparecido.
Desta vez, também queriam pegar de volta a espada grande que estava diante do Buda, mas o guarda, depois de procurar em todos os cômodos, não a encontrou. Voltou correndo para relatar.
— Vovô, o que você acha que aconteceu? Será que foi um inimigo do velho monge? — Bai Ling especulou, sem entender por que o velho monge havia sido decapitado, separado do corpo.
— Eu só vi o velho monge duas vezes, não sei se ele tinha inimigos. Felizmente, já denunciamos, a polícia local já foi. Espero que descubram logo o que aconteceu — disse o velho Lin. — A espada grande também sumiu. Não sei se os espíritos vingativos dentro dela desapareceram. E agora, em que mãos caiu?