Baili Chen insistiu tanto que Bai Ling não pôde recusar, mas ao ver o cabelo e a barba tão compridos, sentiu um certo desconforto. Já que ele gosta tanto de cabelo e barba, será que ele toparia cortá-los e limpá-los?
— Meu laboratório é meio escuro, e essa sua aparência é um pouco assustadora! — disse Bai Ling, fingindo medo.
Assim que Bai Ling terminou de falar, Baili Chen se levantou e disse: — Tudo bem, vou me arrumar agora. Amanhã, depois da aula, vamos juntos ao seu laboratório. — Dito isso, saiu correndo como um vento.
Olhando para o estranho Baili Chen, que parecia o vento, Bai Ling perguntou: — Irmão Xianxi, esse seu primo sempre foi assim? Tem algum problema? — Bai Ling apontou para a cabeça, enquanto os outros esperavam a resposta de Fu Xianxi.
— Ele não tem problema, só gosta de plantas e flores. O quarto dele está cheio de coisas feitas de vegetais. Se você visse a coleção de espécimes de plantas do meu primo, ficaria surpresa: são tantas que muitas eu nunca vi. Mas como vocês dois estudam plantas, devem ter assunto. Fique tranquila, Bai Ling, meu primo é uma pessoa muito honesta e não vai roubar seus segredos. Ele só é obcecado por pesquisa botânica. — Respondeu Fu Xianxi, deixando todos mais aliviados.
— Tudo bem, então amanhã vou levá-lo ao laboratório para dar uma olhada. Afinal, não vou perder nada. — Bai Ling deu de ombros, com um ar indiferente.
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No dia seguinte, durante a aula, Bai Ling já tinha chegado na hora certa e se sentado na primeira fila. Quando a aula começou, entrou um homem limpo e arrumado, segurando um material didático. Bai Ling estranhou: — O professor Baili, que começou a trabalhar ontem, já pediu para alguém substituí-lo? Será que foi se divertir depois de ontem? Afinal, ele voltou de uma floresta virgem, deve ter desejos primitivos, não?
— Ontem deixamos uma pergunta em aberto. Alguém foi pesquisar nos livros relacionados? — O homem no púlpito falava sem parar, enquanto os alunos abaixo arregalavam os olhos, olhando para ele. A diferença para o "selvagem" de ontem era enorme.
Ontem, quando viram Baili Chen sair correndo, dizendo que ia se arrumar, ninguém imaginava que ele voltaria como se tivesse sido refeito, uma pessoa completamente diferente.
Olhando para a camisa branca, com o peitoral levemente visível, que transmitia uma sensação de força; o corpo alto e robusto, as pernas retas, vestindo calças pretas de alfaiataria, o cabelo curto e rente, tudo isso deixava o visual muito limpo e elegante. Os olhos amendoados, no ponto certo, quando sorria, viravam apenas uma fenda. Não só a aparência mudou drasticamente, mas também o temperamento. A única coisa que destoava era a pele onde antes havia barba, mais clara, enquanto o resto era moreno, parecendo manchas de psoríase, o que os alunos abaixo lamentavam.
Enfim, Bai Ling só prestou atenção na segunda metade da aula; a primeira metade passou estudando Baili Chen. Esse homem, meio maluco, com emoções tão voláteis, era imprevisível.
Tanto meninos quanto meninas discutiam sobre Baili Chen: os meninos com admiração, as meninas com paixão.
À tarde, depois da aula, assim que Bai Ling saiu da sala, foi chamada por Baili Chen: — Bai Ling, vamos! — O sorriso no rosto de Baili Chen parecia capaz de derreter tudo. Será que quem sorri pouco, quando sorri, é de uma beleza impressionante?
Bai Ling hesitou por um instante, até perceber muitos olhares hostis ao redor, como se quisessem furar suas costas. Realmente, todo mundo é da turma da aparência: feio, e todos comentam e zombam; bonito, e atrai ainda mais olhares.
— Hum! — Bai Ling assentiu e andou rápido para frente.
Baili Chen foi até o estacionamento, pegou seu carro velho e perguntou: — Quer ir no meu carro?
Bai Ling olhou para o carro que Xia Fan estava trazendo de longe e balançou a cabeça: — Obrigada, tem alguém vindo me buscar. — Mas, lembrando que antes todos especulavam por que o carro de Baili Chen era tão enganoso por fora, Bai Ling decidiu sentir como era andar nele. — Estou curiosa sobre seu carro. Quero andar nele agora.
Depois de avisar Xia Fan, Bai Ling entrou no carro de Baili Chen. Lá dentro, percebeu que todos seriam enganados pela aparência externa: os bancos eram todos de couro legítimo, tudo era novo e muito avançado.
— Professor Baili, este carro foi modificado? — perguntou Bai Ling, curiosa.
— Acertou em cheio. Eu mesmo o modifiquei. Não está bom? — disse Baili Chen, um pouco orgulhoso. Na vida, ele tinha dois hobbies: o primeiro era estudar plantas, o segundo era modificar carros.
Não sei por quê, Bai Ling sentiu vontade de pular do carro. Será que ele era seguro? Modificar um carro assim, sem medo de explodir?
Talvez Bai Ling tenha demonstrado demais, ou antes já tivessem duvidado da segurança do carro, Baili Chen riu abertamente: — Fique tranquila, é muito seguro. O carro já passou por inspeção, sem problemas.
— Ah, que bom, que bom! Mas por que você deixa o carro parecendo que saiu de um ferro-velho? — Um pouco mais aliviada, Bai Ling quis perguntar a coisa que mais a intrigava.
— Porque sou bonito e aparentemente tenho algum dinheiro. Para evitar problemas, não quero que mulheres chamativas venham me perturbar. Então fiz o carro assim, e nenhuma mulher gosta de andar nele. — Disse Baili Chen, rindo.
— Por que você não gosta de mulheres? Na verdade, muitas mulheres não são como você pensa. — Bai Ling discordou de Baili Chen. Como mulher, não podia tolerar que ele difamasse o sexo feminino assim.
Baili Chen respondeu, indiferente: — Mulheres são um saco, muito mimadas, choram por qualquer coisa. No começo, dizem que respeitam meu trabalho, mas depois de um tempo, começam a mandar em tudo, um inferno. Reclamam do meu trabalho. Já entendi: mulheres são volúveis. Diferente dos homens, que cumprem o que dizem e não enchem o saco. Assim é melhor.
Bai Ling começou a entender. Ele tinha feito tudo isso só para evitar mulheres e preferia a companhia de homens. Bai Ling pensou que o professor devia ser alguém que, apesar de não ser do conhecimento de todos, ela só compartilharia com alguns amigos próximos.
— Ah, então é isso! — Agora Bai Ling não se preocupava mais em ficar sozinha com Baili Chen. Pelo menos era seguro. Baili Chen era muito erudito, sabia mais do que Bai Ling, que aprendia sozinha, e falava sobre várias plantas com naturalidade. Sem preocupações, Bai Ling e o animado Baili Chen foram conversando animadamente até o laboratório.
Bai Ling desceu do carro e disse: — Bem-vindo, professor Baili, para uma visita. — Nos olhos de Baili Chen, Bai Ling era uma jovem, oito anos mais nova. Ele fechou a porta do carro, deu um tapinha na cabeça de Bai Ling e disse: — Ontem você me tratava como se eu fosse um ladrão, e hoje já fala tão bem. Quem sabe o que se passa nessa cabecinha?
— Não bata na cabeça, senão fico menos inteligente e perco a bolsa de estudos. — Bai Ling se esquivou e andou rápido na frente, indo juntos para o laboratório.
Essa cena foi vista por Joel, que esperava Bai Ling no quarto. Ele puxou a cortina com força, quase a rasgando. Quem era aquele homem? Quando ele ficou tão próximo de Bai Ling? Bai Ling, ao chegar no laboratório, não foi primeiro para o quarto como de costume, mas foi com Baili Chen direto para o laboratório.
Vendo o porte de Baili Chen, Bai Ling pegou o jaleco esterilizado maior para ele vestir, calçou os chinelos e, ao entrar no laboratório, Baili Chen foi imediatamente atraído pelas plantas como a grama de cem sabores, a grama mutante, a fruta do vinho e muitas outras que não existiam lá fora. Ele arregalou os olhos, observando tudo.
— Bai Ling, muitas dessas coisas eu nunca vi. O que são? — Depois de examinar as plantas, Baili Chen confirmou que não as conhecia, e seus olhos quase grudaram nelas. Isso deixou Bai Ling preocupada: será que o professor Baili vai tentar roubar essas plantas? Bai Ling não respondeu, apenas sorriu ao lado. Baili Chen estudou com o olhar por um bom tempo, até finalmente baixar a cabeça e perguntar, cauteloso: — Bai Ling, posso combinar uma coisa com você?
Já sabia o que ele queria: algumas coisas. Mas Bai Ling já tinha decidido: não ia aceitar. Cada item ali era muito valioso, então ela não daria a ninguém, muito menos a um doutor botânico quase obcecado.
— O que é? Espero que não seja algo impossível! — Bai Ling disse com um sorriso forçado, olhando nos olhos de Baili Chen. Ele ficou vermelho de vergonha, arrependendo-se de ter raspado a barba, deixando Bai Ling ver seu constrangimento. Mas as plantas ali, vivas e frescas, estavam na sua frente, e ele se encorajou: — Posso entrar no seu laboratório? O prazo você define, e não preciso de salário.
Bai Ling não sabia como responder. Esse cara estava exagerando, como se ela fosse uma exploradora, sugando tudo dos funcionários.
— Para ser sincera, essas plantas vêm de livros da minha família. Encontrei-as em lugares muito remotos. Espero cultivá-las em grande escala para fazer produtos de qualidade. Preciso de sigilo. Você viu, tenho muitas paredes lá fora para protegê-las. Embora você seja primo do Xianxi e meu professor, preciso dizer: se você vazar essas informações, todo o esforço e dinheiro que investi serão perdidos. — Disse Bai Ling, calmamente.
Embora Baili Chen fosse um obcecado por plantas, ele conhecia o básico do comportamento humano. Se fosse Bai Ling, talvez fizesse o mesmo. — Bai Ling, o que preciso fazer para trabalhar aqui? Diga, e eu aceito qualquer coisa. — Disse ele, firme, como se dissesse: vou ficar aqui de qualquer jeito, pode impor qualquer condição.
Bai Ling pensou: não estava procurando gente? Se conseguisse alguém talentoso como Baili Chen, seria um ganho. Além disso, havia duas relações envolvidas e um contrato. Baili Chen não deveria fazer nada exagerado. Com isso, ela disse, em tom calmo: — Professor Baili, foi você quem disse. Vamos assinar um contrato com cláusulas de sigilo. Espero que cumpra.
— Claro, contanto que você aceite! — Disse Baili Chen, sorrindo. — Mal posso esperar para começar a trabalhar aqui.
— E o salário? — Bai Ling não queria ser exploradora. Se Baili Chen fizesse um bom trabalho, ela não seria mesquinha.
Baili Chen acenou com a mão: — Meu salário como professor já é suficiente. Não preciso de pagamento. Só me deixe ficar!
— Não sou um avarento. Alguém vai negociar seu salário com você. — Disse Bai Ling, rindo. Ela era uma chefe tão boa que insistia em pagar o funcionário. Que situação!
Vendo que Bai Ling concordou, Baili Chen não se importou com o resto. Contanto que pudesse ficar, estava bom. Ele sorriu e perguntou: — Posso começar a trabalhar agora?
— Espere até que todos os trâmites de admissão estejam prontos. Mas você parece ter muitas aulas na escola. Terá tempo suficiente? — Perguntou Bai Ling.
— Além das aulas na escola, tenho todo o resto do tempo livre. — Disse Baili Chen, com convicção, preocupado que Bai Ling achasse que ele era só meio período, pensando até em pedir demissão.
— Está bem. Sua principal tarefa é descobrir como plantar essas coisas em larga escala. Quanto ao horário, você pode se ajustar. — Bai Ling assentiu. — Já estamos aqui há um tempo. Quer sair agora?
Baili Chen conhecia algumas regras comerciais. Antes de ser um funcionário de fato, não era bom ficar muito tempo no laboratório dos outros. Bai Ling o convidou para tomar um chá em seu quarto. Ao abrir a porta, viu Joel também. Ela sorriu e disse: — Joel, você está aqui? Não está ocupado hoje?
— Não estou ocupado. — Disse Joel, calmamente, mas por dentro não estava nada calmo.
— Joel, este é meu professor da universidade, Sr. Baili. Professor Baili, este é meu namorado, Joel. — Apresentou Bai Ling, naturalmente, sem nenhum sinal de estranheza.
Nos olhos puros de Bai Ling, Joel não viu nenhum traço de nervosismo. Será que Bai Ling realmente não tinha nada, ou escondia muito bem? Joel não conseguia entender.
— Olá, Sr. Joel, prazer em conhecê-lo! — Baili Chen estendeu a mão para cumprimentar Joel, que respondeu com frieza.
— Professor Baili, tome um chá! — Bai Ling já tinha pegado chá de crisântemo e servido para Baili Chen. — Está gostoso? — perguntou, sorrindo. — Minha mãe fez especialmente. Tenho uma pergunta, se não for inconveniente, pode responder.
Baili Chen tomou um gole do chá de crisântemo, saboreando o frescor, e perguntou, curioso: — Que pergunta? Pode falar, direi tudo o que sei.
— Antes, tanto na aula quanto em outras situações, você parecia muito frio, muito diferente do que é agora. Por quê? Não diga que é porque ficamos mais próximos, não acredito nisso. Nos conhecemos há apenas dois dias. — Disse Bai Ling, com um sorriso.