A moça não o convidou para entrar, e ele naturalmente não se sentia à vontade para fazê-lo, já que era meia-noite e era preciso evitar suspeitas.
Qíqí rapidamente pegou a chave reserva e abriu o escritório, mas descobriu que o cômodo estava vazio — Róng Yí não estava em casa!
Seu coração deu um pulo, e um pequeno medo começou a afundar.
Róng Yí, será que aquele monstro enorme era realmente você? Mas você estava tão gravemente ferido, por que não voltou para casa?
Nesse momento, mais algumas batidas soaram lá fora, e a voz educada e contida de Lù Wéi chegou novamente: "Qíqí, está tudo bem?"
Qíqí fechou a porta do cômodo às pressas, foi até o pátio e acenou para o irmão mais velho: "Irmão, vá descansar logo! Meu primo já foi dormir e não pode vir se despedir de você!"
Lù Wéi ficou um pouco surpreso: "Ele não pode sair um momento?"
Qíqí balançou a cabeça com dificuldade: "Meu primo tem um gênio difícil, você sabe disso."
Lù Wéi a olhou profundamente e assentiu: "Está bem. Qíqí, descanse cedo, e se acontecer algo, me ligue sem falta!"
Qíqí também assentiu rapidamente, fazendo uma cara de "estou com muito sono e quero dormir", mas na verdade já estava prestes a chorar.
Lù Wéi ainda deu mais algumas instruções antes de ir embora.
Qíqí correu de volta ao pátio e fechou o portão.
Já era quase uma hora da manhã — era a primeira vez que Róng Yí não voltava para casa à noite.
Qíqí sentou-se no banco de pedra debaixo da velha árvore de sophora e esperou, esperou, até o leste clarear, mas Róng Yí ainda não havia voltado.
O dia amanheceu, e Qíqí, exausta, apoiou a cabeça na mesa.
Ela não ousava sair para procurá-lo, com medo de que, se deixasse a casa, Róng Yí voltasse; além disso, ele não tinha celular e raramente saía sozinho antes, então ela não fazia ideia de para onde ele poderia ter ido.
Assim, só lhe restava ficar no pátio, esperando como quem espera o coelho bater no toco.
Uma hora, pensava nos ferimentos do monstro, o coração em chamas; outra hora, tirava uma foto para olhar, cheia de dúvidas.
Era a foto que o agressor de preto havia deixado, e Qíqí a escondera discretamente no jardim, no meio da confusão. Zhōu Yì não a deixava chamar a polícia, claramente querendo proteger Zhōu Zhībì; e embora o irmão Lù tivesse prometido dar uma explicação, Qíqí não era tão ingênua a ponto de confiar totalmente neles. Como sua própria vida estava em jogo, ela naturalmente queria investigar pessoalmente para ter o controle.
Por isso, escondeu aquela foto.
O que a surpreendeu foi que a pessoa na foto não era ela, mas outra mulher jovem. A mulher parecia alguns anos mais velha que ela, com traços delicados, um temperamento calmo, olhos astutos e uma longa cabeleira negra como tinta. A foto era de meio corpo, então dava para ver que a mulher usava uma blusa branca limpa — a roupa era muito simples e muito limpa, mas o estilo já estava fora de moda, como algo que teria sido popular décadas atrás. No entanto, naquela mulher, a roupa combinava bem com seu temperamento sereno, parecendo muito confortável.
Ou seja, essa mulher ou não era da mesma época que ela, ou vivia em uma área rural ou montanhosa remota e isolada, por isso usava roupas tão antigas e ultrapassadas.
Qíqí virou a foto para olhar o verso — a foto havia sido impressa com uma impressora de fotos coloridas comum, então as cores eram novas, sem dar para saber a idade.
Mas a mulher na foto realmente se parecia muito com ela.
Não era de admirar que o agressor de preto tivesse usado aquela foto para compará-la — seus olhos, nariz, boca e o rosto fino em formato de semente de melão eram quase idênticos aos dela, como se tivessem saído do mesmo molde!