Capítulo 648: Capítulo 648 O Fim (2)

Os dias fluíam lentamente como água, aproximando-se cada vez mais da data que antes tirava o sono de Xiaoya. (Publicado originalmente em ..net) Nos últimos dias, ela estava anormalmente ansiosa, e Jiao Nichen percebeu isso. Ele a envolveu suavemente nos braços e disse: "Seu aniversário está chegando. Que tal eu te levar para passear, conhecer novos lugares, já que estamos fora há tanto tempo?"

Xiaoya entendeu o que ele queria dizer. O velho mestre Jiao ficara muito satisfeito com a reconciliação deles e, nas entrelinhas, sugeria que voltassem logo para casa, para que a família não se preocupasse. Ao ouvi-lo mencionar o aniversário, seu rosto endureceu. Ela justamente não queria voltar naquele momento, como se algo ruim fosse acontecer — talvez a história de Ding Xiaoya se repetisse, ou ela de repente voltasse ao mundo original. Qualquer que fosse o caso, ia contra sua vontade atual.

Aquele era o aniversário de Ding Xiaoya, e também o dia de sua morte na vida passada!

Xiaoya olhou para Jiao Nichen. Naqueles dias, ele ficara ao seu lado, e ela até sonhara menos. Mas aquela inquietação era algo que Jiao Nichen não conseguia compreender, e ela não podia lhe contar algo tão absurdo. Seus lábios se moveram. Deixa pra lá. Que o segredo permaneça para sempre um segredo. Como o pai Mo disse: "Deixe seguir o fluxo natural."

O dia seis de junho chegou silenciosamente. Quando a barriga de Xiaoya entrou no quarto mês de gestação, começou a mudar visivelmente, com uma tendência a inchar cada vez mais. Cada movimento dela fazia Jiao Nichen e os outros se preocuparem.

Naquele dia, Jiao Nichen cumpriu sua promessa a ela.

Xiaoya contemplou o deserto sem fim, sentindo-se como se estivesse em outra vida: "Como você pensou em vir ao deserto para celebrar meu aniversário?"

Com um olhar nostálgico, Jiao Nichen sorriu levemente: "Passamos um tempo maravilhoso no deserto antes de nos casarmos."

O rosto de Xiaoya escureceu. Ela até estava um pouco feliz por ele ter se esforçado para encontrar aquele lugar e agradá-la, mas a primeira coisa que ele disse já a irritou. Ela murmurou baixinho: "O que há de bonito nessa areia amarela toda? Não se vê nem uma alma..."

Jiao Nichen ouviu suas reclamações com paciência, sorrindo distraidamente. Essa Xiaoya era a verdadeira, diferente daqueles dias em que ele vomitava sem parar, não conseguia comer nada. Além disso, com febre alta, sonhava todas as noites com Xiaoya e o bebê recém-nascido, mas ao acordar, o lado da cama estava frio. Aquela solidão, só ele podia sentir.

Uma vez, num restaurante, viu alguém comendo caranguejo e, com vontade, comeu dois. Isso assustou tanto a mãe Jiao que ela o levou correndo ao médico, e foi assim que ele começou a tomar remédio para enjoo.

Jiao Nichen disse, com um tom alegre mas difícil: "Vou te contar uma história. Há milhares de anos, o Saara era um oásis. Na savana, viviam todo tipo de animais, os pastores tocavam seus rebanhos de ovelhas e gado, e as risadas das crianças enchiam toda a planície. As pessoas viviam da caça e da agricultura."

Xiaoya olhou para ele e riu: "Que história é essa que você está contando? Ninguém conta histórias assim." Pensou consigo: nunca mais deixarei Jiao Nichen contar histórias para as crianças; sua imaginação é realmente pobre.

Jiao Nichen beijou suavemente sua testa, olhou pela janela do helicóptero para a paisagem monótona que passava, e de repente viu ao longe um grupo de camelos, com viajantes do deserto brandindo longos chicotes. Ele sorriu e continuou sua história: "Há dezenas de milhares de anos, aqui era um oceano, que nutria todas as coisas. Nutriu peixes, nutriu dinossauros, nutriu ovelhas, gado e elefantes, e agora nutre camelos."

Xiaoya ouvia com diversão, mas seu sorriso foi se congelando no rosto.

Jiao Nichen apontou para as marcas visíveis do deserto abaixo: "Olha, aquilo são vestígios de rios."

Havia várias teorias estranhas sobre o Saara, e os cientistas que entravam ali pareciam cair num labirinto, obcecados em buscar e desvendar os segredos do deserto. Xiaoya não sabia quando Jiao Nichen aprendera tanto sobre isso.

O helicóptero pousou, e eles trocaram para um jipe. Jiao Nichen disse: "Agora estamos no noroeste do Saara." Pouco depois, o carro parou num local onde havia tendas. Alguém correu para falar com Jiao Nichen. O intérprete traduziu para o chinês com dificuldade.

Após ouvir o relatório dos acompanhantes, Jiao Nichen entrelaçou os dedos com os de Xiaoya e a levou até diante de uma enorme estrutura.

Uma grande sombrinha foi erguida sobre suas cabeças, e sob o sol escaldante, aquela sombra verde refrescava o coração. Jiao Nichen sorria levemente, e Xiaoya parecia ver o jovem senhor radiante e puro que conhecera no início. Seu sorriso tinha um brilho contido, uma confiança altiva. A diferença era que agora seus olhos estavam cheios de um riso intenso, um sorriso mais quente que o sol do deserto, derretendo o coração.

O guia que falara com Jiao Nichen sorriu amigavelmente e puxou lentamente a cortina.

Xiaoya arregalou os olhos: era um enorme coral! Ao redor do coral, espalhavam-se pequenos pedaços, todos dignos de serem considerados fósseis, capazes de ficar em museus para admiração.

"Xiaoya, este é o meu presente de aniversário para você: o mar virou campo, e as rochas se desfizeram até o fim dos tempos."