"Não... me lembro." Disse Xiaoya com dificuldade. Havia muitas pessoas tomando banho de sol na praia, nem muitas, nem poucas. Ela olhou com inveja na direção do mar. Jiao Nichen, usando uma viseira, acenou para elas e mergulhou de cabeça nas águas azuis. Em pouco tempo, emergiu a cabeça entre a multidão. Xiaoya achou estranho: conseguiu encontrar a cabeça de Jiao Nichen entre tantas outras, talvez porque a cabeça dele fosse mais redonda.
Jiao Jiao lhe ofereceu um copo de suco: "Esqueci que você não se lembra de muitas coisas. Se não consegue, tudo bem. Depois o Nichen te ensina; ele é muito bom nisso. Beba mais suco, o sol aqui é forte e é fácil ficar desidratada."
Xiaoya agradeceu e lembrou-se de quando conheceu Jiao Nichen, ele disse que queria competir em esgrima com Jiao Niqing. Todas as manhãs ele fazia exercícios sem falta, sem nunca pular um dia. Por isso, parecia que Jiao Nichen realmente gostava de todos os tipos de esportes.
Jiao Jiao continuou, com um tom nostálgico: "Lembro que depois de se formar na faculdade, ele foi com os colegas até o Monte Everest. Mesmo com uma preparação completa, não conseguiu chegar ao topo. Naquela época, ele ficou muito decepcionado. Talvez tenha sido a maior decepção dele desde que se tornou adulto."
Xiaoya parou por um instante de passar protetor solar. Jiao Jiao começava a enumerar as qualidades de Jiao Nichen novamente; até os defeitos dele, aos olhos da família Jiao, deviam ser uma espécie de beleza imperfeita. Jiao Nichen realmente era o centro de todo o carinho.
Havia um subtexto nas palavras de Jiao Jiao, que só ela mesma entendia. Ela olhou para Xiaoya, que não mudou a expressão, e depois para as folhas de coqueiro caídas na areia, levadas pelas ondas, e de repente se distraiu.
Xiaoya, depois de um tempo sem ouvir os elogios a Jiao Nichen, virou a cabeça e viu que ela tinha adormecido. Os lábios de Jiao Jiao tinham um formato natural de sorriso; quando os outros a olhavam, sempre achavam que os cantos da boca estavam erguidos, mesmo dormindo, como se estivesse tendo um sonho bom.
Xiaoya colocou uma toalha grande sobre ela e, vendo que não dava sinais de acordar, e que Jiao Nichen também não estava mais à vista, sabia que devia haver seguranças de Jiao Nichen por perto. Ela não planejava fugir ou desaparecer naquele dia.
Ela se levantou. As ondas não estavam fortes. Pensando na própria vida, que não era fácil de ter, não foi para a parte rasa, mas pisou descalça na areia, onde as ondas não alcançavam. Na praia, de tempos em tempos, ouviam-se risadas e conversas: uns construíam castelos de areia, outros recolhiam conchas, alguns, como ela, pisavam na areia, e outros ainda faziam as coisas mais românticas entre amantes.
Ela já tinha passado da idade de buscar romantismo e há muito não se interessava por brincadeiras de menina, como recolher conchas. Apenas enterrava lentamente os pés na areia macia, depois os levantava devagar para pisar de novo, sentindo a areia cobrir o peito do pé, algo parecido com o tapete felpudo de Jiao Nichen.
Ela andava de um lado para o outro, quando uma criança correu de repente e disse, rindo em inglês: "Que cafona! Usar um maiô tão conservador!"
Ele viu que Xiaoya tinha olhos pretos e achou que ela era estrangeira e não entendia inglês. A mãe dele o pegou imediatamente e sorriu para Xiaoya, pedindo desculpas. Xiaoya fingiu não ter entendido e também sorriu para a mãe loira.
Ela e Jiao Jiao usavam o mesmo modelo de maiô, mas Jiao Jiao era mais alta e tinha um corpo mais cheio, então os tamanhos eram diferentes. Quando trocou de roupa, Xiaoya ficou um pouco confusa, mas achou que era porque ela era muito conservadora, e Jiao Nichen escolhera aquele maiô para as duas.
Depois da provocação do menino, Xiaoya não quis mais incomodar a vista dos outros e voltou para o guarda-sol onde Jiao Jiao dormia.