Ao entrar no Portão do Yin e Yang, a visão se abriu diante de mim. Descobri que ali dentro havia um vale imenso. [Primeira publicação na rede] Quão grande era aquele vale? Qiqi fez uma estimativa aproximada e achou que talvez fosse dezenas de vezes maior que o campo de esportes da sua escola? Ou poderia ser ainda maior, porque Qiqi não conseguia ver o fim dele de jeito nenhum.
A luz no vale era um pouco mais forte. A paisagem sedutora e melancólica das margens do Rio Esquecimento havia desaparecido, substituída por uma cena sombria e desolada. Tudo estava cinzento, ventos frios e cortantes sopravam sem rumo, fogo-fátuo brilhava em pontos dispersos, almas recém-chegadas se queixavam e as antigas choravam. Realmente parecia uma visão do inferno.
No entanto, embora a paisagem do submundo fosse assustadora, Qiqi não tinha disposição para apreciá-la naquele momento. Assim que pisou no vale, foi primeiro assustada pelas grossas "serpentes longas" à sua frente. Havia pessoas no vale fazendo fila, muitas, muitas pessoas fazendo fila.
Deve-se dizer que Qiqi já tinha visto o mundo. Sua escola tinha mais de dez mil alunos, não é? Somando funcionários e professores, na cerimônia de boas-vindas aos calouros, quando todos saíam, a cena era impressionante. No entanto, o que via agora era muito mais grandioso. Cabeças se amontoavam, todas de almas recém-falecidas. E todos tinham acabado de morrer, o humor não era bom. Além disso, ao ver tanta gente na fila, não sabiam quanto tempo teriam que esperar. Assim, as almas novas ficavam ainda mais desanimadas, cabisbaixas, como se tivessem perdido o pai, e algumas choravam.
Uma pessoa chorando não era assustador. O que assustava era dezenas de milhares chorando ao mesmo tempo. E ainda por cima, eram almas. O choro era especialmente perturbador.
Qiqi se assustou e exclamou: "Tanta gente!"
O jovem guarda do submundo riu com desdém: "Isso é normal."
"O que eles estão fazendo na fila?"
"Esperando o veredito do Juiz!" O jovem apontou para uma plataforma muito distante, onde algumas sombras se moviam. Mas estava tão longe que Qiqi só via pontinhos pretos.
Ela se surpreendeu: "Ali é onde os Juízes julgam?"
O jovem assentiu.
Qiqi: "Eu também tenho que fazer fila?"
O jovem a olhou de lado: "Claro. No submundo não há classes privilegiadas. Todos os mortos são iguais!"
Dito isso, ele a levou para o final da fila mais próxima.
Qiqi ficou frustrada. Ela pensava em encontrar o Juiz, puxar conversa e dar um jeito de ser apresentada ao Rei do Submundo. Mas, naquela situação, só a fila já levaria muito tempo, não?
Ela forçou um sorriso e perguntou ao jovem: "Bonitão, quanto tempo vou ter que esperar na fila para ser atendida?"
O jovem respondeu: "Rápido. Pelo comprimento e grossura da fila, acho que em uns dez anos você será chamada!"
Qiqi: "Dez anos?"
Talvez sua expressão estivesse muito descontrolada, o jovem ergueu as sobrancelhas e riu: "Com medo? Quando eu morri, esperei trezentos anos na fila!"
Qiqi tropeçou e quase caiu no chão.
O jovem a deixou na fila e se virou para ir embora. Ele estava apressado, parecia muito ocupado no trabalho.
Qiqi ficou no final da fila grossa e longa, suspirou resignada. Será que realmente teria que esperar dez anos ali?
Ela se esticou na ponta dos pés para olhar para frente. A fila era enorme e distante. O local onde o Juiz julgava era apenas um pontinho preto no horizonte, e o Rei do Submundo, nem se sabia onde estava.
Qiqi não ousava furar a fila, muito menos buscar um atalho. Porque ao lado da fila, a cada dez metros, havia um guarda do submundo de aparência feroz, parecendo ser os responsáveis pela ordem. E as almas novas na fila, tanto homens quanto mulheres, usavam cabelos longos e roupas antigas.