※※※
Quando Qiqi voltou, Rong Yi já havia copiado o primeiro volume das regras familiares. Nesse conjunto de regras, não havia apenas os detalhados e rígidos códigos de conduta familiar, mas também a genealogia da família Zhou ao longo das gerações. Pela genealogia, era possível ver que a família Zhou tinha uma longa história, com ancestrais registrados por escrito que remontavam a trinta e quatro gerações atrás.
Foi só ao ler a genealogia que se percebeu que a família Zhou já foi um grande clã próspero. Pelos registros iniciais, as gerações anteriores da família Zhou tinham muitos descendentes, tanto homens quanto mulheres. Foi apenas nos tempos modernos que começaram a ter um único herdeiro por geração. O divisor de águas foi o vigésimo segundo ancestral da família Zhou — um ancestral peculiar que se casou com uma estrangeira chamada Marian. Ela provavelmente era aquela ancestral europeia que Zhou Yi havia mencionado antes, não é? Marian teve apenas um filho, e esse filho só deu à família Zhou um neto... A partir daí, o número de descendentes da família Zhou diminuiu drasticamente. Desde a vigésima segunda geração, cada geração teve apenas um filho, sem sequer uma filha a mais.
Quando chegou à geração de Zhou Yi, já era a trigésima quarta. Ou seja, a família Zhou já tinha doze gerações de herdeiros únicos, cerca de trezentos anos. O nascimento de Qiqi foi, de certa forma, uma exceção nos tempos modernos da família Zhou. Não é à toa que o velho senhor Zhou a estimava tanto.
Aquela ancestral chamada Marian, uma tataravó de quantas gerações Qiqi não sabia, teve uma influência significativa sobre a família Zhou — desde ela, as regras familiares foram modificadas e acrescentadas várias vezes, e o código de conduta incluía até preceitos europeus. No entanto, devido à antiguidade, muitos já caíram em desuso, mas ainda estavam registrados nos documentos, perpetuando a lenda dessa avó estrangeira. A ponto de o hospital particular da nobreza da família Zhou se chamar Santa Marian — claramente uma homenagem a essa avó ancestral.
Qiqi e Rong Yi estudaram juntos as regras familiares, sentindo a longa história do clã e experimentando a magia desse laço de sangue. Afinal, o avô tinha um propósito ao mandá-la copiar as regras — ele queria que a neta encontrasse seu próprio lugar através das regras e da genealogia, e entendesse sua responsabilidade para com a família.
Os dois continuaram copiando por um tempo. Durante uma pausa, Rong Yi voltou ao seu quarto e pegou uma moldura vintage para dar a Qiqi. Era a moldura que Zhuzhu havia lhe dado. Na época, quando encontraram Olen no cemitério, ela estava tão nervosa que acabou perdendo a moldura. Depois, Rong Yi voltou para ajudá-la a procurar e a encontrou.
Qiqi segurou a moldura, lembrando-se da pessoa ao vê-la, e ficou muito triste. Com cuidado, ela a trancou em sua gaveta.
Os dias foram passando, e a dor causada pela morte de Zhuzhu foi se dissipando com o tempo. Mas Qiqi nunca desistiu de investigar o caso. Infelizmente, embora Rong Yi tivesse encontrado algumas pistas suspeitas, não houve avanços concretos. E o homem que levou Zhuzhu ao suicídio nunca mais apareceu; até agora, ninguém sabe quem ele é.
※※※
Logo, as férias de verão estavam chegando ao fim, e Qiqi enfrentaria um novo ano letivo. Neste semestre, ela começaria um estágio no melhor hospital público da cidade Y — o Hospital Municipal. Embora fosse apenas um estágio, já equivalia a entrar no mercado de trabalho. Por isso, Zhou Yi decidiu organizar uma festa de verão para celebrar a irmã.
Muitas coisas aconteceram neste verão, especialmente a morte de Zhuzhu, que deixou Qiqi muito triste. Zhou Yi queria usar essa festa para convidar os amigos próximos de Qiqi, na esperança de animar a irmã. Além disso, a entrada de Qiqi na família Zhou ainda não havia sido oficialmente anunciada no círculo social. Esta festa também serviria para declarar ao mundo o retorno da terceira Srta. Zhou, acolhendo Qiqi de volta às raízes familiares.