Lu Wei relaxou os braços, mas não soltou completamente a garota; de olhos fechados, ele a envolveu em seu abraço, respirando fundo, como se ainda desejasse cada pedaço de ternura, cada sopro de sua presença — ela estava em seus braços, bem ali, ao alcance, tocável, real, não um sonho, não uma ilusão, como se nunca tivesse partido.
— Irmão mais velho, o que aconteceu? — Qi Qi ergueu a cabeça com esforço, encontrando os olhos de Lu Wei. A tristeza dele a assustava; ela não entendia o que se passava.
Lu Wei finalmente a soltou, mas ainda segurava firmemente seus ombros: — Qi Qi, você se lembra de mim? Sou seu irmão mais velho.
Irmão mais velho?
Qi Qi mostrou uma expressão confusa; em seus cílios longos e finos, ainda pendiam lágrimas derramadas há pouco pela saudade da família.
Lu Wei, com carinho, enxugou suas lágrimas com os dedos e disse suavemente: — Sim, há dezessete anos, no fundo daquelas montanhas, na casa do tio Hu An...
Qi Qi arregalou os olhos imediatamente, a boca escancarada: — Você, você é... o irmão mudo?
Lu Wei semicerr os olhos e sorriu, acenando com a cabeça: — Sim, sua gulosinha, finalmente se lembrou de mim.
Aquele sorriso dele desabrochou como flores na primavera, toda a tristeza se dissipou, como se nunca tivesse existido.
— Ah! — Qi Qi soltou um grito e pulou da cama de uma vez.
Como descrever o que sentia naquele momento? Ah, era tanta alegria que não cabia em palavras.
Os dois se abraçaram novamente, emocionados — claro que desta vez foi Qi Qi quem tomou a iniciativa, porque estava tão empolgada que pulou da cama direto nos braços de Lu Wei, enlaçando seu pescoço.
Ah, irmão mais velho, quem diria que o irmão Lu era o irmão mudo que ela conhecera há dezessete anos, por um breve instante.
Lu Wei deu tapinhas leves em suas costas, acalmando sua agitação, os olhos se curvando como um lago na primavera.
Depois de um tempo, Qi Qi soltou as mãos e sentou-se na beira da cama, perguntando animada: — Irmão, como você me reconheceu?
Lu Wei deu um tapinha no topo da cabeça dela e disse, em tom de brincadeira: — Você, embora tenha mudado muito, seus olhos ainda são como os de quando era pequena, vivos e adoráveis.
Qi Qi coçou os cabelos e riu baixinho — o irmão disse que sou adorável~~
Ela disse: — Mas, irmão, você mudou tanto que nunca te reconheci.
De fato, Lu Wei não era nem de longe o mesmo adolescente silencioso e solitário de antes. Na memória, aquele irmão era magro e teimoso, de espírito melancólico, nunca falava com ninguém; mesmo quando ela insistia em ficar ao seu lado, ele nunca abria a boca. Já o Lu Wei de agora, gentil e afetuoso, sorria como uma brisa primaveril, sem nenhum vestígio do passado.
Lu Wei disse: — Isso se deve muito a você naquela época — você me disse para sorrir feliz, não importa o que acontecesse, sorrir feliz — guardei essas palavras no coração até hoje.
Qi Qi coçou os cabelos novamente: — Eu disse isso? Haha, já não me lembro...
Lu Wei olhou nos olhos dela e disse, sério: — Qi Qi, mesmo que você não se lembre, eu sempre me lembro. Você me acompanhou naquela noite mais difícil e solitária da minha jornada, sempre me lembrei de você, nunca esqueci.
Sua voz era suave, carregada de uma ternura especial, que fez Qi Qi corar de vergonha — por que o irmão está me olhando assim...
Para disfarçar a confusão interior, ela riu sem jeito: — É mesmo? Então o irmão deve sorrir ainda mais daqui para frente, para que nosso encontro não tenha sido em vão.