"Pan Zhexiao, parece que é mais velho que você, mas o amigo dele, Dou Haoyun, também está indo bem ultimamente, parece que está se virando. Ji Minli formou um grupo com dois caras, até que não é ruim, embora as músicas não sejam lá essas coisas, a dança é boa, eles investiram pesado", disse Bai Ling, que tinha visto isso na TV recentemente. "Assim é melhor, Ji Minli pode não ter o talento de Xie Qianwen, mas pelo menos ela conseguiu algo longe da Linghui Media, em vez de viver na pobreza e odiar a empresa."
"Não reparei... Ah, mas ouvi de Chunxing que está passando uma novela chamada 'A Princesa', muito popular, cartazes por toda parte. A série ainda não terminou e já fez sucesso em todo o país, não só ganhou muito dinheiro, como também lançou vários artistas desconhecidos, lucrando horrores."
"Claro, você não vê de quem é a produtora", disse Bai Ling, orgulhosa. "Isso já virou febre na Ásia, foi traduzida para várias línguas, está bombando."
"Falando nisso, você não vai voltar de B City? Está tão feliz que esqueceu a volta?" Li Zidong sentia falta de Bai Ling, já que não a via há muito tempo. Embora nunca conseguisse vantagem com ela e fosse sempre repreendido, a vida sem Bai Ling não era tão agradável.
Bai Ling teve que repetir a desculpa que deu a Li Ziqing, e Li Zidong desligou o telefone. "Amigos muito entusiasmados também não são tão bons... Agora, atender as ligações deles me dá uma pressão enorme."
"Irmã Xiaoling, vamos treinar com as facas!" Dedong entrou, vendo Bai Ling com expressão preocupada, e falou baixinho.
Nesse período, Bai Ling vinha treinando com Dedong, melhorando muito. Ao ouvir o chamado, ela se levantou e sorriu: "Nada não! Vamos treinar!"
O velho Lin, vendo Bai Ling e Dedong tão dedicados, ficava muito feliz. Todos os dias, ficava ao lado orientando. Depois do treino, ele sempre contava suas façanhas heroicas durante os oito anos de guerra de resistência. Dedong ouvia tudo com grande interesse, embora o velho Lin já tivesse contado aquilo antes. Bai Ling fingia ouvir pela primeira vez, prestando atenção junto com Dedong.
"Xiao Ling, seus golpes de faca estão muito leves. Você come tanto todo dia, por que não tem força?" O velho Lin apontava diretamente o defeito de Bai Ling, sem piedade.
"Entendi, vovô!" Bai Ling admitia o erro obedientemente; se não fizesse isso, o velho Lin teria um monte de sermões na manga.
"Vovô, já descobriu algo sobre o irmão mais velho do Dedong, Dexia?" Bai Ling mudou de assunto, não querendo insistir naquele ponto. Hoje ela estava distraída por estar preocupada com algo.
Ao ouvir o nome de Dexia, Dedong ficou triste e perguntou: "Vovô, se souber algo sobre ele, me conta. Quero ver como ele está agora."
"Ainda não há vestígios, não consigo encontrar, como pedra no fundo do mar, sem movimento. Aproveitem esse tempo para treinar bem, sem preguiça. Suor na hora certa evita lágrimas e sangue depois, entenderam?" O velho Lin aproveitava qualquer assunto para dar lições, que chato.
"Entendemos, vovô!" Bai Ling fez pose de obediente. Desde que Bai Ling e Dedong chegaram, o velho Lin estava com um ótimo estado de espírito. Antes, ele morava sozinho; às vezes, o velho Zhao vinha jogar xadrez, mas ambos eram péssimos e acabavam brigando. Com as crianças, a casa ganhou vida. Agora, o velho Zhao estava morando direto na casa do velho Lin, porque Zhao Lingyun não estava em casa, e ele ficava só com um cozinheiro e alguns guardas, se olhando sem graça.
Enquanto falavam, o tio Xiao Zhou, novo guarda do velho Lin, chegou. O tio Xiao Li havia sido promovido a vice-diretor do Departamento de Segurança Pública de Shenzhen, com poder de verdade; com o tempo, o "vice" poderia sumir. Ele podia se reunir com Hu Ying e ajudar nas fábricas de Bai Ling em Shenzhen.
Xiao Zhou cochichou algo no ouvido do velho Lin, que ficou sério e perguntou: "Isso é verdade?"
"Verdade, seis pessoas, todas mortas por facadas, uma só golpe fatal", respondeu Xiao Zhou, olhando para Dedong.
Dedong ficou muito tenso, imaginando que fosse seu irmão mais velho, e perguntou apressado: "Onde está meu irmão?"
"Provavelmente ainda perto do Monte Yide. Essas pessoas foram passear lá e foram mortas. Nada foi roubado, então não foi assalto. Eram pessoas comuns, sem inimigos, também não parece vingança. Por isso, a polícia de lá nos passou a informação", respondeu Xiao Zhou.
Seis vidas... seis vidas se foram assim. Dedong ficou com os olhos vermelhos, rosto pálido, sem saber o que fazer.
Bai Ling apertou a mão de Dedong e disse: "Dedong, não tenha medo, vamos encontrar seu irmão."
Dedong assentiu, colocou a mão direita no peito: "Amitabha, que assim seja!"
"Vovô, quando vamos procurar Dexia?" Bai Ling perguntou, esperando poder capturá-lo o mais rápido possível.
Desde aquele dia, Dedong ficou abatido, comia menos do que antes, sem ânimo, como uma berinjela murcha pelo gelo.
"Vovô, que tal eu ir? Vou com a polícia, eles têm armas, não tenho medo da faca do meu irmão", Dedong foi ao escritório do velho Lin à noite e falou baixinho. O peso na consciência não o deixava em paz.
O velho Lin gostava muito de Dedong por ser compreensivo, esforçado e leal. Acariciou a cabeça brilhante de Dedong e sorriu: "Dedong, não se apresse. Vou arranjar algumas pessoas para ir com você e capturar Dexia. Quanto a Bai Ling, ela não pode ir, porque tem uma responsabilidade muito grande que ninguém pode substituir. Não posso deixar Bai Ling correr riscos com você."
Dedong não era bobo. Pela importância que o velho Qin dava à irmã Bai Ling, sabia que ela era especial. Agora, toda semana, alguém vinha de carro blindado buscá-la, e ela só voltava dois dias depois, o que mostrava que ela estava envolvida em algo importante.
"Eu sei, vovô. Só quero dizer que, se eu morrer, por favor, me enterre ao lado do meu mestre", disse Dedong. Ele tinha um pressentimento de que seu irmão ainda estava no Monte Yide, talvez esperando por ele. Fazia muito tempo que não visitava o mestre; a sepultura devia estar cheia de mato.
"Menino, não fale em morte!" O velho Lin franziu a testa. "Vou mandar gente para proteger você."
Dedong abraçou o braço do velho Lin. Naqueles meses, além do mestre, só o velho Lin, a tia Bai Han e a irmã Bai Ling tinham sido bons com ele, e ele era grato.
"Obrigado, vovô! Que Buda o abençoe!" Dedong falou baixinho, e o velho Lin sorriu.
Dois dias depois, o velho Li enviou seis homens com Dedong, levando armas e munição.
"Vovô, por que não me deixou ir com Dedong?" Bai Ling perguntou, confusa. O velho monge, ao desaparecer, não tinha dito que ela e Dedong deveriam enfrentar Dexia juntos?
"Xiao Ling, você ainda não entende sua importância agora? O país não pode arcar com a perda de você. Até agora, só você consegue ativar a esfera de cristal. Lembra daquela tecnologia de aço especial que você tirou da esfera? Já produzimos o novo aço, que o país precisa. E os instrumentos de precisão, com o aço especial, avançaram rapidamente; já conseguimos fabricar máquinas-ferramenta mais avançadas que as importadas, reduzindo a diferença tecnológica em mais de dez anos. Acredito que, com as observações dos cientistas, vamos progredir ainda mais", explicou o velho Lin, pacientemente.
"Isso foi muito rápido!" Bai Ling não acreditava que em tão pouco tempo tinham conseguido tanto.
Vendo a descrença de Bai Ling, o velho Lin explicou: "Embora eu não seja responsável pela pesquisa científica, sei que a tecnologia nacional estava num beco sem saída, gastando muito dinheiro sem resultados. Os cientistas fizeram o possível, mas o atraso na tecnologia básica fazia com que muitas pesquisas só funcionassem em laboratório, sem produção em massa. Agora, com o aço especial e os instrumentos de precisão, que são o núcleo da tecnologia básica, os cientistas estão estudando com avidez e conseguindo esses avanços. Isso evita desvios. Novos materiais leves estão sendo pesquisados para uso em satélites, foguetes e aeronaves."
As explicações intermináveis do velho Lin fizeram Bai Ling perceber como era importante.
"Você não imagina como seu avô Qin está feliz. Ele é um intelectual, com visão de futuro, sempre pensa à frente. Com ele no país, a transição para a economia de mercado é segura", disse o velho Lin, que, embora não entendesse de economia, lia o jornal do partido e via notícias, sabendo um pouco de política.
"Na verdade, vovô, investir na agricultura também é ótimo. As frutas do espaço no anel, depois de enxertadas, quase não dão pragas, produzem muitos frutos, doces e suculentos. Se popularizarmos, os beneficiados serão os camponeses", sugeriu Bai Ling, que era um dos projetos do laboratório dela, no qual Baili Chen era muito bom.
"Ah, boa ideia. Agora a economia cresce, mas algumas regiões revolucionárias antigas, em lugares remotos, que contribuíram muito para o país, estão passando por dificuldades. Construir fábricas não é adequado. Se melhorarmos a agricultura, plantando frutas, e o mercado interno não absorver, exportamos, ganhando dinheiro dos estrangeiros", disse o velho Lin, emocionado, com grande carinho por essas regiões. Sem o apoio dos camponeses revolucionários, a fundação da Nova China não teria sido tão tranquila. Em muitas vilas, metade das famílias eram de militares, que deram sangue e suor pelo país e ainda sofriam.
"Então, quero trazer o laboratório de Hong Kong para B City, para que minha empresa possa pesquisar e promover os produtos agrícolas por perto. Especialmente a macieira, que já está na fase final, pronta para ser amplamente divulgada", disse Bai Ling, que, desde que soube que não podia sair de B City, pensava em trazer o laboratório para lá.
"Tudo bem, não se preocupe. Vou encontrar um lugar para você, garantindo que seja bom, grande e seguro", garantiu o velho Lin, batendo no peito. Pelos companheiros caídos das regiões revolucionárias, ele faria de tudo para o laboratório de Bai Ling dar certo. Além disso, tinha um motivo pessoal: Bai Ling era jovem e estava presa em B City; se não tivesse o que fazer, poderia ficar entediada e ressentida.
"Obrigada, vovô!" Bai Ling mal podia esperar para contar a Baili Chen. Pensar em poder estudar perto do professor a deixava animada, e mais ainda porque o laboratório era onde ela investia a maior parte de sua energia; queria muito que ele fosse transferido para B City.
Dedong voltou uma semana depois, carregando uma faca grande. A bainha havia sumido, só restava a lâmina solitária.
Ele entregou a faca ao velho Lin e foi para o quarto, trancando a porta e ficando sozinho.
"Vovô, o que houve com Dedong?" Bai Ling perguntou, preocupada.
O velho Lin balançou a cabeça, dizendo que não sabia, e chamou os seis homens que foram: "O que aconteceu? Encontraram o irmão mais velho do Dedong?"
"Encontramos Dexia na frente do túmulo do mestre do Dedong. Atiramos no braço dele, a faca caiu, e Dedong a pegou. Dexia pareceu ter um choque, gritou segurando a cabeça. Dedong entregou a faca para mim, foi até o irmão e fez gestos. Dexia se acalmou, com lágrimas nos olhos. Não vimos direito o que ele sinalizou. Dexia bateu três vezes a cabeça no túmulo e, quando Dedong se distraiu, ele bateu a cabeça na lápide, morrendo de hemorragia cerebral. Dedong o enterrou ao lado do túmulo, chorando."
"Obrigado, podem se retirar", disse o velho Lin, acenando. Dedong devia estar muito triste.
"Dedong, abre a porta, não faça besteira!" Bai Ling batia na porta, chamando. Dedong era apenas uma criança de menos de dez anos, na idade da inocência, não deveria sofrer tanta dor.
Depois de um tempo, Dedong saiu do quarto. Embora os olhos estivessem vermelhos, já estava mais calmo. As duas pessoas mais próximas dele haviam partido, o que foi um grande golpe.
"Estou bem, irmã Xiaoling. Na verdade, meu irmão morrer na frente do túmulo do mestre foi o melhor fim. Quando a faca saiu da mão dele, ele se lembrou de tudo que fez, sentiu vergonha e arrependimento, inclusive por matar o mestre e depois outras pessoas. Mesmo que eu não o pegasse, a polícia o faria. Melhor se matar do que ser fuzilado, assim fica com o mestre", disse Dedong, calmo, embora triste, mas suportável.
Vendo o rostinho abatido de Dedong, Bai Ling disse com carinho: "Dedong, se anime. No budismo, há reencarnação. Seu mestre e seu irmão podem já ter novas vidas. Não fique preso ao passado. Levante a cabeça. Você não queria ganhar muito dinheiro para reformar o Templo Yide, no Monte Yide?"
Dedong assentiu e disse sério: "Sim, quando eu crescer, vou ganhar dinheiro e construir um grande templo. Esse é o maior sonho meu, do meu mestre e do meu irmão."
Bai Ling balançou a mão: "Por que esperar crescer? Dá para ganhar dinheiro agora."
Dedong ficou nervoso e perguntou baixinho: "Então amanhã vou sair para pedir esmolas!"
Minha nossa! Esperar que ele pedisse esmolas levaria uma eternidade para juntar dinheiro para um templo. Bai Ling imaginou Dedong sentado no chão com uma tigela, esperando doações, e achou estranho, parecia um mendigo.
"Não é para pedir esmolas, é para fazer filmes!" Bai Ling explicou rápido, com medo de que Dedong realmente fosse com uma tigelinha pedir esmolas, que vergonha.
"Fazer filmes?" Dedong não entendeu. "O que é isso?"
"Você já viu 'O Templo Shaolin' com Jet Li?" Bai Ling perguntou. Lembrava-se de ter visto Dedong assistindo e dizendo que os monges eram muito fortes.