Bai Ling sentiu-se extremamente culpada ao ouvir isso. Embora o velho Sr. Lin não tivesse objeções a Bai Han e Bai Ling irem para Hong Kong, ele apenas transformou aquela saudade em aceitação, permitindo que Bai Han se reunisse com o marido e que Bai Ling ficasse com a mãe, enquanto ele ficava sozinho. Embora voltasse duas ou três vezes por ano, toda vez que partiam, o velho Sr. Lin ficava na janela do andar de cima, observando-os ir embora.
— Vovô, nunca mais vou te deixar. Quando eu crescer, vou arrumar um genro que more conosco e ficar ao seu lado para sempre — disse Bai Ling, abraçando o braço do velho Sr. Lin, emocionada. Um idoso que protegia silenciosamente ela e sua mãe, Bai Han, merecia todo o respeito e cuidado de Bai Ling.
— Claro, com uma neta tão boa como a minha, como poderia se casar e ir para a casa dos outros? Tem que ser um genro que more aqui, assim, na minha frente, quem ousaria te intimidar! — O velho Sr. Lin seguiu o que Bai Ling disse, muito contente.
— Eu tenho o vovô, de quem vou ter medo? Ninguém ousa me intimidar! — Ela disse, um tanto convencida, cheia de confiança. ^//^
— A propósito, Xiaoling, ouvi dizer que aquele Lingyun já conheceu os sogros? — Hoje, o velho Sr. Lin estava jogando xadrez de novo, e, após algumas palavras ásperas, os dois começaram a discutir. No final, não houve vencedor, e o velho Sr. Zhao, lembrando que seu neto Zhao Lingyun já tinha namorada e que Xiaoling não, finalmente conseguiu uma vitória.
Bai Ling balançou a cabeça e perguntou: — Quem te contou isso?
— Não foi aquele velho Zhao, que não morre nunca, se gabando na minha frente, dizendo que talvez em dois anos já teria um bisneto! Eu sabia que ele estava mentindo, usando essas coisas para me enganar, sem vergonha na cara — resmungou o velho Sr. Lin, achando que Zhao, o cabeçudo, não prestava.
— Vovô, na verdade, o que o avô Zhao disse não está totalmente errado. Zhao Lingyun e Li Ziqing são namorados. Da última vez que o irmão Lingyun estava de folga e saiu para encontrar Ziqing, foi pego em flagrante pelo pai de Li Ziqing. O pai dela, que criou a filha com tanto esforço, vê-la sendo conquistada por um rapaz de lugar nenhum, naturalmente ficou irritado. Depois que descobriram a identidade de Zhao Lingyun, os mais velhos da família Li quiseram conhecê-lo. Foi o próprio velho Sr. Li quem convidou Zhao Lingyun. Na época, ele estava tão nervoso que minha mãe, como parente mais velha de Zhao Lingyun, foi junto para dar apoio. No final, o avô Li viu que o irmão Lingyun era um jovem talentoso e que os dois jovens gostavam um do outro, então não impediu. Mas eles são apenas namorados, ainda não são noivos — explicou Bai Ling.
— Eu não disse? Minha neta, desde pequena, é mais esperta do que aqueles cabeçudos desajeitados da família deles, como poderia ficar para trás! — disse o velho Sr. Lin, rindo. — Mas, Xiaoling, você não está escondendo algo de mim?
Bai Ling ficou cheia de linhas na testa. O que o velho Sr. Lin teria descoberto? Ele ria de um jeito tão suspeito. Ela perguntou, inocente: — Vovô, o que você quer perguntar? Fale sem reservas, que eu respondo sem esconder nada.
— Hum, hum, notei que ultimamente você passa uma ou duas horas ao telefone. Com quem está falando? — perguntou o velho Sr. Lin, fingindo desinteresse.
Bai Ling não só falava na sala de estar lá embaixo, mas, segundo informações confiáveis de De Dong, ela também passava muito tempo ao telefone no quarto. Falar ao telefone não é nada, falar por muito tempo também não é nada, mas falar tantas vezes, por tanto tempo, e sempre com a mesma pessoa, isso sim é incomum.
Bai Ling pensou rápido e entendeu a intenção do velho Sr. Lin ao dizer tudo aquilo. Ele queria saber com quem ela tinha falado tanto ultimamente! E ainda usou o velho Sr. Zhao como desculpa.
O velho Sr. Lin, envergonhado pelo riso de Bai Ling, repreendeu: — Não é que estou preocupado com você? Ver você agarrada ao telefone, rindo tão docemente, só podia ter algo errado. Acha que estou cego?
Bai Ling disse, rindo: — Vovô, é meu professor, Bai Lichen!
Ao ouvir que era um professor, o velho Sr. Lin franziu a testa. Ainda era um romance entre professor e aluna? Embora hoje em dia não seja como antigamente, ainda assim não lhe parecia certo.
— Professor... — disse o velho Sr. Lin, um pouco decepcionado.
— Sim, o professor Bai é responsável pelo meu laboratório em Hong Kong. Ultimamente, tenho falado com ele sobre mudar o laboratório para a cidade B. Muitas coisas precisam que ele faça. Vovô, vou te contar um segredo: esse meu professor é incrível. Embora jovem, é muito especialista em pesquisas sobre novas espécies — explicou Bai Ling, elogiando Bai Lichen.
— Ah, é assim? Se pudesse ganhar um Prêmio Nobel, seria ótimo! — disse o velho Sr. Lin, sem muito interesse, apenas de passagem.
— Vovô, você acertou em cheio. Ele está analisando o mapa genético de uma grama变形, estudando suas propriedades internas. Quem sabe não consegue mesmo um Prêmio Nobel? Mas, se for assim, essas tecnologias podem acabar sendo conhecidas por pessoas de outros países! — disse Bai Ling, confiante, acreditando plenamente na competência profissional de Bai Lichen.
— Nossa, é mesmo? — O interesse do velho Sr. Lin voltou. — E como é a aparência dele?
Ao ouvir que o velho Sr. Lin queria ver uma foto de Bai Lichen, Bai Ling correu para o quarto e pegou um grande álbum de fotos. Apontou para uma imagem em que ela e Bai Lichen estavam no laboratório, vestindo jalecos brancos, lado a lado. Era uma foto tirada para comemorar um grande avanço na pesquisa.
— Aqui, é este! — disse Bai Ling, animada, apontando para um homem imponente na foto. Por causa do laboratório, Bai Lichen estava sem barba, parecendo muito bonito, alto, com cabelo curto e os cantos da boca levemente curvados para cima, num sorriso suave.
O velho Sr. Lin pegou o álbum, apertou os olhos para olhar, com um olhar de quem avaliava um futuro neto por casamento, e só depois de um tempo respondeu: — Nada mal, traços corretos, não parece um vilão ou canalha.
— Claro, senão como eu poderia confiar o laboratório a ele? — disse Bai Ling, sorrindo. — No meu laboratório, tem muitas coisas boas.
— E se o seu laboratório for transferido para a cidade B, esse professor Bai estará disposto a vir? — perguntou o velho Sr. Lin, sabendo que ele era chinês, mas não se estava disposto a ficar no país.
— Pode ficar tranquilo. O professor Bai disse que, em vida, é pessoa do meu laboratório; na morte, é espírito do meu laboratório. Onde o laboratório for, ele vai junto! — Bai Ling tinha essa confiança. No laboratório dela, havia as novas espécies que Bai Lichen sempre sonhara em estudar; ele não teria como recusar. Além disso, havia a investida emocional, como ajudar a mãe de Bai Lichen com o tratamento. E, no laboratório, o nível de pesquisa de Bai Ling era muito inferior, não chegava nem aos pés de Bai Lichen. Por isso, Bai Ling queria que ele fizesse descobertas no laboratório dela, para que ela se beneficiasse e ele ganhasse dinheiro e fama. Era uma troca vantajosa para ambos; Bai Lichen não era tolo, por que não aceitaria?
— Ah, então, quando ele chegar à cidade B, traga-o aqui para eu ver como ele é de verdade — instruiu o velho Sr. Lin.
— Vovô, não tire conclusões erradas. Ele é meu professor, quase dez anos mais velho que eu! — alertou Bai Ling, para não criar situações constrangedoras que tornassem os encontros futuros embaraçosos.
— Hehe, seu avô já viu de tudo, acha que não sei disso? — disse o velho Sr. Lin, vendo que Bai Ling duvidava dele, falando sério.
— Ainda bem. De qualquer forma, a pesquisa no laboratório está num ponto de pausa. Assim que eu encontrar um lugar adequado aqui, é só reformar conforme os requisitos anteriores, instalar os equipamentos, e pronto — disse Bai Ling. — Vovô, não subestime meu pequeno laboratório. Os equipamentos lá são muito avançados, até mais do que em alguns lugares do país.
— Ah, é mesmo? — perguntou o velho Sr. Lin, franzindo a testa, com os olhos brilhando de interesse.
— Vovô, não pode cobiçar meus equipamentos. Comprei tudo com meu próprio dinheiro. Sabe? Só em equipamentos, gastei quase trezentos milhões de reais. Não vou doá-los assim tão facilmente — alertou Bai Ling. Ela já tinha doado os tesouros; se também doasse o laboratório, que era seu sustento, não teria onde chorar.
— Quem quer seus equipamentos? Estou pensando que, se você tiver contatos, pode ajudar a comprar para o continente — disse o velho Sr. Lin, com desdém, subestimando sua visão.
— Olha só, até que tenho um jeito. O lote de equipamentos que encomendei recentemente foi comprado pelo professor Bai do Canadá. Talvez ele possa ajudar! — Bai Ling ficou aliviada.
Bai Ling leu atentamente os materiais que o velho Sr. Lin lhe dera e finalmente escolheu um galpão fechado perto de um parque industrial nos arredores da cidade. Após uma inspeção no local, decidiu-se por aquele...
— Professor Bai, já consegui o galpão. Quando aí chegarem a um ponto de pausa na pesquisa, começamos a mudança para cá — disse Bai Ling ao telefone, comendo uma maçã, sorrindo.
— Aqui também estou quase pronto. A propósito, me inscrevi como professor visitante na Universidade de Pequim. Assim, poderei dar aulas e pesquisar ao mesmo tempo — disse Bai Lichen, rindo, segurando a resposta que acabara de receber da universidade no continente, resolvendo uma preocupação.
— Na verdade, com o salário e a participação nos lucros que te pago, não precisava fazer isso. Não é muito cansativo ter dois trabalhos? — perguntou Bai Ling, sem entender. Será que Bai Lichen gostava especialmente de ser professor? Um vício por professores? Não era um hobby incompreensível.
— Hehe, ser professor universitário é muito tranquilo, e gosto do ambiente acadêmico das escolas. Mas, quando eu chegar aí, onde essa sua chefe vai me arranjar para morar? — Bai Lichen sabia que Bai Ling cuidaria disso.
— Arranjar o quê? Minha família tem um pátio quadrado de três pátios, dezenas de quartos. Pode escolher qualquer um — disse Bai Ling, generosa. Aqueles lugares estavam vazios, e ainda precisava mandar alguém limpar uma vez por semana, mas, por estarem vazios, pareciam muito desertos.
— Pátio quadrado? Isso me interessa muito. Já vi fotos da minha mãe quando criança, e ela morava num pátio quadrado. Quero muito conhecer um — disse Bai Lichen, animado. Poder morar num lendário pátio quadrado, e ainda na casa de Bai Ling, não seria como chegar primeiro ao lago para pegar a lua?
— Tudo bem. A propósito, se a avó Bai quiser vir morar também, não tem problema. Há muitos quartos — lembrou Bai Ling. — Vou separar um pátio só para vocês.
— Ótimo. Já estou ansioso para ir para a cidade B. Quando chegar, você vai ter que me levar para passear bastante — disse Bai Lichen, rindo. — A Muralha da China, tenho que ir. Quem não vai à Muralha não é um verdadeiro homem. Eu sou um homem de verdade, de pé no chão e cabeça erguida; não ir à Muralha seria um grande prejuízo.
Bai Ling fez uma careta. Ter muitos amigos também não era bom. Quem nunca tinha vindo à cidade B pedia para ela os levar para passear. Ela já quase sabia contar quantos tijolos azuis havia na Muralha.
— Ah! — disse Bai Ling, com uma careta, relutante.
Ao ouvir a relutância de Bai Ling, Bai Lichen não gostou e disse: — Olha, Xiaoling, eu trabalho como um cavalo para você, e você não vai me dar nem um pequeno benefício?
— Dou, dou. Você diz para onde quer ir, e eu te levo, está bom? — pediu Bai Ling, rendendo-se. Agora que Bai Lichen a conhecia bem, já tinha encontrado o ponto fraco de Bai Ling: ela odiava que lhe cobrassem favores. Essa tática sempre funcionava.
Com a data da mudança definida, Bai Ling mal podia esperar para que seu laboratório se estabelecesse o mais rápido possível na cidade B.
— Irmã Xiaoling, tem um rapazão te procurando! — De Dong subiu as escadas suando, chamando Bai Ling, que estava ao telefone.
— Ah, já vou! — Bai Ling desligou o telefone, vestiu um casaco e desceu.
Ela pensou que fosse Zhao Lingyun, mas era Qin Zheng.
— Irmão Qin Zheng, como é que hoje você teve tempo de vir aqui? — perguntou Bai Ling, rindo. Sem motivo, não se vai ao templo dos três tesouros. Qin Zheng era um homem muito ocupado, que não se levanta cedo sem interesse.
— Ouvi dizer que você tem muitos tesouros aqui. Meu avô me disse que o leilão já está montado, e estamos esperando o arroz da sua parte para cozinhar! — disse Qin Zheng, sorrindo suavemente. Nos negócios, ele era muito elegante, ao contrário de Zhu Mengxi, que era mais mercenário, e Li Baojian, que era a personificação da vulgaridade.
— Sim, você entende muito de antiguidades? — perguntou Bai Ling.
— Não se pode dizer que entendo muito, sei um pouco — respondeu Qin Zheng, calmamente.
Saber um pouco, até que ponto? Seria modéstia? Bai Ling perguntou novamente: — Consegue distinguir o que é tesouro nacional do que é relíquia comum? Os tesouros nacionais, guardamos para nós, para montar um museu particular, cobrar entrada, e assim nossa obra de caridade pode ser sustentável.
Qin Zheng estava bebendo água e, ao ouvir Bai Ling falar em abrir um museu particular, engasgou-se de surpresa.
— Xiaoling, quantas antiguidades você tem, para querer abrir um museu? — perguntou Qin Zheng, apressado. Que boca grande, assustava até a morte.
Antes, o velho Qin tinha levado todo o ouro, quase cem toneladas. Não só encontraram ouro no monte da China, mas também em outros países. As joias e antiguidades restantes, nem Bai Ling nem o velho Qin quiseram. Ele só disse que, se houvesse tesouros nacionais ou itens representativos, fossem entregues ao Estado; o resto, tudo para Bai Ling. Quanto ao que fazer, ela que decidisse.
Bai Ling sabia que aquelas coisas não eram dela, então decidiu usá-las todas para caridade. O dinheiro das joias comuns leiloadas seria usado, em parte, para obras de caridade e, em parte, para a construção do museu.
— Tio Xiao Zhou, por favor, ajude a trazer as duas caixas de madeira do meu quarto! — Bai Ling acenou e pediu ajuda ao guarda-costas do velho Sr. Lin. — Com cuidado! Dentro há porcelanas e joias.
Xiao Zhou chamou outro guarda e os dois subiram para trazer duas caixas grandes.
Bai Ling abriu as caixas pessoalmente. A primeira continha porcelanas, com seis compartimentos, cada um forrado com papel e palha para proteger as antiguidades.