— O que você vai comprar? — perguntou Bai Lichen, curioso. Não era para ir à casa dele visitar a mãe dele? — Você vai saber daqui a pouco! — disse ela, saltando do carro. Com muita habilidade, passou pela grade e foi até a loja de bolos. Em pouco tempo, saiu com duas caixas grandes: uma para a avó de Bai Lichen e a outra para levar para casa. Tanto Bai Ling gostava, quanto Xiao Gen também adorava. — Como você sabia que minha mãe gosta de bolo? — perguntou Bai Lichen, surpreso. Ele não tinha contado isso a Bai Ling. Bai Ling realmente não sabia que a mãe de Bai Lichen gostava de bolo. Só pensou que, como era a primeira vez que ia à casa dele e ainda havia parentes que vieram de longe, não podia ir de mãos vazias. Além disso, antes de sair, sua mãe Bai Han pediu que comprasse um bolo, então ela o fez. Mas agora que Bai Lichen perguntou, mesmo sendo sincera, Bai Ling não podia dizer a verdade. Deu um sorriso amarelo e disse: — A avó de Bai Lichen gosta de fazer doces e sobremesas, então imaginei que ela devia gostar de bolo. E este bolo é definitivamente o mais gostoso. Você vai experimentar daqui a pouco! Bai Lichen estremeceu e recusou: — Melhor não. Não gosto desses bolos gordurosos, muito doces. — Palavras não bastam. Você vai saber daqui a pouco — disse Bai Ling, sem se convencer. Na vida anterior, Bai Ling não gostava de doces, mas depois de renascer, passou a comer doces com frequência para se animar, guardando no coração uma frase: quem come doces tem mais facilidade para ser feliz. Embora fosse um absurdo, quando enfrentava dificuldades, Bai Ling comia sozinha muitos caramelos de leite. Os dois logo chegaram à casa de Bai Lichen. Era um apartamento duplex alugado por ele. Originalmente, Bai Lichen era apenas professor visitante na universidade, com contrato de um ano, então não precisava comprar casa ali. Bai Ling pensou que, se Bai Lichen fosse continuar no laboratório, alugar não era uma boa solução. Cogitou dar uma casa a ele. Ele tinha ações no laboratório; melhor esperar a distribuição de dividendos no fim do ano. Se faltasse algo, Bai Ling completaria para comprar uma vila. Quem abriu a porta foi Lan Xin. Com um sorriso radiante, ao ver Bai Ling atrás de Bai Lichen, seu rosto empalideceu um pouco, mas ainda assim forçou um sorriso e deixou Bai Ling entrar. No entanto, quando Bai Ling chamou a Sra. Bai de "avó", seu rosto se iluminou com um sorriso brilhante e, ao lidar com Bai Ling, tornou-se muito calorosa. — Olá, avó Bai. A comida que a senhora faz é deliciosa. Vim comer de penetra! — disse Bai Ling, segurando a caixa de bolo. Ao entrar, viu a Sra. Bai sentada no sofá. — Hoje fiz costela de porco cozida. Lave logo as mãos, vamos comer! — A Sra. Bai ficou muito feliz ao ver Bai Ling chegar e também notou a caixa elegante que ela trouxe. — O que trouxe de bom para a avó? — É uma caixa de bolo. Depois do jantar, vamos comer uma sobremesa, que tal? — Bai Ling colocou a caixa na mesa, e a moça chamada Lan Xin a levou para a cozinha. — Que bom! Se algo é elogiado por uma gulosa como você, deve ser delicioso — disse a Sra. Bai, sorrindo, e deu um tapinha na própria perna. — Quando minha perna estiver totalmente boa, farei bolo para você. Meu bolo de manteiga em camadas é de lamber os dedos. Logo, Lan Xin trouxe a comida. Os quatro se sentaram à mesa para jantar. Durante a refeição, não havia muita cerimônia; todos comiam e conversavam. — Xiao Chen, se tiver tempo amanhã, leva Lan Xin para passear? Já faz um mês que estamos em Hong Kong, e ela ficou me acompanhando, sem tempo para sair — disse a Sra. Bai, olhando para Bai Lichen e Lan Xin, falando sério. Lan Xin queria muito ir, mas ninguém em casa cuidaria da Sra. Bai, e todos ficariam preocupados. — Mãe, e se você ficar sozinha em casa e algo acontecer? — Bai Lichen foi o primeiro a discordar. Se a mãe estivesse bem de saúde, tudo bem, mas ela não estava bem e precisava de companhia. Será que deveria contratar uma cuidadora ou empregada para ela? — O que poderia acontecer? Amanhã vou à casa da família Xi, conversar com a Sra. Xi e a idosa Sra. Xi. Vocês se divirtam lá fora — disse a Sra. Bai, que agora frequentemente visitava a idosa Sra. Xi para conversar. As duas idosas se davam bem e ainda podiam ver o neto, então a Sra. Bai adorava ir. — Que tal eu contratar uma cuidadora ou empregada para você nestes dias? Assim, Lan Xin pode ir aonde quiser! — sugeriu Bai Lichen, em tom de consulta. Lan Xin ficou muito animada e disse: — Não quero empregada nem cuidadora. Eu mesma cuido da tia! — Lan Xin era filha de um amigo falecido de origem chinesa no Canadá, adotada pela Sra. Bai quando já tinha oito anos e se lembrava de tudo. Como tinha idade próxima à de Bai Lichen, era muito apegada a ele. Embora já tivesse terminado os estudos, não encontrava um emprego adequado. Quando a Sra. Bai ficou doente, seus quatro filhos queriam contratar uma cuidadora, mas Lan Xin, que estava desocupada, se ofereceu para ajudar. Com o tempo, ela acabou não trabalhando. No entanto, com a força da família Bai, ela poderia viver sem trabalhar, e todos, que a viram crescer, ficavam tranquilos com ela cuidando da Sra. Bai. Se a tia Bai contratasse uma empregada, Lan Xin não teria mais motivo para ficar em casa sem emprego. Depois de se formar, ela trocou vários empregos: os de salário alto eram muito cansativos, e os que não cansavam pagavam pouco, o que a deixava frustrada. Agora, cuidar da tia Bai rendia muito mais do que antes. Cada um dos quatro irmãos dava dinheiro todo mês, e a Sra. Bai também ganhava bem com os direitos autorais de seus livros. A Sra. Bai olhou para Lan Xin, que estava ansiosa, com satisfação. Não tinha sido em vão o carinho que dedicara a ela. No último ano, Lan Xin esteve sempre ao seu lado. Desde que seu filho terminou o namoro, não procurou mais namorada, e já fazia vários anos que não superava aquela sombra. A Sra. Bai sempre pensou em segredo: se o filho e Lan Xin pudessem ficar juntos, seria bom. Lan Xin, que ela viu crescer, embora um pouco interesseira, tinha um coração bom e sabia se comportar. Lan Xin sempre teve uma queda por Bai Lichen, que tinha idade próxima à dela, e era por isso que queria ficar perto da Sra. Bai, na esperança de conquistá-lo. Os homens da família Bai eram muito apegados à família e fiéis às esposas, nunca se metendo em confusão. Mas o amor não era correspondido. Bai Lichen sempre tratou Lan Xin como irmã, sem nunca pensar em algo mais. Mesmo depois de seu fracasso amoroso, não mudou de ideia. Dia após dia, ano após ano, Lan Xin já estava ficando para titia, e seu olhar para Bai Lichen se tornava cada vez mais melancólico. A Sra. Bai, que viu os dois crescerem, sabia dos sentimentos de Lan Xin. Desta vez, ao vir do Canadá, não esperava realmente se curar, mas aproveitar a oportunidade para uni-los, na esperança de vê-los juntos ainda em vida. — Na verdade, contratar uma cuidadora é melhor. Assim, Lan Xin pode descansar um pouco. Jovens precisam sair, passear, comprar roupas e joias — disse a Sra. Bai, concordando com a sugestão de Bai Lichen. Vendo que mãe e filho já tinham decidido, Lan Xin desistiu. Já que teria tempo, será que deveria procurar mais oportunidades de se aproximar do irmão Chen? — Conheço uma agência de serviços domésticos muito boa. Todos os empregados da família Xi e da minha casa são treinados por ela, são excelentes, com antecedentes limpos e pessoas honestas, de confiança! — Bai Ling tirou um cartão de visita da sua agenda e deu a Bai Lichen. Bai Lichen não conhecia muito bem Hong Kong e não sabia se essa agência era boa ou não. Ele pegou o cartão e disse, agradecido: — Bai Ling, muito obrigado pela ajuda! — Não foi nada! — Bai Ling sorriu. Ver um homem levar algo tão a sério mostrava que ele era muito dedicado. Depois do jantar, a Sra. Bai disse a Bai Lichen: — Pega o bolo que trouxemos para compartilharmos o carinho de Bai Ling! — Deixa que eu vou! — Lan Xin se levantou rapidamente, antes de Bai Lichen, e foi para a cozinha cortar a sobremesa. A sobremesa foi colocada em pratinhos, com garfinhos ao lado, e servida. A Sra. Bai primeiro olhou para a manteiga por cima, cheirou e disse: — Nada mal! — Pegou o garfinho, comeu um pedacinho, fechou os olhos para saborear, e só depois de um tempo os abriu. — Muito bom! — Olhou para Bai Ling com aprovação. — Deixa o endereço dessa loja de bolos. Um dia vou lá dar uma volta e comprar alguns doces! — Fico feliz que a senhora gostou! Aqui está o endereço! — Bai Ling escreveu rapidamente o endereço em um post-it, usando caracteres tradicionais, claro. Exceto na China continental, que usa simplificados, todas as outras regiões de língua chinesa usam tradicionais. A Sra. Bai guardou o post-it e o entregou a Lan Xin, dizendo: — Guarde bem! — Virou-se para Bai Ling. — Da próxima vez que for à sua casa, levarei meu bolo de flor de ervilha. Garanto que você vai amar e não esquecer. — O bolo da minha mãe é o melhor do mundo! — Bai Lichen fez propaganda para a mãe. — Bobagem! — Embora a Sra. Bai contestasse, todos podiam ver o orgulho em seus olhos. — Não é, não! — O homem de mais de vinte anos ainda fazia manha. Nossa, que coisa! Arrepios na pele. Mas Bai Ling manteve uma expressão séria e disse: — Então, a partir de agora, estou ansiosa pelo bolo de flor de ervilha da avó Bai. — Da próxima vez, com certeza levarei! — disse a Sra. Bai, sorrindo. — Aliás, Lan Xin também faz bolos muito bons. Um dia, deixa ela mostrar o talento! Depois de visitar a casa de Bai Ling, ela teve uma nova compreensão de Bai Lichen. Aquele homem não era tão duro quanto parecia por fora; aquilo era apenas uma casca de proteção. O trabalho e os estudos de Bai Ling eram muito intensos. Num piscar de olhos, passaram-se seis meses, e ela recebeu a visita de um velho amigo. — Bai Ling, quanto tempo! — Bai Ling esfregou os olhos e olhou para Zhao Lingyun, que estava todo elegante em um terno Armani, fazendo seu corpo já robusto parecer menos bruto e mais alto e imponente. Desta vez, ver Zhao Lingyun trouxe mais impacto a Bai Ling. Ele certamente tinha matado em missões especiais, e não poucos. Havia uma pequena cicatriz no canto do olho dele, e outra atrás da orelha. O corpo exalava uma aura assassina, mostrando que a missão não tinha sido nada simples. — Nossa, bonitão, finalmente resolveu aparecer? — Bai Ling sabia que, mesmo que perguntasse aonde Zhao Lingyun tinha ido, ele não contaria, então o cumprimentou de brincadeira. Zhao Lingyun coçou a cabeça e disse: — Irmãzinha Ling, o irmão Lingyun sempre te tratou bem. Você tem que me dizer a verdade: Zi Qing ficou brava? — Ele se referia a Li Ziqing. Bai Ling sabia que Zhao Lingyun ia perguntar sobre Li Ziqing. Não tinha jeito, o cara estava apaixonado. Deu de ombros e disse: — Se ficou brava, não sei. Mas ela não fala muito de você. Você sumiu por três anos. O que acha que uma garota como ela pensa? — Irmãzinha Ling, o irmão nunca pediu nada a ninguém na vida, mas desta vez estou pedindo. Você pode me ajudar? — disse Zhao Lingyun, ansioso. Era por isso que ele não tinha ido direto procurar Li Ziqing. — Como posso te ajudar? Acha que algumas palavras bonitas vão compensar três anos de ausência? Você não viu como Li Zidong fica atrás da irmã Chun Xing, servindo chá, perguntando como ela está. E você? Três anos sem dar notícias! — Bai Ling defendeu a amiga, mas pensou que o cara não tinha ido se divertir, e sim cumprir missões. Não podia condená-lo de vez. — Mas, como amiga de infância, me diga: como quer que eu ajude? Zhao Lingyun, meio sem jeito, tirou de sua mochila de viagem uma caixa de madeira. Pela aparência cinzenta e surrada, Bai Ling já não tinha vontade de olhar. Será que só tinha uma caixa de balas lá dentro? — O que é isso? — perguntou Bai Ling, enquanto abria a caixa. — Nossa! De onde você tirou essa joia? Zhao Lingyun, por hábito, olhou em volta para ver se tinha alguém, e então sussurrou no ouvido dela: — Durante uma missão em Mianmar, encontrei dois grupos em conflito. Fiquei escondido na beirada e, quando ambos estavam exaustos, peguei o que sobrou. Bai Ling olhou para a peça à sua frente: era um jade vermelho de altíssima qualidade, tipo vidro, do tamanho de dois punhos, com uns dois ou três quilos. Embora Bai Ling tivesse jade em seu espaço, eram todos verdes ou brancos, pérolas leitosas, nada desse jade vermelho de primeira. — Por que você não entregou isso à organização? — perguntou Bai Ling, erguendo uma sobrancelha. Não era o estilo de Zhao Lingyun. — Hehe, originalmente era uma caixa grande. Escondi um pouco. Tinha uns verdes e roxos também. Entreguei o resto, só fiquei com este pedaço. Quando vi esse jade vermelho, lembrei dos lábios vermelhos de Zi Qing — disse Zhao Lingyun com uma expressão de testosterona à flor da pele, dando arrepios em Bai Ling. Então era um butim de guerra. Mas, já que Zhao Lingyun tinha esse coração e arriscou a vida para consegui-lo, Bai Ling não podia criticar. — Você quer que eu esculpa algumas peças para dar a Zi Qing, não é? — Bai Ling logo entendeu a intenção. Senão, por que o cara teria mostrado aquilo a ela? — Irmãzinha Ling é perspicaz. Era exatamente isso que eu pensava. Será que dá? — Zhao puxou o saco, sabendo que na hora de pedir, é bom falar bem. Vendo que Zhao Lingyun levava Li Ziqing a sério, a ponto de pensar nela mesmo arriscando a vida, isso provava que os dois eram sérios e deviam ser incentivados. — Quando você quer? — perguntou Bai Ling, franzindo a testa, examinando o jade vermelho de primeira na mesa. — Só tenho uma semana de férias, então quanto antes, melhor! — Zhao Lingyun estava com uma cara de quem não se importava, e Bai Ling quase quis dar um soco nele. Para que ele pudesse encontrar Li Ziqing logo, ela teria que virar a noite fazendo essas peças. — Você está contando que eu sou mole, não é? — Bai Ling arregalou os olhos, quase querendo expulsar o cara. — Quem disse que a irmãzinha Ling não é leal? Estou contando com você, irmão — disse Zhao Lingyun, um homem alto, fazendo reverências e mesuras diante de Bai Ling. Quem não soubesse da situação, pensaria que Bai Ling era a credora dele. Bai Han, descendo as escadas, viu a cara de coitado de Zhao Lingyun e o ar de satisfeita da filha, e repreendeu: — Xiao Ling, o que você está fazendo?