Capítulo 1103: Capítulo 1102 Órfão e Viúva 1

Cheio de charme, muito mais bonita que a megera lá de casa, me pergunto como será o gosto de um beijo☆ Yang Hu tem pensamentos obscenos sobre Bai Han e Qin Ruhua.

Mas com tanta gente na rua, Yang Hu só pode matar a vontade com os olhos e babar de desejo. Vendo que os bolos de crisântemo que as duas vendem são tão populares, ele costuma rondar por perto, querendo ver se consegue aprender o segredo. Mas toda vez só vê as duas comprando farinha e crisântemos da cidade, nada mais, sem saber como é feito! Embora não tenha descoberto o processo, pelo menos ver as belas mulheres já vale a pena.

— Irmã Qin, olha ali no noroeste, tem um homem de uns vinte e poucos anos que vive rondando a gente, o olhar dele é meio assustador — sussurra Bai Han no ouvido de Qin Ruhua, um pouco envergonhada, pois é tímida.

Qin Ruhua segue o olhar de Bai Han e logo sabe de quem ela está falando: é Yang Hu, um homem que se casou na vila de Li, originalmente da vila de Yangshu, e nunca foi alguém tranquilo. Lembra-se de quando o pai de Wu Bin acabara de partir, um ou dois anos antes, Yang Hu ainda não era casado e já rondava a casa dela, causando muitos comentários. Qin Ruhua não tinha outros pensamentos, só queria criar Wu Bin, então sempre evitava Yang Hu; mas ele, um jovem cheio de vigor, não ouvia conselhos, teimoso, e vivia rondando o caminho que Qin Ruhua fazia para voltar para casa. Com o tempo, Yang Hu encontrou uma oportunidade. Naquele dia, Wu Bin tinha sumido, e Qin Ruhua correu por toda parte procurando-o, até tarde da noite sem sucesso. Na verdade, Yang Hu tinha escondido Wu Bin, e só o soltaria se Qin Ruhua cedesse a ele.

Como Qin Ruhua podia engolir essa? Fingiu ceder a Yang Hu, virou-se para trás dele, tirou sorrateiramente uma tesoura do peito, apontou para a artéria de Yang Hu e gritou: — Onde está Wu Bin? Se não disser, morremos juntos! A morte resolve tudo!

Qin Ruhua chorava quase loucamente, e Yang Hu, sentindo o frio da tesoura no pescoço, ficou com medo e gaguejou: — Wu Bin está bem, está trancado na cozinha!

Com medo de que Yang Hu estivesse mentindo, Qin Ruhua gritou: — Anda! Leva-me até lá!

Yang Hu, sob a ameaça de Qin Ruhua, foi até a cozinha e chutou a porta de madeira. Wu Bin estava sentado numa pilha de palha, com um pano sujo na boca e os olhos inchados de tanto chorar. O barulho na casa de Yang Hu chamou a atenção dos vizinhos, que vieram ver o que estava acontecendo.

Vendo que alguém tinha chegado, Qin Ruhua se acalmou e disse: — Tio Yang, tira o Wu Bin daí, por favor, tenha piedade.

O tio Yang logo percebeu que Yang Hu tinha feito algo errado. Esse sobrinho nunca dava sossego, não prestava, e rugiu: — Desgraçado, tem vergonha na cara pelos teus pais mortos?

O tio Yang ignorou Yang Hu, fez o que Qin Ruhua pediu, soltou Wu Bin e o trouxe para fora. — Mãe do Wu Bin, o Yang Hu já aprendeu a lição, solta ele! — suspirou o tio Yang. Cada vez mais gente se juntava, e Yang Hu, que já era pobre e sem pais, não conseguia esposa; agora, com essa vergonha, se espalhasse, passaria a vida solteiro.

Qin Ruhua sempre recuava, mas Yang Hu não sabia se dar por satisfeito. Dessa vez, se não desse uma lição nele, ele poderia fazer pior no futuro. Aproveitando que Yang Hu estava distraído, ela cravou a tesoura na coxa dele. A dor súbita fez Yang Hu uivar, segurando a perna. Qin Ruhua, sem se importar com os outros, pegou Wu Bin, com o cabelo desgrenhado, e saiu do pátio de Yang Hu.

Quem viu sabia que Yang Hu tinha feito algo errado: sequestrou o filho dela, forçou a viúva e o órfão, e levar uma tesourada foi merecido.

Em casa, Qin Ruhua abraçou Wu Bin e chorou por muito tempo, com pena do filho ferido e triste por si mesma, odiando o marido inútil que só trazia problemas. Jurou cuidar bem de Wu Bin, nunca mais ser fraca e deixar que pisassem nela. Foi essa atitude feroz que criou a reputação de que Qin Ruhua não era de se brincar, o que lhe poupou muitos problemas.

— Não tem o que temer, cães e gatos, é só ignorar! — Qin Ruhua olhou com desprezo para Yang Hu, que rondava por perto. Ao encontrar o olhar de escárnio dela, Yang Hu instintivamente baixou a cabeça, tocou a coxa onde fora ferida anos atrás, e foi embora de rabo entre as pernas, sem ousar ficar.

Vendo que o homem tinha ido embora, Bai Han não ligou mais. À noite, quando voltaram, calcularam que tinham quase mil yuans no total. Provavelmente, nem toda a vila junta tinha tanto dinheiro. Era preciso esconder bem, em vários lugares, para que, mesmo se viesse um ladrão, não pudesse levar tudo.

Bai Ling, nos últimos dias, sentia-se inquieta. A mãe, Bai Han, e a tia Qin eram mulheres, sem um homem em casa. Se alguém pulasse o muro, seria difícil de lidar. Então, pegou emprestado o Dahuang, o cachorro da família de Yang Chunxing, para ajudar a vigiar a casa. Yang Chunxing, Wu Bin e Bai Ling eram muito amigos, e ele não hesitou em deixar o Dahuang. Desde que bebeu a água do espaço, Dahuang não só ficou mais forte, como também se deu muito bem com Bai Ling, sempre esfregando o focinho no rosto macio dela.

Bai Han, cansada do dia, lavou-se e foi dormir. Bai Ling também não tinha parado o dia inteiro e deitou-se na cama, dormindo profundamente. Uma sombra escura pulou silenciosamente o muro. Dahuang, que estava deitado aos pés da cama, abriu os olhos alerta, fixando a porta.

Como estava calor, as janelas estavam abertas. Assim que a sombra chegou à janela, Dahuang já tinha saltado, latindo. Bai Han e Bai Ling acordaram assustadas, acenderam a luz para ver o que estava acontecendo!

A sombra, ao ser derrubada, gritava: — Socorro! Socorro! O barulho era grande. Qin Ruhua também acordou, mandou Wu Bin ficar quieto na cama, vestiu-se e correu para fora. Ouvindo os gritos, os vizinhos também vieram ver. Bai Han e Qin Ruhua eram mulheres, e todos ajudavam como podiam, algo comum na simplicidade da vila.

Com várias lanternas acesas, viram a pessoa encolhida no chão, com Dahuang em cima. Vendo que não havia perigo, Bai Ling chamou: — Dahuang, vem! O cachorro obedeceu e pulou para baixo. Olhando bem, era Yang Hu. Desgraçado, tinha se aquietado por alguns anos e agora voltava a fazer essas coisas baixas.

Yang Hu sabia como Qin Ruhua era perigosa, então não ousava mexer com ela. Observou Bai Han por um tempo, viu que ela não falava muito e pensou que era fácil de intimidar. Por isso, veio para assediá-la e, de quebra, roubar um dinheiro. Mas o tiro saiu pela culatra: foi pego em flagrante, mordido pelo cachorro até ficar em frangalhos, com o rosto arranhado e um pedaço de carne arrancado do braço.

Quando o tio de Yang Hu chegou, deu-lhe vários chutes. Qin Ruhua e Bai Han iam deixar a vila de Yangshu em breve e não queriam confusão. — Tio Yang, por sua causa, leva o Yang Hu de volta! — disse Bai Han calmamente, mas com medo no coração. Se não fosse Dahuang, o que teria acontecido? Só de pensar, ainda sentia calafrios.

O tio Yang assentiu, sem coragem de ficar mais tempo, ajudou Yang Hu a levantar-se, com o rosto vermelho, suspirando, e foi embora.

A multidão se dispersou. Qin Ruhua trouxe Wu Bin para perto, e as duas famílias passaram a morar juntas, para que Dahuang pudesse proteger ambas. Quanto a Yang Hu, depois de ser levado pelo tio, levou uma grande bronca. Como já era casado, chamaram a esposa dele. O assunto não podia ser escondido; de manhã, se espalharia por toda a região. Era melhor contar logo à esposa de Yang Hu.

Quando a esposa de Yang Hu chegou, deu-lhe uma surra. Três dias sem bater, ele sobe no telhado. Depois da surra, ignorando os ferimentos dele, exigiu o divórcio, ninguém a segurou. Estava farta da preguiça e das traições de Yang Hu.

O que aconteceu com Yang Hu depois já não era problema de Bai Han e Qin Ruhua. As duas se inscreveram na mesma universidade, então receberam as cartas de aceitação no mesmo dia. Desde que receberam as cartas, começaram a arrumar as coisas para ir para a cidade de B, primeiro se estabelecer, senão, se esperassem até perto do início das aulas, não daria tempo.

Bai Han e Qin Ruhua compraram algumas garrafas de bebida, doces e um pedaço de carne, e levaram Bai Ling e Wu Bin à casa do secretário da vila, Yang, para agradecer pela ajuda e apoio ao longo dos anos. O secretário Yang era uma pessoa boa, embora gostasse de ouvir elogios, mas lidava com as coisas de forma justa.

— Vocês, duas crianças, conseguirem entrar na universidade não foi fácil. Na cidade de B, que é perto do imperador, o dinheiro vai fazer falta. Levem essas coisas de volta. Mãe do Wu Bin, vou guardar suas terras por enquanto. Se não der certo, podem voltar — disse o secretário Yang, surpreso que ambas tivessem passado na universidade, e logo na mais famosa.

— Tio, fique com elas. Nossa bagagem já é muita, não dá para levar. Além disso, o senhor não está guardando minhas terras? Considere como pagamento por cuidar delas. Se não der certo na cidade grande, eu e Wu Bin voltaremos para a vila de Yangshu — disse Qin Ruhua, sorrindo, deixando as coisas no chão. Era preciso retribuir a ajuda do secretário Yang, pois, como viúva e órfã, a vida no campo era difícil, e graças a ele não tiveram problemas.

A esposa do secretário Yang, vendo que eram sinceras, sorriu: — Marido, vamos aceitar. Se elas precisarem de algo, ajudaremos, não é?

O secretário Yang, vendo que não podia recusar, concordou com a cabeça. Foi ao quarto e pegou duas notas de cinco yuans, entregou a Bai Han e Qin Ruhua: — Na minha casa não tem muito dinheiro, não achem pouco. Levem para comprar algo para as crianças no caminho.

— Tio, como podemos aceitar seu dinheiro! — recusou Bai Han. Naquela época, ninguém tinha dinheiro. Aqueles dez yuans deviam ser do dinheiro que o tio Yang ganhou vendendo uma ninhada de leitões. E a Chunxing ainda precisava pagar a matrícula.

— Se não aceitarem, levem as coisas de volta! — disse o secretário Yang, fazendo cara feia, fingindo estar bravo.

Bai Han e Qin Ruhua, sem jeito de recusar, aceitaram. Trocaram olhares e decidiram ensinar o secretário Yang a fazer bolo de crisântemo. Se ele melhorasse de vida, seria uma verdadeira retribuição. Além disso, havia o Dahuang; sem ele, Bai Han poderia ter se dado mal dias antes.

— Tio Yang, ganhamos algum dinheiro fazendo bolo de crisântemo. Se o senhor quiser fazer, ensino como — disse Bai Han, decidida. Não suportava receber ajuda sem retribuir, ficava com a consciência pesada.

O secretário Yang, relutante em aprender um ofício para ganhar a vida, ia recusar, mas a esposa o segurou e sorriu: — Mãe do Wu Bin, mãe da Xiaoling, para ser sincera, vendo vocês venderem bolo de crisântemo, fiquei com inveja. Se vocês realmente quiserem me ensinar, vou agradecer muito. — Ela estava um pouco chateada por o marido ter dado o dinheiro da casa, mas viu que as duas eram generosas e dispostas a ensinar.

Qin Ruhua sabia que a esposa do secretário Yang era boa, só um pouco gananciosa. Como não iam mais ficar por ali, que mal havia em ensinar? Os crisântemos de casa tinham acabado, então pediram ao secretário Yang para comprar mais no dia seguinte.

Yang Chunxing, nos últimos dias, ouvia o pai falar que a mãe da Xiaoling e a mãe do Wu Bin tinham passado na universidade e iam para um lugar muito longe, onde havia a praça Tiananmen e a Muralha da China. Ela também queria ir, mas o pai não deixava.

— Xiaoling, Wu Bin, vocês vão embora, e não vamos mais brincar juntos! — disse Yang Chunxing, triste. Até Dahuang sentia a tristeza dela, com a cabeça baixa, sem energia.

Bai Ling, que convivera tanto com Yang Chunxing, gostava muito de sua personalidade simples e ousada. Deu um tapinha no ombro dela: — Irmã Chunxing, estude bem, um dia passe também para a cidade de B, e aí você fica na minha casa.

— É, Chunxing, pode ficar na minha também! — disse Wu Bin, batendo no peito, todo importante, com seu rostinho bonito e rosado que dava vontade de beliscar.

— Irmã Chunxing, quando chegarmos lá, vamos escrever para você! Você tem que responder! — disse Bai Ling, balançando a cabecinha. — Não é, irmão Wu Bin?

— É, Chunxing, vamos escrever para você. Tem que se esforçar, a gente se vê na cidade de B! — gritou Wu Bin também, consolando Yang Chunxing, que estava quase chorando.

Por mais triste que fosse, Wu Bin e Xiaoling tinham que ir. Era melhor guardar as forças para estudar bem, como a tia Qin, e passar para a cidade de B. Yang Chunxing levantou a cabeça: — Vocês não podem me esquecer! A gente escreve! Jura! Cem anos, não muda!

— Jura! Cem anos, não muda!

— Jura! Cem anos, não muda! A amizade pura das três crianças estava firmada, e a distância não apagaria aquele pequeno pacto no coração.

Com a insistência da esposa do secretário Yang, ele comprou os crisântemos, e Bai Han foi ensinar a fazer o bolo. Não importava como fizessem, embora ainda cheiroso, parecia diferente, sem aquele encanto que embriagava. Até a esposa do secretário, que era leiga, percebeu. Cozinharam várias panelas, e continuava igual.

Vendo-as atarefadas, Bai Ling sabia qual era o problema: os crisântemos eram comuns, não os do espaço misterioso. Para manter o sabor original do bolo, só mudando a água. No pátio de Bai Ling, tinham cavado um poço para água. Ela tinha tirado algumas pedras do tamanho de um punho do fundo do lago do espaço e jogado no poço. Assim, mesmo com crisântemos comuns, o bolo ficava gostoso. Se usasse crisântemos brancos do espaço e água do espaço, teria efeitos de fortalecer o corpo, não sendo apenas comida, mas algo como um suplemento.

A casa onde Bai Ling e a mãe Bai Han moravam era a antiga casa do secretário Yang. Na época, quando Bai Han e Shi Jinghai se juntaram, não podiam ficar no dormitório dos jovens urbanos, e foi o secretário Yang que arrumou a casa velha para eles. Por acaso, Bai Ling mudou a qualidade da água do poço, o que era uma forma de retribuir a ajuda do secretário Yang e a amizade sincera de Yang Chunxing.