A câmera balançou e, na tela, apareceu um rosto de beleza estonteante. No restaurante, ouviu-se um coro de suspiros—
"Uau! Até um louco pode ter tanta classe..." "Imagina como deve ser bonito ao vivo..."
Gu Qiqí também suspirou, e foi quem suspirou mais alto, por dois motivos:
Primeiro, porque toda vez que Zhuang Ruotong via um cara bonito, ela não conseguia evitar de beliscar a coxa de quem estava ao lado—e a intensidade do beliscão era proporcional à beleza do rapaz. Pois é, a coxa esquerda de Gu Qiqí já estava dormente de tanta dor, o que mostrava o quanto a garota estava agitada naquele momento. Segundo, porque o homem lindo e perturbador na TV, de uma beleza que fazia até os deuses e fantasmas chorarem, era ninguém menos que o Rei Lobo, o senhor Rong Yi, que havia sido expulso de casa por Gu Qiqí uma semana atrás! Naquele instante, ele estava deitado solitário no hospital, em condições ainda piores do que no dia em que vomitou sangue gravemente ferido—não havia como ela não suspirar.
O Rei Lobo Rong Yi estava amarrado à força na cama do hospital, com o rosto abatido e o olhar vago. Seu olhar antes arrogante agora era vazio e sem vida—Qiqí entendeu que devia ser por causa da grande quantidade de sedativos que lhe haviam aplicado no hospital!
Meu Deus, em apenas alguns dias, como o senhor Rei Lobo passou de um cavalheiro educado a um louco?
Gu Qiqí estava chocada. Nesse momento, a câmera se aproximou, e Rong Yi mostrou uma expressão infantil e confusa para as lentes.
Gu Qiqí sentiu o coração apertar de repente.
※※※
No dia seguinte, ao meio-dia, Gu Qiqí foi ao setor de pacientes psiquiátricos do Hospital Municipal.
"Sou familiar do Rong Yi. Vim buscá-lo para levar para casa."
Gu Qiqí explicou seu propósito e entregou sua carteira de estudante.
A recepcionista fez uma expressão estranha, examinou Qiqí de cima a baixo e então lhe entregou um formulário, com um tom frio: "Preencha primeiro."
Gu Qiqí obedeceu e, ao olhar o formulário, viu que era uma ficha de informações para visita ao paciente.
Ela preencheu seus dados básicos e, no campo "Relação com o paciente", escreveu: "Prima".
A recepcionista olhou o formulário e perguntou: "Você é prima dele?"
Gu Qiqí assentiu rapidamente: "Sim, sim."
O sarcasmo no olhar da recepcionista aumentou. Ela lançou um olhar para Qiqí, pegou o telefone da mesa e disse: "Doutor Lu, tem mais uma pessoa aqui para buscar o paciente chamado Rong Yi... Hum, sim, ela diz ser prima do paciente... Não, não é a senhora da manhã, é uma estudante..."
Qiqí ouviu aquilo cheia de dúvidas—muita gente veio buscar Rong Yi? Será que o Rei Lobo tinha parentes nesta cidade?
A recepcionista desligou o telefone e disse friamente: "O médico responsável pelo Rong Yi foi para uma consulta conjunta. Só deve ficar livre daqui a uma hora. Espere lá fora primeiro."
Qiqí perguntou timidamente: "Enfermeira, hoje... veio mais alguém buscar o Rong Yi?"
A recepcionista deu uma risada fria: "Claro que sim. Você é a oitava. E mais, não acho que seja mais velha que você, então não me chame de 'enfermeira'."
Vendo a frieza da moça, Qiqí se afastou sem graça. Assim que virou a esquina, ouviu a recepcionista zombar para a colega ao lado: "As estudantes de hoje enlouqueceram, até louco querem levar para casa..."
Qiqí ficou meio confusa com aquilo.
Ela foi para o saguão esperar. O saguão estava bem movimentado, com todo tipo de paciente sendo conduzido por familiares ou cuidadores, passando sem parar diante de Qiqí—o que a fazia pensar como a pressão na sociedade moderna era grande e como havia tantos loucos!
Qiqí estudava medicina e nunca havia tido contato com pacientes psiquiátricos antes, por isso se interessou muito pelo lugar. Olhou o relógio—já que ainda tinha uma hora, por que não dar uma volta? Serviria como uma pesquisa acadêmica.